Como estimular o consumo de um público exausto?

Por Rodrigo Cerveira*

Vamos ser diretos: a gente se afogou. A indústria do consumo nos serviu um banquete de tendências tão indigesto que agora estamos de ressaca. É uma ressaca coletiva de “novidades” que nascem e morrem mais rápido que a bateria do seu celular. Os dados não mentem: as microtendências, que antes definiam eras, agora duram em média apenas de três a cinco meses antes de desaparecerem completamente da relevância mainstream.

O Pinterest cantou a pedra: o futuro é um grande e confortável sofá. E sua marca, onde entra nisso?

Entra em tudo. Enquanto o gestor de marketing arranca os cabelos para descobrir a “próxima grande coisa”, o target está exausto. As tendências, que antes eram um farol, hoje piscam 4,4 vezes mais rápido. É uma rave epiléptica de modismos que ninguém aguenta. O impacto dessa aceleração é brutal: 70% dos consumidores cancelaram a assinatura de e-mails ou comunicações de pelo menos três marcas nos últimos três meses devido ao volume excessivo de mensagens.

O resultado: 55% dos consumidores globais não querem mais saber de revolução; eles querem um refúgio, priorizando o conforto como uma necessidade diária fundamental. Querem a segurança daquela série que já viram oito vezes. Um comportamento de rewatch adotado por 92% dos consumidores no último mês, buscando previsibilidade e estabilidade emocional em um mundo superestimulado.

A busca incessante pelo hype virou opressão. O consumidor moderno, acuado por um futuro que ele mal consegue enxergar e sofrendo de exaustão digital, como relatam 73% dos jovens da Geração Z, desenvolveu um superpoder: a “curadoria intencional”.

Hoje, 42% deles só abrem a porta para o que realmente faz sentido com quem eles são. O resto? É ruído. É sua campanha caríssima sendo sumariamente ignorada. O movimento de-influencing (desinfluência) é a prova cabal disso: 78% dos consumidores da Geração Z afirmam ter sido influenciados a não comprar algo após assistirem a conteúdos que criticam o consumo excessivo.

Então, pare e pense. Sua missão, agora, é muito mais terrena e, acredite, muito mais lucrativa: seja o cobertor. Seja o abraço. Seja a alegria no meio do caos. Em vez de perguntar “o que é novo?”, comece a perguntar “o que traz conforto?”

Em vez de gritar “seja diferente!”, sussurre “está tudo bem ser você mesmo”. A nostalgia é uma ferramenta poderosa nesse arsenal: 75% dos consumidores têm maior probabilidade de comprar quando os anúncios evocam memórias afetivas, pois o storytelling sentimental impulsiona decisões reais.

O futuro do branding não está na novidade a qualquer preço, mas em resgatar o que é humano e real. A confiança substituiu a novidade como o principal motor de conversão, igualando-se ao preço e à qualidade como fator decisivo de compra.

No fim do dia, depois de mais uma avalanche de “obrigações” estéticas, tudo o que as pessoas querem é um lugar seguro para descansar. Se esse lugar evidenciar alguma marca é sinal de que o marketing entendeu tudo.

*Rodrigo Cerveira é sócio e CMO da Vórtx e co-fundador do Strategy Studio. Com 30 anos de experiência em estratégia, liderança e desenvolvimento de negócios globais e locais, é especializado em construção de marca e estratégia criativa. É formado em Publicidade e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero, com Extensão em Gestão pelo INSEAD (Instituto Europeu de Administração de Negócios).

Nada substitui o conhecimento

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Em um cenário marcado por mudanças rápidas, novas tecnologias e tendências que surgem e desaparecem em questão de dias, essa frase ganha ainda mais força. No universo da comunicação e do marketing, onde a atualização constante é praticamente uma exigência, o conhecimento se mantém como o principal ativo de qualquer profissional.

A educação formal desempenha um papel essencial nesse processo. É nela que se constroem as bases teóricas, o pensamento estruturado e a capacidade de análise crítica. Mais do que transmitir conteúdos, a formação acadêmica ensina a aprender, a questionar e a organizar ideias — competências indispensáveis para quem deseja atuar de forma estratégica em um mercado cada vez mais complexo.

Então, meu caro, não caia de modo algum naquela conversa falsa, mentirosa e vazia de que não vale a pena cursar o ensino superior.

No entanto, limitar o aprendizado ao ambiente formal é insuficiente. A dinâmica da comunicação contemporânea exige um olhar atento e curioso para o mundo. Novas linguagens, plataformas e comportamentos de consumo surgem continuamente, e acompanhar essas transformações é parte do ofício. Nesse sentido, o aprendizado contínuo deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.

Ser um bom profissional de comunicação e marketing vai muito além de dominar ferramentas ou seguir tendências. Envolve interpretar contextos, compreender pessoas, identificar oportunidades e criar conexões relevantes. E tudo isso está diretamente ligado ao repertório que se constrói ao longo do tempo — um repertório alimentado por estudo, observação e experiência.

