Coluna Propaganda&Arte

Sobre ideias brilhantes e gárgulas

Trabalhar com comunicação e publicidade nos dá o prazer que poucos trabalhos oferecem: conhecer universos e negócios diferentes a cada novo job. Diante de tantos desafios da nossa geração, será que estamos realmente respondendo aos anseios com projetos relevantes?

Gárgulas são estátuas de seres alados ou bizarros que ficam no alto das igrejas ou prédios góticos. Uma figura da Idade Média que ficou popularmente conhecida nas histórias e desenhos como o do corcunda de Notre-dame, mas que revelam uma origem um pouco menos fantasiosa. Ao contrário do que parece, ela não foi criada para espantar maus espíritos ou gerar pesadelos nos visitantes que passam abaixo delas. A funcionalidade da gárgula é bem prática e menos mística: esconder os canos das calhas e ajudar a escoar as águas das chuvas para longe das paredes das construções.

Foi em uma pesquisa para um Naming de uma nova marca que eu descobri essa história e naquele momento todo um véu de mistério que eu mantinha sobre essas criaturas antigas caiu. Foi como se uma luz misteriosa se apagasse para se acender uma nova. “A gárgula é impactante e útil” – conclui. Assim deveriam ser as propagandas.

O grande W. Olivetto em uma recente entrevista criticou as novas gerações de publicitários, dizendo que antigamente as ideias eram mais divertidas, brilhantes e vendiam mais. Em partes, concordo com o cara. Afinal, com o acesso (ilimitado) de informação e envolvimento cada vez maior das pessoas nas redes sociais, temos o terreno perfeito para abraçar nossos clientes com propagandas que realmente façam a diferença. Eu sinto também que não estamos fazendo nossa parte, mas ao mesmo tempo, não acho que tenhamos que ser brilhantes sempre. Aliás, o que é ser brilhante? Será que podemos acompanhar tantas mudanças sociais e tecnológicas? A propaganda precisa buscar um novo papel na sociedade?

Com mais perguntas do que respostas, eu fico observando, do alto do meu prédio, como as gárgulas fazem, imaginando o que se passa na cabeça dos clientes, lá embaixo. Como me aproximar sem assustar? Como envolver? Como alçar novos voos?

E você? O que vê do seu prédio?

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