Pesquisa do Reportei mostra avanço acelerado do uso de inteligência artificial em campanhas, relatórios e análise de dados
A inteligência artificial está na rotina da maior parte dos profissionais de tráfego pago no Brasil e deve acelerar a competitividade do setor nos próximos anos. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Reportei, ferramenta brasileira de relatórios e dashboards de marketing, com gestores, donos de agência, freelancers e consultores da área. Segundo o levantamento, 86,7% dos respondentes afirmam utilizar IA frequentemente ou ocasionalmente na gestão de campanhas e 60% acreditam que a tecnologia será o principal fator de impacto sobre o mercado até 2026.
O movimento acontece em um setor formado majoritariamente por operações enxutas. Mais de 81% dos profissionais trabalham sozinhos ou em equipes de até três pessoas, cenário que ajuda a explicar o avanço acelerado de ferramentas de automação e IA como forma de ganho de produtividade.
Entre as aplicações mais comuns da inteligência artificial estão criação de textos persuasivos (85%), geração de ideias para criativos (70%), produção de relatórios (61%), análise de campanhas (56%) e planejamento estratégico (55%). O ChatGPT lidera entre as ferramentas mais utilizadas, citado por 83% dos profissionais, seguido por Claude (66%) e Gemini (53%).
Além da adoção crescente de IA, o mercado também espera um ambiente mais competitivo nos próximos anos. Para 44% dos entrevistados, o setor de tráfego pago estará mais disputado em 2026. Apenas 7% acreditam na saturação do mercado.
Os dados sugerem uma mudança no perfil esperado dos profissionais da área. Nas respostas abertas da pesquisa, os temas mais citados como habilidades importantes para os próximos anos foram visão estratégica de negócio, capacidade de interpretar dados, integração de IA aos processos, comunicação com clientes e adaptabilidade.
Segundo Renan Caixeiro, CMO e cofundador do Reportei, o avanço da IA tende a mudar a dinâmica operacional do mercado. “Atividades que antes tomavam muito tempo, como organizar relatórios, estruturar campanhas ou testar variações de copy, estão ficando mais rápidas com IA. Isso faz com que o cliente passe a esperar mais análise, contexto e direcionamento estratégico do profissional, e não apenas execução técnica”, explica.
Para ele, o impacto da tecnologia deve aumentar a pressão competitiva entre operações menores e profissionais generalistas. “A barreira de entrada operacional tende a diminuir porque as ferramentas estão mais acessíveis. Ao mesmo tempo, eleva a exigência sobre a capacidade de interpretar dados, entender o negócio do cliente e tomar decisões mais estratégicas. E esse movimento também impacta o mercado. No Reportei, por exemplo, vimos uma demanda crescente por integrações com ferramentas de IA, o que levou a criação de um MCP para permitir acesso contextualizado aos dados e automação de análises”, diz Renan.
Mídia exterior cresce 132% em quatro anos e amplia participação no mercado publicitário brasileiro
Mídia exterior movimentou R$827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 e registrou crescimento de 48,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Cenp-Meios – Crédito: Divulgação
Os investimentos em Out of Home (OOH) mais que dobraram nos últimos quatro anos e cresceram em ritmo superior ao do mercado publicitário brasileiro. Dados do Cenp-Meios, divulgados neste mês de junho, mostram que o setor movimentou R$827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante R$356,1 milhões registrados no mesmo período de 2022, uma alta de 132,3%. No mesmo intervalo, o mercado publicitário como um todo avançou 61,8%. O desempenho também elevou a participação da mídia exterior no bolo publicitário monitorado pelo Cenp: o share do OOH passou de 10,3% para 14,8% entre os primeiros trimestres de 2022 e 2026, consolidando o meio entre os 3 principais destinos dos investimentos de anunciantes no País.
Os dados mostram ainda uma aceleração recente. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, o OOH cresceu 48,6%, enquanto o mercado publicitário registrou avanço de 18,3%.
Para a Central de Outdoor, maior associação de mídia exterior do Brasil, o resultado reflete mudanças estruturais na forma como as marcas distribuem seus investimentos em comunicação e buscam alcançar consumidores em um cenário de crescente fragmentação da audiência. Entre as principais razões estão: Digitalização do setor (o principal vetor); Busca por atenção em um ambiente digital saturado; Retorno da mobilidade pós-pandemia; Integração com estratégias omnichannel, Maior profissionalização do setor; Valorização do espaço urbano pelas marcas e possível conjuntura econômica, devido a realização de eventos esportivos no primeiro semestre e antecipação de campanhas publicitárias em ano de eleições presidenciais no Brasil.
