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Mudando o Brasil 2/2

Qual a diferença que se dá em nossa cultura um mês, entre a coluna anterior e esta? Na animosidade muito, mas na prática, quase nada. Ainda há uma crise política, a sociedade parece discutir pontos de vista sem fim como se fosse briga de torcida e não chegamos a nenhuma conclusão coletivamente. Mas por que?

Porque cultura não se muda de um dia para outro, de um mês para outro, nem de um ano para outro … Cultura demanda tempo, gerações para mudanças florescerem, mas no dia a dia podemos ver duramente os seus reflexos e é preciso aprender a suporta-los.

Se me perguntarem: o que devemos fazer para mudar o Brasil hoje? Minha resposta direta é: NADA, e o país já estará mudando! Se fizermos algo radical, não!

Não sou nenhum alheio aos problemas de corrupção que acontecem aqui. E não acho que não devem ser punidos os culpados. Mas, a exemplo de outros países, onde isso também ocorreu e ocorre ainda hoje, acredito que a roupa suja deve ser lavada em casa e não em rede internacional.

Temos em nossa cultura o histórico de “golpismo” que precisa ser mudado, como vem mudando, vejam: Getulio foi ditador, mas também eleito, só que se matou deixando no ar uma grande suspeita, já Jânio renunciou por forças ocultas e então João Goulart assume e é deposto para termos 21 anos de ditadura militar. Após isso, conseguimos nas ruas “Diretas já” só que de forma indireta, morre outro presidente e quem governa é o vice. O primeiro presidente eleito é Collor, colocado e tirado pela mídia em 2 anos, e temos mais um vice no poder! Enfim 20 anos de democracia eleita pelo povo. No meio, após 8 anos de um partido, uma transição entre lados radicalmente opostos com projetos de governo totalmente diferentes em teoria, mas com uma civilidade nunca vista em nosso país.
Novos anos de uma nova política e uma falsa civilidade na atualidade, um lado mentindo em campanha e o outro fomentando a derrubada de governo.

O que queremos de verdade? Mudar de forma radical novamente? Ou queremos mudar a nossa cultura!

É lógico que existem motivos para a derrubada radical, mas não se aprende só acertando, é preciso cometer erros, aceitar que os cometeu e corrigi-los da forma certa. Sem essa, de não estou jogando, pego a bola e saio… Isso não ensina as crianças, e nossa democracia é uma criança.

Mas já vemos alguns aprendizados nesses 20 anos de democracia brasileira, o povo não aceita mais viver sem estabilidade econômica e esse é um preço que coloca a presidenta em saia justa. Ela precisa estar mesmo em dificuldade, para que o país ganhe resiliência e supere essas e outras dificuldades que virão, com suas próprias experiências. Se conseguir, pode perpetuar seus descendente, senão será trocada naturalmente.

Mas também são aprendizados as mudanças sociais desse governo. Quantos estão se beneficiando de um Fies, Minha casa,minha vida ou do Bolsa Família?

E sem essa de que isso é um disparate populista. Vivemos reclamando que o imposto não retorna à população. Pra se ter uma ideia o Bolsa família representa algo em torno de 2,5 % da receita do país, é muito? Além disso não dá pra negar a importância em ter 80% dos meus alunos vindo pelo FIES ou PROUNI, sendo em sua grande maioria o primeiro de sua família a cursar a universidade.

Programa sociais também mudam a cultura e cultura precisa de várias gerações para florescer, se lembram? Os filhos destes meus alunos não se contentarão em ter menos educação que seus pais. É aí que algo mudará. Se em algum momento não tiverem o benefício ainda assim buscarão a formação porque não verão mais como voltar à vida anterior.

Vi isso acontecer com boa parte de meus alunos em 2015. Com a crise, a dificuldade do benefício fez com que os alunos buscassem alternativas e elas vieram pelas propostas de financiamento do mercado privado ou na própria proposta da universidade que achou caminhos para viabilizar o aluno.

Ué? Isso já não podia estar disponível antes? Claro que sim. Mas o fato é que na dificuldade aparecem soluções, mas só se já houver referências. Senão é caminho inexistente.

Esse é o preço que toda a sociedade brasileira terá que pagar pela diminuição do abismo social e isso é só um outro jeito de pensar o país, diferente do modelo “meritocrático” que era pregado anteriormente. Pode ser bom ou ruim, mas se não tá bom mudemos nas urnas em poucos anos. É preciso aceitar e trabalhar para melhorar.

Trabalhar para melhorar significa aceitar corrupção? Claro que não! Mas é só pensar, que estas mesmas construtoras, apontadas hoje em investigações da Polícia Federal, estão fazendo comércio com os governos há muitas décadas. É só nesse governo que houve corrupção?

Parece que nossa cultura também está mudando para isso. Não aceitamos mais a vantagem. Não queremos mais o “rouba mas faz”, e hoje podemos e devemos fiscalizar sim, julgar sim, prender sim, recuperar o dinheiro sim. É fazer exatamente o que estamos fazendo. Menos uma coisa, transformar isso em alarde internacional destruindo a imagem de símbolos nacionais e retirando os investimentos do mercado. Isso é jogar contra o patrimônio.

Se continuarmos com este padrão de reação emocional retornaremos ao golpismo, não mudará nada.

Muitos não concordarão com que escrevo aqui. Inclusive, acredito, meu editor deste blog, mas é aí que a cultura democrática está aparecendo. Somos diferentes, não inimigos! Pensamos e fazemos o que podemos, sempre buscando o melhor para construir uma cultura Brasileira, que é famosa por sua receptividade. Somos mesmo receptivos? Se algo é diferente, aceitamos?

Existem 3 formas de mudar uma cultura, a primeira é a educação que se resume em aprender a ouvir e transmitir ensinamentos, experimentar e tirar conclusões. A segunda é fortalecer seus próprios valores, não desistir no meio do caminho, não parar frente a qualquer obstáculo. E a terceira é o choque de culturas, olhar o outro de frente e aguentar a estranheza causada.

Estamos vivendo um momento mágico em nosso país, onde as 3 formas de mudanças de cultura abalam nossas estrutura. Ter consciência disso é fundamental para o futuro que queremos construir. Não é bom, nem mal é só a mudança que tanto queremos

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