Cenp-Meios: mídia OOH registra expansão mais que duas vezes superior à do mercado publicitário e alcança participação recorde

Mídia exterior cresce 132% em quatro anos e amplia participação no mercado publicitário brasileiro

Mídia exterior movimentou R$827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 e registrou crescimento de 48,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Cenp-Meios – Crédito: Divulgação

Os investimentos em Out of Home (OOH) mais que dobraram nos últimos quatro anos e cresceram em ritmo superior ao do mercado publicitário brasileiro. Dados do Cenp-Meios, divulgados neste mês de junho, mostram que o setor movimentou R$827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante R$356,1 milhões registrados no mesmo período de 2022, uma alta de 132,3%. No mesmo intervalo, o mercado publicitário como um todo avançou 61,8%. O desempenho também elevou a participação da mídia exterior no bolo publicitário monitorado pelo Cenp: o share do OOH passou de 10,3% para 14,8% entre os primeiros trimestres de 2022 e 2026, consolidando o meio entre os 3 principais destinos dos investimentos de anunciantes no País.

Os dados mostram ainda uma aceleração recente. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, o OOH cresceu 48,6%, enquanto o mercado publicitário registrou avanço de 18,3%.

Para a Central de Outdoor, maior associação de mídia exterior do Brasil, o resultado reflete mudanças estruturais na forma como as marcas distribuem seus investimentos em comunicação e buscam alcançar consumidores em um cenário de crescente fragmentação da audiência. Entre as principais razões estão: Digitalização do setor (o principal vetor); Busca por atenção em um ambiente digital saturado; Retorno da mobilidade pós-pandemia; Integração com estratégias omnichannel, Maior profissionalização do setor; Valorização do espaço urbano pelas marcas e possível conjuntura econômica, devido a realização de eventos esportivos no primeiro semestre e antecipação de campanhas publicitárias em ano de eleições presidenciais no Brasil.

Fabi Soriano, diretora executiva, e Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor, avaliam que o crescimento do OOH reflete mudanças estruturais na forma como as marcas investem em comunicação e alcançam consumidores – Crédito: Alê Oliveira

“O crescimento do OOH não é consequência apenas da retomada da mobilidade. Ele reflete uma mudança estrutural do mercado publicitário. Em um cenário de fragmentação de audiência, excesso de estímulos digitais e busca por atenção qualificada. O OOH tornou-se uma das poucas mídias capazes de combinar alcance massivo, impacto visual, integração tecnológica e conexão com a jornada omnicanal do consumidor. Os dados do Cenp-Meios mostram que essa transformação já está sendo traduzida em investimentos”, afirma Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor.

Entre os fatores que ajudam a explicar o avanço do setor está a digitalização acelerada dos ativos de mídia exterior. O crescimento do Digital Out of Home (DOOH) ampliou a flexibilidade comercial do meio e permitiu maior integração com dados, geolocalização e estratégias digitais.

Outro vetor importante é a busca das marcas por ambientes capazes de gerar atenção em meio à saturação de mensagens online. Com consumidores dividindo seu tempo entre múltiplas plataformas, anunciantes têm ampliado investimentos em meios que oferecem presença física e impacto visual em ambientes urbanos.

A retomada da circulação de pessoas em centros urbanos, aeroportos, rodovias e polos comerciais também contribuiu para a expansão do segmento, especialmente após o período de restrições observado durante a pandemia, que terminou em maio de 2023.

Segundo Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor, o crescimento do OOH acompanha uma tendência observada em diversos mercados internacionais, análise que foi feita também durante a WOO, maior encontro de OOH do mundo, onde a associação acabou de marcar presença e realizar uma missão empresarial.

“As marcas perceberam que o desafio atual não é apenas gerar alcance, mas conquistar atenção. O OOH tem uma característica única nesse contexto porque está presente nos deslocamentos, nos momentos de consumo e na rotina das pessoas. Além disso, passou a atuar de forma integrada com campanhas digitais, ampliando a eficiência das estratégias de comunicação”, afirma.

A entidade também destaca o fortalecimento das estratégias omnichannel como um dos principais motores do crescimento. Cada vez mais, campanhas combinam mídia exterior, mobile, redes sociais, plataformas de vídeo e canais proprietários para construir jornadas integradas de comunicação.

