A economia da atenção acabou. Entramos na economia da relevância.

 

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Durante muito tempo, o principal objetivo das marcas no ambiente digital foi conquistar atenção. Mais visualizações, mais cliques e mais tempo de tela pareciam representar automaticamente melhores resultados. Porém, esse modelo começa a mostrar sinais de desgaste. Em um cenário marcado pelo excesso de conteúdo e pela disputa constante por espaço nas redes sociais, o diferencial deixou de ser apenas aparecer. Hoje, o que realmente importa é ser relevante.

O conceito de “economia da atenção” foi desenvolvido para explicar justamente essa lógica de competição pelo foco das pessoas. De acordo com a American Economic Association, a atenção humana passou a ser tratada como um recurso escasso dentro da sociedade digital, especialmente porque somos expostos diariamente a uma quantidade gigantesca de informações, anúncios e estímulos simultâneos. Esse excesso fez com que consumidores se tornassem mais seletivos sobre aquilo que realmente merece seu tempo e interesse.

Esse comportamento pode ser percebido claramente nas plataformas digitais. Segundo um estudo da Globo em parceria com a Forebrain, muitas marcas têm apenas cerca de 2,5 segundos para conquistar a atenção do usuário antes que ele simplesmente ignore o conteúdo. O dado ajuda a entender por que campanhas altamente produzidas nem sempre conseguem gerar conexão real. Em um ambiente acelerado, o público aprende rapidamente a filtrar mensagens genéricas, repetitivas ou pouco úteis.

Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial e dos algoritmos transformou a produção e distribuição de conteúdo. Hoje, plataformas conseguem recomendar vídeos, anúncios e produtos com base em hábitos de consumo, preferências e comportamento digital. De acordo com pesquisas publicadas pela IntechOpen, a comunicação automatizada tende a se tornar cada vez mais eficiente tecnicamente. No entanto, existe um efeito curioso nesse processo: quanto mais automatizado o conteúdo se torna, maior passa a ser o valor percebido da autenticidade.

Isso ajuda a explicar por que consumidores vêm valorizando marcas que conseguem estabelecer relações mais humanas e coerentes. Conteúdos educativos, bastidores, posicionamentos transparentes e experiências reais frequentemente geram mais identificação do que campanhas excessivamente perfeitas. A lógica mudou: em vez de apenas interromper pessoas com publicidade, as marcas precisam oferecer significado, utilidade ou conexão emocional.

Essa transformação também altera profundamente o papel dos profissionais de marketing e comunicação. Durante muitos anos, métricas como alcance, impressões e curtidas dominaram os relatórios de desempenho. Porém, segundo estudos recentes publicados na plataforma acadêmica SSRN, indicadores ligados à confiança, relacionamento e engajamento significativo tendem a representar impactos mais duradouros para as marcas. Em outras palavras, nem toda visibilidade gera valor real.

Outro ponto importante é que relevância depende de contexto. O que funciona para determinado público pode não gerar qualquer impacto em outro grupo. Isso exige maior sensibilidade cultural, análise de comportamento e capacidade de adaptação constante. As marcas mais fortes da próxima década provavelmente serão aquelas capazes de entender pessoas de maneira mais profunda, e não apenas aquelas que investirem mais em mídia ou automação.

No fim das contas, a grande mudança da comunicação contemporânea talvez seja esta: atenção pode até ser capturada momentaneamente, mas relevância precisa ser construída. E, em um ambiente onde todos falam ao mesmo tempo, serão lembradas não as marcas que simplesmente aparecerem mais, mas aquelas que conseguirem fazer sentido na vida das pessoas.

Colinas Shopping recebe Hamilton de Holanda Trio e outros grandes nomes da música instrumental a partir de quinta (14)

Hamilton de Holanda Trio
Foto: Nando Chagas

Com 17 indicações ao Grammy Latino, músico se apresenta ao lado de Thiago ‘Big’ Rabello e Salomão Soares em show gratuito na Mostra Instrumental Brasileira

Até domingo (17), evento recebe shows gratuitos de Amaro Freitas, Walmir Gil Quinteto, Vereda Quarteto, Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, Arismar do Espírito Santo, Gabriel Grossi, Chico Oliveira, Trio Nota Jazz, Derico, Salomão Soares e Vanessa Moreno

O melhor da música instrumental brasileira toma conta do Colinas Shopping a partir desta quinta (14), com a primeira edição da MIB – Mostra Instrumental Brasileira em São José dos Campos. Hamilton de Holanda Trio faz o show de abertura, às 20h.

Um dos principais nomes da música instrumental brasileira contemporânea, o bandolinista, compositor e improvisador Hamilton de Holanda se apresenta ao lado do baterista Thiago “Big” Rabello e do tecladista Salomão Soares. No repertório, o trio apresenta o álbum “Hamilton de Holanda Trio – Live in NYC”, gravado ao vivo no Dizzy’s Club, em Nova York.

