O funil de marketing foi uma estratégia de sucesso incontestável, pois fez com que as marcas conseguissem entender o que era a jornada do consumidor e destrinchar as etapas detalhadamente, viabilizando assim a percepção de que existem pontos onde o usuário é mais influenciado e outros onde a publicidade passa despercebida. Se hoje falamos tanto em comunicação efetiva e personalizada, foi porque tivemos o funil como base.
Entretanto, com a evolução natural da sociedade, as pessoas mudam a forma de pensar e agir para se adaptar às mudanças contemporâneas. Por isso, surgiram diferentes formatos de relações trabalhistas e interpessoais, novos costumes, prioridades, necessidades e também novos problemas. Com a globalização digital, essas mudanças se espalham rapidamente e ditam novas tendências. A união desses aspectos criou um ecossistema complexo, cujo funil de vendas não acompanhou.
Isso porque o funil tradicional se baseia na premissa de que o consumidor segue uma sequência unidirecional de interesse, consideração e compra, mas a mídia plurificou os pontos de contato, tornando a jornada não linear. Nos dias atuais, devido a tecnologia, os clientes conseguem comparar concorrências com mais facilidade, passam meses criando um caminho de compras, desistem dos produtos, são impactados novamente pela publicidade em outros canais e, por fim, decidem finalizar a compra. Isso não é um funil, mas sim um ecossistema de micro momentos.
É nesse novo contexto que os negócios perdem performance. Para aqueles que insistem em mapear o percurso de compra dentro do funil clássico, enfrentam dois erros graves: ignorar os sinais cruciais de intenção real do consumidor e investir verba e conteúdo em canais que não tem mais presença significativa para o público-alvo. E a consequência disso são ideias desalinhadas, perda de leads e uma percepção de imagem diluída.
Portanto, diante deste cenário vale concluir que o funil morreu há dois anos, e agora as marcas precisam aprender a operar sem ele e considerar três pilares importantes: presença contínua, contexto e dados, pois só assim elas vão conseguir se destacar nesse cenário fragmentado e competitivo que estamos vivenciando nos dias de hoje e atingir de forma estratégica o novo perfil de consumidor, que não compra mais em uma linha reta e são influenciados a todo momento e em diferentes canais. Ou seja, as marcas devem ficar de olho nisso para não morrer junto.
*Samira Cardoso é Co-fundadora e CEO da Layer Up, agência de marketing, publicidade e comunicação que oferece estratégias personalizadas, operação eficiente, branding e performance, unindo criatividade, tecnologia e dados.
A iniciativa é mais uma entrega estratégica do ‘Sistema Nacional das Agências de Propaganda’, com o objetivo de apoiar as agências nas decisões relativas à gestão de pessoas. Estudo traz dados sobre remuneração média e benefícios oferecidos, e
aponta que 78% atuam em home office, seja híbrido ou remoto
O Sistema Nacional das Agências de Propaganda — composto pela Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda), por 19 Sinapros e por 03 Delegacias que operam em todo o País — concluiu a Sondagem do Cenário de Remuneração nas Agências. O estudo, realizado junto a 91 agências de diferentes perfis de 23 estados, no último trimestre de 2025, com dados auditados por uma consultoria independente, traz informações sobre a composição de remuneração – incluindo salário base, bônus, comissões – para cargos específicos, o modelo de trabalho e um mapeamento dos diversos tipos de benefícios financeiros e não financeiros oferecidos aos colaboradores.
“Esta sondagem visa fornecer dados estratégicos para que as agências possam traçar políticas de pessoal essenciais para o desenvolvimento do negócio, em um mercado em constante transformação, no qual as pessoas são seus principais ativos”, afirma Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro.
Sobre a remuneração, o levantamento, realizado pela Celerh, constatou que a média salarial praticada pelas agências situa-se em R$ 4.318,00, excetuando-se cargos de liderança e gestão. Foram mapeados mais de 200 cargos em 23estados.
O estudo foi segmentado por porte de agência e região, sendo que, entre as agências ouvidas, 65% contam com até 30 pessoas na equipe; 25%, com 31 a 99 colaboradores, e 10%, com mais de 100 pessoas.
