Dia das Mães deve movimentar bilhões em 2026, mas campanhas emocionais já não garantem vendas sozinhas

Imagem de Ekaterina-Bolovtsova – Pexels

O Dia das Mães segue como uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro, com potencial de movimentar bilhões em 2026. Historicamente, esse período sempre foi marcado por campanhas carregadas de emoção: narrativas sobre amor, cuidado e conexão familiar dominaram a comunicação das marcas por décadas. Mas esse modelo, embora ainda relevante, começa a dar sinais de esgotamento quando aplicado de forma isolada.

Os números ajudam a entender o cenário. Em 2025, a data gerou cerca de R$ 7,5 bilhões no e-commerce nacional, ficando atrás apenas do Natal. O volume expressivo confirma a força comercial do período, mas esconde uma mudança mais sutil e estratégica no comportamento do consumidor. Pressionado por fatores como inflação, endividamento e maior acesso à comparação de preços, o brasileiro está mais criterioso. A emoção continua sendo um gatilho importante, mas já não sustenta sozinha a decisão de compra.

Na prática, cresce a busca por presentes com utilidade e melhor custo-benefício, ao mesmo tempo em que a conexão emocional segue relevante no processo de escolha. Em outras palavras: a identificação abre a porta, mas é o benefício concreto que fecha a compra.

Esse movimento marca uma inflexão no marketing do Dia das Mães. Sai o excesso de romantização e entra uma abordagem mais equilibrada entre emoção e pragmatismo. As campanhas continuam explorando histórias sensíveis, mas passam a dividir espaço com mensagens mais objetivas, ofertas competitivas e soluções que dialogam com o cotidiano real do consumidor.

Os dados de comportamento reforçam essa transição. Embora categorias tradicionalmente ligadas ao afeto, como beleza e cuidados pessoais, sigam relevantes, cresce a intenção de compra por itens funcionais, como eletrodomésticos, utilidades domésticas e até experiências que tragam conveniência. O presente deixa de ser apenas simbólico e passa a ter uma dimensão prática cada vez mais valorizada.

Para Gabriel Chaves, especialista em marketing digital e sócio da AlwaysON, o desafio das marcas está justamente em equilibrar essas duas forças. A emoção ainda importa (e muito!), mas precisa vir acompanhada de uma proposta concreta. Não basta sensibilizar; é preciso justificar a escolha. Em um ambiente de alta concorrência e consumidores mais informados, campanhas que não entregam valor percebido tendem a perder relevância.

Outro fator que contribui para essa mudança é a saturação do discurso emocional. Com praticamente todas as marcas adotando narrativas semelhantes, centradas em amor, gratidão e superação, diferenciar-se tornou-se mais difícil. Como resposta, algumas empresas começam a explorar recortes menos óbvios da maternidade, abordando temas como sobrecarga, diversidade de arranjos familiares e até as ambivalências da experiência materna. A tentativa é trazer mais autenticidade e gerar identificação real, não apenas aspiracional.

Ainda assim, existe um risco claro: quando não há coerência entre discurso e prática, o efeito pode ser inverso. Consumidores estão mais atentos e críticos, e campanhas que parecem oportunistas ou desconectadas da realidade tendem a gerar rejeição, não engajamento.

O que se desenha para 2026 é um consumidor mais complexo. Ele continua valorizando a conexão emocional, mas exige também coerência, utilidade e transparência. Para as marcas, o desafio não é abandonar a emoção, mas ressignificá-la. No Dia das Mães, ela segue sendo um elemento poderoso, mas cada vez menos suficiente por si só.

Young Lions Brazil 2026: conheça os vencedores por categoria

Da esq. para dir.: Isa Ramos, Guilherme Caneschi, Vinicius Montes e Jota Campos

Ganhadores irão representar o Brasil no palco do Cannes Lions Festival

O Estadão, representante oficial do Cannes Lions no Brasil, anuncia os vencedores do Young Lions Brazil 2026. Com mais de 30 anos de história, o concurso se mantém como uma das principais portas de entrada para jovens profissionais de comunicação e publicidade que buscam projeção no maior festival criativo do mundo.

Etapa nacional da competição internacional, o Young Lions Brazil premia os vencedores com uma viagem à França, onde representarão o Brasil nas Young Lions Competitions, realizadas durante o Cannes Lions Festival, de 22 a 26 de junho de 2026. No evento, duas duplas brasileiras disputarão medalhas com cerca de 227 duplas de aproximadamente 67 países.

A premiação é dividida em medalhas de ouro, prata e bronze e, em 2025, consagrou 42 profissionais. O Brasil segue como líder mundial do ranking, com 20 medalhas, à frente de Austrália (19), Canadá (18) e Portugal, Alemanha e Reino Unido com 17 medalhas cada um.

Nesta edição, a etapa nacional registrou 533 duplas inscritas e 401 campanhas submetidas. A avaliação ficou a cargo de 68 jurados, profissionais de destaque no mercado de comunicação de marca, que analisaram os trabalhos com base nas principais tendências e demandas do setor.

A edição de 2026 contou com o apoio de mídia da TIM Brasil e patrocínio de Johnnie Walker que possibilitaram a competição nas categorias DESIGN e DIGITAL, respectivamente.

Para Marcos Lacerda, VP de Comunicação e Marca da TIM, o desafio proposto dialoga diretamente com o momento atual da criação de conteúdo. “Mais do que pensar em formatos, os participantes foram provocados a integrar experiências, conectar o digital ao físico de forma relevante dentro de um grande festival. As propostas se destacaram pela capacidade de transformar tecnologia em experiências autênticas e engajadoras.”

Já Guilherme Martins, VP Executivo de Marketing e Inovação da Diageo, ressalta a importância de aproximar a marca de novas audiências. “A ideia era ir além da publicidade tradicional e explorar territórios culturais e experiências genuínas. As propostas trouxeram uma leitura contemporânea de ‘Keep Walking’, conectando o conceito a progresso, resiliência e comunidade — exatamente o tipo de diálogo que queremos construir com o público jovem.”

Para Essio Floridi, Chief Commercial Officer do Estadão, a iniciativa reforça o papel da empresa no desenvolvimento do mercado criativo. “O Young Lions Brazil é uma plataforma consistente de formação e projeção de talentos. Ao promover essa conexão com o Cannes Lions, ampliamos o acesso de jovens profissionais brasileiros a um dos principais palcos da criatividade global.”

Importante destacar que, conforme as regras do concurso, os patrocinadores permanecem com os direitos de uso das campanhas criadas pelos participantes, mediante intermediação e acordo entre as partes.

Confira as campanhas e os nomes dos vencedores do Young Lions Brazil 2026:

DESIGN

Campanha: REACTOR by TimHouse

Vencedores: Isa Ramos e Guilherme Caneschi – GUT Design

A campanha “REACTOR by TimHouse” transforma a conectividade da TIM em uma experiência de criação em tempo real nos festivais, permitindo que fãs produzam e publiquem conteúdo instantaneamente. O espaço funciona como um sistema integrado que converte participação em conteúdo e alcance, colocando a marca como protagonista da cultura creator.

DIGITAL

Campanha: The White Stripe

Vencedores: Vinicius Montes e Jota Campos – Africa Creative

A campanha “The White Stripe” adapta Johnnie Walker à trend “zebra striping” de alternar álcool e não álcool, criando o “White Label” (água) para intercalar com o whisky e alinhar a marca ao consumo da Gen Z.

Veja os vencedores em estadao.dalacode.com.br.