A ideia de aprender ao longo da vida, portanto, não é apenas um conceito inspirador, mas uma prática essencial. Ler, pesquisar, trocar experiências e se manter aberto a novas perspectivas são atitudes que ampliam horizontes e fortalecem a atuação profissional. Em um mercado que valoriza inovação, a capacidade de aprender continuamente se torna um dos maiores diferenciais competitivos.

Neste Dia da Educação, a reflexão que se impõe é simples, mas poderosa: o conhecimento é a base de tudo. Talento pode abrir portas, e a prática pode aperfeiçoar habilidades, mas é o conhecimento que sustenta trajetórias sólidas e consistentes. Investir em educação, em todas as suas formas, é investir no próprio futuro.

Porque, no fim das contas, em meio a tantas mudanças e incertezas, há uma certeza que permanece: nada substitui o conhecimento.

Maria Fumaça realiza evento em Pinda

A agência Maria Fumaça realiza um evento exclusivo para profissionais de RH

Com uma série de convidados o evento vai discutir tendências e estratégias em gestão de pessoas.

Tendências de design e impressão para 2026

Por Thiago Leon Marti*

Em um cenário cada vez mais digital e acelerado, falar sobre tendências de design e impressão para 2026 é, antes de mais nada, falar sobre contraste. Se por um lado vivemos cercados por telas, interfaces minimalistas e estímulos constantes, por outro cresce o desejo por experiências mais sensoriais, expressivas e memoráveis. É nesse ponto de tensão que o design gráfico e a impressão ganham protagonismo, deixando de ser apenas suportes visuais para se tornarem ferramentas estratégicas de conexão entre marcas e pessoas.

Depois de anos marcados por estéticas neutras e funcionais, a expectativa para 2026 é o retorno do impacto visual. O maximalismo aparece como uma resposta direta ao excesso de padronização: cores vibrantes, contrastes intensos, composições ousadas e uma linguagem visual que não tem medo de chamar atenção. Essa tendência dialoga com o uso crescente de cores biofílicas, inspiradas na natureza, que ajudam a transmitir sensações de bem-estar, proximidade e autenticidade, além de tipografia deixando de ser apenas elementos de leitura para se tornarem protagonistas da composição, com fontes experimentais, escalas exageradas e layouts que flertam com o artístico.

No universo da impressão, essas tendências visuais se materializam de forma ainda mais potente por meio da valorização do toque. Em 2026, acabamentos e texturas deixam de ser detalhes para se tornarem parte essencial da experiência. Laminação soft touch, verniz localizado, relevos, hot stamping e papéis especiais ampliam a percepção de valor dos materiais impressos e criam um vínculo sensorial que o digital, sozinho, não consegue oferecer. Em um contexto de excesso de estímulos virtuais, o impresso bem executado se destaca justamente por ser físico, presente e durável.

Essa busca por experiências mais significativas também está diretamente conectada à sustentabilidade. O uso de substratos reciclados, papéis certificados e processos produtivos mais eficientes já não é apenas um diferencial competitivo, mas um critério de escolha para muitas marcas. Mais do que um discurso, a sustentabilidade passa a influenciar a própria estética dos projetos, com texturas naturais, acabamentos mais orgânicos e uma valorização do material em sua forma original. O resultado é uma comunicação que expressa responsabilidade ambiental de forma visual e tangível.

A tecnologia, por sua vez, deixa de ser vista como oposta ao design e à impressão e passa a atuar como aliada da criatividade. Por isso, ferramentas de inteligência artificial já apoiam designers na criação de layouts, na combinação de cores e na experimentação de diferentes abordagens visuais, acelerando processos e ampliando possibilidades. Na impressão, esse avanço se traduz em soluções de personalização em escala, como a impressão sob demanda e o uso de dados variáveis, que permitem adaptar mensagens, layouts e formatos de acordo com o público, o contexto ou o momento da campanha.

Além disso, a integração entre impresso e digital se fortalece por meio de experiências híbridas, como QR Codes inteligentes e recursos de realidade aumentada, que conectam o material físico a conteúdos interativos. Essa convergência amplia o papel da impressão dentro das estratégias de comunicação e marketing, tornando-a parte ativa da jornada do consumidor.

Vale concluir que o que se observa para 2026 é que design e impressão deixam de cumprir apenas uma função estética para ocupar um lugar estratégico na construção de marcas relevantes. A combinação entre impacto visual, sensorialidade, tecnologia e sustentabilidade aponta para um futuro em que o impresso não apenas acompanha as tendências, mas se reinventa como um meio poderoso de expressão, diferenciação e experiência.

* Thiago Leon Marti, é Head de Branding, Design e Comunicação na Printi. É formado em Produção Gráfica e Design Gráfico, com Pós Graduação em Design Gráfico pela Faculdade de Belas Artes da Hungria e também em Design Estratégico e Inovação pelo IED-Brasil. O executivo conta com trajetória multidisciplinar nas áreas de design e experiência no universo do terceiro setor e impacto social, e tem passagens pelo Instituto Máquina do Bem e eduK.