1º Meeting Destination de Turismo debate inovação, sustentabilidade e integração do turismo no Vale

Evento em São José dos Campos reuniu especialistas, gestores públicos e representantes do trade para debater inovação, governança, infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento regional

O futuro do turismo no Vale do Paraíba esteve no centro dos debates do 1º Meeting Destination de Turismo, realizado nesta terça-feira (11) em São José dos Campos. Promovido pelo Destination São José dos Campos, o encontro reuniu mais de 200 participantes no Teatro Colinas, entre especialistas de referência nacional, gestores públicos, empresários e representantes do trade turístico. Durante o evento, o Destination SJC e a Prefeitura de São José dos Campos também assinaram um termo de colaboração voltado ao fomento do turismo.

“Precisamos olhar para o turismo de forma integrada. O Meeting nasceu para criar um ambiente para compartilhar conhecimento, trocar experiências, aprender com grandes especialistas e, acima de tudo, construir projetos em conjunto. O turismo conecta pessoas, empresas de todos os setores, e só alcança todo seu potencial quando existe cooperação”, afirmou Rodrigo Chediek, 1º vice-presidente do Destination SJC, na abertura.

Turismo orientado por dados e inovação

O primeiro eixo de discussões abordou o impacto da tecnologia, da inteligência artificial e dos dados na transformação dos destinos turísticos. Mariana Aldrigui, coordenadora do Global Travel & Tourism Partnership e professora da USP, defendeu uma mudança na forma de pensar o setor e mais criatividade para inovar.

“Temos que nos desamarrar das ideias antigas de turismo. Nem todo dado representa a realidade, e a IA repete as mesmas sugestões de projetos. Se a resposta é fácil, está errada. A gente fala há 130 anos de potencial, mas precisa transformar em real”, afirmou.

João Del Nero, head de Data Analytics da Claro, apresentou projetos da empresa para captação e tratamento de dados de mobilidade, que permitem identificar informações como origem, destino, tempo de permanência e atrações visitadas a partir de grandes volumes de dados.

“Com essas informações, você começa a ter dados inclusive para atrair investimentos mais direcionados. Isso também é importante para a transparência”, disse.

Para Jucelha Carvalho, CEO e fundadora da Smart Tour Brasil, o desafio do setor passou a ser transformar o grande volume de dados disponível em informação capaz de orientar políticas públicas e decisões estratégicas.

“Hoje, são muitos dados, mas o que eles significam na prática? Eles precisam ajudar o gestor a tomar decisões melhores, trabalhar cenários futuros e entender as mudanças”, afirmou.

O debate também contou com Thales Tito Borges, especialista em novos negócios e projetos públicos do PIT (Parque de Inovação Tecnológica), que destacou a evolução do turismo para uma gestão baseada em evidências e citou a aplicação de normas voltadas aos destinos turísticos inteligentes.

Integração regional como estratégia

A necessidade de maior articulação entre municípios, iniciativa privada e poder público marcou o segundo eixo do Meeting, sobre governança, infraestrutura e mobilidade.

O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias, apresentou projetos estratégicos para a cidade, incluindo iniciativas relacionadas ao Aeroporto de São José dos Campos, ao futuro centro de convenções, à concessão do Parque da Cidade e ao desenvolvimento de um porto seco como estrutura de apoio ao Porto de São Sebastião.

O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias

“Só conseguimos avançar se estivermos conectados. A nossa rota ciclística só faz sentido se estiver conectada a outras cidades. Com o turismo, é a mesma coisa”, afirmou.

Ronei Glanzmann, CEO da MoveInfra, destacou a infraestrutura e os projetos em andamento que podem contribuir para a integração turística regional, como o Trem Intercidades, as obras rodoviárias e a concessão do Porto de São Sebastião.

“Essa região tem turismo na veia. Onde vemos isso no Brasil? O Vale do Paraíba tem uma responsabilidade grande, e muito trabalho a ser desenvolvido”, disse.

A governança também foi defendida por Enid Câmara, CEO da Prática Eventos e presidente da ABEOC Brasil, que ressaltou a importância de políticas públicas articuladas e sugeriu a criação de um calendário inteligente de eventos que explore as diferentes vocações dos municípios da região.

Bruno Omori, presidente do IDT-CEMA e diretor de Hospitalidade e Jogos da FHORESP, defendeu políticas estratégicas de promoção e atração de negócios, com maior integração entre conventions bureaus, entidades representativas e conselhos municipais e estaduais de turismo.

