Projeto no Vale do Paraíba usa cinema para engajar jovens em causas ambientais

Iniciativa une educação climática, audiovisual e protagonismo juvenil em escolas públicas de Pindamonhangaba

Em um momento em que eventos climáticos extremos e sucessivos recordes de temperatura ampliam o debate sobre mudanças climáticas no Brasil e no mundo, um projeto que será lançado ainda neste mês, em Pindamonhangaba, aposta em uma transformação que começa dentro das salas de aula e se expande para as telas. Estudantes do ensino médio da rede estadual irão investigar, registrar e apresentar à própria comunidade os problemas socioambientais que afetam o município, por meio da produção audiovisual.

A segunda edição do Mov.Cine é a primeira iniciativa do programa Mov.Cicla voltada especificamente para adolescentes. Por isso, é chamada de “Jovens pelo Clima”. O lançamento oficial acontece no dia 27 de maio, às 15h, no Auditório Municipal da Prefeitura de Pindamonhangaba. A iniciativa une educação climática, produção audiovisual e protagonismo juvenil em um percurso formativo que resultará em vídeos produzidos pelos próprios estudantes.

Os participantes percorrerão o município para investigar temas como resíduos sólidos, consumo consciente e impactos climáticos locais. Durante o processo, aprenderão técnicas de roteiro, entrevistas, captação de imagens e edição de vídeos.

Os conteúdos produzidos serão exibidos inicialmente nas escolas e, posteriormente, em uma mostra audiovisual aberta à comunidade. Os vídeos também ficarão disponíveis gratuitamente em plataformas digitais e serão entregues às equipes de Estratégia de Saúde da Família para distribuição à população.

O projeto é a 6ª iniciativa do Programa Mov.Cicla e é realizado pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Sabiá, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Novelis e parceria da Unidade Regional de Educação e da Prefeitura de Pindamonhangaba.

Quatro anos de atuação no município

O Mov.Cine integra o Programa Socioambiental Mov.Cicla, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que responde ao Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos. Desenvolvido e executado pelo Instituto Sabiá em Pindamonhangaba desde 2022, o programa já formou multiplicadores entre educadores de escolas municipais, estaduais e do terceiro setor; capacitou agentes comunitários de saúde; realizou diagnósticos socioambientais e campanhas de conscientização popular; promoveu ações culturais, como o Festival Mov.Ocupa; produziu conteúdos audiovisuais; e desenvolveu ações voltadas à valorização de catadores e cooperativas de recicláveis. Ao todo, mais de 100 mil pessoas foram impactadas no município.

O Mov.Cine

A iniciativa chega agora à sua segunda edição. Em 2024, a partir de necessidades identificadas no diagnóstico socioambiental realizado junto às equipes de Estratégia de Saúde da Família, o projeto produziu o curta-documentário “Reciclagem 360º”, em parceria com agentes comunitários de saúde do município, utilizando a linguagem audiovisual como ferramenta de conscientização e engajamento da população no uso adequado dos serviços de limpeza pública presentes no município.

Com o “Mov.Cine: Jovens pelo Clima”, que será realizado ao longo do ano de 2026, o projeto amplia sua atuação junto à juventude, integrando estudantes de duas escolas estaduais, Wadie Milad e Ryoiti Assuda, do ensino médio da rede estadual ao processo de investigação e produção de conteúdos sobre os desafios socioambientais do território. A iniciativa estimula ainda a participação ativa do Conselho da Juventude, desde a concepção até a entrega final, que ocorrerá em uma Mostra Audiovisual no Teatro Galpão, em dezembro, que possui uma das salas de cinema da cidade.

O projeto também contribui para o desenvolvimento de competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como pensamento científico, crítico e criativo; comunicação; cultura digital; argumentação; responsabilidade; cidadania; e projeto de vida.

Além dos estudantes, o projeto contempla oficinas com educadores da rede estadual, agentes comunitários de saúde e representantes do Conselho da Juventude local.

Lançamento oficial do Mov.Cine: Jovens pelo Clima

Data: 27 de maio de 2026
Horário: 15h às 17h30
Local: Auditório Municipal da Prefeitura de Pindamonhangaba
Realização: Ministério da Cultura e Instituto Sabiá
Patrocínio: Novelis

Fonte: Fabiana Pupio

Dança das cadeiras

Na direção contrária…

Enquanto a temperatura nos termômetros despenca, no mercado publicitário ela sobe. Algumas movimentações deste maio de friozinho.

A ainda estudante de publicidade e propaganda Maria Clara passa a atuar como Consultor de marketing de mídias sociais na Via Motors 99.

O publicitário e professor universitário Kaique Oliveira passa a dar expediente também como Mentor de Startups Estudantis no Programa Impulse na Ideias de Futuro.

Já Natalia de Assis Figueiredo ocupou recentemente a posição de  Diretora de arte na Tríadaz Publicidade & Propaganda Ltda.

