Digital desde cedo

“… precisamos ser parceiros de negócio, que explicitamente impactam positivamente nos resultados dos clientes.”

O Publicitando entrevistou o Alex Gonçalves. Ele é Coordenador do Núcleo de Inteligência Digital da KMS Comunicação, agência situada em SJCampos.

Veja o que ele nos contou:

1 – Você pode ser considerado um dos pioneiros do digital aqui no Vale do Paraíba. Quando e por que surgiu o interesse por esta área da comunicação?

O meu interesse começou na época da faculdade. Para estudar eu buscava informações na internet, onde acabei me identificando com os blogs. Então, por hobby, em 2006 eu criei o blog Publiloucos, que foi ganhando forma e me ajudando a aprender mais sobre esta parte da comunicação. Desde então fui me interessando mais e mais.

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2 – Você coordena uma área bastante incomum nas agências da região. Como é desenvolver estratégias digitais para os clientes do Vale do Paraíba?

Na minha percepção esta área não é mais novidade para as agências da região, tem muita gente se movimentando e fazendo um trabalho bem bacana.

Antes de falar especificamente do digital, precisamos falar das relações entre clientes, profissionais e a comunicação.

Sempre que falamos de clientes regionais, é automático: aparece a comparação de budget com mercados maiores. Sim, enfrentamos budgets menores, mas este desafio nos obriga a pensar bastante em ações que tragam retorno real ao cliente.

Em algumas ocasiões as empresas não tem um budget para comunicação, entendimento sobre o papel da agência e na maioria dos casos não enxergam um benefício ao contratar uma agência, pois nos veem apenas como um fornecedor que faz apenas o que é solicitado.

Este formato não funciona. A insistência neste caminho é sinônimo de contrato não renovado, carimbado com aquela frase de que “publicidade não funciona”.

Cabe à nós, profissionais de comunicação, tomar a frente e mostrar que não somos apenas fornecedores, precisamos ser parceiros de negócio, que explicitamente impactam positivamente nos resultados dos clientes.

Agora falando de estratégias em ambientes digitais: precisamos desconstruir o mito de que o digital é barato. Podemos afirmar que os anúncios online são mais acessíveis, onde você pode investir pequenas quantias em mídia. Mas repito, é o valor de mídia. Para toda esta engrenagem rodar são necessários profissionais, que investem suas horas no projeto e tudo isto gera um custo. E alguém precisa pagar, senão a conta não fecha.

3 – Como promover integração on e off pra valer?

Eu sou da época em que o computador usava roupa! Era obrigatório vestir o computador com um plástico branco para não juntar pó, senão acontecia alguma tragédia. E não falávamos “acessar a internet”, o certo era “entrar na internet”. E isto tinha dias e horários específicos, que eram ansiosamente aguardados. Entrar na internet (numa conexão discada de lentíssimos 44 Kbps que caia frequentemente e tinha que “entrar de novo”) era o máximo.

Esta saga mostra como era algo estranho ter o acesso. É nítido que havia uma separação, pois se você tinha que entrar é porque você estava do lado de fora.

As pessoas mais jovens não passaram por isto, já nasceram naturalmente conectados. Já estão “dentro da internet”. Não sentem esta separação do on/off.

Com a comunicação funciona da mesma maneira. Temos os objetivos de comunicação e as ações pra atingí-los tem que estar integradas. A marca tem que ser a mesma em qualquer lugar, seja num outdoor, numa ação OOH ou no Facebook.

4 – A maioria dos profissionais da área digital em comunicação hoje são bastante autodidatas e se valem de cursos rápidos/eventos/palestras. Como a academia (as faculdades e universidades) podem colaborar para reverter este quadro?

Isto é fato. Creio que deva acontecer uma aproximação maior entre empresas e academia. Na teoria é muito fácil, mas na prática não é tão simples assim. Acho que um passo seria realizar palestras e workshops com mais frequência nas universidades.

5 – Qual o melhor caminho para se chegar a uma posição de destaque no cenário digital?

Olha, até hoje eu não sei, rs. Não existe fórmula pronta. Mas em qualquer lado em que o profissional estiver (agência x cliente), deve haver muita força de vontade para estudar, correr atrás das novidades, buscar melhoria contínua, trabalhar com foco e encarar os problemas de comunicação como desafios próprios.

Publicitando entrevista Camila Carvalho

“A internet é um grande amiga pra quem quer começar…”

Desta vez entrevistamos uma jovem profissional de comunicação que tem forte atuação em mídias sociais. Camila é Analista de Redes Sociais na Rede Vanguarda. O papo foi muito proveitoso. Confira:

Camila Carvalho

Camila Carvalho

1 – Você é formada em jornalismo. Como chegou às mídias sociais?
Sim! Cursei Comunicação Institucional, seguido pelo Jornalismo na UBC (Universidade Braz Cubas). Fiz alguns cursos livres de Assessoria de Imprensa e Marketing Digital. De lá até a pós de mídias sociais que eu faço na UNITAU (Universidade de Taubaté) se passaram oito anos e muita coisa aconteceu nesse tempo. Passei pelo radiojornalismo, assessoria de imprensa, produção de conteúdo e organização de eventos. Foi quando de forma amadora eu comecei a administrar as primeiras páginas como freelancer, em 2010.

Sempre fui apaixonada por contar histórias e descobri que fazia isso muito bem quando escrevia. Mas, com a maturidade descobri na verdade que o meu coração batia mais forte quando eu me relacionava com as pessoas. E mídias sociais nada mais é do que um jeito de conectar pessoas e estreitar esse contato. Tive iniciativa de seguir sites e portais internacionais segmentados, fazia leitura constantemente de artigos instrutivos e por conta própria aprendi boa parte do que eu sei. A internet é um grande amiga pra quem quer começar, existem bons profissionais que fomentam a produção de conteúdo de forma esplendorosa.