Da sustentabilidade para a regeneração

O terceiro eixo do encontro discutiu como o turismo pode deixar de apenas reduzir impactos para assumir um papel ativo na geração de benefícios ambientais e sociais.

Marina Figueiredo, presidente executiva da BRAZTOA, questionou se o mercado regional está preparado para vender não apenas destinos, mas também propósito.

“O turismo sempre gera impacto, é inerente à atividade, com deslocamentos, acesso à natureza, contato com comunidades locais. Somos uma das atividades com maior poder de transformação. Houve uma evolução, não falamos mais sobre como reduzir e minimizar esse impacto, e sim como gerar impacto positivo”, afirmou.

Alexis Pagliarini, CEO e fundador da Criativista ESG4, destacou que a adoção de práticas ESG pode gerar ganhos de reputação, longevidade e resultados para empresas do setor. Já Luís Magalhães, cofundador e diretor da O2eco Tecnologia Ambiental, apresentou uma solução para regeneração de recursos hídricos por meio de bioestimulação natural e defendeu maior proatividade na busca por soluções ambientais.

O tema também foi abordado por Carlos Bernardo, vice-presidente da Accor Brasil e professor universitário, que apresentou iniciativas ESG adotadas pelo grupo hoteleiro, incluindo ações para redução de plásticos descartáveis e programas de estímulo à não troca diária de enxoval.

Após o painel, Harry Finger, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Ilhabela e presidente da Fundação Arte e Cultura de Ilhabela, apresentou o case de turismo de observação de baleias e golfinhos. A iniciativa envolve regulamentação da atividade e capacitação de agências e guias turísticos para garantir a proteção dos animais e dos visitantes. Segundo Finger, mais de 25 mil pessoas participaram dos passeios entre maio e agosto de 2025.

Eventos como motores de desenvolvimento

No encerramento do Meeting, Toni Sando, presidente da Unedestinos e CEO do Visite São Paulo Convention Bureau, destacou o papel dos eventos na geração de conhecimento, negócios e desenvolvimento econômico e social.

“Os eventos continuam reunindo conhecimento, inovação e oportunidades. E visitantes continuam escolhendo lugares que oferecem qualidade de vida, segurança, hospitalidade e propósito. Essa é a importância do diálogo, debate e participação”, afirmou.

Para ele, os destinos mais competitivos serão aqueles capazes de integrar turismo, comércio, serviços, tecnologia e qualidade de vida em uma mesma estratégia de desenvolvimento.

O 1º Meeting Destination de Turismo é uma promoção do Destination São José dos Campos, com realização da Rádio Jovem Pan São José dos Campos e do portal spriomais. O evento teve apoio institucional da Prefeitura de Ilhabela e da Prefeitura de São José dos Campos; apoio estratégico da Unedestinos, Sinhores, PIT SJC, Agemvale e ABIH-SP; e apoio da Gecko Marketing, NipBR e Colinas Shopping. O evento foi segurado por Fiod Corretora de Seguros.

Fonte: Cabana – Filipe Manoukian

Propósito e personalização redesenham as estratégias de marketing de relacionamento; entenda a tendência

Marcas transformam pontos de contato em experiências capazes de fortalecer vínculos, comunicar valores e conectar clientes a histórias reais e cadeias de impacto positivo

O marketing de relacionamento está deixando para trás a lógica baseada exclusivamente em benefícios, recompensas e programas de fidelidade. Em um cenário de queda da lealdade e crescente demanda por relações mais autênticas, marcas passam a transformar cada interação em uma oportunidade de gerar identificação, confiança e proximidade.

Estudos internacionais ajudam a dimensionar essa mudança. O Edelman Trust Barometer 2025 – Special Report: Brand Trust aponta uma evolução na forma como o propósito é percebido: consumidores já não se conectam apenas com discursos, mas esperam ações capazes de gerar relevância, segurança e presença autêntica na comunidade. Na mesma direção, a Forrester identificou uma queda de 25% na lealdade às marcas em 2025, mesmo diante do avanço dos programas de fidelidade.

Nesse contexto, a personalização também ganha um novo significado. Mais do que adaptar produtos, ofertas ou mensagens às preferências do público, passa a incorporar histórias, origens, pessoas e impactos. A experiência se torna parte do posicionamento da marca.