A estudante de 2 semestre publicidade e propaganda Mariana Guimarães Florence Oliveira assume o posto de Estágio social media na Rago Comunicação.

A designer gráfica Melissa Virgílio assume a vaga de assistente de arte também na Rago Comunicação.

Para 54% dos consumidores, imagens geradas por IA são percebidas como artificiais e pouco confiáveis, mostra pesquisa

Estudo realizado pela Influency.me e Opinion Box demonstra que 84% dos participantes valorizam conteúdos produzidos por pessoas, com impacto direto na percepção sobre criadores e marcas

As redes sociais ampliaram seu papel e passaram a influenciar diretamente a forma como as pessoas descobrem, avaliam e consomem produtos e serviços. Nesse contexto, a Influency.me, empresa especializada em marketing de influência com mais de 10 milhões de criadores cadastrados em sua base, apresenta o relatório Consumo e Influência Digital 2026, desenvolvido em parceria com a Opinion Box, por meio de entrevistas com 1.201 usuários de redes sociais em todo o Brasil.

O estudo tem como objetivo analisar o impacto dos influenciadores nas decisões de compra, investigando como os brasileiros interagem com conteúdos nas redes sociais, quais formatos despertam mais interesse e quais fatores influenciam a percepção e a conversão ao longo da jornada digital. Assim, a pesquisa mostra como a influência se constrói na prática e como afeta diferentes etapas do consumo.

“A influência nas redes sociais não está restrita ao alcance, mas à capacidade de gerar identificação, transmitir informação e sustentar credibilidade ao longo da jornada. Os dados mostram que a decisão de compra passa por múltiplos pontos de contato e depende da forma como o conteúdo é percebido pelo público”, afirma Rodrigo Azevedo, CEO da Influency.me.

A partir do levantamento, o relatório consolida cinco tendências que mostram como os influenciadores impactam a decisão de compra e quais elementos sustentam essa influência no comportamento do consumidor. Confira:

IA gera eficiência, mas também desconfiança para 43% dos consumidores
A presença da inteligência artificial nos conteúdos é reconhecida pelo público, com 40% considerando a tecnologia uma ferramenta útil. No entanto, 43% afirmam que seu uso em conteúdos de produto gera dúvida, e 54% não aprovam imagens geradas artificialmente, indicando limites na aceitação desse tipo de recurso.

Apesar da adoção crescente, a preferência segue orientada ao conteúdo humano. 84% valorizam materiais feitos por pessoas, mesmo com imperfeições, o que mostra que a tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui fatores ligados à identificação e à percepção ao longo da jornada.

Credibilidade vem da autenticidade
A credibilidade dos conteúdos publicitários está diretamente ligada à forma como a informação é apresentada. Entre os principais fatores, 68% valorizam quando o criador demonstra conhecimento sobre o produto, 64% quando aponta pontos negativos e 57% quando responde dúvidas técnicas. Esses elementos indicam que a construção da confiança está associada à transparência e à capacidade de aprofundar a informação.

Além disso, a forma de produção do conteúdo influencia essa percepção. Vídeos com edição leve (43%) ou sem edição (32%) são mais bem avaliados do que produções altamente elaboradas, mostrando que formatos mais próximos da realidade tendem a gerar maior aceitação e sustentam a credibilidade ao longo da jornada.

O consumidor quer ver o produto na vida real
A preferência por conteúdos que mostram o produto em uso aparece de forma consistente nos dados. Fotos do dia a dia concentram 70% da preferência, enquanto apenas 10% optam por imagens de estúdio. Nos vídeos, 52% esperam ver o produto na rotina e 46% valorizam demonstrações reais de resultado, indicando a busca por referências práticas.

Esse comportamento se conecta ao formato de consumo de conteúdo. A maioria prefere vídeos (77%), especialmente curtos (65%), e demonstra interesse por materiais que expliquem o produto de forma objetiva. A forma como o produto é apresentado, portanto, influencia diretamente a percepção e o entendimento antes da decisão de compra.

A influência acontece, mas exige interesse real
A influência nas redes sociais se traduz em comportamento de compra, mas depende do nível de interesse gerado. Metade dos consumidores (50%) afirma clicar em links de indicação apenas quando o produto é relevante, enquanto 25% raramente ou nunca interagem com esse tipo de conteúdo. Isso indica que a exposição, por si só, não garante conversão.

Além disso, a jornada de compra envolve múltiplas etapas. A maioria compara preços (31%), busca avaliações (26%) e verifica a reputação da marca (19%) antes de decidir. Mesmo com 69% já tendo comprado a partir de recomendações, o processo depende de validações adicionais, o que reforça o papel do influenciador como ponto de partida e não como único fator de decisão.

Os valores impactam a influência e o consumo
O posicionamento dos influenciadores tem impacto direto na relação com o público. Para 63%, fatores políticos e sociais são importantes na escolha de quem seguir, indicando que valores pessoais fazem parte da construção da influência nas redes sociais.

