Por Josué Brazil (com apoio de IA)
Muita gente acha que ser criativo em agência é ter “ideias geniais o tempo todo”. Não é. O mercado publicitário não premia apenas quem tem boas ideias — ele valoriza quem resolve problemas de comunicação com consistência, estratégia e repertório.
No dia a dia e na vida real das agências o prazo é curto, o cliente exigente, a verba muitas vezes é limitada e hoje há a necessidade de gerar peças e ideias para múltiplas plataformas.
Em função disso, trago cinco dicas para você ser um criativo indispensável mesmo em tempos de inteligência artificial generativa
1. Entenda o problema antes de pensar na ideia
O ponto central aqui é: Criatividade sem direção é só improviso.
Trocando em miudos. Um bom criativo não começa pelo layout, pelo roteiro ou pelo título. Começa pelo briefing — e pelas entrelinhas do briefing. Uma boa, profunda e correta interpretação do briefing.
Um bom criativo faz perguntas importantes:
- O que o cliente realmente precisa resolver?
- O problema é de comunicação ou de produto?
- Essa campanha quer vender, reposicionar, gerar percepção, engajamento?
Ideia bonita chama atenção. Ideia certa gera resultado.
2. Alimente seu repertório fora da publicidade
Esse é um diferencial gigante. Entensa que referência não é só propaganda premiada. Um criativo forte consome: cinema, música, comportamento digital, memes, moda, tecnologia, conversas de bar.
Fique atento: a criatividade nasce da conexão improvável entre coisas que já existem.
Quem só consome propaganda começa a ter ideias que parecem propaganda.
3. Ouça mais do que defende
Criativo bom não é o que briga pela ideia. É o que sabe adaptar, reformar, melhorar a ideia.
O ego é inimigo da criação em equipe. Aprenda a abrir mão de muitas de suas ideias. E ouvir outros do time. Direção de arte, redação, mídia, atendimento, planejamento — todos influenciam o resultado. Feedback não é ataque, é refinamento.
Em agência, ideia boa não é a sua — é a que sobrevive ao processo.
4. Aprenda a criar sob pressão (sem romantizar o caos)
Vida real de agência é assim: prazo curto, cliente muda tudo, briefing incompleto, urgência eterna.
O criativo profissional não espera “inspiração”, desenvolve método, anota ideias o tempo todo (tenha um veho e bom caderninho de anotações – escreva suas anotações a mão) e treina o cérebro a pensar soluções rápido.
É fundamental desenvolver e ter disciplina criativa, uma rotina de referências e, uma coisa que amo e sempre faço, guardar ideias “não usadas”.
Criatividade é talento, mas também é treino.
5. Pense no público, não na banca de prêmios
Voltamos ao ego… A campanha não é feita para outros criativos elogiarem. É feita para alguém comprar, clicar, lembrar da marca e mudar uma percepção.
O bom criativo sempre se pergunta:
- “Isso faz sentido pra quem vai ver?”
- “A pessoa entende ou só eu acho genial?”
Se só o criativo entende a ideia, não é insight — é código secreto.
Não é lampejo, é construção!
No fim das contas, ser um bom criativo em agência não é sobre ter lampejos de genialidade, mas sobre construir um olhar estratégico, um repertório amplo e uma postura profissional. Ideias nascem da inspiração — mas sobrevivem graças à disciplina, escuta e entendimento de pessoas.