Como agências e consultorias podem conquistar novos clientes em 2026

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Estratégia, operação e valor real no centro da decisão

O mercado de comunicação, propaganda e marketing entra em 2026 mais competitivo, tecnológico e orientado a resultados do que nunca. A abundância de ofertas, ferramentas e “promessas rápidas” fez com que os clientes se tornassem mais criteriosos — e menos tolerantes a discursos vazios. Conquistar novos clientes, portanto, exige muito mais do que um bom portfólio: requer estratégia, posicionamento claro e um modelo operacional alinhado às expectativas do mercado.

A seguir, reuni as principais práticas que tendem a diferenciar agências e consultorias na prospecção e retenção de clientes nos próximos anos.

1. Posicionamento claro: quem tenta falar com todo mundo não convence ninguém

Em 2026, a especialização deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. Agências generalistas ainda existem, mas são as que conseguem comunicar com clareza seu foco, expertise e tipo ideal de cliente que saem na frente.

Isso significa definir:

  • Segmentos prioritários (ex.: varejo, health, educação, startups, indústrias criativas);
  • Tipo de serviço em que a agência é realmente forte (branding, performance, conteúdo, mídia, CX, dados);
  • Problemas específicos que resolve melhor do que a concorrência.

Clientes não buscam “agências completas”, mas parceiros que entendam seu negócio, sua dor e seu contexto competitivo.

2. Conteúdo estratégico como principal ferramenta de prospecção

A produção de conteúdo deixa de ser apenas marketing institucional e passa a ser arma central de geração de negócios. Em 2026, quem educa o mercado constrói autoridade — e quem constrói autoridade reduz o esforço de venda.

Boas práticas incluem:

  • Artigos, análises e tendências publicados em portais próprios (como o Publicitando);
  • Presença ativa no LinkedIn com conteúdos autorais e opinativos;
  • Estudos de caso bem detalhados, focados em desafios e resultados;
  • Webinars, newsletters e relatórios setoriais.

O cliente chega mais preparado, confiante e inclinado ao contato quando já reconhece a agência como referência.

3. Prospecção consultiva, não invasiva

O modelo tradicional de prospecção fria perde força. Em seu lugar, ganha espaço a abordagem consultiva, baseada em diagnóstico e conversa — não em venda imediata.

Em vez de oferecer serviços logo no primeiro contato, vale:

  • Demonstrar conhecimento sobre o mercado do prospect;
  • Apontar oportunidades ou riscos reais de comunicação e marketing;
  • Conectar o discurso a dados, comportamento do consumidor e estratégia de negócio.

O foco deve estar em gerar valor desde o primeiro contato, mesmo que a venda não aconteça naquele momento.

4. Alinhamento entre promessa comercial e modelo operacional

Um dos maiores erros das agências é vender projetos que sua operação não consegue sustentar. Em 2026, isso tende a ser ainda mais crítico, pois os clientes estão mais atentos à experiência de trabalho com seus fornecedores.

Para alinhar operação e prospecção, é fundamental:

  • Ter processos bem definidos e documentados;
  • Dimensionar corretamente equipes e capacidades;
  • Trabalhar com escopos claros e contratos bem estruturados;
  • Usar tecnologia para gestão de projetos, dados e relacionamento.

Prometer menos e entregar melhor será sempre mais estratégico do que vender muito e frustrar o cliente.

5. Modelos flexíveis e orientados a valor, não apenas a horas

O modelo de cobrança também influencia diretamente a conquista de novos clientes. Em 2026, cresce a preferência por formatos mais flexíveis, transparentes e conectados a valor percebido.

Entre as tendências estão:

  • Contratos por projetos ou pacotes estratégicos;
  • Modelos híbridos (fee + performance);
  • Acordos baseados em metas e indicadores claros;
  • Consultorias recorrentes com foco estratégico.

Clientes querem previsibilidade, clareza e retorno — não planilhas intermináveis de horas.

6. Relacionamento e experiência como vantagem competitiva

Por fim, conquistar novos clientes passa, cada vez mais, por reter e encantar os atuais. Indicações, reputação e networking seguem como algumas das formas mais eficientes de crescimento.

Agências que se destacam em 2026 são aquelas que:

  1. Mantêm comunicação próxima e transparente;
  2. Atuam como parceiras estratégicas, não apenas executoras;
  3. Antecipam tendências e oportunidades para seus clientes;
  4. Constroem relações de longo prazo, baseadas em confiança.

No fim das contas, pessoas contratam pessoas — e permanecem com quem gera impacto real.

Em resumo

Conquistar novos clientes em 2026 não será sobre falar mais alto, mas sobre falar melhor. Agências e consultorias que combinarem posicionamento claro, conteúdo relevante, prospecção inteligente e uma operação bem alinhada terão mais chances de crescer de forma sustentável em um mercado cada vez mais exigente.

Mais do que vender comunicação, será preciso entregar estratégia, visão e valor.

Olhando para 2026: qual será a grande tendência?

Imagem gerada pela IA do Canva

Por Josué Brazil (com uma boa ajuda da IA)

Já estamos na reta final de 2025. E, como sempre, surge a pergunta: o que será que vai ser importante em 2026 quando o assunto é marketing, propaganda, comunicação e negócios?

Vamos tentar responder…

A grande tendência para 2026 será a maturação do uso da inteligência artificial (IA) generativa e de soluções de IA integradas na cadeia completa de marketing – não só para gerar textos e imagens, mas para personalização em escala, otimização em tempo real de mídia, testes criativos automatizados e anúncios adaptativos ao contexto do usuário.

Por que?

O uso de IA já alcançou níveis elevados: segundo levantamento da McKinsey & Company, em 2024 cerca de 78% das organizações afirmaram utilizar IA em pelo menos uma função de negócio, ante cerca de 55% em 2023.

Isso significa que a IA está deixando de ser “experimento” e se torna infraestrutura competitiva – quem souber gerir processos de IA, governança de dados, modelos criativos dinâmicos e automação de mídia terá vantagem operacional e criativa.

Por que essa tendência é tão relevante?

Escala de adoção e investimento – Já não são apenas pioneiros: a maioria das empresas está envolvida com IA, o que pressiona agências e consultorias a absorverem esse movimento. Por exemplo, de acordo com a Boston Consulting Group (BCG), apenas 26% das empresas pesquisadas afirmaram possuir capacidades para gerar valor tangível com IA até então.

Impacto direto em performance e criatividade – IA permite acelerar produção criativa, testar variantes de campanha com baixo custo e personalizar mensagens em tempo real: tudo indica que esse nível de eficiência ganhará importância central em 2026.

Integração com outros grandes vetores de marketing – A IA alimenta e potencializa outros canais (vídeo, social commerce, dados próprios) e, portanto, torna-se “plataforma habilitadora” de outras tendências.

Outras tendências importantes para 2026 (e por que importam)

Além da IA, vale ficar atento a pelo menos quatro frentes que devem ganhar destaque:

Connected TV (CTV) / vídeo premium endereçável
O consumo de streaming e plataformas de TV conectada seguem em crescimento, o que abre oportunidades para formatos de anúncio + segmentação apurada. Por exemplo, a Nielsen Holdings plc anunciou em junho de 2025 a inclusão de dados de CTV na sua plataforma de inteligência de mídia, mostrando o reconhecimento da mudança de gasto publicitário para esse formato.

Isso sugere que agências que souberem produzir criativos adaptados para CTV + comprar mídia de forma programática terão vantagem frente a formatos tradicionais.

Social commerce e live shopping
O comércio social — ou seja, a compra direta dentro de plataformas sociais ou via criadores — está se tornando cada vez mais relevante. Um relatório da Grand View Research projeta que o mercado global de social commerce deve atingir cerca de USD 17,83 trilhõesaté 2033, com CAGR de ~36,4% entre 2025-2033.

Marcas e agências devem estruturar ofertas de marketing que integrem conteúdo + criador + compra direta (“shoppable”), pois o cliente está cada vez mais conectado e incentiva a conversão no próprio ambiente social.

