Coluna “Discutindo a relação…”

Café, dúvidas e boas ideias

Estou tendo uma semana bem agitada, mas bastante rica em encontros e trocas de ideias.

Na última quarta tive a oportunidade de tomar um café a tarde com meu amigo e brilhante ex aluno Arison Sonagere. O Arison foi meu aluno no curso de publicidade e propaganda, é domo da Atributo Branding e professor/coordenador na unidade de SJCampos da Anhanguera. Também já foi articulista deste blog.

A conversa foi fantástica e falamos bastante sobre o ensino superior de publicidade. Trocamos ideias sobre a dinâmica da sala de aula, do papel do professor, do perfil do alunado atual e sobre soluções/projetos para melhorar a forma como ensinamos.

A conversa toda foi toda muito interessante (o Arison continua afiado, inteligente ainda mais), mas quando conversamos sobre a possibilidade de definir um modelo para atuar no mercado publicitário a coisa ficou pra lá de interessante. O Arison me disse que pretendia dar novo gás para sua Atributo, mas não conseguia identificar um modelo de atuação que o levasse a um “oceano azul”.

Confessei a ele que várias vezes pensei em voltar a ter uma negócio em comunicação e que o nome “agência” definitivamente não caberia mais em qualquer modelo/proposta de atuação. E ficamos divagando como seria esse modelo que nos levasse para longe do “oceano vermelho” do mercado de “agências de propaganda”.

Uma das coisas na qual concordamos é que ter foco em digital já era. Já foi! Tudo e todo mundo mundo é digital. Focar em redes sociais é mais do mesmo. E começamos a pensar num modelo que misturasse arquitetura, experiência do consumidor, branding, design, estratégia e construção de significado e reputação para marcas.

Será que viajamos muito?

A única certeza é de que o papo foi bom demais e que conversar com gente inteligente é um santo remédio para mente, corpo e alma.

Coluna “Discutindo a relação…”

O que as pessoas pensam ou o que as pessoas sentem?

Coincidiu de a minha coluna cair exatamente no Dia do Consumidor. Sim, hoje, 15 de março, é o Dia do Consumidor. E a primeira coisa que me veio a cabeça é o discurso predominante atualmente no mundo da comunicação e do marketing que afirma que devemos, sempre, nos lembrar de que o consumidor é uma pessoa. É gente. Como a gente.

Longe de ser só uma expressão ou conceito “modinha”, entender que o lado humano das relações comerciais (e de comunicação comercial por consequência) é muito importante tornou-se algo obrigatório e fundamental. E para entender gente temos que lembrar que pessoas são movidas por razão e emoção. O tempo todo! Toda hora!

Então eu pergunto: é mais importante saber o que as pessoas pensam ou o que as pessoas sentem?

Difícil responder…

Em seu capítulo sobre planejamento para o livro “Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar”, o grande e inesquecível mestre Julio Ribeiro afirma: “Depois de muitos anos e uma centena de pesquisas, tenho constatado que, em geral, as pessoas não sabem por que fazem as coisas, mas sabem como se sentem fazendo. Acho mesmo que a maneira como as pessoas se sentem fazendo determinada coisa é mais importante do que a coisa em si.”

O grande publicitário e mestre do planejamento, Julio Ribeiro

Tendo a concordar com o mestre Julio Ribeiro. Compreender o que as pessoas sentem é mais importante do que tentar descobrir o que elas pensam. O lado mais humano, pessoal e próximo de um ser humano está ligado aos seus sentimentos. Conectar-se a seus sentimentos pode gerar muita empatia e engajamento.

Não por acaso ouvi recentemente que uma das métricas mais importantes e decisivas no mundo da comunicação e do marketing será, pasmem, o batimento cardíaco. Sim, o bater de nosso coração. Ele poderá ser medido através da Internet das Coisas (IoT), ou seja, através da troca de informações entre gadgets e, provavelmente um wearable (tecnologia vestível). Ao medir o batimento cardíaco das pessoas em determinadas situações e momentos podemos saber como elas estão se sentindo. E então entregar uma experiência mais bacana para esse consumidor…ops, para essa pessoa.

Smartwatchs, um exemplo de wearable

Dois outros conceitos têm muita relação com a questão de entender pessoas e atendê-las bem. Vejamos:

Dor(es) do consumidor – Todos temos conflitos e necessidades. Nossas dores. Trata-se aqui de descobrir e analisar o que aflige as pessoas em seu dia a dia, em seu cotidiano. De saber quais pequenos (ou grandes) conflitos uma marca/empresa/serviço/produto pode atenuar, evitar/prevenir ou mesmo resolver.

Pontos de paixão – trata-se exatamente de tentar descobrir e entender o que move as pessoas do ponto de vista emocional, subjetivo. O que elas amam? A que elas se entregam sem entender muito bem porque se entregam? Conectar-se aos pontos de paixão é tão ou mais decisivo de que atenuar ou resolver suas dores.

Em artigo para a Meio&Mensagem dessa semana, Gabriela Fernandez (estrategista da Today) escreve que “…um produto por si só pode não solucionar a necessidade do consumidor. Porque hoje a busca é por novas experiências.”

E mais a frente, no mesmo texto, também afirma: “Somos obrigados a deixar de lado a perspectiva racional, onde os resultados eram medidos com números de vendas e relatórios cheios de gráficos, para algo mais profundo. Estamos falando sobre mensurar sentimentos, percepções imediatas e frustrações.”

Bacana, né?! Eu curti muito. No fim fica mesmo a lição: temos que entender pra valer de gente. Temos que gostar de gente. Temos que pensar (e sentir) e propor um mundo para as pessoas. E isso passa pelo consumo, é óbvio.