2 – Dos fundamentos e técnicas aprendidas em jornalismo, quais são em sua opinião as que mais lhe foram e são úteis em sua atuação profissional?
Primeiro, técnica de redação, sem dúvida alguma. Escrever bem é uma caracteristica que eu valorizo bastante e que acredito ser fundamental para gerenciar uam mídia. É preciso estabelecer um diálogo, abrir caminhos, construir relações e identificar sentimentos. Um bom jornalista também não terá dificuldade em identificar a voz, tom, persona de uma marca, ainda que não tenha estudado marketing. Além disso, com as mudanças constantes do Facebook, por exemplo, algumas páginas engajam menos com texto, é nessa hora que o jornalista que vive dentro de você precisa agir e fazer uma frase assertiva com poucas palavras. Os usuários são as melhores fontes de conteúdo para uma página, com o feeling jornalístico conseguimos boas histórias. Apurar os fatos é fundamental e indispensável, o compromisso com a verdade continua o mesmo. Acostumado com a imparcialidade, porém com o sentimento que move a notícia, o jornalista não vai permitir que a comunicação seja robótica.

Camila com os apresentadores do Vanguarda Mix, Kelly Maria e Jonas Almeida, e o repórter cinematográfico Eduardo de Paula na gravação de um programa especial com sugestões de pautas em tempo real das redes sociais

Camila com os apresentadores do Vanguarda Mix, Kelly Maria e Jonas Almeida, e o repórter cinematográfico Eduardo de Paula na gravação de um programa especial com sugestões de pautas em tempo real das redes sociais

3 – Como é sua rotina de trabalho? Quais suas funções em seu cargo atual?
Faço o gerenciamento de todas as mídias oficiais da Rede Vanguarda e atualmente na grade da emissora, são três jornais diários (Bom Dia Vanguarda, Link Vanguarda e Jornal Vanguarda) que demandam uma atenção especial de postagens das reportagens e principalmente interação com os usuários. Os telespectadores adoram comentar sobre o que estão assistindo nas páginas e ser respondido pra elas é algo fantástico. O factual vale muito na internet e é preciso estar atento pra identificar as tendências de interesse por determinado conteúdo, para então oferece-lo na mídia adequada. Além disso, temos estratégias institucionais aplicada á página da Rede Vanguarda que precisam ter coerência com a identidade da afiliada e também da Rede Globo. Os programas de entretenimento (Vanguarda Mix e Madrugada Vanguarda) possuem um outro tipo de abordagem e de público, diferente do que consome apenas a informação. Eles gostam de sempre ter um conteúdo diferente, algo que não passe na TV, mas esteja disponível nas mídias sociais. Utilizo diversas ferramentas de apoio para que tudo saia perfeitamente conforme o planejamento, que é feito com as chefias, diretores e coordenadores dos departamentos envolvidos. É uma rotina bastante intensa, mas deliciosa. Estar do lado de dentro da TV é algo fascinante.

Aqui Camila ao lado do repórter Jonathan Morel e do repórter cinematográfico Carlinhos Brasil quando da gravação de uma entrevista para o Link Vanguarda sobre as redes sociais da Vanguarda

Aqui Camila ao lado do repórter Jonathan Morel e do repórter cinematográfico Carlinhos Brasil quando da gravação de uma entrevista para o Link Vanguarda sobre as redes sociais da Vanguarda

4 – Qual seu conselho para quem atuar como social media?
Estude! Jamais acredite que você sabe o suficiente. O segmento está mudando o tempo inteiro. O que dava resultado ontem, hoje não faz mais sentido. Acompanhe os profissionais que produzem e compartilham conteúdo, faça listas com as páginas do seu interesse, fique ligado nas tendências do mercado e aos memes do momento.
Seja organizado, atento e principalmente, um verdeiro entusiasta em mídias digitais.

Quem quiser trocar figurinhas, conversar sobre o segmento ou me conhecer:

Facebook: https://www.facebook.com/ca1carvalho
Twitter: https://twitter.com/cacarvalho
Instagram: https://www.instagram.com/carcarvalho/
Snapchat: snapcacarvalho
Blog: www.vidadesocialmedia.com.br

Um homem de comunicação

“… eu faço de tudo isso a minha diversão.”

O nosso entrevistado desta semana é Gerson Monteiro. Ele é Gerente de Comunicação, Tecnologia e Eventos do Colégio Progressão. Também é correspondente do jornal O Estado de S.Paulo e Fotojornalista da Agência Estado, além de Gestor de Conteúdo Freelancer.

Acompanhe abaixo o que ele tem a nos dizer:

1 – Fale um pouco de sua formação e do início de sua carreira?
Iniciei meus trabalhos em comunicação mais precisamente em 1995, quando comecei a estudar sites e a sua estrutura (lembra do HTML, das tags <html><head><title>Meu primeiro job</title></head><body>Oi!</body></html>?). Naquela época as fontes eram muito restritas, quase não existia literatura sobre o assunto. Produzia os sites no bloco de notas, era bem trabalhoso. Aí com a evolução da própria internet o trabalho foi sendo conhecido e abrindo portas, fui trabalhar na sucursal de anúncios/classificados da Folha de S.Paulo em Taubaté. Um dia fui conhecer a redação da Folha em SJC e gostei do que vi – obrigado pela oportunidade, senhor L.E., você foi aquele anjo que todo mundo recebe na vida, gostaria que você soubesse. Mais adiante a coisa evoluiu até que me surgiu a oportunidade de permutar (sim! em comunicação muitas vezes precisamos nos submeter a isso) um curso pré-vestibular e na sequência já estava matriculado no curso de Jornalismo da Universidade de Taubaté (Unitau).

Gerson é Gerente de comunicação, repórter e fotojornalista.

Gerson é Gerente de comunicação, repórter e fotojornalista.

O início do curso foi bem bacana e logo de cara cheguei com a ideia de “montar uma tv para internet”. O que hoje você faz com o celular e automaticamente, naquela época (2001) existiam pouquíssimas experiências na área e sempre me achei “inovador”, pois nos bancos da faculdade ninguém falava disso, nem mesmo os professores – que até hoje servem de muita inspiração aos calouros. Nisso abandonei um estágio/contrato em rádio para tocar um projeto pessoal que era um portal para estudantes de jornalismo e recém formados (pretendo retomar isso algum dia, hoje necessito de tempo para organizar) que me rendeu um Prêmio Expocom.

