Como a metodologia da “Era da Presença” vai impactar o marketing no Brasil

Por Samira Cardoso*

É fato que durante muitos anos o marketing operou sob uma lógica relativamente previsível: campanhas pontuais, grandes investimentos em mídia e ações focadas em conversão imediata. Mas o consumidor mudou e essa dinâmica sofreu grandes alterações, visto que ele não se relaciona mais com marcas apenas em momentos de compra. Agora, ele convive com elas diariamente, em múltiplos canais, contextos e plataformas. E é justamente nesse cenário que surge um novo conceito capaz de redefinir a forma como as empresas constroem relevância: a Era da Presença.

Mais do que uma tendência, a Era da Presença propõe uma mudança estrutural na maneira como marcas se posicionam e se conectam com as pessoas. A premissa é simples, mas profunda: não basta aparecer, é preciso estar presente de forma estratégica, contínua e contextualizada em toda a jornada. Isso significa construir relações sustentadas por conteúdo, propósito, consistência e diálogo permanente.

O conceito nasce como resposta a um comportamento cada vez mais evidente do mercado. Hoje, a atenção do consumidor está fragmentada. As jornadas deixaram de ser lineares e passaram a acontecer simultaneamente em redes sociais, buscadores, comunidades, creators, aplicativos, mídia espontânea, inteligência artificial (claro) e experiências físicas. Nesse novo ecossistema, as marcas que saem na frente não são necessariamente as que mais investem em mídia ou outras ativações pagas, mas as que conseguem manter relevância contínua ao longo do tempo, nos múltiplos pontos de contato.

A Era da Presença rompe justamente com a lógica do marketing baseado apenas em campanhas isoladas. Em vez de “grandes momentos”, o foco passa a ser a construção de uma presença inteligente e permanente. Isso exige uma mudança de mindset dos profissionais do setor para que deixem de atuar apenas como anunciantes e passem a funcionar como agentes ativos de conversa, cultura e experiência, colocando em prática, de fato, uma escuta ativa.

A realidade é que essa mudança já está impactando profundamente o marketing no Brasil. Um dos principais reflexos é a integração cada vez maior entre branding, conteúdo, relações públicas, creators, social media, comunidades e dados. As fronteiras entre essas disciplinas, que sempre foram muito claras, estão desaparecendo porque o consumidor não separa mais essas experiências. Para ele, tudo se trata da mesma marca, independente do local.

Esse movimento também pressiona empresas a abandonarem estratégias excessivamente centradas em performance de curto prazo. Durante anos, o mercado priorizou métricas imediatas, CAC, conversão e otimização de mídia. Embora seja inegável que esses indicadores continuem importantes, eles já não são suficientes para sustentar crescimento consistente em um ambiente hipercompetitivo e saturado de estímulos.

A nova lógica demandada pelo novo consumidor exige presença emocional, relevância cultural e construção de confiança (e isso não é tão simples quanto aparenta) e não se conquista apenas com anúncios “frios”. Conquista-se com narrativa, coerência e capacidade de participar das conversas certas, no momento certo e da forma certa.

Outro impacto importante da Era da Presença está no papel das lideranças e das próprias empresas como produtoras de pensamento. Marcas que desejam permanecer relevantes precisarão ocupar espaços de autoridade, gerar debates (sabendo ouvir e respeitar as diversas opiniões), compartilhar visões e participar ativamente das transformações sociais, econômicas e comportamentais do país. O ponto focal é que não se trata apenas de vender produtos, mas de construir significado.

Nesse contexto, o marketing deixa de ser apenas uma área operacional e assume um local de protagonista com uma função estratégica dentro dos negócios. A presença passa a ser, portanto, um ativo competitivo tão importante quanto tecnologia, produto ou distribuição. Outro gancho que não pode ser ignorado é que a ascensão da inteligência artificial acelera ainda mais essa transformação. Em um cenário onde conteúdos podem ser produzidos em escala quase infinita, a diferenciação estará menos na quantidade e mais na autenticidade, no repertório e capacidade de gerar conexões genuínas. A IA pode automatizar produção, mas não substitui presença real, visão estratégica e construção de relacionamento (e o consumidor percebe o que é real e o que não é).

