Toda marca precisa entender o clima da Copa

Por Talita Scotto*

A cada edição da Copa do Mundo, o mercado repete o mesmo movimento: marcas se apressam para “entrar no clima”, campanhas surgem em série e o discurso publicitário se intensifica. O problema não está em falar da Copa, mas em achar que toda marca precisa fazer isso.

Antes de ser um evento esportivo, a Copa também é um fenômeno social. Ela altera o humor coletivo, reorganiza rotinas profissionais e escolares, muda padrões de consumo e do turismo, além de deslocar a atenção do público. Mesmo marcas que não têm qualquer relação direta com esporte são impactadas por esse contexto. Ignorar esse ambiente é tão arriscado quanto tentar aproveitar o hype sem coerência.

Nem toda marca está inserida no contexto da Copa, mas entender que esse período muda os ânimos, o foco do seu cliente e torna tudo mais positivo, é fundamental para entender o clima que é gerado em torno do assunto.

A Copa do Mundo muda as emoções e impacta a comunicação

A Copa do Mundo mexe com as emoções das pessoas, assim como também transforma as expectativas do público, conforme os jogos avançam. De acordo com uma pesquisa da Serasa Experian, 13,5 milhões de brasileiros que acompanham futebol, devem aumentar seus gastos durante o evento. Decisões impulsivas, muitas vezes tomadas mais pela emoção do que pela razão, mudam a forma de consumo de informações e de produtos. Isso cria um cenário que influencia como qualquer mensagem é recebida.

Uma campanha institucional lançada nesse período, um posicionamento de um executivo ou até um anúncio aparentemente neutro podem soar deslocados se não considerarem o contexto emocional do momento. Comunicação, neste momento, vai dialogar com o ambiente.

Desta forma, estratégias de comunicação, principalmente aquelas que apostam na mídia orgânica, exigem cautela, uma vez que o espaço editorial está altamente disputado com os factuais do mundial.

Mesmo sem citar a Copa, marcas precisam considerar o momento

Muitas marcas acreditam que, ao não falar da Copa, estão automaticamente perdendo espaço e oportunidades, o famoso “FOMO” (Fear of Missing Out): medo de ficar de fora e perder grandes chances de visibilidade. Mas, elas continuam se comunicando, publicando conteúdos, fazendo anúncios, enviando releases e se posicionando publicamente.

O ponto é que o tom, o timing correto e a abordagem precisam estar ajustadas às expectativas do momento. Ignorar o contexto pode fazer com que uma mensagem legítima pareça fria ou menos relevante. Em períodos de disputa entre o racional e o emocional, negar o cenário do momento não é a melhor solução para conquistar resultados. O momento, talvez, seja o ideal para fortalecer o relacionamento.

Quando faz sentido falar da Copa do Mundo e quando não faz?

A resposta é simples: quando há coerência. Marcas e profissionais ligados ao esporte, turismo, entretenimento, consumo, alimentação ou experiências naturalmente encontram espaço para diálogo. Mesmo assim, isso exige critério, considerando que a mensagem não aproveite apenas o oportunismo do momento, mas tenha qualidade e não seja uma narrativa artificial.

Por outro lado, há marcas que ganham mais ao observar, ajustar o discurso e manter consistência. Não entrar no tema também é uma escolha estratégica, desde que venha acompanhada de sensibilidade, paciência e consciência do momento vivido pelo público.

O papel da assessoria de imprensa em grandes eventos

É nesse momento que a assessoria de imprensa passa a ser mais estratégica e menos operacional. Em períodos como a Copa do Mundo, o trabalho vai além de divulgar ações ou buscar espaço na mídia, pois envolve estratégia para o momento, orientação de porta-vozes e leitura de factuais. Afinal, eles determinam a dinâmica de imprensa e o interesse pela informação.

Executivos continuam sendo entrevistados, marcas seguem sendo mencionadas e decisões públicas também acontecem, até porque há notícias além da Copa. A diferença está em como essas falas se conectam ao clima social do momento. Por isso, entender qual ambiente sua marca está inserida é o primeiro passo para definir qual posicionamento adotar no período.

