Coluna Branding: a alma da marca

A propaganda da verdade

Muitos me perguntaram nestes últimos anos o que aconteceu com a publicidade para que ela tenha diminuído tão bruscamente como profissão. É notório que a procura por este curso nas faculdades diminuiu, assim como o mercado foi chacoalhado por uma crise tão grande que precisou se reinventar para continuar existindo, e muitas agências, fornecedores e veículos tiveram que se reposicionar ou fecharam as portas.

Quando um fato tão grande quanto este acontece é preciso olhar os princípios, pois pra uma casa cair é que seus problemas devem estar na fundação.

Havia um princípio na propaganda que sempre foi valorizar o que a marca tem de bom e deixar de lado ou até escondido aquilo que não está bom. Acontece que na era da informação esconder as coisas ficou cada vez mais difícil e aquele profissional que se destacava por saber pintar de dourado uma sujeira, foi sendo desmascarado.

Sempre tive comigo, que precisávamos encontrar verdades que pudessem ser propagadas e que as falhas não podiam ser encobertas, mas sim trabalhadas, recicladas, reconstruídas para que pudessem contribuir em uma valorização de marca. Encontrei muitos caminhos para fazer isso. Mas todos eles com um fator em comum. A propaganda precisa ser sinônimo da verdade.

Um exemplo muito prático aconteceu aqui em Taubaté com uma propaganda da corretora de seguros Rodrigo Camargo. Ao pintar um muro com sua marca, a corretora não se atentou ao fato de estar apagando um grafite de muitos anos naquela parede, uma arte que embora efêmera, como chama o seu próprio autor, é o retrato da relação verdadeira com a sociedade.

Não deu outra, movimentação nas mídias sociais, chamando atenção da imprensa local e nacional. Mas o que foi interessante nessa ação é que a corretora e seus profissionais da comunicação não tentaram esconder o problema, pelo contrário, com humildade reconheceram o erro, foram as mídias e deram a cara a tapa, pediram desculpas a sociedade e chamaram o artista para recriar o espaço com um novo desenho, que homenageia esta adoção da arte de rua pelo mercado tradicional publicitário. Uma verdadeira aula de fazer propaganda com a verdade.

O resultado é espetacular. O artista Felipe Rezende (Ifi) foi reconhecido por seu trabalho e recompensado pelo investimento da Corretora, a imprensa fez seu papel e divulgou, ilustrou e beneficiou a sociedade com seu trabalho, as pessoas ganharam um marco, um símbolo em sua cidade, e a corretora divulgou como nunca a sua marca, e foi homenageado na própria obra um fator pessoal, que marcará o empresário para sempre naquele lugar efêmero.

Mas o mais marcante de tudo é ver que existe uma publicidade diferente que pode se integrar com esta nova sociedade, que não será marcada por relação com a inverdade, com a corrupção, com o malfeito. Mas sim com a beleza de comunicar um bem, um valor, uma vontade boa de sermos vistos e reconhecidos.

Parabéns aos envolvidos e boa sorte para esta nova propaganda da verdade.

Coluna Branding: a alma da marca

O Partido da verdade

Disse Buda uma vez: “Há três coisas que não se pode esconder por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.”

Quando vejo o sentimento coletivo de tristeza que parece paralisar o ser humano me lembro que há coisas que não mudam, e que podemos por elas esperar lançando à nossa vida um ponto de referência.

Gostaria apenas de estar falando sobre técnicas de branding e de marca mas como um comunicador, um analista do tempo em que vivo, não posso deixar de falar da apatia que tem tomado conta da classe trabalhadora do Brasil.

Não me parece ser só o fator econômico, que restringe o poder de compra da população que entristece a massa, nem os escândalos políticos que chocam as pessoas a ponto de se surpreenderem, afinal, qual de nós em algum momento já não havia presenciado a existência de políticos corruptos.

Mas o fato é que em pleno momento histórico de nosso país, em pleno flagrante de um presidente, o povo comum do Brasil parece não querer dar as caras e se mostra mais uma vez encolhido em seus travesseiros.

É verdade que um pequeno grupo foi a Brasília e causou um estrago. Mas também é verdade que estes são motivados por uma pequena fagulha do que restou da esquerda mais agressiva e sindicalista, e que não representa a grande população.

O que não entendo é qual medo paralisa o brasileiro comum? Aquele mesmo brasileiro que foi as ruas no ano passado quando o motivo que o incitava era muito menos gritante do que vemos hoje?

Não é de hoje que este comportamento aflora! Basta lembrar que demorou muito tempo para que uma outra “esquerda” conseguisse reunir as forças necessária para derrubar a ditadura militar. O público médio brasileiro, nesses momentos de crise reais, parece ficar calado como um adolescente que vê o mundo ruir a sua volta e se mantém alheio pelo simples fato de não saber onde ancorar os seus valores.

Não é por menos essa sensação de perdidos, pois não é possível ver nenhuma virtude nesse lamaçal. Não há um congresso confiável, nem um judiciário sem envolvimento, muito menos um executivo limpo. Nossos grandes empresários parecem mais bandidos do que exemplos da nação, e nem mesmo a imprensa é capaz de lançar luz sobre o assunto, estando cada dia mais envolvida em construir um mundo de pós-verdade que tem levado o coletivo a um grande racha, digno de um FLA-FLU.

Mas a grande massa, parece querer ficar escondida debaixo da cama sem nem ao menos bater uma panelinha, como fazia a pouco, ou brigar nas redes sociais. A apatia tomou conta e o BRASIL AMARELOU!

Costumo dizer que sem haver verdade, não é possível construir marca, imagem ou opinião que tenha alguma força ou durabilidade.

O que será que o que está acontecendo ao Brasileiro? Será que ele não encontra mais uma VERDADE a qual defender?

Proponho então um ponto de referência, pois é claro que o sol vai voltar amanhã, como já diria a música, da mesma forma que há de APARECER A VERDADE em algum momento. Ela é de uma outra natureza, aquela que não pode ser escondida por muito tempo.
Afinal, quem faz um país não são seus representantes, mas sim, seus cidadãos trabalhadores.

Deixemos de lado nossas preferências partidárias e tentemos entender que não há como esconder para sempre a verdade. Se hoje a decepção é o que destrói, amanhã ela será apenas uma história das muitas que essa nação construiu.

Está em cada pessoa, em cada brasileiro a semente para uma real mudança. Trabalhe, acredite, produza, com honestidade e compromisso com a VERDADE.

Não se cale frente a mentira, não é hora de esmorecer! Depois de tanto nos repartirmos, enfim temos uma única bandeira pela qual lutar. Um valor o qual devemos nos unir e nos apoiar, pois a VERDADE deve aparecer e com ela virá um novo amanhecer.

Ou fazemos isso coletivamente ou continuaremos vivendo em dias de eclipse.