Por isso, empresas que entenderem cedo essa mudança terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. A Era da Presença não fala apenas sobre comunicação, ela fala sobre permanência e marcas que não dependem exclusivamente de campanhas para serem lembradas, porque já fazem parte da rotina, das conversas e das decisões das pessoas.

Para finalizar, destaco que no Brasil, onde o consumidor é altamente conectado, social e influenciado por comunidades digitais, creators e experiências compartilhadas, essa transformação tende a acontecer de forma ainda mais intensa. Não acho exagero afirmar que o marketing do futuro será menos sobre interrupção e mais sobre convivência fluida e genuína.

*Samira Cardoso é Co-fundadora e CEO da Layer Up, agência de marketing, publicidade e comunicação que oferece estratégias personalizadas, operação eficiente, branding e performance, unindo criatividade, tecnologia e dados

Desenvolve Vale comemora sete anos de atuação em prol do crescimento da RMVale

Jantar no Hotel Golden Tulip São José dos Campos com a presença de autoridades e conselheiros também celebrou os quatro anos do programa na TV TH+ SBT Vale

A noite de sexta (26) foi de celebração para o Desenvolve Vale, que promoveu um jantar no Golden Tulip São José dos Campos para comemorar os sete anos de atividade e os quatro anos do programa de entrevistas do grupo na TV TH+ SBT Vale.

O evento reuniu cerca de 150 conselheiros e autoridades, e começou com a exibição de um vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin parabenizando o trabalho do Desenvolve Vale.

Na sequência, o CEO e founder do grupo, Kiko Sawaya, entregou placas de homenagem ao vice-governador Felicio Ramuth e aos prefeitos Anderson Farias (São José dos Campos), Sérgio Victor (Taubaté), Celso Florêncio (Jacareí) e Mateus Veneziani da Silva (Caraguatatuba).

“Depois de sete anos, olhamos para trás e vemos as realizações desse grupo. Lembro que no evento do movimento ‘São José 2030’, que motivou a criação do DV, o Ozires Silva falou que os empreendedores são conhecidos como colecionadores de ‘não’. E é isso que estamos conseguindo mudar, com a união da iniciativa privada e poder público, trazendo menos burocracia, mais segurança jurídica e oportunidades para a nossa região”, afirmou.

Sawaya destacou o trabalho dos prefeitos de São José, Taubaté, Jacareí e Caraguá, que enfrentam desafios diferentes em casa município, mas estão comprometidos com o desenvolvimento integrado da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale.

O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth, elogiou a iniciativa e a importância do setor privado para o crescimento do estado.

“Sete anos se passaram de uma jornada bonita de empreendedorismo. Uma jornada que inspira. Vocês, empresários, são quem gera emprego e renda, são quem paga os impostos, que devem ser investidos com eficiência pelo poder público. A nossa missão é ajudar, criando maneiras de estimular o empreendedorismo”, disse.

Para Eduardo Savarese, superintendente da FIA Business School, parceira do Desenvolve Vale Educação, o grupo exerce um papel fundamental para articulação de iniciativas para beneficiar as cidades da RMVale.

“O Desenvolve Vale é um parceiro estratégico da FIA, uma conexão importante para nós no Vale do Paraíba, com quem compartilhamos o propósito de desenvolvimento sustentável de todo o ecossistema da região. Uma iniciativa sólida, respeitada, que é referência na integração de lideranças públicas e privadas”, afirmou o representante da instituição, que hoje tem 150 projetos em andamento em mais de 20 estados do país.

Desenvolvimento econômico e social

Criado em 2019, o Desenvolve Vale se consolidou ao longo dos anos como um polo de debates sobre os desafios e oportunidades para desenvolvimento da RMVale.