Depois de passagens por jornal diário, por assessorias de imprensa e rádio, terminei a faculdade trabalhando com edição de imagem numa emissora de TV local em um período e no outro era contratado do Colégio Progressão onde criei o site e segui na assessoria de comunicação. Formado, optei em ficar apenas no colégio.

Mais adiante (2009) fiz MBA em Gerência Empresarial, também na Unitau, que apurou meu olhar enquanto gestor. Nessa época acumulei a gerência administrativa do colégio onde implantei alguns processos organizacionais. Na sequência retomei a gerência de comunicação acumulando da área de tecnologia. Com os resultados, hoje tenho três departamentos sob a minha responsabilidade: comunicação, tecnologia e eventos. Costumo dizer que os três estão interligados, pois sempre atuei de forma direta ou indireta nessas três áreas – na época da faculdade eu organizava as viagens para o Intercom (congresso nacional de comunicação), ajudava na organização dos eventos do Departamento de Comunicação da Unitau… posso dizer que muito do que sei eu aprendi na Agência de Comunicação Integrada, que naquela época era comandada pela Renata, Karina, Aline, Lúcia, Expedito, sob o olhar próximo dos professores Eliane Freire, Robson Bastos, Ângela, entre outros.

No Estadão iniciei em 2010 fazendo uma cobertura fotográfica da enchente em São Luiz do Paraitinga, sendo o primeiro fotojornalista a entrar na área atingida pela cheia do Rio Paraitinga – que apesar da tragédia histórica e prejuízos financeiros, não teve sequer a perda de um vida graças aos heróis dos grupos de rafting. Fiz a última matéria nacional antes da queda do ministro dos esportes Orlando Silva – uma denúncia sobre gastos para a construção de um centro esportivo que nunca existiu, o ministro já era investigado por desvios de dinheiro público, e a apuração me rendeu a manchete do jornal, sendo a última reportagem sobre o então ministro que foi substituído por Aldo Rebelo. Outra cobertura importante que fiz foi sobre um obra milionária em área de proteção ambiental que me rendeu uma “fuga” do cenário por uns tempos – é o famoso coronelismo, donos de grandes fortunas e capazes de fazer o que for necessário para garantir seus lucros, deixando sempre em segundo plano a sociedade, os recursos naturais, etc. Depois trabalhei na cobertura da reintegração de posse do Pinheirinho em São José dos Campos – nunca vivi experiência maior de adrenalina, as famílias que resistiam sendo retiradas das casas e eu ali, acompanhando tudo de dentro do acampamento, eu ainda inexperiente na situação (aliás, ainda me acho inexperiente), reportando ao vivo para todo o Grupo Estado (rádio, site, jornal, agência)… uma experiência incrível!

Costumo brincar que não sou exemplo, pois não sei descansar. Basta uma folga para eu cutucar algum assunto e escrever sobre ele para o jornal. Basta ler algo bacana para buscar a solução de algum problema no colégio. Vivo ligado 24 horas, não sei e não consigo me desligar – acho que nem quero, pois vivo bem assim, é o que me faz feliz. Lembro até hoje de uma frase que li na entrada do Senai (ah, sou Ajustador Mecânico formado… se algum dia a Comunicação não me atender mais, posso trabalhar com mecânica, ferramentaria e afins… rsrs) que era algo como “faça do seu trabalho a sua diversão”, eu faço de tudo isso a minha diversão.

Em 2015, passados 15 anos da faculdade e a ideia inicial de TV na internet, conquistei (junto com minha equipe) um prêmio nacional realizado pelo Sistema de Ensino Poliedro, o Prêmio Excelência por Iniciativa Inovadora, que foi a TV Progressão (www.progressao.tv). Fazemos TV com nosso próprio conteúdo diário produzido em sala de aula por professores e alunos. Viramos uma verdadeira redação. Essa conquista me confirmou a importância de não desistir dos projetos. O que em 2001 foi uma “simples viagem” da minha cabeça, hoje é uma realidade a pleno vapor e com resultados muito positivos.

2 – Que habilidades são mais exigidas no dia a dia de um coordenador de comunicação?
As habilidades necessárias para um gestor de comunicação penso que começa na disposição pela busca de coisas novas, não parar, não esperar acontecer, mas estar adiante sempre. Habilidades técnicas, pois não adianta querer cobrar de algum colaborador uma tarefa que sequer sei realizar. É importante o gestor ter a noção técnica e de espaço para as funções desempenhadas pela equipe, pois na ausência de um integrante é hora de sair da sua cadeira e pular para a cadeira do lado que é da produção. A mais importante acho mesmo que é a capacidade de inovação, inovar sempre.

3 – Você também atua como correspondente de um grande jornal. Como consegue lidar com as duas atividades?
Acredito que o profissional de Comunicação hoje em dia não pode pensar em apenas ser o especialista, ele deve dominar tanto a emissão quanto a recepção da informação. Atuar na gestão de comunicação de uma empresa e na reportagem de outra empresa é um desafio que não me vejo mais fora dele. A mim deu a experiência do refino do tratamento das informações, pois se de um lado eu dependo da informação para escrever bem, de outro preciso ser o mais eficiente possível para dar a oportunidade de um retorno bacana quando trato bem um colega da imprensa. Sempre encontro com amigos e colegas que me agradecem por ajuda-los na produção de alguma pauta – se não posso atender os colegas, sempre indico quem possa atende-los, sei bem o “desespero” por ter que fazer a pauta virar e não ter o personagem. Embora quem está de fora da situação possa ver como atividades concorrentes, seja pelo tempo ou pela dedicação, eu vejo que para mim elas me completam, pois vivo a pressão de resultados o tempo todo, mas ao mesmo tempo tenho a “fuga” do outro lado da informação – isso que me fascina, me faz bem, me realiza.

4 – Que dicas daria para quem está buscando espaço no mercado de comunicação no Vale do Paraíba?
Para quem está começando eu diria que, embora o mundo seja capitalista e a gente precise da grana, não pense na grana agora. Ela é a consequência da gestão de seu investimento. Investir hoje pode ser mais importante que tudo o que você investiu ontem ou pretende investir amanhã.