As mulheres são 59% dos colaboradores, e 40,6% delas estão em cargos de liderança. Estes dados sobre a representatividade feminina, especialmente, em posições de liderança, indicam o movimento inicial, por parte das mulheres, de ocupação de espaços historicamente masculinos e que, pela sensibilidade feminina, podem alicerçar outros avanços nessa área.
A maioria das agências – 78% – relatou trabalhar em Home Office, no modelo híbrido ou remoto, mas o modelo de contratação depende da região. Segundo relato dos entrevistados, o modelo remoto dá mais flexibilidade para contratar pessoas de outras regiões, apesar do trabalho 100% remoto ser raro. Além disso, 70% têm horário flexível.
“A flexibilidade – expressa no home office ou horário flexível – deixou de ser um diferencial competitivo, pois isso não garante mais a atração de talentos, mas é fundamental para evitar que os colaboradores se sintam insatisfeitos”, comenta a presidente da Fenapro.
Ela observa que a sondagem apontou a consolidação do modelo “anywhere office”, em que as agências contratam talentos em qualquer região do País, transformando o Brasil em um único grande pool de talentos. “Para as agências, isso representa uma oportunidade estratégica de arbitragem de custos e acesso a competências escassas fora do eixo Rio-SP”, afirma a presidente da Fenapro. Por outro lado, traz desafios como o de gerir uma cultura organizacional distribuída e decidir como a remuneração será definida, por listas nacionais unificadas ou regionalizadas. “A tendência aponta para modelos híbridos que ponderam custo de vida local com a senioridade e criticidade da posição”, explica Ana Celina.
Outra conclusão da sondagem é que a nova fronteira do “Employee Value Proposition” reside na personalização e no cuidado integral das equipes, o que inclui pacotes de benefícios flexíveis, onde o colaborador tem autonomia para montar sua cesta de acordo com o seu momento de vida, maximizando a percepção de valor do pacote de remuneração total.
Entre as 91 agências que responderam às questões sobre benefícios, 70% praticam horário flexível; 61% concedem day off na data de aniversário; 48% disponibilizam estacionamento e 40% incentivo à educação, 30% têm plano de academia; 29%, licença maternidade estendida; 24%, check up saúde, além de programas voltados à saúde mental, auxílio estacionamento e combustível.
Sobre os programas de gestão de pessoas, 48% das agências citaram contar com plano de cargos e salários; 59%, com avaliação de desempenho; 59%, com programa de desenvolvimento individual, além de pesquisas de clima. Também se constatou que as agências líderes estão migrando para uma gestão baseada em dados (People Analytics), conectando métricas de desempenho individual aos resultados de negócio para justificar investimentos em remuneração variável e bônus, elevando a meritocracia a um patamar técnico e transparente.
A análise do pacote financeiro revela que os benefícios representam uma fatia robusta, de 30% a 40%, do Custo Total do Colaborador. Enquanto os auxílios de curto prazo (saúde e alimentação) estão bem estabelecidos, nota-se uma subutilização de ferramentas de retenção de longo prazo, como a previdência privada, ainda restrita. O levantamento concluiu que, para competir com tech companies e startups que disputam os mesmos talentos de dados e tecnologia, as agências precisarão sofisticar seus pacotes, considerando bônus de assinatura e planos de previdência como alavancas para atrair e reter o C-Level e os especialistas sêniores.
Sobre a Sondagem
O projeto da sondagem é uma evolução de uma iniciativa bem-sucedida implementada no Sinapro-SP em 2025, e agora expandida para todo o Brasil. A sondagem foi conduzida pela Celerh a partir de uma metodologia rigorosa e transparente, baseada em critérios que visam a confiabilidade estatística e a análise aprofundada do mix de remuneração.
