Tendências de design e impressão para 2026

Por Thiago Leon Marti*

Em um cenário cada vez mais digital e acelerado, falar sobre tendências de design e impressão para 2026 é, antes de mais nada, falar sobre contraste. Se por um lado vivemos cercados por telas, interfaces minimalistas e estímulos constantes, por outro cresce o desejo por experiências mais sensoriais, expressivas e memoráveis. É nesse ponto de tensão que o design gráfico e a impressão ganham protagonismo, deixando de ser apenas suportes visuais para se tornarem ferramentas estratégicas de conexão entre marcas e pessoas.

Depois de anos marcados por estéticas neutras e funcionais, a expectativa para 2026 é o retorno do impacto visual. O maximalismo aparece como uma resposta direta ao excesso de padronização: cores vibrantes, contrastes intensos, composições ousadas e uma linguagem visual que não tem medo de chamar atenção. Essa tendência dialoga com o uso crescente de cores biofílicas, inspiradas na natureza, que ajudam a transmitir sensações de bem-estar, proximidade e autenticidade, além de tipografia deixando de ser apenas elementos de leitura para se tornarem protagonistas da composição, com fontes experimentais, escalas exageradas e layouts que flertam com o artístico.

No universo da impressão, essas tendências visuais se materializam de forma ainda mais potente por meio da valorização do toque. Em 2026, acabamentos e texturas deixam de ser detalhes para se tornarem parte essencial da experiência. Laminação soft touch, verniz localizado, relevos, hot stamping e papéis especiais ampliam a percepção de valor dos materiais impressos e criam um vínculo sensorial que o digital, sozinho, não consegue oferecer. Em um contexto de excesso de estímulos virtuais, o impresso bem executado se destaca justamente por ser físico, presente e durável.

Essa busca por experiências mais significativas também está diretamente conectada à sustentabilidade. O uso de substratos reciclados, papéis certificados e processos produtivos mais eficientes já não é apenas um diferencial competitivo, mas um critério de escolha para muitas marcas. Mais do que um discurso, a sustentabilidade passa a influenciar a própria estética dos projetos, com texturas naturais, acabamentos mais orgânicos e uma valorização do material em sua forma original. O resultado é uma comunicação que expressa responsabilidade ambiental de forma visual e tangível.

A tecnologia, por sua vez, deixa de ser vista como oposta ao design e à impressão e passa a atuar como aliada da criatividade. Por isso, ferramentas de inteligência artificial já apoiam designers na criação de layouts, na combinação de cores e na experimentação de diferentes abordagens visuais, acelerando processos e ampliando possibilidades. Na impressão, esse avanço se traduz em soluções de personalização em escala, como a impressão sob demanda e o uso de dados variáveis, que permitem adaptar mensagens, layouts e formatos de acordo com o público, o contexto ou o momento da campanha.

Além disso, a integração entre impresso e digital se fortalece por meio de experiências híbridas, como QR Codes inteligentes e recursos de realidade aumentada, que conectam o material físico a conteúdos interativos. Essa convergência amplia o papel da impressão dentro das estratégias de comunicação e marketing, tornando-a parte ativa da jornada do consumidor.

Vale concluir que o que se observa para 2026 é que design e impressão deixam de cumprir apenas uma função estética para ocupar um lugar estratégico na construção de marcas relevantes. A combinação entre impacto visual, sensorialidade, tecnologia e sustentabilidade aponta para um futuro em que o impresso não apenas acompanha as tendências, mas se reinventa como um meio poderoso de expressão, diferenciação e experiência.

* Thiago Leon Marti, é Head de Branding, Design e Comunicação na Printi. É formado em Produção Gráfica e Design Gráfico, com Pós Graduação em Design Gráfico pela Faculdade de Belas Artes da Hungria e também em Design Estratégico e Inovação pelo IED-Brasil. O executivo conta com trajetória multidisciplinar nas áreas de design e experiência no universo do terceiro setor e impacto social, e tem passagens pelo Instituto Máquina do Bem e eduK.