Um ótimo papo com um ótimo redator

“Aprenda a escrever conteúdos, matérias, artigos, contos, romances. Resumindo, seja um escritor.”

O entrevistado desta semana aqui no Publicitando é o redator Mário Nunes. Ele está atualmente na Focusnetworks – OnLife Business Group e conta um pouco de sua trajetória profissional até aqui, além de dar algumas ótimas dicas para quem está dando os primeiros passos na profissão de publicitário e quer ser redator.

Confira:

1 – Você já atuou em agências “tradicionais” e agora atua numa agência focada em digital. O que mudou em seu trabalho como redator?

Basicamente, tudo. Nas agências “tradicionais”, os clientes requisitavam campanhas com um único objetivo: vender mais (seja produto ou serviço). Sendo assim, o meu trabalho como redator era direto, incisivo e essencialmente persuasivo.
Na Focusnetworks, eu trabalho principalmente com produção de conteúdo. Nós usamos a criatividade para desenvolver uma relação positiva e duradoura entre marca/cliente. A venda, nesse caso, é uma consequência natural, não um objetivo primordial. Esse simples fato abre inúmeras possibilidades para a redação. Eu posso explorar o universo do produto ou serviço, sem nem ao menos citá-lo no material. As métricas também são sensacionais para o trabalho do redator. É possível perceber instantaneamente se uma determinada linguagem adotada deu certo ou não. Assim, podemos corrigir a rota, buscando outro caminho criativo.

Mário Nunes, nosso entrevistado da vez

Mário Nunes, nosso entrevistado da vez

2 – Em sua opinião por que há poucos redatores no mercado valeparaibano?

Não acho que esse seja um problema exclusivo do vale. O mercado em geral forma menos redatores do que outros profissionais. Agora, focando em nossa região, vejo alguns pontos cruciais. Primeiro, é importante lembrar que, até pouco tempo, grande parte das agências regionais de pequeno e até médio porte não possuíam um redator em sua equipe. O tal ‘criativo’ fazia os dois papéis, era designer e redator. Eu mesmo trabalhei dessa forma em duas agências. Isso causava um afastamento de quem queria trabalhar exclusivamente com redação. Porém, tenho observado uma mudança nesse ponto. Segundo, a própria profissão não é muito difundida por aqui. Os alunos entram na faculdade de publicidade e só vão descobrir que existe a possibilidade de ser redator, quando se deparam com a matéria Redação Publicitária I. E por último, entra o fator oportunidade. Se o aluno se destaca como criativo, é mais fácil ele achar oportunidades como designer do que como redator. Principalmente como freelancer.

3 – Que dicas você daria para quem está iniciando em propaganda/comunicação e quer ser redator?

Monte um portfólio com peças fantasma e encontre um estágio. Esses são os dois primeiros passos.
No segundo ano de PP, quando eu decidi ser redator, abordei o KK Abdalla em uma palestra da Secom. Pedi pra ele me dar uma oportunidade de estágio na KMS, e ele me deu uma lista de exercícios para redação. rsrsrs. Escrevi centenas de títulos e recebi várias dicas dele, mas não consegui um estágio porque eles estavam sem vagas. Com os títulos em mãos, apresentei um portfólio na Supera e fui contratado como estagiário. Daí em diante, eu me desenvolvi como redator.
E pra passar um pulo do gato, estude outras técnicas de redação, além da redação publicitária. Aprenda a escrever conteúdos, matérias, artigos, contos, romances. Resumindo, seja um escritor.

4 – O que faz para se manter criativo?

Para responder essa pergunta, vou dividir o meu processo criativo em duas etapas: 1- ter a ideia; 2- escrever a ideia.
Para me manter criativo na etapa 1, eu exploro a maior diversidade de experiências e interações possíveis. Saio de casa e vou ter com o mundo. Gosto de observar o comportamento das pessoas, faço muitas perguntas e tiro insights criativos de conversas cotidianas.
E para me manter criativo na etapa 2, eu escrevo e leio muito, muito mesmo. Nas horas vagas, escrevo músicas e contos literários. E para abastecer o repertório, leio, pelo menos, um autor diferente por mês.

Alexandre Lemes é o nosso novo entrevistado

“Todos os dias a tecnologia lança sobre os profissionais de todas as áreas desafios novos. Saber usar as novas ferramentas de forma estratégica é o grande diferencial.”

Nosso entrevistado da vez aqui no Publicitando é o Alexandre Lemes. Atualmente ele atua como designer gráfico no Senac SP, mas começou sua carreira no Vale do Paraíba. Leia o que ele nos disse:

1 – Sua carreira teve início aqui no Vale do Paraíba. Fale um pouco deste início de trajetória.

