Coluna Branding: a alma da marca

O que esta Copa já tem a ensinar aos brasileiros

Como professor não tenho como não buscar lições em tudo o que fazemos na vida e assistir a Copa do Mundo é uma distração muito produtiva quando queremos tirar lições.

Desde já deixo claro que não é o evento organizado pela FIFA que traz consigo os exemplos para os brasileiros, mas sim este contato com o mundo todo, com povos e culturas diferentes, com crenças e relações diferentes.

Portanto vamos lá, listando e explicando:

Não dá pra viver de imagem para sempre – está claro que no futebol as coisas estão muito niveladas, que países favoritos estão tendo muita dificuldade em passar por esquadras de menor tradição. O que aprendemos: não dá pra viver de imagem para sempre, para ganhar é preciso se esforçar.

Quem cai, deve se levantar – nosso futebol tem sido muito lamentador, assim como nosso povo. Estamos sempre lamentado as nossas quedas. Está na hora de seguir com a jogada, mesmo que haja uma nova queda lá na frente.

Fingir menos e brigar mais – é interessante ver que países como Rússia, Croácia, Islândia, Servia e outras nações como essa mostram força. O que eles têm a nos ensinar? A resistência à vontade por algo maior do que o próprio jogo. É a famosa pátria na chuteira, uma expressão militar, que não deve ser entendida como propaganda do “volta militares”, mas de um estado de combate que nosso povo precisa ter em suas veias.

Frieza é controle – Temperança é um das virtudes que Platão dizia fundamental ao ser humano. É preciso se controlar em momentos difíceis e fazer o que precisa ser feito. É isso que Tite quer dizer quando diz “não reclama do árbitro, concentra!”

Por amizade, não por dinheiro – A Islândia pode até sair da Copa, mas para um time onde muitos são amadores, chegaram muito longe e tem muito a ensinar. Podem até estar jogando hoje por uma oportunidade de se realizarem individualmente como jogadores profissionais, já que hoje são mineiros ou dentistas, mas chegaram até aqui sem precisar dessa ambição. Belo exemplo!

Para terminar a mais importante de todas:

Piada, tem limite – Novamente a elite econômica do Brasil, mostra que dinheiro e educação não são sinônimos, e que cultura passa longe desta nossa “burguesia”. Muitos exemplos de piadas de mal gosto na Rússia rolando pela internet as quais nem vale a pena dar ibope. Isso não acontece só com os brasileiros, há muitos desses “ricos sem cultura” espalhados pelo mundo, mas são os nossos que nos cabem.

Para eles meu desejo é que fossem presos e punidos na Rússia, já que lá teriam a justiça que merecem, sem o apadrinhamento de nossas cortes.

Por fim, digo o porquê desses fatos se tornarem importantes para nós comunicadores.

Somos cientistas sociais, e como tais, devemos estar atento a todos os assuntos do momento, aprendendo e ajudando a corrigir erros de nosso povo. Por enquanto, vou usando minha comunicação para o aprendizado e amadurecimento das nossas ações, assim como a seleção de Tite. Acredito que nesse momento nosso povo também está atento a estes fatos, torcendo não só pelo bom futebol de nossos jogadores, mas principalmente pelo bom desenvolvimento do nosso comportamento como nação.

Coluna “Discutindo a relação…”

Um delicioso desafio

Trabalhar com propaganda tem sido alvo de inúmeras críticas nos últimos anos. Tais críticas em grande parte são justas e consequência de modelos de negócios exauridos (especificamente em relação às agências de propaganda) e das constantes mudanças de cenário ocorridas recentemente.

Posso dizer também que há uma questão de geração. Mas não quero entrar nesta discussão aqui. Ela já deu muito pano pra manga. Tanta gente já falou e escreveu sobre isso. Volta e meia aparece um texto sobre o assunto, como este aqui, por exemplo.

Quero falar na verdade que, apesar de tudo, acredito ainda que trabalhar com propaganda traz ao menos uma grande recompensa : aprender muito e quase sempre.

Isso não é novidade. De fato é bem antigo este negócio. Mas… explico.

Não sou daqueles que crê que em propaganda nunca há rotina. É claro que há. Mas é verdade que é uma atividade bem menos rotineira de que outras. E isso se dá pela diversidade de situações, casos, mercados, produtos e serviços com que podemos nos deparar na atividade publicitária. É aquela velha, mas ainda verdadeira conversa: num dia podemos trabalhar com um cliente de varejo de ferramentas e no outro lançar um empreendimento imobiliário. Podemos fazer feirão de automóveis para uma concessionária e ao mesmo tempo pensar em como fazer com que uma escola de inglês tenha mais alunos matriculados. Tentar vender túmulos num novo, bonito e moderno cemitério e lançar a moda primavera/verão para o publico jovem das classes B e C.

Isso sem falar no interessantíssimo esforço de se colocar no lugar do outro. De se livrar de pré conceitos e de preconceitos. De usar estereótipos mas não ficar preso a eles de maneira superficial.

A questão importante aqui é o quanto temos que aprender para fazer bem feito cada um destes trabalhos. Foi isso que sempre me motivou em propaganda. E acho que quem quer trabalhar com propaganda deve ter como principal característica a curiosidade. Ou melhor: a vontade de aprender.

De meus tempos de agência trago inúmeros aprendizados. A maioria deles obtive com clientes. Um outro tanto com fornecedores e uma outra parcela generosa com os veículos de comunicação. Entender cada mercado, cada cenário competitivo, cada público consumidor, cada produto ou serviço é um desafio delicioso.

Em conversas recentes tenho dito que as agências terão que forçosamente rever seu modelo de atuação ou implodirão ( veja esse texto). E dessa revisão é bem provável que apareçam mais agências bacanas para se trabalhar. Na verdade já estão surgindo. E por esse motivo sigo acreditando que muita gente vai continuar querendo ser publicitário.

Gente talentosa, inteligente e disposta a aprender sempre terá vez no mercado publicitário. E sempre será disputada pelas melhores agências, assessorias e consultorias. As agências, assessorias e consultorias por sua vez, terão que se esforçar para voltar a atrair gente talentosa, inteligente e disposta a aprender.