Coluna “Discutindo a relação…”

Os elementos fundamentais da redação publicitária

A redação publicitária é um tipo especial de redação, com algumas peculiaridades e especialidades. É a busca para dizer o que deve ser dito de maneira original e persuasiva.

É sedução, persuasão e informação.

David Ogilvy disse uma certa vez que “Fazer anúncios perfeitos é um artesanato.” Ele não estava de todo errado… Mas, em contraposição a esta ideia do grande publicitário e criativo, temos a realidade atual de que hoje trabalhamos num ritmo quase industrial…

João Renha, em A propaganda brasileira depois de Washington Olivetto, isnpirado em Olivetto e Ogilvy afirma que: “Escrever bem não é ter lampejos criativos a toda hora. É técnica, é estudo, é concentração.”

Dentro desta visão de técnica e empenho podemos destacar quatro elementos prá lá de importantes para qualquer redator publicitário. Vamos a eles:

1 – Repertório

Repertório é tudo! Tudo que você ouve, lê, escuta, experimenta e vivencia. Dentro do repertório estão o conhecimento formal, a cultura erudita, a popular e a de massa. As besteiras e os assuntos sérios. Quem quer trabalhar com criação e ser um bom redator tem que batalhar para construir um GRANDE repertório.Portanto, vá ao cinema e ao teatro, leia de tudo, veja TV aberta e fechada, maratone séries, viaje, vá a festas, pegue fila, preste atenção às conversas alheias.

2 – Associação de ideias

É a base de todo processo criativo. Buscar estabelecer entre ideias, fatos, histórias, coisas… É aqui que percebemos claramente a necessidade de ter um grande repertório. As ideias não surgem do nada. O original vem do não original, daquilo que já foi feito, que já foi dito, que já foi escrito. Junte, misture, associe! Brinque com ideias e fatos. Aproxime-os.

3 – Ideias

Devemos tentar sempre ter muitas ideias. Muitas! Não ter preguiça. Buscar associações diferentes, estranhas até. Anotar muitas ideias, escrever tudo o que vier em sua cabeça. Deixe a cabeça solta para viajar. Brinque. Faça piadas. Deixe a cabeça leve.

4 – Formulação

É o momento de dar a melhor redação possível para as ideias que você teve. É o trabalho de lapidar os diamantes. Buscar as melhores palavras, a melhor construção da frase, a melhor formulação para que a ideia seja colocada com força, com impacto! Temos que “perder” um tempo na formulação. Esse tempo é fundamental para um bom resultado final do trabalho de redação.

Então, se você deseja trabalhar ou está começando a trabalhar com redação publicitária tenha sempre em mente esses quatro elementos. E mão na massa!

Coluna Antecedentes Verbais

De Lollapalooza a Wando

Isa correta

Referência é tudo em propaganda. Mas às vezes me pergunto se publicitário sempre teve essa mania besta de fugir a todo custo da cultura de massa.

Detestar Jogos Vozares é meu direito. Mas é necessário ao menos saber de que se trata. Afinal, você tem que estar preparado pra jogar os jogos do seu público.

Jogos-Vorazes-2

Aliás, é aí que mora o pecado de muita gente: criar pra si, e não pro outro. Você não é artista. Mas ainda insiste que seu layout é uma obra da Tarsila do Amaral. E o copy é um ensaio da Virginia Woolf. Tudo isso é ego? Existe terapia e livro de autoajuda. Ah é, lembrei que você não considera best-sellers.

Ame o que quiser. Critique o que quiser. Mas conheça tudo que puder.

Enquanto isso, Valesca continua rodando firme na minha playlist.

valesca-popozuda-monster-pop-265362

Muita coisa na publicidade cansa meu bom-humor.

Uma delas é a hipsterização do ambiente de trabalho – que vai desde o look do dia até o que toca na playlist.
Estaria tudo ótimo se fosse questão de gosto. O problema é que as pessoas estão pobres de referência porque não conhecem nada além do seu mundinho e se importarem muito com a minha Valesca.

Inclusive, eu vou além: tem gente que nunca pegou um ônibus.

Incluí no meu trabalho de conclusão de curso, há três anos, um trecho de uma música do Caetano. Repito a dose:
“Você precisa tomar um sorvete na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto, ouvir aquela canção do Roberto” (Baby, 1968)