Artistas regionais se reúnem para vender suas obras e aceitam bitcoin como forma de pagamento

O evento acontece nesta sexta, 05, em São José dos Campos, com música ao vivo e degustação de cafés especiais

Os artistas do coletivo de artes Bazarts vão expor cerca de 30 obras originais numa vernissage nesta sexta-feira, 05, em São José dos Campos. Segundo o curador da vernissage, Gilberto Marques, 56, a ideia é reunir em um só espaço o maior acervo de obras de artistas locais de várias gerações.

“Temos artistas de várias idades e até pai e filha, como é o caso da Patrícia, fotógrafa, filha do ilustrador Nill Silva.” diz ele. Entre as técnicas estão desenho, fotografia, ilustração, aquarela, óleo, acrílica, gravura e colagem.

Todas as obras originais e mais de cem prints (reproduções) vão estar à venda durante o evento, que vai aceitar bitcoins como forma de pagamento das peças.

“O Bitcoin é um dos símbolos em inovação, democratização e participação. O formato do projeto tem muito a ver com isso. E também porque pode abrir espaço para outra forma de contribuir financeiramente com a produção do artista, além do ineditismo”, explica o curador.

Além das peças, os visitantes também vão poder apreciar música popular brasileira e uma degustação de cafés especiais. A entrada é gratuita.

VERNISSAGE
Sexta-feira (05/04)
Rua José Pedro de Carvalho Filho, 28, Vila Ema
São José dos Campos- SP

PROGRAMAÇÃO
9h – Abertura
17h – Presença dos artistas
17h30 às 18h30 – MPB com Edson e Deia Faria
17h30 às 18h30 – degustação de café
19h – Encerramento

Coluna Propaganda&Arte

Será que nosso paladar evolui, assim como o gosto musical?

Eu sei que parece um pouco absurdo, mas como somos seres que utilizam os cinco sentidos para interagir com o mundo, será que com o passar do tempo, assim como acontece com o paladar, nosso gosto musical também se “aperfeiçoa”?

Estamos vivendo o que gosto de chamar ERA GOURMET. Nessa fase, tudo pode ser consumido em alguma versão gourmet, mais incrementada, como algum tipo de arte, algo mais refinado. São cafés especiais, cervejas artesanais, vinhos, coxinhas e tudo mais que você possa imaginar (e não imaginar). Isso significa que as pessoas estão buscando experiências de sabor, olfato, experiências no geral, mais completas, complexas e satisfatórias.

Posso falar por mim. Aos meus 20 anos, comecei a consumir “com gosto”, cerveja e café, apreciando cada variável. Meu paladar mudou, definitivamente, e comecei a treiná-lo. Portanto, existem sim, aromas, gostos, texturas e experiências mais complexas. Não estou negando-as. A questão aqui é sobre o gosto musical. Será que muda também? Refina-se com o tempo e fica melhor, como o vinho?

Existem alguns artistas que são clássicos, consagrados pelo público e marcaram história. Será que eles representam um gosto mais geral comum? Tipo um arroz com feijão? Já outras bandas, caminham por uma linha mais complicada, sendo aclamada pelos críticos e às vezes nem conhecido pelo grande público, vivendo no underground. Se realmente esse refinamento existe, então devemos respeitar esses caras, certo?

Não estou falando para você ficar acreditando em críticos, nem em artistas novos, só porque disseram que são gênios. Eu mesmo escutei Radiohead diversas vezes, achava até bacana quando era adolescente e só agora, recentemente, compreendi a profundidade da arte dos caras. Ou seja, sempre é tempo para experimentar, nunca é tarde para descobrir novos gostos, ou gostos antigos, mas com um novo olhar. Ou melhor, com um novo paladar. Mas claro, sempre respeitando aquela máxima “gosto não se discute”. Ou se discute?