Coluna Branding: a alma da marca

Fora da imagem

Nesta semana, fui surpreendido com um post de uma das maiores jornalistas do Vale do Paraíba, anunciando seu desligamento da emissora líder de mercado. Em seu texto o motivo da demissão, foi que, após ser mãe vinha tendo dificuldades para voltar ao peso anterior à gravidez. A jornalista afirma que a emissora a fez sair do ar primeiramente, passando a fazer trabalhos internos até ser demitida posteriormente. A emissora nega tal motivação, mas o fato é que a jornalista que estava na emissora desde o começo da TV regional, e que ancorou boa parte desse tempo os principais telejornais, sai desta casa alegando que seu problema foi a manutenção da imagem.

Não vou entrar aqui na polêmica da injustiça do caso, até porque esta coluna e este blog não tem este propósito, mas quero chamar a atenção para a repercussão e para a questão da identidade de marca.

Desde a sua criação a emissora buscou criar uma relação de intimidade com sua audiência, foi esse o atributo que fez da emissora uma campeã em aceitação, buscou entre muitos candidatos testados, os que mais se identificavam com este povo peculiar do Vale do Paraíba. Público que mesmo tão próximo entre si é tão diferente em suas regionalidades, e que, de forma geral é enraizado a costumes e tradições, sendo até mesmo arredio aos forasteiros, mas receptivo com quem simpatiza pra tomar um café com bolo de fubá.

A personalidade da jornalista combinou em cheio com isso, ela tem na sua forma de apresentar e de se comportar, aquele jeito carismático que traduz credibilidade sem ser assim tão séria ou arrogante. Isso populariza sua aparição e conversa tipicamente com a família tradicional interiorana.

E não pense que esta característica é fácil de substituir, pois não é! A jornalista é prata da casa, vinda do vale histórico e formada na Universidade de Taubaté, iniciou em uma TV local na mesma cidade em que estudou, e desde lá já demonstrava essa “pegada” própria de fazer seu jornalismo do interior. Não é à toa que seu sucesso se manteve regionalizado mesmo quando alguns de seus colegas com menos tempo de casa ascenderam ao âmbito nacional.

Ou seja, a jornalista foi perfeita para o posicionamento da emissora que tinha na sua pessoa aquela que era sempre recebida para o café da tarde.

Se julgarmos a repercussão nas mídias sociais, me parece que ao ser demitida ela leva consigo a intimidade que trouxe à marca da emissora. Portanto, uma perda significativa para a imagem de marca da TV, isso sem contar que sua demissão por qualquer que seja o motivo, já gerou reações negativa à imagem da emissora. Se for realmente pela motivação dita pela jornalista, não valeu a pena a demissão, pois a imagem dela aqui fora gera mais ” “buzz” negativo do que ela gordinha na TV.

Temos que levar em consideração também o momento. Sabemos que a mídia televisiva vem perdendo espaço para o streaming, e que o jornalismo online já é realidade, portanto, não é difícil imaginar que sabendo conduzir, a jornalista pode oferecer não só uma perda de intimidade à emissora, mas uma concorrência on-line para o seu jornalismo.

Essa situação deu a ela a oportunidade de construir seu próprio canal de comunicação fidelizando os telespectadores da emissora, pois, um simples twitter dela será seguido por milhares de pessoas no vale do paraíba e pode gerar grande repercussão, como podemos ver por sua postagem de Facebook.

Um caso similar é o do jornalista Paulo Henrique Amorim, que ao sair da maior emissora do país construiu seu próprio caminho jornalístico e conta com mais de 820 mil inscritos em seu canal de YouTube, se posicionamento contrário a antiga emissora.

Dessa forma, se é verdade que a demissão da jornalista foi por uma questão de imagem, está na hora da emissora repensar seus conceitos, pois, neste caso quem ficou com a imagem fora dos padrões da sociedade!? Opinem!

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