“A decisão de levar a Sondagem para o âmbito nacional, integrando a Fenapro e todos os Sinapros, eleva a relevância dos dados. Saímos de uma visão estadual para uma inteligência de mercado que abrange as especificidades regionais, mas com o peso de uma base de dados robusta e segura, fundamental para um setor que depende 100% dos seus talentos”, afirma Patrícia Alexandre, Diretora Executiva do Sinapro-SP.
Na visão da presidente da Fenapro, a Sondagem reflete o compromisso do Sistema em prover serviços tangíveis que apoiam diretamente as agências em seus desafios mercadológicos. O relatório completo e consolidado será disponibilizado para as agências que forneceram dados para compor este levantamento, enquanto as demais associadas poderão adquirir a pesquisa junto aos Sinapros.
“Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, decisões estratégicas precisam ser guiadas por dados. Quando isso não acontece, não é apenas uma empresa que se fragiliza, mas todo o setor pode ser impactado. Por isso, pesquisas como esta, que acabamos de entregar para o Sistema Nacional das Agências de Propaganda, são essenciais, pois apresentam um diagnóstico do mercado e ajudam as empresas a se estruturarem melhor, inclusive na formação, atração e retenção de talentos, ampliando sua capacidade de competir”, comenta Eliana Pitta, COO da Celerh, que realizou a sondagem
A presidente da Fenapro observa ainda que, em um mercado onde o talento humano e a criatividade são os diferenciais mais escassos, o Sistema Nacional se posiciona como um parceiro que oferece as ferramentas necessárias para as agências gerirem as pessoas, seus ativos mais valiosos.
A sondagem será anual e passa a ser um serviço estratégico de alto valor agregado para as agências associadas. Assim como outros projetos como o Transforma – de produção de conteúdos e workshops de inteligência de mercado -, a pesquisa VanPro – termômetro sobre os negócios das agências -, o P4c2 – ferramentas de desenvolvimento da gestão nas agências – e o Festival Nacional da Propaganda, entre tantos outros, reforça a atuação da Fenapro e dos Sinapros como um sistema integrado que fortalece o ambiente de negócios da propaganda brasileira.
Em um cenário marcado por mudanças rápidas, novas tecnologias e tendências que surgem e desaparecem em questão de dias, essa frase ganha ainda mais força. No universo da comunicação e do marketing, onde a atualização constante é praticamente uma exigência, o conhecimento se mantém como o principal ativo de qualquer profissional.
A educação formal desempenha um papel essencial nesse processo. É nela que se constroem as bases teóricas, o pensamento estruturado e a capacidade de análise crítica. Mais do que transmitir conteúdos, a formação acadêmica ensina a aprender, a questionar e a organizar ideias — competências indispensáveis para quem deseja atuar de forma estratégica em um mercado cada vez mais complexo.
Então, meu caro, não caia de modo algum naquela conversa falsa, mentirosa e vazia de que não vale a pena cursar o ensino superior.
No entanto, limitar o aprendizado ao ambiente formal é insuficiente. A dinâmica da comunicação contemporânea exige um olhar atento e curioso para o mundo. Novas linguagens, plataformas e comportamentos de consumo surgem continuamente, e acompanhar essas transformações é parte do ofício. Nesse sentido, o aprendizado contínuo deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.
Ser um bom profissional de comunicação e marketing vai muito além de dominar ferramentas ou seguir tendências. Envolve interpretar contextos, compreender pessoas, identificar oportunidades e criar conexões relevantes. E tudo isso está diretamente ligado ao repertório que se constrói ao longo do tempo — um repertório alimentado por estudo, observação e experiência.
A ideia de aprender ao longo da vida, portanto, não é apenas um conceito inspirador, mas uma prática essencial. Ler, pesquisar, trocar experiências e se manter aberto a novas perspectivas são atitudes que ampliam horizontes e fortalecem a atuação profissional. Em um mercado que valoriza inovação, a capacidade de aprender continuamente se torna um dos maiores diferenciais competitivos.
Neste Dia da Educação, a reflexão que se impõe é simples, mas poderosa: o conhecimento é a base de tudo. Talento pode abrir portas, e a prática pode aperfeiçoar habilidades, mas é o conhecimento que sustenta trajetórias sólidas e consistentes. Investir em educação, em todas as suas formas, é investir no próprio futuro.
