A sedução na publicidade

RESENHA DO CAPÍTULO “A SEDUÇÃO PUBLICITÁRIA”, DO LIVRO “TELEVISÃO SUBLIMINAR” DE JOAN FERRÉS.

Por Josué Brazil

 Já há algum tempo que a publicidade uniu-se a psicologia para desenvolver mensagens que visam aspectos emotivos do público. Joga-se com aspectos emotivos do consumidor para obter-se respostas positivas para o produto anunciado.

Nem sempre foi assim. No início (década de 50), a publicidade tentava convencer através de aspectos racionais e do produto. Rosser Reeves, em 54, formulou a estratégia da USP (Unique Selling Proposition), que nada mais era que encontrar no produto um diferencial único que pudesse distinguí-lo dos demais. Com o tempo e a evolução das indústrias, ficou praticamente impossível detectar diferenças reais entre os produtos. Daí surge a mudança de estratégia.

A propaganda passa não mais focar o produto e sim a representá-lo (meu velho mestre Naief Safady já dizia que a propaganda não é o produto e sim sua representação), a posicioná-lo na mente do consumidor. Isso é muito mais complexo e sofisticado do que simplesmente elencar uma série de pontos positivos do produto e suas vantagens reais (Cabral, 1990). Trata-se de conferir uma personalidade ao produto ou a marca, conferindo-lhe um lugar próprio no mercado.

Na publicidade televisiva, o consumidor depara-se com uma projeção dele mesmo. E os próprios objetos anunciados são projeções de nós mesmos, já que o que se pretende é que estes se transformem em prolongamentos de nós mesmos.

O autor coloca que a maioria dos produtos é adquirida não para a satisfação de necessidades físicas, mas emotivas e psicológicas. E diz que geralmente isto é “criado artificialmente”. Neste ponto podemos contestar perguntando o que hoje se configura como necessidade real ou artificial e até que ponto a publicidade pode verdadeiramente gerar necessidades ou só aproveitar necessidades latentes das pessoas e as despertar (Cabral, 1990).

De todo modo, é claro e irrefutável que a publicidade é muito mais emotiva (para ser mais persuasiva) do que objetiva ou racional. O “posicionamento” substitui totalmente a USP no cenário atual da propaganda.

Os produtos são mais do que produtos. São imagens de seus próprios consumidores, Na publicidade televisiva, trabalha-se com estratégias associativas, confere-se personalidade aos produtos mediante a transferência de valores do contexto. É a emoção a serviço da sedução. O posicionamento vincula necessidades do consumidor a personalidade do produto através de contextos associativos.

Na verdade hoje consumimos símbolos e não produtos. Buscamos produtos pelo que eles simbolizam. Dá-se personalidade ao produto para que o consumidor assuma personalidade através dele (produto). Talvez não concorde que esse simbolismo é artificial, pois está dentro das pessoas. Julio Ribeiro diz que cada pessoa tem uma matriz (que pode ser status, poder, sabedoria etc). Quando se posiciona um produto vamos de encontro a algo que já existe dentro das pessoas e a propaganda ao representar o produto de uma maneira simbólica apenas desperta a matriz, transformando-a num objeto: o produto. Concordo que isso muitas vezes (ou quase sempre) se dá de maneira irracional e inconsciente, mas artificial? Tenho muitas dúvidas.

Além do produto em si temos hoje a crescente importância da marca. E as marcas são emocionais, são afetivas. O maior patrimônio de uma empresa é a sua marca. É ela que comunica, que serve de “guarda-chuvas” para uma série de produtos. O prestígio da marca e seu posicionamento na mente dos consumidores são essenciais para o sucesso comercial de produtos e serviços. Antonio Marins exemplifica isso com uma situação hipotética: se perguntassem aos brasileiros o que eles gostam realmente de comer eles provavelmente responderiam arroz e feijão. Se perguntassem como eles gostariam de comer, responderiam que sentados calmamente em suas casas no horário de almoço ou jantar. Nesse caso como explicar o sucesso do Mac Donalds no Brasil se lá se come hambúrguer com picles (nada mais americano) e sempre correndo e às vezes em pé? A marca é o segredo.

A transferência do prestígio de personalidades famosas as marcas é também uma estratégia largamente utilizada pela publicidade. Evidentemente que, cada vez mais, a personalidade deve ter um perfil adequado à marca que vai comunicar. Isso é essencial, pois o público pode detectar erradamente a proposta do produto.

Podemos concluir que não há comunicação publicitária sem efeitos persuasivos e que se faz isso intencionalmente e de maneira estruturada e planejada. Até podemos dizer que de maneira científica.

Educomunicação: um novo curso

Educomunicação é o mais novo curso da USP
 
Considerado como o curso do futuro ele permitirá que o profissional atue nos meios de Comunicação, em mídias sonoras (campo radiofônico), no terceiro setor, em órgãos públicos e em escolas.
 
A partir do dia 27 de agosto até o dia 10 de setembro, visando o ingresso na Universidade de São Paulo (USP), os vestibulandos terão mais uma opção de curso na Fuvest. O novo curso é a licenciatura em Educomunicação, que será ministrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) e terá oferta de 30 vagas, todas no período noturno, com duração de quatro anos.
 
O curso de licenciatura em Educomunicação abre um campo diferenciado para o  profissional da Comunicação e já é considerado por especialistas como a profissão da contemporaneidade para atuação no mercado midiático (envolvendo Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas , Internet e as áreas de Rádio e Televisão) no Terceiro Setor (ONGs),  no campo da Educação e nos órgãos públicos.
 
Desde que comunicadores e educadores passaram a entender que por detrás do primeiro aspecto de entretenimento dos elementos midiáticos existiam também construções importantes de cidadania, aprendizados, informação e formação, a Comunicação passou a ser um bem cobiçado por muitos. No entanto, como usá-la enquanto ferramenta de ensino e aprendizado e a sua sistematização se tornou um grande desafio que vem sendo pensado nas últimas décadas.
 
É nesse processo que surge o profissional da Educomunicação. Trata-se de um profissional multimidiático e gestor, pois agrega os conhecimentos de diferentes agentes tais como jornalistas, publicitários, relações públicas, cineastas e outros. Ao mesmo tempo é multifacético, pois o educomunicador também está apto para atuar no ambiente escolar, envolvendo desde os ensinos fundamental e médio até o curso superior. 
 
Por conhecer as teorias e práticas da educação, os modelos e os procedimentos que envolvem o mundo da produção midiática e das tecnologias, o educomunicador é em sua natureza gestor de processos comunicacionais.
 
Os órgãos públicos de diferentes áreas tais como secretarias de Educação, Cultura e Meio Ambiente, dentre tantas outras; as instituições de ensino fundamental, médio e superior; o terceiro setor (Organizações Não-governamentais) e os meios de comunicação, principalmente os que têm uma preocupação educativa, serão os campos de trabalho desse novo profissional.
Mais informações para o vestibulando: http://www.cca.eca.usp.br/educom