O trabalho reafirma a conexão entre os músicos, iniciada no álbum “Flying Chicken”. Lançado em 2025, foi registrado após um período de circulação do grupo pelos Estados Unidos. Segundo Hamilton, essa experiência foi decisiva para consolidar a sintonia entre os instrumentistas. “Quando chegamos em Nova York, já estávamos com o casco superafiado. A gente fechava os olhos e sabia o que o outro iria fazer, não precisava falar nada. Isso nos deu uma segurança e uma leveza também, porque já estávamos no automático”, relata.

Detentor de 17 indicações ao Grammy Latino, Hamilton também foi indicado ao Grammy Awards, principal premiação da indústria musical internacional. Entre os reconhecimentos de sua trajetória, destaca-se o prêmio na categoria de Melhor Álbum de Jazz Latino por Collab, trabalho realizado em parceria com o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba.

Hamilton de Holanda reúne virtuosismo, invenção e forte presença de palco. Seu trabalho articula o universo do choro à linguagem do jazz contemporâneo com ampla liberdade criativa. Ao longo de sua trajetória, o artista também redefiniu a presença do bandolim na cena atual ao desenvolver o bandolim de 10 cordas, instrumento com o qual projetou a música brasileira em palcos, festivais e instituições internacionais, como Jazz at Lincoln Center, Grand Palais e Smithsonian.

MIB

Com o propósito de inserir a música instrumental em espaços que escapam aos circuitos habituais de apresentação, a MIB ocorre de 14 a 17 de maio. Nesse período, a Praça de Alimentação Colinas será palco de oito shows gratuitos com artistas de diferentes gerações e linguagens, entre eles Amaro Freitas, vencedor do prêmio de Melhor Álbum do Ano de 2024 pela APCA; Walmir Gil, um dos fundadores da Banda Mantiqueira; Vereda Quarteto, com Sizão Machado, Edson Sant’Anna, Sérgio Coelho e Bruno Migotto; Orquestra Brasileira de Música Jamaicana; Arismar do Espírito Santo e Gabriel Grossi; Chico Oliveira e Trio Nota Jazz, com participação especial de Derico; e Salomão Soares e Vanessa Moreno.

Com curadoria de Luciana Machado, a programação gratuita destaca a pluralidade da cena instrumental brasileira. O festival é uma realização da Asas Arte & Tecnologia e conta com o incentivo do Colinas Shopping, por meio da LIF, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e da Prefeitura de São José dos Campos.

Tradição musical

Ao receber a primeira edição da MIB em São José, o Colinas Shopping fortalece sua vocação como palco de shows musicais de qualidade, como os que já passaram pelo Colinas Music e pelo Festival de Inverno.

Uma casa aberta para estilos variados, artistas regionais, novos talentos e músicos consagrados no país e no exterior, em um ambiente que já se tornou espaço para experiências memoráveis.

SERVIÇO

MIB – Mostra Instrumental Brasileira

Data: 14 a 17 de maio de 2026

Local: Praça Colinas

Gratuito

Espaço acessível

Colinas Shopping (Av. São João, 2.200, Jardim Colinas – São José dos Campos)

Programação

14 de maio | quinta-feira

20h – Hamilton de Holanda Trio

Um dos maiores nomes do bandolim contemporâneo, Hamilton de Holanda chega ao MIB com seu trio em um concerto que aproxima o choro da linguagem do jazz contemporâneo, com forte presença da improvisação e da música brasileira em chave atual.

15 de maio | sexta-feira

20h – Amaro Freitas Trio

Amarao Freitas

Pianista de projeção internacional, Amaro Freitas apresenta no festival o universo de “Y’Y”, álbum premiado pela APCA em 2024, em uma formação de trio que articula complexidade rítmica, força autoral e referências afro-diaspóricas.

16 de maio | sábado

16h – Walmir Gil Quinteto

No show “João Donato, Sempre Presente”, o quinteto revisita a obra de João Donato a partir de uma abordagem orientada pelo afro latin jazz, ressaltando a força melódica, o refinamento harmônico e a vitalidade do repertório do compositor.

18h – Vereda Quarteto

O grupo apresenta um concerto dedicado ao centenário de Moacir Santos, celebrado em 2026, em leitura que destaca a atualidade de sua obra e a permanência de sua contribuição à música instrumental brasileira.

20h – OBMJ – Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

OBMJ – Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

A OBMJ apresenta o show “Maior”, concebido especialmente para esta edição do festival, reunindo composições autorais, repertório inédito e projeções visuais em uma apresentação marcada pelo diálogo entre música jamaicana, música brasileira e forte comunicação com o público.

17 de maio | domingo

16h – Arismar do Espírito Santo e Gabriel Grossi

No show “Domingou”, os artistas constroem uma leitura inventiva da obra de Dominguinhos, a partir de um repertório que combina temas marcantes do compositor com composições autorais em diálogo com seu universo musical.