Fabi Soriano, diretora executiva, e Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor, avaliam que o crescimento do OOH reflete mudanças estruturais na forma como as marcas investem em comunicação e alcançam consumidores – Crédito: Alê Oliveira
“O crescimento do OOH não é consequência apenas da retomada da mobilidade. Ele reflete uma mudança estrutural do mercado publicitário. Em um cenário de fragmentação de audiência, excesso de estímulos digitais e busca por atenção qualificada. O OOH tornou-se uma das poucas mídias capazes de combinar alcance massivo, impacto visual, integração tecnológica e conexão com a jornada omnicanal do consumidor. Os dados do Cenp-Meios mostram que essa transformação já está sendo traduzida em investimentos”, afirma Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor.
Entre os fatores que ajudam a explicar o avanço do setor está a digitalização acelerada dos ativos de mídia exterior. O crescimento do Digital Out of Home (DOOH) ampliou a flexibilidade comercial do meio e permitiu maior integração com dados, geolocalização e estratégias digitais.
Outro vetor importante é a busca das marcas por ambientes capazes de gerar atenção em meio à saturação de mensagens online. Com consumidores dividindo seu tempo entre múltiplas plataformas, anunciantes têm ampliado investimentos em meios que oferecem presença física e impacto visual em ambientes urbanos.
A retomada da circulação de pessoas em centros urbanos, aeroportos, rodovias e polos comerciais também contribuiu para a expansão do segmento, especialmente após o período de restrições observado durante a pandemia, que terminou em maio de 2023.
Segundo Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor, o crescimento do OOH acompanha uma tendência observada em diversos mercados internacionais, análise que foi feita também durante a WOO, maior encontro de OOH do mundo, onde a associação acabou de marcar presença e realizar uma missão empresarial.
“As marcas perceberam que o desafio atual não é apenas gerar alcance, mas conquistar atenção. O OOH tem uma característica única nesse contexto porque está presente nos deslocamentos, nos momentos de consumo e na rotina das pessoas. Além disso, passou a atuar de forma integrada com campanhas digitais, ampliando a eficiência das estratégias de comunicação”, afirma.
A entidade também destaca o fortalecimento das estratégias omnichannel como um dos principais motores do crescimento. Cada vez mais, campanhas combinam mídia exterior, mobile, redes sociais, plataformas de vídeo e canais proprietários para construir jornadas integradas de comunicação.
Setores como varejo, bebidas, fintechs, streaming, mobilidade, entretenimento e serviços financeiros estão entre os que mais têm ampliado investimentos em mídia exterior nos últimos anos, impulsionados pela necessidade de construir notoriedade de marca em escala nacional. “Os dados mostram que o OOH está capturando uma parcela crescente dos investimentos porque responde a demandas contemporâneas dos anunciantes. É um meio que combina cobertura, impacto, inovação e integração com o ecossistema digital, características que tendem a sustentar sua trajetória de crescimento nos próximos anos”, conclui Fabi Soriano.
Montante nos primeiros três meses de 2026 aponta tendência positiva para o ano e supera a evolução do PIB no período
O investimento em mídia das agências participantes do Painel Cenp-Meios alcançou R$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando em aproximadamente R$ 864,9 milhões o volume registrado de janeiro a março de 2025. O levantamento foi realizado pelo Cenp – Fórum de Autorregulamentação do Mercado Publicitário, com informações de 297 agências participantes.
O resultado representa uma tendência positiva para o ecossistema publicitário. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o investimento registrado apresentou variação de 18,3%, percentual superior à evolução do PIB nacional no período, que foi de 1,8% segundo dados do IBGE.
“Foi um trimestre de fôlego para nossa indústria. Para este início de ano, o mercado naturalmente planejou e organizou seus investimentos considerando os grandes eventos que ocorrerão nos próximos meses, como a Copa do Mundo e as Eleições”, afirma Melissa Vogel, presidente do Cenp. “Ainda é cedo para afirmar que o ritmo observado no primeiro trimestre determinará o desempenho do ano como um todo. O que podemos dizer é que haverá importantes oportunidades para anunciantes, agências e veículos. Uma Copa do Mundo com 48 seleções e realizada em três países tem potencial para gerar reflexos positivos ao longo de todo o ano”, afirma Melissa Vogel, presidente do Cenp.
Os dados compilados pelo Painel Cenp-Meios referem-se aos espaços publicitários efetivamente comprados por agências de todo o país entre janeiro e março de 2026. O levantamento considera os Pedidos de Inserção (PIs) executados e faturados até o momento pelos veículos, organizados por meio, período, estado e região, sem acesso a informações de clientes ou veículos específicos.
O Cenp-Meios é monitorado pelo Núcleo de Qualificação Técnica (NQT), organismo estatutário especializado em pesquisa, mídia, circulação e métricas, composto por representantes de anunciantes, agências, elos digitais e veículos de comunicação. O sistema Cenp-Meios foi verificado pela KPMG, garantindo integridade e segurança aos dados compartilhados.
A seguir, confira os números do primeiro trimestre de 2026: