Coluna “Discutindo a relação…”

Era uma vez um mundo distante…

Josué coluna correto

Havia um reino muito, muito distante.

Neste reino a propaganda, por uma questão de pura magia, era perfeita.

Neste reino, as agências de propaganda tinham equipes grandes o suficiente para atender todos os seus clientes sem precisar virar noites trabalhando.Isso ocorria muito, muito raramente e em situações especiais. E quando acontecia ninguém se vangloriava de ficar trabalhando horas a fio.

Lá (no reino), os criativos não tinham egos super/mega/blaster inchados e, embora gostassem de ganhá-los, não viviam desesperados por prêmios. Como eram assim, não havia criativos egoístas/egocêntricos e o ambiente nos departamentos de criação era pra lá de legal.

Também não havia concorrências predatórias. Todos mantinham bons preços pelos serviços prestados e valorizavam seu mercado de atuação acima de tudo. Os clientes, por sua vez, entendiam suas agências e tinham departamentos de marketing bem estruturados e sabedores das coisas da comunicação.

Neste reino, não se pagava BV, nem havia bola ou comissão para escolha de fornecedores. Nem taxas embutidas e/ou escondidas nos preços dos fornecedores.

Os atendimentos eram bem preparados, escreviam briefings bem redigidos e completos e lideravam internamente os trabalhos com precisão e empatia. Havia planners inteligentes, com ótima capacidade analítica e estratégica. E os mídias tinham um arsenal de pesquisas e dados a sua disposição e faziam mídia estratégica e técnica, sem chutes.

Os estagiários e os jovens publicitários em começo de carreira recebiam gordas bolsas e ótimos salários. E tinham sempre um sênior acima deles lhes ensinando os caminhos das pedras.

Neste mesmo reino, as agências buscavam contratar pessoas com perfil bem delineado (as vagas eram bem definidas) e não pediam estagiários com experiência.

Por pura magia mesmo, neste reino os donos de agências eram amigos pra valer e defendiam o mercado como um todo. Faziam reuniões constantes, trocavam informações sobre fornecedores e veículos e organizavam frequentemente eventos em prol do crescimento do mercado publicitário.

Quando alguém tinha uma nova ideia ou iniciativa para promover a propaganda os demais elogiavam, apoiavam, participavam e até ajudavam.

A magia era tão forte e a propaganda tão perfeita que um publicitário jamais falou mal do outro pelas costas ou mandou indiretas pelas mídias sociais.

De tão, tão perfeito, este mundo da propaganda era até chato…E ficava muito, muito distante do Vale do Paraíba.

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