Em seus encontros, já recebeu ministros, senadores, candidatos à Presidência da República, governadores, deputados, prefeitos e representantes de entidades, defendendo pautas como a desburocratização, diminuição de impostos e estímulo à cadeia produtiva e empreendedorismo.

Lideranças da política e economia como Maílson da Nóbrega, Geraldo Alckmin, Rubens Ricupero, Tarcísio Freitas, Ciro Gomes, Felipe D’Ávila, Ilan Goldfajn, Arnaldo Jardim, Marcos Pontes e Guilherme Derrite participaram de encontros do grupo, assim como o ex-presidente da Câmara Portuguesa, Nuno Rebelo de Sousa.

Em 2025, lançou o Desenvolve Vale Educação, em parceria com a FIA Business School, com o objetivo de formar líderes preparados para transformar organização, territórios e realidades.

O Desenvolve Vale também mantém um olhar para o que acontece no mundo, e promoveu missões empresariais para os Estados Unidos e Europa. Neste ano, organiza uma missão à China para conhecer empresas de tecnologia e instituições de pesquisa, com curadoria do Co-Chairman & CEO do LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Junior, que também é conselheiro estratégico do Laboratório dos BRICS, estabelecido pelo presidente da China, Xi Jinping.

Coluna Propaganda&Arte

Humanwashing: as grandes empresas de IA querem ser amigáveis com você.

No cenário atual da inteligência artificial, uma mudança sutil, porém profunda, tomou conta da identidade visual das Big Techs.

Se até pouco tempo atrás o design de tecnologia era pautado por uma estética futurista, fria, cromada e hiper-digital, hoje vivemos a era do “humanwashing”.

Assim como o greenwashing utiliza elementos visuais de sustentabilidade para maquiar práticas poluentes, o humanwashing é a estratégia onde empresas de IA utilizam elementos orgânicos para esconder a natureza algorítmica e fria de seus produtos.

O objetivo?

Reduzir a rejeição do público frente à crescente automatização e tornar a IA mais “aceitável” e “empática”.

Campanhas publicitárias, como as do Google Gemini, utilizam narrativas centradas no “orgânico”, focando em conexões humanas, sentimentos e cotidiano, enquanto o motor por trás de tudo permanece um processamento de dados massivo e muitas vezes opaco.

O perigo mora no fato de que muitas pessoas ainda não possuem o letramento visual necessário para distinguir o que é um valor real da empresa e o que é uma construção de marketing para manipular a percepção.

Para navegar por essa ilusão, é preciso desenvolver um olhar crítico: desconfie do excesso de “ternura” visual, questione a intenção da marca e exija transparência de dados.

O futuro sem a onipresença da IA exigiria uma mudança comportamental radical, uma revalorização da presença humana real.

No entanto, se o caminho depender exclusivamente das gerações mais velhas, que muitas vezes enxergam a tecnologia como um sinônimo inquestionável de progresso, a

IA veio para ficar.

Tabela: Estratégias de Humanwashing no Design

Choque geracional

A relação com a inteligência artificial é atravessada por vieses distintos.

Enquanto o senso comum sugere que os mais jovens seriam os maiores entusiastas da tecnologia, minha experiência em sala de aula na universidade tem revelado o contrário: tenho sido surpreendido por alunos que questionam ativamente materiais produzidos com IA e demonstram uma resistência notável a essa evolução, resgatando o valor de trabalhos artesanais, da fotografia digital com olhar autoral e até do retorno às técnicas analógicas.

Por outro lado, enquanto essas novas gerações buscam refúgio no que é palpável, o debate aponta para desafios crescentes em termos de profundidade cognitiva.

Paralelamente, gerações mais velhas, em muitos casos, tendem a ver a IA através de uma lente de progresso inquestionável, ignorando as camadas de manipulação invisíveis que o humanwashing impõe.

Cabe a nós, então, desenvolver esse olhar crítico — inspirado pela resistência criativa dos meus alunos — para não sermos meros espectadores da nossa própria automatização.