Cenp divulga ranking nacional das agências que mais investiram em mídia em 2025

Levantamento é feito a partir do Painel Cenp-Meios e conta com dados de agências de publicidade que autorizaram sua divulgação

O Cenp – Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário apresenta o ranking nacional das agências que mais investiram em mídia no Brasil em 2025. No período, as 330 agências que integram o Painel Cenp-Meios movimentaram R$ 28,9 bilhões, uma variação positiva de 10% quando comparado ao ano anterior. O ranking das agências, por sua vez, é composto por empresas que autorizaram a sua divulgação, organizadas por estado e por ordem decrescente de volume de investimento.

O Painel Cenp-Meios, fonte oficial dos dados do estudo, é publicado trimestralmente e considera os Pedidos de Inserção (PI) efetivamente executados em nome dos anunciantes. As informações enviadas via sistema Cenp-Meios não identificam o anunciante nem o nome do veículo utilizado.

“A adesão das agências é fundamental para um panorama de mercado abrangente, baseado em dados confiáveis e padronizados”, afirma Melissa Vogel, presidente do Cenp. “Ao utilizar informações dos próprios sistemas das agências, fortalecemos a autorregulação de um setor que é motor da economia e do desenvolvimento das marcas”, finaliza Melissa.

Confira as 20 primeiras colocadas no ranking nacional:

1 – AFRICA DDB BRASIL PUBLICIDADE LTDA (AFRICA DDB BRASIL PUBLICIDADE)
2 – ALMAP BBDO PUBLICIDADE E COMUNICAÇÕES LTDA. (ALMAP BBDO)
3 – GALERIA ESTRATÉGIA E COMUNICAÇÃO LTDA (GALERIA)
4 – BETC HAVAS AGÊNCIA DE PUBLICIDADE LTDA. (BETC HAVAS)
5 – MMS BRASIL COMUNICAÇÃO LTDA (PUBLICIS BRASIL)*
6 – MEDIABRANDS PUBLICIDADE LTDA (MEDIABRANDS PUBLICIDADE)
7 – ARTPLAN COMUNICAÇÃO S A (ARTPLAN)
8 – MCCANN ERICKSON PUBLICIDADE LTDA. (WMCCANN)
9 – TALENT MARCEL COMUNICAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA. (TALENT MARCEL)
10 – GUT AGÊNCIA DE PUBLICIDADE LTDA (GUT AGÊNCIA DE PUBLICIDADE)
11 – SUNO COMUNICAÇÃO INTEGRADA LTDA (SUNO UNITED CREATORS)
12 – OGILVY & MATHER BRASIL COMUNICAÇÃO LTDA (OGILVY & MATHER BRASIL)
13 – DPZ COMUNICAÇÕES LTDA. (DPZ)
14 – MIDIA 123 SERVIÇOS DE PUBLICIDADE VIA INTERNET LTDA (ESSENCEMEDIACOM)
15 – VML BRASIL PROPAGANDA LTDA (VML)
16 – WIEDEN + KENNEDY BRASIL COMUNICAÇÃO LTDA. (WIEDEN + KENNEDY BRASIL COMUNICAÇÃO)
17 – LEW’LARA\TBWA PUBLICIDADE PROPAGANDA LTDA. (LEW’LARA\TBWA)
18 – WF/MOTTA COMUNICAÇÃO, MARKETING E PUBLICIDADE LTDA (AGÊNCIA WE)
19 – AGÊNCIA NACIONAL DE PROPAGANDA LTDA. (AGÊNCIA NACIONAL)
20 – LEO BURNETT NEO COMUNICAÇÃO LTDA. (LEO BURNETT TAILOR MADE)

*Em jan/25 a agência MMS BRASIL se estabeleceu em São Paulo e incorporou a Publicis Brasil.

Fonte: NOVA PR

Entre redações e marcas, jornalistas redefinem a profissão no Brasil

Com menos espaço nas redações, jornalistas migram para novas frentes e redesenham o papel da profissão no Brasil – Crédito: Freepik

No Dia do Jornalista, mudanças no mercado ampliam atuação fora dos veículos e levantam debate sobre formação e prática

No momento em que a profissão celebra seu dia, em 7 de abril, o jornalismo brasileiro vive uma mudança silenciosa, mas consistente. Cada vez mais profissionais deixam as redações e passam a atuar em áreas como assessoria de imprensa, comunicação corporativa e produção de conteúdo.