Me formei em publicidade e propaganda pela Unitau em 2004. Já no segundo ano fui convidado para um estágio como designer gráfico em uma empresa holandesa de impressão digital têxtil. A partir daí fiz uma imersão no mundo da criação e da propaganda. Fiz cursos de direção de arte, diagramação e redação na Belas Artes de São Paulo, me envolvi em grupos de estudo de Photoshop, Corel (na época), Indesign e Illustrator, ferramentas que reconheci como essenciais para desenvolver meu trabalho. Também passei por cursos de criação na ESPM e de softwares na Impacta. Parte do que eu ganhava era rigorosamente investido em estudos e aprimoramentos. Depois de estagiar nessa empresa, fui convidado para assumir uma vaga como webdesigner em uma pequena empresa em Taubaté onde aprendi a conduzir projetos em contato direto com os clientes. Um outro convite me levou a trabalhar em uma empresa de comunicação visual, expandindo meu conhecimento em relação a materiais, impressoras e processos de instalação de adesivos e fachadas. Um trabalho muito pesado, porém, enriquecedor. O grande salto aconteceu quando fui convidado a assumir uma vaga como diretor de arte na agência Tríadaz em Taubaté, onde, com o tempo, passei a gerenciar equipes e projetos de criação, criei processos e fluxos de trabalho envolvendo as equipes de criação e a de atendimento. Nessa época se destacam dois profissionais pelos quais desenvolvi grande admiração: Lucas Rodrigues, criativo e Liv Muhlbauer, atendimento.
Após 3 anos e 6 meses na Tríadaz fui para a Macost onde fiquei 1 ano. Por indicação de um criativo com o qual eu já havia trabalho, fui convidado a fazer uma entrevista na FAV/Ogilvy em São Paulo. O foco da agência era o marketing imobiliário e lá conheci processos eficazes e inovadores de criação e atendimento. Nessa época, fiz pós graduação em gerenciamento de projetos pela FGV. Novamente por indicação fui para a agência interna da Artefacto Móveis, a maior fabricante de móveis de luxo da América latina. Lá me especializei em fotografia de produto, propaganda de luxo, cobertura de eventos, criei campanhas para a marca, atuei no desenvolvimento visual das lojas e na produção e diagramação das revistas da empresa e do portal, bem como na captação e edição de imagens para comerciais de tv. Após 3 anos na Artefacto, me inscrevi para uma vaga de designer multimídia no Senac São Paulo e passei. Atualmente trabalho a 2 anos e 6 mese na sede do Senac, área TAE – Tecnologias Aplicadas à Educação, onde desenvolvo os recursos multimídia dos cursos do Senac, bem como para empresas como Metro, CPTM, Sebrae, entre outros. Pelo Senac fiz cursos de HTML5, CSS3, MS-Project, Wireframe e Prototipagem, além de User Experience pela Mergo. Além de trabalhar no Senac SP, desenvolvo trabalhos como freelancer e alguns desses trabalhos poder ser vistos no link www.behance.net/alexandre_lemes.

Alexandre Lemes: "A crise é real e pesada, mas também é uma excelente oportunidade para aprimorar e evoluir."

Alexandre Lemes: “A crise é real e pesada, mas também é uma excelente oportunidade para aprimorar e evoluir.”

2 – Em sua atividade atual você se envolve com que etapas/áreas da comunicação?

A equipe da qual faço parte desenvolve cursos, desde o conteúdo até os recursos com os quais os alunos terão contato. Participo dos briefings, juntamente com ilustradores, programadores, videomakers, artistas 3D e designers de conteúdo. A partir dessa reunião, cada participante recebe sua atribuição. As minhas atribuições geralmente compreendem a identidade visual e a direção de arte dos cursos, em alguns casos participo das gravações em estúdio. A equipe é grande e por isso cada um tem sua função bem definida. Nas empresas menores em que atuei era normal minha participação desde o atendimento ao cliente até a apresentação do projeto. Isso provoca acumulo de função, porém, é muito enriquecedor para um profissional no início de carreira.

3 – Como tem visto o cenário atual da comunicação? O digital tem trazido novos desafios para sua atuação profissional?

Sou da época em que o digital ainda tinha pouco impacto na comunicação. Acompanho desde sempre a evolução dos meios e recursos através das novas tecnologias e posso dizer que, tanto na área de propaganda, quanto na área educacional, o digital tem reduzido custos e aumentado expressivamente a eficiência da comunicação. É uma realidade incontestável. Atualmente, gestores e agências têm dado preferência para os meios digitais pela rapidez de produção e pela alta capacidade de aferição de resultados, tornando a comunicação muito mais cirúrgica e inteligente. Percebo no dia-a-dia, em diversas ocasiões, que as empresas ainda têm dificuldade de planejar e aplicar meios digitais de forma coerente. Para mim, o maior desafio da gestão criativa atualmente é conciliar a base de conhecimentos analógicos bem desenvolvidos ao longo de décadas e convertê-la em ações a partir de ferramentas digitais disponíveis, bem como, manter-se devidamente atualizado com o desenvolvimento incessante de novas tecnologias e tendências.
Todos os dias a tecnologia lança sobre os profissionais de todas as áreas desafios novos. Saber usar as novas ferramentas de forma estratégica é o grande diferencial.
Lembrando de um saudoso slogan de uma marca de pneus: Potência não é nada sem controle.

4 – O momento econômico atual é desafiador e complicado. O que você vê como essencial para a indústria da propaganda atravessar esta fase?

A propaganda precisa se reinventar administrativamente, rever métodos e processos, quebrar barreiras comerciais e principalmente usar a gestão estruturada a seu favor. Tendo em vista minha passagem por agências de diversos portes posso concluir que todas elas têm uma característica em comum: A gestão, ou a falta dela. Sinto que a criatividade é um ponto muito forte do brasileiro, mas a gestão não. As empresas de criatividade precisam agregar processos administrativos desenvolvidos e avançados, adaptando e usando-os a seu favor. Equipes enxutas, processos e operações controlados, gerenciamento aprimorado de stakeholders e principalmente, excelência em aferição de resultados. O cliente atual espera, e em muitos casos exige, números claros sobre o retorno do investimento e aparentemente, as agências não conseguem dar o suporte necessário. A estratégia precisa ser aliada da criatividade, caso contrário, as empresas sentirão cada vez mais o peso da economia volátil. Particularmente, meus trabalhos nunca foram tão solicitados como hoje em dia, mesmo diante da crise econômica e política que atrasa nosso país. A crise é real e pesada, mas também é uma excelente oportunidade para aprimorar e evoluir.

Mais uma agência do V.Paraíba na LEAG

Liberta chega a LEAG

Entrevistamos o jovem publicitário Junior Milião. Ele comanda a Liberta, uma agência que em poucos meses de vida já conquistou alguns clientes e conseguiu se unir a LEAG – Local Expert Agency Group, uma importante rede de agências independentes que já conta com algumas outras agências da nossa região.

Vamos ver o que ele nos conta!

1 – A Liberta tem bem pouco tempo de mercado. Como chegou tão rapidamente à LEAG – Local Expert Agency Group?

Pois é, a Liberta existe oficialmente desde setembro/2015, são apenas meses na ativa, acredito que a necessidade do mercado em que atuamos tenha facilitado este crescimento acelerado.
Clientes importantes e a constante presença de novidades na agência despertaram o interesse do pessoal da LEAG, que até então não tinha representatividade na nossa região.
O convite chegou através de um ex-professor, muito respeitado por mim e pelo mercado, Gustavo Gobbato, também membro da LEAG com a Avalanche – SJC.