Porque, no fim das contas, em meio a tantas mudanças e incertezas, há uma certeza que permanece: nada substitui o conhecimento.
Hoje comemoramos o Dia do Design Gráfico. E resolvi trazer algumas considerações que considero importantes relacionadas a esta área de atuação. O design está claramente ligado ao marketing, a comunicação e a propaganda.
Para além da estética
O design gráfico é frequentemente reduzido à camada superficial da estética, mas sua verdadeira essência reside na estruturação da comunicação visual. Ele não é um adorno aplicado ao final de um processo, mas a própria espinha dorsal que sustenta a clareza de uma mensagem. Em um cenário saturado de estímulos, o design atua como um filtro cognitivo, organizando informações de modo que o receptor consiga processar o que é essencial antes mesmo de ler a primeira palavra.
Tradução de valores
Quando observamos o marketing estratégico, o design gráfico assume a função de tradutor de valores e objetivos de negócio. Uma estratégia bem fundamentada morre na inércia se não houver uma materialização visual capaz de gerar identificação e confiança. O design é o que torna tangível o posicionamento de uma marca, transformando conceitos abstratos em símbolos, cores e tipografias que comunicam autoridade, inovação ou proximidade de maneira quase instintiva.
A funcionalidade da persuasão
Na propaganda, essa importância se potencializa ao lidar com a economia da atenção. O design gráfico não busca apenas a beleza, mas a funcionalidade da persuasão. Ele guia o olhar do consumidor, estabelece uma hierarquia de leitura e cria um ambiente emocional propício para a recepção da oferta. Sem o rigor técnico do design, a peça publicitária perde sua força de impacto e sua capacidade de fixação na memória, tornando-se apenas ruído visual em meio a tantos outros.
Ferramenta de solução de problemas
É fundamental compreender que o design é uma ferramenta de solução de problemas. Se uma embalagem não comunica sua utilidade ou se um anúncio digital confunde o usuário sobre onde clicar, houve uma falha de design, independentemente de quão “bonito” o layout pareça. A estética é um subproduto de uma função bem executada, e não o objetivo final. O design eficaz é aquele que desaparece para dar lugar à compreensão imediata da mensagem.
A fronteira e o diálogo entre design gráfico e direção de arte
A distinção entre design gráfico e direção de arte na publicidade é sutil, porém crucial para o entendimento da engrenagem criativa. O design gráfico tende a ser mais focado na estrutura, na técnica e na integridade visual de um sistema. Ele se preocupa com a grade, a legibilidade e a consistência da identidade e da marca a longo prazo. Já a direção de arte está mais ligada ao conceito, ao tom de voz visual de uma campanha específica e à forma como a imagem conversa com o texto para criar um impacto narrativo.
Enquanto o designer constrói o alfabeto e as regras de uso de uma marca, o diretor de arte utiliza esses elementos para contar uma história efêmera e impactante dentro de um anúncio. O design preza pela permanência e pela ordem, enquanto a direção de arte muitas vezes flerta com a quebra dessas regras para gerar surpresa ou estranhamento. No entanto, ambos convergem no ponto em que a estética serve estritamente ao propósito comunicacional.
A proximidade entre as áreas é tamanha que, na prática das agências, os papéis se fundem constantemente. Um excelente diretor de arte precisa ser um designer competente para executar suas ideias com precisão técnica, assim como um designer gráfico atua como diretor de arte ao decidir qual emoção uma determinada escolha cromática deve evocar. Eles são faces de uma mesma moeda que busca, acima de tudo, a eficácia do discurso visual.
Alicerce sólido
Em última análise, entender essa simbiose é o que separa marcas memoráveis de iniciativas genéricas. O design gráfico fornece o alicerce sólido e o marketing estratégico define o rumo, mas é na intersecção entre o rigor do design e a inventividade da direção de arte que a propaganda ganha vida e relevância cultural. A forma, portanto, nunca é gratuita, ela é o veículo mais sofisticado da inteligência de mercado.