O movimento ocorre em meio à redução de postos formais em veículos e à transformação no consumo de notícias, cada vez mais mediado por plataformas digitais. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas indicam que parte significativa dos jornalistas já atua fora da mídia tradicional, com a assessoria de imprensa concentrando a maior parcela desses profissionais.

Para a jornalista Camila Augusto, que trabalhou em redação e hoje atua na formação de profissionais, a mudança reflete um novo cenário de atuação. “Hoje, o jornalista precisa entender que a formação não limita a atuação à redação. Existem outras frentes possíveis, mas elas exigem preparo específico”, afirma.

Camila Augusto – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, a transição tem exposto uma lacuna entre a formação tradicional e as demandas atuais do mercado, especialmente em áreas como comunicação estratégica, posicionamento e gestão de imagem.

Redações sob pressão

Ao mesmo tempo em que o mercado se amplia fora dos veículos, as redações enfrentam um cenário de enxugamento e reconfiguração.

Para a jornalista Angela Maria Curioletti, editora e fundadora do Portal Minutta, a saída de profissionais experientes impacta diretamente o fazer jornalístico. “Não é só a mão de obra que se perde. É a sensibilidade, a responsabilidade e a credibilidade. Jornalistas com experiência aprendem a desconfiar e a apurar com cuidado”, afirma.

Angela Maria Curioletti – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, o desafio vai além da formação de novos profissionais e passa pela sustentabilidade dos próprios veículos. “Ter um veículo vivo depende de bons jornalistas, mas também de estrutura. Precisamos produzir conteúdo e, ao mesmo tempo, sustentar equipe e credibilidade.”

Apesar das dificuldades, Curioletti afirma que o jornalismo pode se manter financeiramente viável, desde que haja adaptação. “Não dá mais para depender de um único modelo. É preciso se reinventar, testar formatos e buscar novas fontes de receita, sem abrir mão da responsabilidade.”

Fora da redação

Para parte dos profissionais, a saída das redações não representa ruptura, mas mudança de caminho.

O jornalista Paulo Novais, que iniciou a carreira em redação e televisão, passou a atuar com assessoria de imprensa ao buscar maior autonomia e atuação estratégica. “Foi um processo gradual. Eu percebi que poderia usar a bagagem da redação de forma mais estratégica, ajudando outras pessoas a se posicionarem melhor na mídia”, afirma.

Paulo Novais – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ele, a experiência em veículos continua sendo central na nova atuação. “A redação te ensina a apurar, a construir pauta e a entender o que é notícia. Isso continua sendo essencial.”

A principal diferença, está na lógica de trabalho. “Na redação, você está focado em informar. Fora dela, você precisa pensar em posicionamento, relacionamento e construção de reputação.”

Mudança de papel

A migração também implica uma redefinição da função do jornalista.

Ao deixar a redação, o profissional passa de observador externo a agente que representa interesses institucionais, o que exige maior clareza sobre sua atuação.

“O jornalista precisa entender quando está informando e quando está defendendo um interesse”, afirma Camila Augusto.

O cenário se torna mais complexo com a presença de influenciadores e produtores de conteúdo, que atuam no mesmo ambiente e aproximam informação, opinião e publicidade.

Um novo ambiente de informação

As mudanças na carreira acompanham a transformação no consumo de notícias. Relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism aponta a consolidação das plataformas digitais como principal meio de acesso à informação e a fragmentação das audiências.

No Brasil, esse contexto inclui a redução de vínculos formais nas redações e o aumento da demanda por habilidades como produção multimídia, gestão de redes sociais e análise de dados.

Fonte: TH Comunica | Assessoria de Imprensa