18h – Chico Oliveira e Trio Nota Jazz convidam Derico

A apresentação reúne repertório instrumental em suas conexões com o jazz, a bossa nova, o samba jazz e outras vertentes da música brasileira, em concerto marcado pela experiência de palco, pelo improviso e pela comunicação direta com a plateia.

20h – Salomão Soares e Vanessa Moreno

No show “Outros Ventos”, o duo apresenta releituras de grandes compositores da música brasileira, em encontro que articula voz, piano, improvisação e refinamento de linguagem.

Fonte: Cabana – Filipe Manoukian

Dança das cadeiras

A temperatura pode até ter caído, mas o mercado aqueceu!

Acompanhe algumas das recentes movimentações do mercado de comunicação e marketing da Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Juliana Faria, jornalista, começou a trabalhar como Analista de Marketing Junior no PIT – Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos.

A relações públicas Jéssica Carvalho assume o posto de Analista de Relacionamento e Eventos na Gestor Seller.

O relações públicas Danilo Santos Barbosa passa a atuar como Assistente de relações públicas na Conecta Marketing em Saúde.

Graziela Marques, jornalista de formação, passa a ocupar o cargo de Supervisora de Comunicação Corporativa na Avibras.

O publicitário Carlos Franca é o novo Executivo Sênior da Rádio Nova Brasil FM Vale 91.5 FM

Coluna “Discutindo a relação…”

Quando os algoritmos passam a decidir a conversa

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Durante muito tempo, fazer publicidade significava conhecer pessoas: seus hábitos, desejos, medos e aspirações. Hoje, conhecer pessoas também significa interpretar dados. Muitos dados. A publicidade entrou definitivamente na era algorítmica, em que decisões antes tomadas por profissionais — como segmentação, distribuição de verba, horário de exibição e até versões criativas de anúncios — são cada vez mais orientadas por sistemas automatizados. A pergunta já não é se algoritmos participam da publicidade, mas até que ponto queremos que eles conduzam essa relação.

Segundo o relatório Ad Spend 2025, da Dentsu, a publicidade global está caminhando para um cenário em que a maior parte dos investimentos em mídia será habilitada por algoritmos, com forte crescimento de compra programática, otimização automática e inteligência aplicada à mídia digital. No Brasil, esse movimento ganha força especialmente em campanhas de performance, varejo e e-commerce, onde velocidade e precisão fazem diferença real. Ferramentas de automação conseguem redistribuir investimentos em tempo real, identificar padrões de comportamento e ajustar campanhas com base em milhares de sinais simultâneos — algo humanamente inviável.

Na prática, isso significa que marcas conseguem conversar com consumidores em momentos cada vez mais específicos. Se antes a publicidade falava com públicos amplos, hoje ela busca falar com indivíduos em micro-momentos: quando pesquisam um produto, assistem a um vídeo, abandonam um carrinho ou demonstram intenção de compra. Dados do Think with Google Brasil indicam que decisões de consumo são fortemente influenciadas por interações rápidas e contextuais, reforçando a lógica de personalização contínua. O anúncio certo, na hora certa, para a pessoa certa deixou de ser promessa de apresentação de vendas e virou meta operacional.

Mas toda eficiência cobra um preço. Quando campanhas são excessivamente orientadas por performance, existe o risco de a publicidade se tornar previsível, homogênea e refém do que “funciona” estatisticamente. O algoritmo tende a repetir padrões bem-sucedidos, e isso pode reduzir experimentação criativa. Além disso, há um problema mais delicado: vieses algorítmicos. Sistemas treinados com bases de dados limitadas ou enviesadas podem reforçar desigualdades, excluir públicos ou replicar padrões discriminatórios sem intenção explícita. Em outras palavras: automatizar decisões não elimina problemas humanos — às vezes apenas os escala.

No contexto brasileiro, a discussão ganha camadas adicionais. O país possui alta digitalização do consumo e forte presença em redes sociais, mas também enfrenta desafios ligados à qualidade de dados, maturidade analítica e adaptação regulatória. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) adiciona responsabilidade ao uso dessas tecnologias, exigindo maior transparência sobre coleta, tratamento e finalidade dos dados. Ao mesmo tempo, ainda existe certa desconfiança do público em relação à hiperpersonalização — aquela sensação desconfortável de que “o celular está ouvindo tudo”.

No fim, publicidade algorítmica não deveria significar publicidade automática no sentido mais literal. Algoritmos são excelentes para encontrar padrões, otimizar processos e escalar resultados; já sensibilidade cultural, repertório e criatividade continuam sendo território humano. Talvez o maior desafio da comunicação contemporânea seja justamente este: usar inteligência computacional sem abrir mão da inteligência relacional. Porque dados ajudam a encontrar pessoas — mas ainda são as boas ideias que criam conexão.