Marketing de influência (com creators menores, micro-/nano-influenciadores)
O marketing de influência não é novo, mas está entrando numa fase de refinamento: mais foco em resultados, mais micro-influenciadores, parcerias de longo prazo. Por exemplo, de acordo com a Influencer Marketing Hub, o mercado global de marketing de influência está estimado em USD 32,55 bilhões em 2025.

Portanto, agências que estruturarem redes de criadores, métricas além de likes (como conversão, LTV), e ofertas escaláveis para clientes terão diferenciação.

Privacidade, first-party data e mensuração cookieless
A transição de modelos baseados em cookies de terceiros para modelos de dados próprios (first-party) e experiências personalizadas com privacidade embutida será cada vez mais exigida. Assim, agências e consultorias deverão dominar: – captura de dados com consentimento, – CDPs (Customer Data Platforms), – modelos de atribuição incrementais (experimentações/hold-out tests).
Consumidores e reguladores estão mais atentos à privacidade, e isso muda infraestrutura de medição e alocação de mídia.

Propósito, sustentabilidade e experiência do cliente
Os consumidores — em especial das geração Z e millennial — valorizam marcas que têm propósito claro, conduta ética e ações relevantes. Por exemplo, a United Nations Global Compact aponta que mais de 60% dos consumidores da nova geração são atraídos por marcas com valores éticos e propósito.

Logo, comunicar apenas “promoção” não basta: a marca precisa entregar experiência e propósito, e as agências devem ajudar clientes a traduzir isso em narrativa e ação.

O que as agências e consultorias devem ficar de olho — e oferecer aos clientes

Imagem gerada pela IA do Canva

Aqui vão ofertas concretas que terão demanda em 2026:

Pacotes de IA aplicada ao marketing
— Geração criativa + testes automáticos + otimização de mídia.
— Workflow: brief → IA gera variantes criativas → teste A/B automático → otimização em tempo real.
— Motivo: adoção massiva de IA já está em curso (≈78% de empresas utilizam IA em pelo menos uma função).

Soluções CTV + vídeo adaptado para formatos sociais
— Produção de criativos para CTV + compra programática + integração com social commerce.
— Motivo: o anúncio em CTV está migrando mídia e atenção. Ações nessa frente criam diferenciação frente à TV linear.

Social commerce & live shopping
— Criadores + loja dentro da plataforma + evento ao vivo + conversão imediata.
— Motivo: o mercado de social commerce está projetado para grande crescimento (USD 17,83 trilhões até 2033).

First-party data strategy + medição cookieless
— Implementação de CDPs, captura de consentimento, experimentos de medição (hold-out), novos modelos de atribuição.
— Motivo: privacidade e mudanças no ecossistema de mídia forçam novos modelos.

Programas de longo prazo com criadores / micro-influenciadores
— Network de criadores nichados, métricas de conversão e LTV, planejamento estratégico (não apenas “post pago”).
— Motivo: o mercado de influência continua em expansão e amadurecimento (USD 32,55 bi estimado para 2025).

Serviços de propósito + ESG comunicacional
— Diagnóstico de marca, narrativa de propósito, ativação concreta, mensuração de impacto de marca.
— Motivo: consumidores valorizam marcas comprometidas com valores além do produto.

Como “vender” essas ofertas para o cliente (argumentos práticos)
  1. Apresente cases e KPIs reais — mostre resultados de IA + personalização + mídia programática.
  2. Ofereça um piloto de baixo risco: “vamos testar CTV ou live shopping por 4-6 semanas com budget controlado”.
  3. Destaque que medição importa: não basta métricas de vaidade, precisa mostrar o impacto real (“lift”, conversão incremental, retenção”).
  4. Mostre que essas iniciativas ajudam o cliente a preparar para 2026 e além — não é moda passageira, mas infraestrutura.
Para resumir e destacar

A grande tendência é  a IA aplicada ao marketing. Isso tornou-se infraestrutura competitiva, e é aqui que as agências devem investir primeiro.

Complementarmente, aposte em canais e modelos como CTV, social commerce, criadores, dados próprios e medição com privacidade em mente.

A combinação dessas frentes – IA + canais emergentes + dados próprios + propósito – forma um portfólio robusto para oferecer aos clientes em 2026.