*Talita Scotto é diretora do Grupo Contatto, um ecossistema de comunicação com foco em autoridade de marcas

Entre redações e marcas, jornalistas redefinem a profissão no Brasil

Com menos espaço nas redações, jornalistas migram para novas frentes e redesenham o papel da profissão no Brasil – Crédito: Freepik

No Dia do Jornalista, mudanças no mercado ampliam atuação fora dos veículos e levantam debate sobre formação e prática

No momento em que a profissão celebra seu dia, em 7 de abril, o jornalismo brasileiro vive uma mudança silenciosa, mas consistente. Cada vez mais profissionais deixam as redações e passam a atuar em áreas como assessoria de imprensa, comunicação corporativa e produção de conteúdo.

O movimento ocorre em meio à redução de postos formais em veículos e à transformação no consumo de notícias, cada vez mais mediado por plataformas digitais. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas indicam que parte significativa dos jornalistas já atua fora da mídia tradicional, com a assessoria de imprensa concentrando a maior parcela desses profissionais.

Para a jornalista Camila Augusto, que trabalhou em redação e hoje atua na formação de profissionais, a mudança reflete um novo cenário de atuação. “Hoje, o jornalista precisa entender que a formação não limita a atuação à redação. Existem outras frentes possíveis, mas elas exigem preparo específico”, afirma.

Camila Augusto – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, a transição tem exposto uma lacuna entre a formação tradicional e as demandas atuais do mercado, especialmente em áreas como comunicação estratégica, posicionamento e gestão de imagem.

Redações sob pressão

Ao mesmo tempo em que o mercado se amplia fora dos veículos, as redações enfrentam um cenário de enxugamento e reconfiguração.

Para a jornalista Angela Maria Curioletti, editora e fundadora do Portal Minutta, a saída de profissionais experientes impacta diretamente o fazer jornalístico. “Não é só a mão de obra que se perde. É a sensibilidade, a responsabilidade e a credibilidade. Jornalistas com experiência aprendem a desconfiar e a apurar com cuidado”, afirma.

Angela Maria Curioletti – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, o desafio vai além da formação de novos profissionais e passa pela sustentabilidade dos próprios veículos. “Ter um veículo vivo depende de bons jornalistas, mas também de estrutura. Precisamos produzir conteúdo e, ao mesmo tempo, sustentar equipe e credibilidade.”

Apesar das dificuldades, Curioletti afirma que o jornalismo pode se manter financeiramente viável, desde que haja adaptação. “Não dá mais para depender de um único modelo. É preciso se reinventar, testar formatos e buscar novas fontes de receita, sem abrir mão da responsabilidade.”

Fora da redação

Para parte dos profissionais, a saída das redações não representa ruptura, mas mudança de caminho.

O jornalista Paulo Novais, que iniciou a carreira em redação e televisão, passou a atuar com assessoria de imprensa ao buscar maior autonomia e atuação estratégica. “Foi um processo gradual. Eu percebi que poderia usar a bagagem da redação de forma mais estratégica, ajudando outras pessoas a se posicionarem melhor na mídia”, afirma.

Paulo Novais – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ele, a experiência em veículos continua sendo central na nova atuação. “A redação te ensina a apurar, a construir pauta e a entender o que é notícia. Isso continua sendo essencial.”

A principal diferença, está na lógica de trabalho. “Na redação, você está focado em informar. Fora dela, você precisa pensar em posicionamento, relacionamento e construção de reputação.”

Mudança de papel

A migração também implica uma redefinição da função do jornalista.

Ao deixar a redação, o profissional passa de observador externo a agente que representa interesses institucionais, o que exige maior clareza sobre sua atuação.

“O jornalista precisa entender quando está informando e quando está defendendo um interesse”, afirma Camila Augusto.

O cenário se torna mais complexo com a presença de influenciadores e produtores de conteúdo, que atuam no mesmo ambiente e aproximam informação, opinião e publicidade.

Um novo ambiente de informação

As mudanças na carreira acompanham a transformação no consumo de notícias. Relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism aponta a consolidação das plataformas digitais como principal meio de acesso à informação e a fragmentação das audiências.

No Brasil, esse contexto inclui a redução de vínculos formais nas redações e o aumento da demanda por habilidades como produção multimídia, gestão de redes sociais e análise de dados.

Fonte: TH Comunica | Assessoria de Imprensa

Likes constroem audiência. Credibilidade constrói marcas.

