São José dos Campos recebe a 13ª Innovation Week para discutir o futuro da Inteligência Artificial

Tudo pronto para a 13ª Innovation Week, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia do Brasil

Promovido pelo Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos, o evento reúne especialistas de 25 a 27 de agosto, com destaque para a futurista Michelle Schneider e a MeetKai Brasil, empresa recém-chegada ao PIT que desenvolve soluções de Inteligência Artificial Soberana.

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar uma prioridade estratégica nas organizações. É com esse olhar que a “13ª Innovation Week”, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia do Brasil, dedica uma trilha exclusiva ao tema Tecnologia Aplicada e Inteligência Artificial, reunindo especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da IA em diferentes setores da economia.

Promovida pelo PIT – Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos, a Innovation Week será realizada de 25 a 27 de agosto, das 9h às 18h, reunindo empresários, executivos, pesquisadores, investidores e lideranças para debater as principais tendências que estão moldando o futuro da inovação. O evento é gratuito, mediante inscrição antecipada.

A Inteligência Artificial será um dos grandes destaques desta edição, refletindo o amadurecimento da tecnologia e sua crescente adoção pelas organizações. “Em 2026, iremos discutir menos a tecnologia em si e mais o impacto que ela terá na competitividade dos negócios, na indústria, no setor público e na sociedade”, ressalta Ana Abreu, coordenadora do Cluster TIC Vale do PIT.

Segundo ela, a rápida evolução das IAs generativas e o amadurecimento de suas aplicações ampliaram o debate sobre governança, segurança, ética e soberania digital. “O grande desafio já não é entender o que é IA, mas identificar onde ela gera valor e como implementá-la de forma responsável, preparando pessoas e organizações para essa transformação”, afirma.

PAINÉIS EM DESTAQUE – A trilha Tecnologia Aplicada e Inteligência Artificial contará com painéis sobre temas estratégicos, tais como:

26 de agosto | 11h30 às 12h10 – IA, regulação e confiança: o uso responsável da inteligência artificial;
27 de agosto | 10h15 às 10h55 – Physical AI: quando a inteligência artificial sai da tela e entra no mundo real;
27 de agosto | 14h às 14h40 – IA e tecnologias habilitadoras na saúde: acesso, cuidado e impacto humano.

Confira a programação completa com todas as trilhas voltadas à inovação e tecnologia pelo site 

FUTURO DO TRABALHO – O congresso terá ainda a participação inédita da futurista Michelle Schneider, uma das principais referências brasileiras nos temas futuro do trabalho e Inteligência Artificial. Ela encerra o primeiro dia do evento, em 25 de agosto, às 16h30, com uma apresentação sobre como a IA está transformando carreiras, liderança e competências profissionais.

Michelle Schneider, referência nacional em Inteligência Artificial e futuro do trabalho, ministra palestra no primeiro dia do evento

Autora do best-seller O Profissional do Futuro, Michelle possui mais de 20 anos de experiência em empresas como Google, LinkedIn e TikTok. Atualmente, é professora convidada da Singularity University e sócia da consultoria americana Signal & Cipher, apoiando empresas e líderes na construção de estratégias para o futuro do trabalho e a adoção responsável da IA.

Michelle ressalta que a Innovation Week cria espaço para sair do automático, ampliar o repertório e conversar sobre as transformações que já estão acontecendo: “Mais do que tentar prever o futuro, o evento reúne pessoas de diferentes setores para refletir sobre como podemos construí-lo de forma mais consciente, humana e responsável.”

IA SOBERANA – A participação da MeetKai Brasil promete agregar ainda mais inovação e relevância à 13ª Innovation Week, fortalecendo o debate sobre o futuro da tecnologia e da Inteligência Artificial. Uma das patrocinadoras do evento e nova integrante do ecossistema do PIT desde julho de 2026, a empresa desenvolve soluções de Inteligência Artificial Soberana, com foco em autonomia tecnológica, segurança de dados e aplicações de IA voltadas a diferentes setores da economia.