Setores como varejo, bebidas, fintechs, streaming, mobilidade, entretenimento e serviços financeiros estão entre os que mais têm ampliado investimentos em mídia exterior nos últimos anos, impulsionados pela necessidade de construir notoriedade de marca em escala nacional. “Os dados mostram que o OOH está capturando uma parcela crescente dos investimentos porque responde a demandas contemporâneas dos anunciantes. É um meio que combina cobertura, impacto, inovação e integração com o ecossistema digital, características que tendem a sustentar sua trajetória de crescimento nos próximos anos”, conclui Fabi Soriano.

Fonte: Agência ERA®

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O Manifesto do OOH Brasileiro e o novo papel da mídia nas cidades

O OOH brasileiro vive um novo ciclo. Mais do que crescimento e inovação, o setor avança com responsabilidade, organização e compromisso com as cidades. O Manifesto do OOH Brasileiro marca esse momento, propondo uma mídia que não apenas ocupa espaços, mas contribui para qualificá-los – Crédito: Alê Oliveira

Por Halisson Pontarola*

O OOH Summit Brasil 2026 reuniu, em São Paulo, mais de mil participantes para discutir o avanço da mídia exterior no Brasil e no mundo. Durante o evento, dados apresentados por Tom Goddard, presidente da World Out of Home Organization (WOO), mostraram que o investimento global em OOH já ultrapassa US$ 50 bilhões, com crescimento de 8% ao ano, impulsionado pela digitalização e pela expansão do DOOH.

Mas, mais do que números, o encontro revelou um ponto de inflexão para o setor. Se nos últimos anos o desafio da mídia exterior foi crescer, inovar e recuperar protagonismo, agora a questão central é outra: como organizar esse crescimento de forma sustentável, equilibrada e alinhada às cidades. Esse avanço, inclusive, já se reflete nos dados mais recentes do CENP Meios 2025, que apontam o OOH com cerca de 12,1% do investimento publicitário nacional, consolidando o meio como o terceiro maior do país.

Foi nesse contexto que nós da Central de Outdoor apresentamos o Manifesto do OOH Brasileiro. O documento nasce do entendimento de que o OOH é parte ativa da paisagem urbana, da economia e da vida nas cidades, e que essa presença exige responsabilidade e compromisso público.

Durante muitos anos, a discussão sobre mídia exterior ficou restrita ao debate da poluição visual. Esse cenário foi resultado de um período em que faltaram critérios claros, organização e parâmetros técnicos comuns ao mercado. O setor amadureceu, se profissionalizou e evoluiu. E, como destacou nosso diretor Guilherme Meyer no Summit, o OOH não deve ser visto como uma disputa entre grandes e pequenos players, mas como um ecossistema colaborativo, onde diferentes empresas coexistem, se fortalecem e contribuem para o desenvolvimento do meio.

É exatamente nesse ponto que o setor se posiciona: transformar esse amadurecimento em princípios objetivos de atuação para todo o país.

O documento organiza essa atuação em dez princípios estruturantes, que passam pelo distanciamento adequado entre peças, rarefação baseada no conceito de menos é mais, cuidado com o entorno das estruturas, conservação estética dos equipamentos, segurança técnica das instalações, sustentabilidade das operações, transparência nas métricas, compromisso social, legalidade como premissa e responsabilidade profissional com governança e padrões elevados.

Mais do que regras, esses princípios refletem uma mudança de postura. Eles são resultado de mais de oito anos de estudo, da análise de legislações internacionais e da adaptação das melhores práticas globais à realidade brasileira. O que antes estava disperso em condutas internas e boas práticas de mercado agora se consolida em um documento público que orienta, dá clareza e estabelece um padrão comum para o setor.

Para Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor, o futuro do OOH passa por um compromisso coletivo com ética, técnica e responsabilidade urbana – Crédito: Alê Oliveira

O conceito de mídia regenerativa propõe que a comunicação vá além da presença física e contribua ativamente para a melhoria dos espaços urbanos, respeitando a escala da cidade, dialogando com a arquitetura, considerando o entorno e integrando design, iluminação, paisagismo e tecnologia de forma harmônica. Essa abordagem foi amplamente discutida durante o evento e dialoga diretamente com o novo momento do setor. Se no passado o desafio era limpar e organizar a paisagem urbana, hoje o foco está em qualificar essa ocupação.

Na prática, isso significa sair da lógica de quantidade e entrar na lógica de qualidade com critérios objetivos. Um modelo onde peças publicitárias respeitam distâncias mínimas, onde há cuidado com o entorno imediato, manutenção constante das estruturas, respeito à escala urbana e responsabilidade técnica não compromete a paisagem. Ao contrário, contribui para uma convivência organizada entre comunicação, arquitetura e espaço público.

