Desenvolve Vale aborda impacto da Inteligência Artificial nos negócios em evento com a FIA Business School

Especialista Luis Guedes, pós-doutorado em IA pela USP, falou sobre os desafios, limitações e trunfos do uso da tecnologia, além de apontar caminhos para aproveitar as vantagens competitivas trazidas pela ferramenta

A Inteligência Artificial (IA) e suas implicações nas empresas foram tema de encontro do Desenvolve Vale nesta semana no auditório da Colinas Green Tower, em São José dos Campos.

Promovido em parceria com a FIA Business School, o evento foi uma oportunidade de tirar dúvidas e debater com um especialista no assunto: Luis Guedes, pós-doutorado em IA pela USP, que atuou como executivo por mais de 15 anos com passagens pelo Google, Vivo, Embratel e NEC. Pesquisador associado ao PGT/USP, Guedes tem mais de 40 artigos sobre o tema publicados, além de coautoria em cinco livros.

O diretor da FIA, Eduardo Savarese, começou o evento desmistificando o tema e resumindo o objetivo da aula magna. “Nossa intenção aqui é tirar um pouco da visão lúdica da IA e mostrar como levar isso para a produtividade das empresas, para potencializar o trabalho dos profissionais e das diferentes áreas. A FIA tem 120 projetos de consultoria no Brasil e todos tratam de alguma forma de IA”, revelou.

Em sua apresentação, Guedes listou tarefas em que a IA pode conseguir bons resultados – como tarefas repetitivas; geração de texto fluente e coerente; síntese de documentos longos; tradução e adaptação de tom – e apontou o que ela não é capaz de fazer com êxito: garantir veracidade das informações, raciocínio lógico-matemático complexo, acesso a dados em tempo real, julgamento ético contextualizado, memória de longo prazo entre sessões e compreensão causal profunda.

“A IA não possui empatia nem qualquer tipo de sentimento. Tudo que ela entrega é uma hipótese, que precisa de tratamento. Por isso, é preciso fazer uma verificação sistemática, usar fontes primárias para dados críticos. Também ter ‘prompt engineering’ eficaz: peça para citar fontes e admitir incertezas. Por fim, é importante alimentar a IA com a sua base de informações”, disse Guedes, que é professor da FIA Business School nas áreas de IA e Estratégia, e membro do Comitê Brasileiro de Estudos em IA.

Para ele, o primeiro passo dos líderes das empresas deve ser identificar quais problemas, ligados à competitividade do negócio, precisam ser resolvidos, e em qual área começar.

“Também é importante que a equipe tenha um patamar mínimo de conhecimento sobre IA e definir qual a ferramenta ideal para a empresa. Criar um grupo para discutir a IA, uma comunidade de prática, ajuda bastante”, afirmou o especialista, citando que a Governança de IA é uma realidade em muitas empresas.

“O líder de hoje precisa ser transformador, redesenhar processo, formar equipes e capturar valor em escala. Ser visto como um curador de opções e líder de estratégia, não como dono das respostas. Nunca se precisou tanto de humanos. A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas; depois, do lucro”, concluiu.

Para Kiko Sawaya, founder e CEO do DV, o encontro deu pistas para a implantação consciente e assertiva de ferramentas de IA nas empresas. “A gente sai daqui pensando em qual será o primeiro passo para o uso da IA nas nossas empresas, com a certeza de que não podemos ficar parados, precisamos encontrar maneiras de continuar nos diferenciando. É necessário nos abrir para um mundo em mudança, que nos traz desafios constantes. O DV quer estar à frente dessas discussões”, destacou.

Fonte: Cabana – Filipe Manoukian

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