O projeto deverá conectar empresas, universidades, startups e centros de pesquisa, desenvolvendo modelos de IA em português brasileiro, com infraestrutura nacional e dados processados conforme a LGPD, priorizando segurança, transparência e autonomia tecnológica.

Durante a 13ª Innovation Week, a empresa apresentará conteúdos sobre IA Soberana e Inteligência Artificial aplicada ao setor privado, com foco em segmentos estratégicos como mercado financeiro, mineração e petróleo.

Para o Head de Gestão e Negócios da MeetKai Brasil, Alessandro Quattrini, a Inteligência Artificial já desponta como uma das principais infraestruturas estratégicas da nossa realidade. “Assim como a energia, as telecomunicações e os serviços financeiros, ela precisa operar com segurança, confiança e aderência ao contexto de cada país”, ressalta.

Segundo ele, a MeetKai Brasil acredita que o Brasil deve protagonizar esse movimento por meio de uma IA desenvolvida para compreender nosso idioma, nossa legislação e nossa cultura, mantendo dados e inteligência sob controle nacional. “É assim que transformamos tecnologia em capacidade competitiva e soberana para o país”, enfatiza Quattrini.

SOBRE A INNOVATION WEEK – Com o tema “Explore novas ideias”, a 13ª Innovation Week promoverá três dias de networking, capacitação e geração de negócios, reunindo nove trilhas de conteúdo sobre Inteligência Artificial, Saúde, Manufatura, Cidades Inteligentes, Agro, Aeroespacial, Sustentabilidade, Capital e Empreendedorismo.

O evento contará ainda com uma feira de expositores, na qual cerca de 80% das empresas participantes possuem conexão direta com o ecossistema local de inovação, reforçando o protagonismo do PIT no desenvolvimento tecnológico e econômico da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVale).

SERVIÇO
13ª Innovation Week 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Horário: 9h às 18h
Local: PIT – Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos
Entrada: Gratuita, mediante inscrição antecipada
Inscrições no Sympla
Programação e mais informações no site

Fonte: Ana Mattos – Texteria Imprensa

Coluna Propaganda&Arte

1789 no Feed: O que a Revolução Francesa ensina sobre a publicidade atual

Por R. Guerra Cruz

Imagem gerada por IA

Há poucos dias, o calendário marcou mais um aniversário da Queda da Bastilha. O 14 de julho de 1789 não foi apenas o dia em que uma prisão medieval veio abaixo em Paris, foi o marco simbólico do colapso do Absolutismo e da emergência de uma nova ordem. Mas o que a ruína daquele símbolo de poder tem a ver com a sua reunião de planejamento ou com a sua métrica de conversão?

A resposta é: tudo.

A Revolução Francesa gestou a matriz da cultura ocidental moderna. Os grandes dilemas discutidos nos panfletos da época — o significado de liberdade, as divisões de classe, o triunfo do método empírico e a reação emocional do Romantismo — são rigorosamente os mesmos que enfrentamos hoje ao tentar conectar marcas e pessoas em um ecossistema digital saturado.

Se você precisa fazer publicidade que entende e dialoga com o seu tempo, vale a pena olhar para como o mundo moderno começou.

1. A Ilusão da Liberdade no Algoritmo

Para os pensadores iluministas e os revolucionários de 1789, o conceito de Liberdade (Liberté) pressupunha o fim das amarras absolutistas: a autonomia do indivíduo, a liberdade de imprensa e o direito de escolha sem a tutela de um poder central.

Hoje, a indústria vende a ideia de que o consumidor vive a era da liberdade irrestrita. Ele pode pular o anúncio em cinco segundos, trocar de aba, fechar o aplicativo ou seguir apenas o que lhe agrada. Mas até que ponto essa autonomia é real quando a atenção é mediada e direcionada por algoritmos de engajamento desenhados para retenção compulsiva?