Por Samara Perez Valadão de Freitas*

Por muito tempo, o mercado tratou assessoria de imprensa e social media como frentes concorrentes, como se fosse preciso escolher entre alcance ou posicionamento, visibilidade ou autoridade. Mas essa comparação é rasa e, muitas vezes, perigosa, pelo simples fato de que audiência pode ser comprada e credibilidade, não.

Sem dúvida, as redes sociais revolucionaram a forma como as marcas se comunicam, ampliaram vozes e democratizaram narrativas. Um bom social media é capaz de gerar engajamento, criar comunidade e dar ritmo à presença digital. O desafio surge quando likes passam a ser confundidos com relevância e seguidores com legitimidade.

Visibilidade não é sinônimo de reconhecimento. Uma marca pode viralizar hoje e desaparecer amanhã; pode ter milhares de seguidores e nenhuma autoridade real quando chega o momento decisivo, como uma crise, uma rodada de investimento, uma expansão, uma venda ou uma disputa por atenção qualificada.

É nesse contexto que a assessoria de imprensa reafirma seu papel estratégico e insubstituível. Mais do que gerar visibilidade, trata-se de construir reconhecimento e reputação. Diferentemente de ações baseadas em atalhos, tendências passageiras ou fórmulas prontas, o trabalho da assessoria se sustenta em narrativa, consistência e validação externa. Quando uma marca é citada por um veículo relevante, não é a própria empresa que se promove, mas um terceiro, com credibilidade consolidada, que endossa sua autoridade. Esse tipo de chancela amplia a confiança, fortalece o posicionamento e gera impacto real na percepção do mercado.

Enquanto as redes sociais dialogam majoritariamente com públicos já engajados, uma narrativa construida por uma empresa especializada amplia o território da marca, inserindo-a em espaços onde ela ainda não está presente. É por meio do relacionamento com a mídia que empresários e executivos passam a integrar o debate público, participam de pautas que formam opinião e ocupam arenas que constroem reputação e legado. Trata-se de um trabalho menos ruidoso, porém mais profundo, consistente e duradouro.

Marcas fortes não se constroem apenas de estética ou pelo volume de alcance, mas de substância. Elas não se sustentam apenas por métricas de visibilidade, e sim pela confiança, construída ao longo do tempo com coerência, credibilidade e presença estratégica em ambientes que realmente importam. Nesse contexto, empresas orientadas ao longo prazo priorizam a relevância institucional como base para, então, potencializar engajamento e performance.

Isso não significa que social media e assessoria de imprensa disputam espaço. Pelo contrário: quando bem integrados, se potencializam. Uma constrói autoridade e a outra amplia e distribui a narrativa. Um fortalece o outro. Mas a base precisa ser sólida, porque sem credibilidade, o alcance vira ruído.

Nos últimos anos, a comunicação se tornou mais veloz, mais exposta e, paradoxalmente, mais frágil. A tecnologia encurtou distâncias, mas também reduziu o tempo de reação. Hoje, uma informação mal contextualizada pode se espalhar em segundos, ganhar versões, gerar julgamentos e afetar imagens públicas antes mesmo que os fatos estejam claros. Nesse cenário, a assessoria assume um papel ainda mais estratégico: o de organizar narrativas em meio ao ruído, proteger marcas quando elas são impactadas negativamente e sustentar discursos com responsabilidade, apuração e consistência editorial.

Qual a lição que fica? A de que o futuro da comunicação não será definido por quem fala mais rápido, mas por quem consegue construir relações de confiança em ambientes cada vez mais imediatos. Porque, no fim, tecnologias mudam, plataformas surgem e desaparecem, mas a solidez de uma marca continua sendo o ativo mais valioso de qualquer negócio.

*Samara Perez Valadão de Freitas é jornalista com mais de 20 anos de atuação em Comunicação Corporativa. Integra o programa global 10,000 Women, iniciativa do Goldman Sachs em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Fundadora e CEO da Markable Comunicação, lidera há 14 anos projetos estratégicos de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para empresas de diversos segmentos

Oportunidade para atuar em assessoria de imprensa

A Pilares RP está com uma oportunidade em Assessoria de Imprensa

– Formato Híbrido
– ⁠Atuação com grandes marcas
– ⁠início imediato
– ⁠trilha de carreira
– ⁠acesso a cursos para capacitação e desenvolvimento
– ⁠Sede em SJC na WeWork

Quem tiver interesse, cadastre-se no banco de talentos da agência