Junior da Liberta

Junior da Liberta

2 – O quanto o fato de pertencer a rede impacta nos negócios atuais e futuros?

Em relação aos clientes atuais, ainda estamos apresentando esta novidade, até agora a recepção tem sido muito bacana e sem dúvida a marca LEAG agrega a todos, inclusive aos clientes.
Já os futuros, tenho certeza de que temos um grande diferencial nas mãos, trabalharemos isso fortemente nos próximos negócios.
Além disso, temos a possibilidade de atender aos clientes das demais agências do grupo em nossa região. Estamos prontos!
3 – A Liberta vai ter que investir em estrutura (ampliação) para fazer frente aos novos desafios?

A princípio não, nossa estrutura atual é capaz de suprir as necessidades da LEAG neste momento. Futuramente sim, com o aumento da demanda precisaremos ampliar. (Espero que seja rápido também! rs)

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4 – Quais os desafios de se trabalhar com comunicação no chamado Vale Histórico/Religioso?

Sem dúvida o principal desafio é a barreira que existe ao se falar de publicidade, marketing, etc.
Muitas empresas ainda consideram que investir nesta área não gera resultados e é inviável financeiramente, pensam logo em altos investimentos.
Isso se deve muito à ausência de um mercado publicitário na região, à medida que as coisas se desenvolvem e eles percebem que sim, é possível “fazer marketing” sem investir tanto, e os resultados aparecem, pronto, derrubamos a barreira.

A Liberta nasceu e possui este nome justamente com o intuito de libertar o mercado da nossa região deste pensamento.

 

“2016 vai ser um ano muito desafiador e emocionante ao mesmo tempo…”

O nome por trás da Push

Mais uma entrevista aqui no Publicitando. Desta vez falamos com Adriano Oliveira, jovem publicitário talentoso que recentemente empreendeu na área de comunicação ao colocar no mercado a Push.

Acompanhe a seguir o que ele conversou com o Publicitando.

1 – Você rodou um pouco antes de abrir sua própria empresa. Conte um pouco desta caminhada até aqui.

Bem, meu primeiro contato com a área foi na rádio Jovem Pam de Taubaté, onde fiz meu primeiro estágio, de lá fui pra uma pequena agência em Taubaté chamada Conexão Visual, que foi um lugar muito bacana e onde tive a oportunidade de fazer alguns atendimentos e desenvolver um pouco meu lado comercial. Na época, o CCVP era muito forte, todos participavam e comentavam e ele gerava grandes discussões interessantes. Então em uma dessas grandes discussões, conheci o dono de uma agência de Pindamonhangaba, a FatoBrasil e através das nossas conversas fui chamado pra cuidar da parte web da agência, cuidando do desenvolvimento e criando algumas ações para seus clientes. Naquele ano, algumas redes ainda estavam ganhando força e o termo Social Media foi citado pela primeira vez aqui na região através de eventos como o SMVP do Armindo Ferreira e Robson Monteiro e foi onde, através de contato com os mesmos, decidi investir na área e me aprofundar. Foi ai que surgiu o Cenamais, meu antigo blog de cinema onde obtive muito conhecimento e reconhecimento, foram aproximadamente 4 anos de produção de conteúdo e tínhamos uma equipe de 4 blogueiros espalhados pelo país, fazendo até cobertura de grandes eventos da área e entrevistas com grandes atores, como Antonia Fontinele, Leandro Firmino (Vulgo Zé Pequeno) entre outros.
Foi através do Cenamais que conheci o amigo Mário Soma e tive o prazer de compor o time de blogueiros da Blogcontent, que foi a maior incubadora de blogs do Brasil.

Conheci bastante gente, participei de vários eventos e foi assim que despertou em mim, o meu lado empreendedor, resolvi voltar pra minha cidade e ter meus próprios clientes.
E em um desses eventos e contatos, conheci um grande parceiro internacional e assumi a parte web de sua agência norte-americana e participei de projetos de clientes como Net10 Wireless, Telcel América, Dish latina entre vários outros de várias partes do mundo.
Não posso esquecer também que tive uma breve passagem pelo CCVP, que praticamente foi onde tudo começou pra mim e fiquei muito feliz de ter participado do clube, mesmo que em uma época onde o mercado regional já não estava tão engajado, mas foi bom e proveitoso!

Adriano Oliveira, nosso entrevistado de hoje

Adriano Oliveira, nosso entrevistado de hoje

2 – Esse é um ano difícil. Economia em retração e investimentos caindo. Por que abrir uma empresa de comunicação agora?

O cenário atual realmente é desmotivador, mas acredito que pra todo projeto, pra toda ação que vamos desenvolver, 50% do caminho é acreditar, não adianta você planejar, pesquisar se não acredita na sua ideia ou que a economia possa melhorar.

Em 2015 foi visível que as grandes contas regionais enxugaram seus orçamentos, não tivemos grandes ações, grandes campanhas como era no tempo da “vaca-gorda”, mas eu vi um cenário que me agradou, vi o aumento no interesse dos pequenos e microempresários em cuidar da sua comunicação digital, mesmo em momentos de crise, vi eles darem importância para o Digital, termo para o qual sabemos que na nossa região ainda há defasagem, mas realmente consegui enxergar isso e até tive o aumento na demanda de serviços para esse tipo de empresa, mesmo com orçamentos menores, eles estão procurando sim achar um “parceiro” para ajudar em sua comunicação.

Sabemos também que, grandes agências, com grandes estruturas e grande custo de manutenção não conseguem ajustar o seu orçamento para atender alguns desses clientes, talvez por isso o número de prestadores de serviços na nossa região tem crescido bastante.

Push, a empresa de comunicação digital criada pelo Adriano

Push, a empresa de comunicação digital criada pelo Adriano

3 – Quais são os maiores desafios na área digital?

Acredito que o maior desafio para a comunicação digital, ainda é as empresas aceitarem de vez que não se deve separar online e offline e sim que tudo tem que ser pensado de uma maneira conjunta, que o digital deve estar inserido no planejamento estratégico da empresa e que ele não é apenas uma ferramenta e sim um meio para se atingir o seu objetivo.