A estratégia acompanha uma transformação observada no branding contemporâneo. Em vez de concentrar esforços exclusivamente em campanhas publicitárias ou programas de fidelização, marcas passam a investir em experiências capazes de traduzir seu posicionamento em ações concretas. Cada interação se torna uma oportunidade para reforçar atributos como autenticidade, confiança e responsabilidade socioambiental.

A tendência reposiciona iniciativas antes consideradas complementares nas estratégias de comunicação. Presentes corporativos, por exemplo, deixam de cumprir apenas uma função promocional e passam a atuar como pontos de contato capazes de comunicar escolhas, valores e compromissos.

O valor do brinde deixa de estar concentrado apenas na utilidade, no custo ou na exposição da identidade visual. Sua origem, a história de quem o produziu e o impacto gerado ao longo da cadeia passam a integrar a experiência oferecida ao público.

Nesse contexto, apoiar iniciativas familiares deixa de ser apenas uma escolha de fornecimento e passa a integrar a própria experiência oferecida ao cliente. O relacionamento não é construído apenas pela utilidade do brinde, mas pela história que ele carrega, pelas pessoas que representa e pelos valores que comunica.

A Deskbee, plataforma de gestão de espaços e rotinas de trabalho, é um exemplo de como essa tendência começa a ganhar forma. A empresa passou a desenvolver parte de seus brindes em parceria com iniciativas familiares comprometidas com práticas sustentáveis, substituindo itens padronizados por experiências conectadas às histórias de quem produz.

Um dos exemplos é a parceria com o apiário de Zé Preto, em Piracaia, no interior de São Paulo. Há mais de quatro décadas, o produtor se dedica à criação de abelhas. A atividade começou ainda na adolescência e, ao longo dos anos, transformou-se em um negócio familiar baseado no respeito à natureza, no cuidado com as colmeias e na valorização dos processos artesanais.

“O amor pelas abelhas foi passando de geração em geração”, conta o produtor. Para ele, preservar esses insetos também significa proteger uma das principais bases da vida. “Sem as abelhas, nós não conseguiríamos sobreviver”, afirma.

A mesma relação de cuidado está presente no mel escolhido para integrar os brindes da Deskbee. Produzido a partir de processos naturais, cada pote acompanha um pedaço do próprio favo, proporcionando a quem recebe uma experiência próxima à degustação realizada diretamente no apiário.

“Além desse mel, vocês estão levando todo o nosso amor, esse cuidado e todo o nosso respeito”, resume o produtor. Mais do que um produto, a entrega carrega a trajetória de uma família dedicada à apicultura e aproxima clientes e parceiros das pessoas envolvidas em sua produção.

Ao incorporar essa narrativa aos seus brindes, a Deskbee amplia o papel do marketing de relacionamento. O presente deixa de cumprir apenas uma função promocional e passa a representar uma cadeia de valor que envolve pequenos produtores, produção responsável, respeito ao meio ambiente e geração de impacto positivo.

O case evidencia como a personalização pode ultrapassar aspectos funcionais e estéticos. Mais do que adaptar um item, a empresa personaliza a experiência ao conectá-la a uma origem, a pessoas e a valores reconhecíveis. O relacionamento deixa de estar concentrado apenas no momento da entrega e passa a ser construído pelo significado atribuído a ela.

A iniciativa também mostra como o propósito pode deixar o campo do discurso institucional para integrar a experiência do cliente. Ao conectar presentes corporativos a histórias reais e cadeias produtivas responsáveis, a marca transforma uma interação tradicional em uma expressão concreta de seu posicionamento.

Em relações cada vez mais mediadas por plataformas digitais, experiências tangíveis e carregadas de significado ganham potencial para criar proximidade. O valor de uma entrega passa a ser medido também por sua capacidade de gerar identificação, estimular conversas e tornar visíveis os compromissos da empresa.

Na nova fase do marketing de relacionamento, confiança e lealdade não são construídas apenas por campanhas, benefícios ou programas de fidelização. Elas também nascem das escolhas que uma marca faz, das histórias que decide valorizar e da coerência entre o que comunica e as experiências que oferece.

O case da Deskbee traduz essa transformação: quando um brinde deixa de ser apenas um objeto e passa a representar pessoas, origens e valores, a marca não entrega somente um presente. Cria uma experiência de relacionamento.

Confira mais sobre a ação em: https://www.youtube.com/watch?v=B5SY41pBS60.