Esse aspecto também se reflete no consumo. Parte dos consumidores afirma já ter deixado de comprar, ou considera deixar, produtos associados a criadores com posicionamentos divergentes. Ao mesmo tempo, há uma parcela que prioriza conteúdo técnico ou de entretenimento, mostrando que diferentes critérios coexistem na decisão.

A era do B2A já começou e as empresas ainda estão falando com o público errado

Victor Paiva*

Durante anos, o marketing B2B operou sob uma lógica relativamente previsível: marcas falando com pessoas, disputando atenção, construindo autoridade e, no melhor dos cenários, gerando demanda. Mas essa dinâmica acaba de mudar e de forma silenciosa.

A ascensão dos agentes de inteligência artificial inaugurou uma nova camada nas relações de mercado: a era do B2A, ou Business to Agent. Não se trata apenas de automação ou ganho de eficiência operacional. Estamos falando de sistemas que passam a intermediar decisões, filtrar informações, recomendar fornecedores e, em muitos casos, decidir antes mesmo que um humano entre em cena.

Isso muda tudo.

Se antes o desafio era ser relevante para quem decide, agora é preciso ser compreendido, interpretado e priorizado por quem recomenda: os algoritmos. E isso exige uma revisão profunda das estratégias de marketing e vendas, especialmente no universo B2B, onde o ciclo de decisão é mais complexo.

Hoje, agentes de IA já participam ativamente da jornada de compra. Eles resumem pesquisas, comparam soluções, analisam reputação digital e indicam caminhos com base em critérios objetivos. Nesse cenário, não basta mais ter um bom discurso. É preciso ter uma presença digital estruturada, consistente e, acima de tudo, legível para máquinas.

Isso começa por algo básico, mas negligenciado por muitas empresas: organização de dados. Sites confusos, conteúdos genéricos, informações desatualizadas, além da falta de clareza, dificultam não só a experiência humana, mas também a interpretação por sistemas de IA. Se o algoritmo não entende o que você faz ou não encontra evidências confiáveis, você simplesmente deixa de existir na nova lógica de recomendação.

Outro ponto crítico é a autoridade digital. Durante muito tempo, a autoridade foi associada à percepção humana: branding, reputação, presença em eventos. Agora, ela passa também por sinais objetivos: consistência de conteúdo, menções qualificadas, avaliações, tempo de resposta e coerência de informações em diferentes canais. Agentes de IA não “acreditam” em marcas, eles validam dados e apresentam fatos.

Isso impacta diretamente a geração de demanda. O funil tradicional, baseado em atração, nutrição e conversão, começa a ser redesenhado. Parte desse processo passa a ser mediado por sistemas que chegam ao lead já com uma pré-análise feita. Isso encurta ciclos, aumenta a exigência sobre a clareza da oferta e reduz o espaço para abordagens superficiais e exige transformar o relacionamento comercial.

Esse movimento já começa a se refletir no mercado de trabalho. Análises recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que a inteligência artificial não necessariamente substitui funções, mas reconfigura tarefas dentro das ocupações, ampliando o nível de exposição à tecnologia em diferentes setores. O impacto, portanto, não está apenas na eliminação de postos, mas na transformação do trabalho como um todo, exigindo novas competências e acelerando a necessidade de adaptação por parte de empresas e profissionais.

No Brasil, essa transformação tende a ser ainda mais desafiadora. Embora o país apareça entre os líderes globais em automação e adoção de IA, muitas empresas ainda convivem com sistemas legados, processos fragmentados e baixa maturidade digital. Na prática, isso revela um paradoxo: o Brasil avança rápido na adoção de IA, mas ainda lento na capacidade de transformar tecnologia em valor de negócio. Esse descompasso tende a se tornar um dos principais fatores de diferenciação competitiva nos próximos anos.

O resultado pode ser uma nova divisão de mercado. De um lado, empresas e profissionais que enxergam a inteligência artificial como estratégia de negócio e investem em governança, integração, capacitação e geração de valor. Do outro, organizações que seguem tratando IA apenas como ferramenta pontual, sem revisar processos, cultura ou modelo operacional.

Alguns setores B2B tendem a sair na frente nessa corrida. Tecnologia, serviços financeiros, saúde e indústrias com alto nível de digitalização já possuem uma base mais estruturada para incorporar agentes de IA em suas operações. Mas a oportunidade não está restrita a esses segmentos, ela está disponível para qualquer empresa disposta a reorganizar sua forma de comunicar, vender e se posicionar.

A grande mudança, no fim das contas, é de perspectiva.

Não estamos mais apenas competindo por atenção. Estamos competindo por interpretação.

E, na era do B2A, vence quem consegue ser compreendido primeiro pelas máquinas, depois pelas pessoas.

*Victor Paiva é fundador da HIP, agência especializada em storytelling e marketing B2B com atuação internacional, e organizador do TEDxFortaleza.