A provocação para a publicidade é clara: o público percebe a diferença entre escolha e manipulação. Marcas que operam na lógica “absolutista” — tentando capturar o olhar com gatilhos apelativos e intrusivos — geram repulsa. A comunicação contemporânea que realmente constrói valor é aquela que respeita o tempo e a inteligência do usuário, entregando utilidade e relevância real. Promover autonomia autêntica virou um ativo de diferenciação.

2. Dos Três Estados aos Feudos do Segmento

A sociedade francesa do Antigo Regime era juridicamente dividida em Três Estados: o Primeiro (Clero), o Segundo (Nobreza) e o Terceiro Estado (que reunia desde camponeses até a alta burguesia, representando mais de 95% da população). A revolução explodiu justamente porque a estrutura política ignorava a complexidade e os anseios desse corpo social heterogêneo.

A publicidade aboliu os títulos feudais, mas criou suas próprias cartografias: trocamos os “estados” por buyer personas, recortes demográficos, geolocalização e clusters de comportamento.

Segmentar é indispensável para a eficiência de mídia. Contudo, a hiper-segmentação levada ao extremo carrega um risco: o enclausuramento da comunicação em pequenos feudos. Quando uma marca se comunica apenas para bolhas ultraespecíficas, ela perde a capacidade de criar conversas de amplitude cultural. O grande desafio das marcas memoráveis é equilibrar a precisão da mensagem direcionada com narrativas universais, capazes de gerar identificação coletiva.

3. O Iluminismo e a Era do Empirismo Publicitário

A Revolução foi herdeira direta do Iluminismo, o movimento intelectual que colocou a Razão, o método científico e o empirismo no centro do progresso humano. A especulação teórica deu lugar à testagem, à evidência e à verificação prática dos fatos.

Na comunicação, vivemos o auge dessa mentalidade iluminista. Graças ao ambiente digital, saímos da era do “palpite de diretoria” para a era da testagem contínua. Colocamos variações de títulos no ar, rodamos testes A/B, monitoramos taxas de clique em tempo real e corrigimos a rota com base em evidências numéricas. Os dados nos libertam de dogmas ineficientes.

No entanto, o excesso de racionalismo traz o risco da pasteurização. Se a criação se submete cegamente apenas ao que a métrica imediata dita, o resultado é a homogeneização: campanhas que usam os mesmos formatos, os mesmos ganchos e as mesmas fórmulas. O dado mostra o que funcionou até ontem, ele não prevê o que irá surpreender amanhã.

4. A Reação Romântica na Era da Inteligência Artificial

Quando o projeto iluminista degenerou na frieza calculada do Período do Terror, a cultura reagiu através do Romantismo. Este movimento cultural não negava a razão, mas gritava que o ser humano não podia ser reduzido a uma equação mecânica: a intuição, a paixão, a contradição e o mistério eram partes inseparáveis da experiência humana.

É exatamente aqui que a Inteligência Artificial entra no debate. A IA representa o ápice da lógica iluminista: capacidade de processamento preditivo, otimização técnica e busca por padrões em escala inédita.

Mas a IA não sente angústia, não entende o humor sutil de uma piada local, não compreende a nostalgia e não experimenta o desejo irracional — elementos que movem a decisão humana.

As campanhas que realmente marcam a época não são aquelas que tentam simular um algoritmo perfeito, mas as que usam a precisão técnica da ferramenta como ponto de partida para entregar uma verdade emocional autêntica.

Razão ou Emoção?

A publicidade contemporânea não precisa escolher entre a eficiência da inteligência artificial e a sensibilidade da intuição criativa. A chave está na integração.

Usar os dados e a ciência de mídia para entender o terreno é rigor metodológico. Usar a intuição e o repertório humano para saber o que dizer é arte. Se a razão iluminista nos dá a eficiência do alcance, é a emoção romântica que constrói o significado e o legado de uma marca. E nenhuma grande ideia transforma o mundo sem um pouco de paixão por trás.