Hoje os padrões de consumo, mudaram, a sociedade mudou o jeito pela qual ela interage com as empresas e que postar uma fotinha aqui ou uma frase engraçada ali vai ser o suficiente não é mais o suficiente para prendermos a atenção e criarmos laços de relacionamento com nosso público-alvo.

4 – Fale um pouco sobre os desafios e objetivos para 2016.

2016 vai ser um ano muito desafiador e emocionante ao mesmo tempo, em um ano eleitoral onde limitaram ainda mais as mídias offline e o tempo de campanha também foi reduzido, a comunicação digital tende a ganhar mais força, vejo que será um desafio e tanto e nós da Push já estamos nos preparando pra essa jornada, alias já estamos começando o trabalho para alguns pré-candidatos da região.

Nosso maior objetivo ano que vem é consolidar a nossa estrutura e nosso modelo de negócios e nos desenvolvermos como empresa, mesmo em um cenário econômico imprevisível, vai ser difícil, mas como falei lá em cima, 50% é acreditar e estamos confiantes nisso!

Uma jovem planner

“…tem sido um desafio lidar com tantas descobertas e novidades ao mesmo tempo.”

O Publicitando retoma as entrevistas com profissionais de comunicação de nosso mercado. E a entrevistada da vez é a jovem e muito competente publicitária Tuani Carvalho. A Tuani, atualmente, é planner na Focusnetworks e divide aqui um pouco de sua trajetória e experiências.

Acompanhe o que ela nos disse:

1 – Fale um pouco de sua trajetória até aqui. Você começou ainda na faculdade, fazendo estágio em agência, não foi?

Sim! No início do terceiro ano da faculdade, comecei um estágio na área de mídia e lá fiquei por quase dois anos. Aprendi bastante de publicidade offline e é um conhecimento que ainda levo comigo e que faz toda a diferença. Depois, tive uma passagem pelo marketing do Hospital do GACC em São José que, apesar de curta, eu lembro com muito carinho porque é uma causa muito nobre. Passei também pela Alameda, onde tive meu primeiro contato com o universo digital atuando como analista de mídias sociais. Foi uma outra escola pra mim e um lugar onde adorei trabalhar durante quase um ano. No fim de 2014 optei por sair do meu emprego e ir passar uma temporada na Alemanha viajando e estudando alemão por 3 meses. Logo depois que voltei de viagem, fiz uma entrevista na Focusnetworks, onde trabalho atualmente.

Tuani Carvalho é planner na Focusnetworks

Tuani Carvalho é planner na Focusnetworks

2 – Hoje você atua em planejamento. Fale um pouco sobre como é atuar neste setor.

Bom, mais do que a área de planejamento em si, o digital tem sido uma grande novidade pra mim. A agência tem uma estrutura enorme e clientes grandes então o nível de conhecimento e complexidade dos trabalhos é bem maior do que eu estava acostumada. No geral, tem sido um desafio lidar com tantas descobertas e novidades ao mesmo tempo. Atuar no planejamento é ter um olho no peixe e outro no gato: é entender como uma ação pode impactar a outra e buscar formas de compreender e metrificar esses processos.

3 – Quais habilidades e capacidades deve possuir um bom planner?

Eu ainda to tentando descobrir hahaha. Mas, de cara, o que posso dizer é: organização, análise crítica, criatividade e saber um pouco de tudo. Organização porque o papel do planejamento é conectar todas as pontas para que o trabalho flua de forma a conseguir os melhores resultados para o cliente, isso requer uma organização mental muito grande pra não deixar nenhum detalhe passar. Análise crítica porque é muito importante enxergar qual a raiz do problema para conseguir resolvê-lo de forma eficaz. Criatividade para sempre buscar a inovação e conseguir fornecer insights para a criação ou para novos projetos, por exemplo. E saber um pouco de tudo porque muitas, muitas vezes grande parte do trabalho é garantir que tudo está saindo como o planejado e, se não, buscar alternativas para mudança de rota e só se faz isso quando você tem algum conhecimento sobre as possibilidades de cada área envolvida.

4 – Em que você acha que alguém que ainda está estudando publicidade e propaganda deve investir para estar melhor preparado para o mercado de trabalho?

Acho que pra se preparar para o mercado de trabalho, a primeira coisa é decidir em qual mercado deseja trabalhar. A publicidade oferece uma gama imensa de opções e todas elas podem ser fascinantes. Se você optar pelo digital, eu recomendo ler, ler muito – livros, artigos, blogs etc – para conhecer e se inteirar das novidades (que surgem todos os dias) e, se puder, fazer uns cursos livres dentro das áreas que despertem maior interesse. Se eu tivesse feito isso, com certeza, estaria muito mais preparada.

Uma mudança de foco

Com a palavra, Ednelson

Nosso entrevistado da vez é Ednelson Prado. Ele é formado em Jornalismo, Pós-graduado em Comunicação, Novas
Tecnologias e Educação e tem também Pós-graduado em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais e em Pós-graduado em Telejornalismo. Além disso é Mestre em Linguística Aplicada e Professor universitário há 10 anos. Diretor da Vincere Comunicação há 5 anos e Secretario de Comunicação da Prefeitura de Lorena.

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Atuo em campanhas eleitorais desde 1992, em eleições municipais a prefeito em Ubatuba, Taubaté, Lorena, Cruzeiro, na coordenação de equipes para produção de programas eleitorais para o Rádio. Assessor de Imprensa da campanha da Deputado Federal eleita em 2006 Aline Corrêa. Em 2012, à frente da Vincere, atuação em Cruzeiro, Lorena, Taubaté, Ubatuba e Porto Velho (RO).

Vamos a entrevista:

1 – A Vincere já tinha um pé nas ações de mkt político. Como surgiu a ideia de virar totalmente o foco da empresa para essa área?