É nesse contexto que a autorregulação ganha protagonismo. Ela não surge como resposta a um problema, mas como uma decisão madura do setor de elevar seus próprios padrões antes que a desordem volte a ser um risco. Parte do entendimento de que a mídia exterior não é apenas um meio de comunicação, mas também um agente de zeladoria urbana, corresponsável pela forma como a cidade é percebida e vivida pelas pessoas.

Mais do que um documento, o Manifesto representa um posicionamento institucional do OOH brasileiro diante do mercado, do poder público e da sociedade. Um compromisso claro com ética, técnica, responsabilidade urbana e desenvolvimento sustentável do setor.

O que propomos, a partir do Manifesto do OOH Brasileiro, é um novo ciclo para a mídia exterior no Brasil. Um ciclo em que crescimento, inovação e presença urbana caminham juntos com organização, critério e responsabilidade. Um ciclo em que o OOH deixa de ser apenas um meio de ocupação e passa a ser reconhecido como uma ferramenta de qualificação do espaço urbano. O documento está disponível na íntegra no site da Central de Outdoor.

*Halisson Pontarola é presidente da Central de Outdoor

Retail Media otimiza orçamentos publicitários, incentiva o investimento inteligente e gera valor

Por Mariana Gottardi*

Durante décadas, grande parte dos investimentos publicitários foi direcionada a canais com métricas indiretas, ou seja, alcance, impressões e lembrança de marca. Todos esses itens são importantes, mas difíceis de conectar diretamente à venda.

E é o Retail Media que muda esse jogo.

Dentro de ecossistemas já consolidados, como Amazon, Mercado Livre, Carrefour e Magazine Luiza, a publicidade acontece no momento mais crítico da jornada: quando o consumidor já está próximo da decisão de compra. O resultado? Mídia deixa de ser apenas influência e passa a ser conversão.

A nova era de Retail Media é aquela que justamente entrega eficiência e que fala a língua do CFO, ou seja, não basta apenas mais a segmentação, é necessário apresentar uma mensuração clara e objetiva. No dia a dia, isso significa que cada clique, cada visualização e cada conversão podem ser rastreados com precisão.

Isso transforma completamente a conversa dentro das empresas, pois o marketing deixa de defender investimento com narrativas subjetivas e passa a falar em ROI, CAC e incremental de vendas. Para as lideranças financeiras, isso é um divisor de águas.

Não acredito que seja exagero afirmar que agora o foco dos gestores deverá ser menos dispersão e mais inteligência. Outro impacto importante é a redução de dispersão de investimento, pois em vez de pulverizar orçamento em múltiplos canais com baixa previsibilidade, as empresas começam a concentrar esforços em ambientes específicos, onde o consumidor já demonstrou intenção; o contexto é favorável; e claro, a conversão é mensurável.

Vale reforçar que nenhuma dessas ações elimina outros canais. Elas apenas mudam o peso estratégico de cada um na jornada de compras e conversão. O ponto central aqui é sair do investir mais para investir melhor. Nesse sentido, o crescimento de Retail Media não traz apenas novas possibilidades, mas uma mudança de mentalidade de toda a cadeia.

Neste cenário de pressão por eficiência, budgets cada vez mais escrutinados e necessidade de ROI imediato, o marketing deixou de ser apenas criativo: ele passou a ser matemático. E é nesse contexto que Retail Media ganha protagonismo. Para corroborar essa informação, e finalizar este artigo, também alguns dados relevantes do mercado: Retail Media movimentou cerca de US$136 bilhões em 2024, segundo dados de GroupM e Statista. A projeção é chegar a US$175 bilhões até 2028, consolidando o canal como uma das principais forças da publicidade digital.

A América Latina é um dos mercados de crescimento mais rápido do mundo, ainda com espaço enorme para expansão. Dados do IAB Brasil apontam projeções que indicam crescimento para US$6,7 bilhões até 2029, com o CAGR estimado de ~29,9% ao ano, quase o dobro da média global.

Ainda de acordo com informações do IAB Brasil, em mercados maduros, Retail Media já representa uma fatia crescente do digital, com expectativa de ultrapassar 20% do investimento em mídia digital nos próximos anos. Portanto, mais do que um novo canal, ele representa uma mudança estrutural na forma como marcas investem em publicidade: menos aposta, mais precisão.

Portanto, ao invés de aumentar o orçamento, empresas passam a exigir mais inteligência na alocação. Afinal, na era dos dados, a vantagem competitiva não está em quem investe mais em mídia, mas em quem investe melhor e gera valor.

*Por Mariana Gottardi é Head de Agências na Unlimitail