Quando concentrar verba em um único canal faz sentido?

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Por Josué Brazil (com apoio de IA)

No discurso contemporâneo do marketing, a palavra da vez é “multicanal”. Integração, omnichannel, presença em todos os pontos de contato. Lá nos anos 1990 e 2000 chamávamos isso de Mix de Mídia. Mas aqui vai uma provocação importante para quem está estudando publicidade: existem situações em que concentrar a verba em um único canal pode ser mais estratégico do que pulverizar investimento. A questão não é quantidade de canais — é coerência com o objetivo.

Isso normalmente é conhecido como “Estratégia de Mídia Única”.

A primeira situação é quando o orçamento é limitado. Dividir uma verba pequena entre muitos meios pode gerar presença fraca em todos eles. Byron Sharp, em How Brands Grow, destaca que alcance e consistência são fundamentais para gerar memória de marca. Às vezes, é mais eficiente dominar um canal relevante para o público do que aparecer de forma quase invisível em vários.

Outro cenário é quando há um objetivo muito específico de performance. Se a meta é geração de leads imediata, por exemplo, pode fazer sentido concentrar investimento em mídia digital paga com alta capacidade de segmentação e mensuração — como defendem especialistas em marketing de performance, como Ryan Deiss. Foco gera otimização. E otimização gera aprendizado mais rápido.

Também pode fazer sentido concentrar verba quando o público está fortemente concentrado em um ambiente específico. Pense em marcas voltadas para jovens gamers investindo majoritariamente em plataformas como Twitch ou YouTube, ou negócios locais que apostam quase tudo em mídia regional. Segundo relatórios do DataReportal, o consumo digital é intenso, mas altamente segmentado por interesse e comportamento. Se o público está ali — e em grande volume — a concentração pode ser estratégica.

Há ainda momentos táticos. Lançamentos, promoções relâmpago ou campanhas sazonais podem exigir impacto concentrado em curto prazo. Em vez de dispersar verba, a marca cria um “pico de presença” em um meio estratégico, aumentando frequência e lembrança naquele período. Philip Kotler, em Administração de Marketing, reforça que intensidade de comunicação é variável decisiva na eficácia da campanha.

Mas atenção: concentrar verba não pode ser sinônimo de comodidade ou modismo. A decisão deve partir de análise de objetivo, público, orçamento e timing. Pulverizar por insegurança é erro. Concentrar por achismo também é. A escolha estratégica é aquela que entende o papel do canal dentro da jornada do consumidor.

Para quem está se formando agora, a lição é clara: mídia não é sobre estar em todos os lugares. É sobre estar no lugar certo, com intensidade suficiente, pelo tempo adequado. E, às vezes, isso significa escolher um único canal — mas escolher com estratégia.