Na verdade, a Vincere já nasceu no ambiente político, pois nosso primeiro cliente foi o então pré-candidato a prefeito de Taubaté Ortiz Júnior. De certa forma, o caminho acabou sendo natural, já que eu atuo com campanhas eleitorais desde 1992. A diferença que sempre foi uma atuação ao veículo Rádio. Então, os contatos, o caminhos acabaram proporcionando oportunidades e já em nosso primeiro ano eleitoral a Vincere atuou em cinco campanhas, sendo quatro na região e uma em Rondônia, saindo vencedora em duas, Taubaté e Lorena. Diante disso, e dos trabalhos que continuaram após as eleições municipais de 2012 fomo amadurecendo a ideia e, agora, decidimos reposicionar a empresa para esse segmento, que é uma paixão para todos nós da Vincere.

2 – O ano que vem já será um ano eleitoral. Quais as expectativas?

Elas são muito boas. Apesar de muitos não saberem como, mas todos os candidatos entendem que a internet é um caminho mais que natural, necessário. Por essa razão, e pelo trabalho que fizemos ao longo dos últimos três anos, acreditamos que coisas boas estão por vir. Já temos alguns contatos interessantes e em breve devemos confirmar algumas parcerias. Pelo menos, duas já estão bem engatilhadas.
3 – Os políticos já entenderam a necessidade de um trabalho constante de mkt digital?

Ainda estamos longe do ideal. Muitos ainda acham a internet importante mas não sabem como e, por isso, têm dificuldade em utilizar da melhor forma. Vai além do facebook, passa por estratégia, e isso, uma boa parcela ainda não entendeu. Mas o mercado está ficando atento a isso e as perspectivas são positivas.

4 – Em marketing e comunicação digital o aprendizado é constante. Fale um pouco sobre isso.

Sem dúvida, já que tudo muda muito rápido. A cada momento há novas ferramentas, novas possibilidade. O mobile é um fato importante, para o qual temos de estar atentos, hoje já representa um acesso importante a site e aplicativos, por isso, não pode ser ignorado. Você tem ferramentas novas surgindo, como Periscope, que pode ser um aliado. Tem de entender cada região, cada mercado, cada consumidor de informação e plataforma. Por isso, tem de estar o mais atualizado possível. É preciso sempre aprimorar a questão de coleta e análise de dados, pois são fontes importantes de informações para definir o rumo das campanhas. Não dá para perder tempo nem oportunidade por falta de conhecimento.

Um passo pra trás pra dar três pra frente…

Um proveitoso papo com Carolina Sene

O Publicitando entrevista desta vez a jovem e talentosa Carolina Sene. Diretora de arte, ela começou carreira em Taubaté e hoje está na Long Play, agência da holding presidida por Roberto Justus, a Newcom.

Veja o que ela nos disse:

1 – Fale um pouco de sua trajetória inicial aqui no Vale do Paraíba?
Bom, comecei fazendo estágio voluntário na ACI, no segundo ano da faculdade. Não passei no teste pra bolsa, porque foi um teste de arte e eu não sabia nem abrir o Photoshop, rs, mas como não tinha decidido a área que queria, resolvi fazer voluntário mesmo pra ver como era a criação. Me apaixonei. Depois de uns 4 meses fui chamada para estagiar na Tríadaz na parte de produção gráfica e também pra ajudar nas artes. Aprendi e cresci muito lá. Também estagiei na Supera, em SJCampos, mas fiquei pouco tempo e voltei pra Triadaz onde fiquei quase 1 ano e meio como assistente e depois diretora de arte.

Diretora  de arte talentosa e apaixonada pela profissão, Carolina Sene foi para o mercado de SP

Diretora de arte talentosa e apaixonada pela profissão, Carolina Sene foi para o mercado de SP

2 – E como foi a ida e a chegada ao mercado de SP para atuar em uma agência de relevância?
Vim para São Paulo pra estudar mais, estava com “sangue nos olhos”, rs. No começo fiz bate e volta, mas era muito cansativo, então resolvi me mudar até por compensar mais economicamente também. Depois de uns 2 meses procurando, consegui entrar como assistente de arte na agência View. É uma agência pequena, mas me receberam muito bem e lá fiquei por 9 meses, até entrar na Long Play, onde estou atualmente, como diretora de arte Jr.
No começo São Paulo parece meio assustador, é tudo muito longe, caro e muita correria, ficava muito tensa. Mas é só o tempo de se acostumar, depois que me instalei lá, tudo ficou lindo.

3 – Há diferenças significativas entre o mercado do V.Paraíba e o de SP, especificamente em sua área de atuação (direção de arte)?
Sim, mas do meu ponto de vista, depende muito. A primeira agência que trabalhei em SP tinha o estilo das que eu já havia trabalhado por ser uma agência menor, com clientes “pequenos” também, então o impacto não foi tanto. Depois que fui pra Long Play a história mudou bastante, é uma agência grande (ano passado ficou entre as 50 maiores do Brasil). Tudo era maior, o salário, os clientes, os jobs, a carga horária.. Quando você ouvir ” cliente sem limite de verba, crie a vontade”, acredite, é de brilhar os olhos. Hehehe
Basicamente tudo que aprendi foi nas agências pequenas, mas acho que todo criativo deveria passar por uma agência média/grande pra sentir o peso de ter um “clientão” no portfólio.

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4 – Há preconceito em relação a profissionais vindo do interior?
Não senti isso em nenhum momento, fui muito bem recebida e os feedbacks do meu trabalho foram/são muito bons, graças a Deus.

5 – O que você tem a dizer parar quem quer vencer como diretor de arte?
Acho que é um clichê falar pra ver muita referência, mas é pura verdade. Pesquisar trabalhos e estilos de diretores de arte diferentes, porque o criativo tem que saber fazer propaganda desde absorvente feminino até motor de caminhão, então não pode ser “prender” a um estilo só. Outra coisa que acho legal falar é que as vezes é preciso dar um passo pra trás pra depois dar três pra frente, rs, deixe o orgulho de lado um pouco, porque vale muito a pena. Eu amo meu trabalho e faço com prazer. A sensação de ver uma campanha minha na rua é muito boa, o clima (pelo menos de agência) é descontraído, você aprende a conversar sobre tudo, fica bem mais crítico, cria ouvindo música e, o melhor, come uma pizza diferente por semana (rs, brincadeira).