Celebrar o Dia do Cinema Brasileiro é reconhecer uma das mais importantes expressões da cultura nacional. Muito mais do que entretenimento, o cinema é uma poderosa ferramenta de construção de identidade, memória e representação. Por meio das telas, o Brasil conta suas histórias, apresenta seus personagens, revela suas contradições e compartilha com o mundo a riqueza de sua diversidade cultural.
Ao longo de sua trajetória, o cinema brasileiro ajudou a registrar transformações sociais, comportamentais e econômicas que marcaram diferentes épocas. Cada filme, documentário ou produção audiovisual se torna um retrato de seu tempo, preservando narrativas que ajudam a compreender quem somos e como chegamos até aqui. Em um país de dimensões continentais, o cinema também cumpre o papel de aproximar diferentes realidades e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Sua relevância, entretanto, vai muito além do campo cultural. O audiovisual é um dos motores da Economia Criativa, gerando empregos, movimentando cadeias produtivas e estimulando setores como turismo, tecnologia, educação, design, música e comunicação. Cada produção mobiliza centenas de profissionais e empresas, criando oportunidades que impactam diretamente a economia do país.
Nesse contexto, a relação entre cinema e propaganda é histórica e estratégica. Ambos compartilham a capacidade de emocionar, persuadir e construir significados. Técnicas de narrativa, direção de arte, fotografia, trilha sonora e roteiro, amplamente desenvolvidas pela linguagem cinematográfica, influenciam diariamente a criação publicitária e ajudam marcas a estabelecer conexões mais profundas com seus públicos.
Não por acaso, muitas das campanhas mais memoráveis da propaganda brasileira carregam elementos típicos do cinema: personagens marcantes, jornadas emocionantes, conflitos bem construídos e histórias capazes de permanecer na memória coletiva. O cinema ensinou à publicidade que vender uma ideia muitas vezes é mais eficaz do que vender apenas um produto.
Ao mesmo tempo, a indústria publicitária também contribui para fortalecer o audiovisual nacional. Investimentos em produção, patrocínios, branded content e ações de incentivo cultural ajudam a impulsionar projetos, revelar talentos e ampliar o alcance de obras brasileiras. Trata-se de uma relação de troca que beneficia tanto o mercado quanto a sociedade.
Em uma era marcada pela abundância de conteúdos e pela disputa constante pela atenção das pessoas, a capacidade de contar boas histórias tornou-se um diferencial competitivo. E poucas linguagens dominam essa arte tão bem quanto o cinema. Seu legado inspira criadores, comunicadores, empreendedores e marcas que buscam relevância em um cenário cada vez mais complexo e conectado.
Neste Dia do Cinema Brasileiro, celebramos não apenas uma indústria, mas um patrimônio cultural que alimenta sonhos, movimenta a economia, inspira a publicidade e fortalece a criatividade nacional. Afinal, quando o cinema brasileiro cresce, cresce também a capacidade do país de contar sua própria história — e de transformá-la em valor, identidade e futuro.
Embora o senso comum sugira que a publicidade tradicional perdeu seu fôlego, os dados de 2026 indicam uma grande transformação ao invés de um fim definitivo. De acordo com o mais recente Relatório Global de Tendências de Consumo da Kantar, marcas que integram estratégias de branding emocional e economia criativa apresentam um crescimento de receita de 32%. Isso acontece porque o consumidor contemporâneo não busca apenas produtos, mas conexões genuínas: cerca de 74% dos jovens das gerações Z e Alpha afirmam que o propósito de uma marca e a originalidade do conteúdo são fatores decisivos em suas jornadas de compra.
Diante desse cenário, é possível concluir que o crescimento sustentável no mercado atual não depende mais da repetição de anúncios, mas da capacidade de transformar valores em experiências culturais significativas. Dessa forma, a metamorfose trazida pela tecnologia e novas formas de criar e inovar, impulsionou a estratégia híbrida de conteúdos. O que ocorreu foi uma mudança de paradigma: o foco saiu apenas da “interrupção” (anúncios massivos) para a “conexão” e relevância na cultura digital.
Quando se fala de mídias, o rádio e a televisão ainda conseguem alcançar audiências de massa e construir confiança, mas agora funcionam melhor em conjunto com o digital. Portanto, utilizando ambas as ferramentas, os gastos com publicidade não diminuíram; eles apenas se dividiram. A publicidade tradicional continua a crescer, indicando sua relevância contínua. Campanhas de TV, por exemplo, agora frequentemente incluem QR codes, direcionando o público para o ambiente digital.
Enquanto o marketing tradicional está focado em vender produtos no curto prazo, o branding e a economia criativa constroem reputação, valor e comunidades duradouras. Contudo, para isso é preciso construir uma narrativa por meio do branding, que gere a imagem da marca, fazendo com que valores e comunicação sejam consistentes, o que aumenta a confiança e a fidelização. Essa estratégia precisa estar alinhada com o propósito da marca. Isso porque não vendem apenas produtos; elas criam significados e personalidades que se conectam com os consumidores.
Além disso, outra vertente da publicidade criativa é utilizar a cultura como negócios por meio de patrocínio de festivais, exposições de arte e apoiar iniciativas culturais, gerando valor simbólico e autenticidade. Por sua vez, as redes sociais também passaram a ser aliadas: o poder passou dos canais para os criadores de conteúdo. Dessa forma, as marcas que colaboram com criadores engajam melhor do que aquelas que apenas interrompem com anúncios. Assim, com o auxílio da tecnologia, quando bem usada, a economia criativa permite que marcas se comportem como “pessoas reais” e relevantes, interativas e focadas na cultura digital.
Em suma, para o futuro próximo, marcas fortes serão aquelas que integrarem IA para criatividade exponencial, relevância no momento do consumidor (contexto) e autenticidade para construir confiança. Assim, o branding deixa de ser uma moldura estética para se tornar a “alma” do negócio, sendo o pilar essencial para garantir que a marca permaneça humanizada em um ecossistema cada vez mais algorítmico. Nesse novo paradigma, o sucesso não será medido apenas pelo market share, mas pela força do seu fandom, uma comunidade de defensores que não consome apenas produtos, mas compartilha e sustenta a identidade cultural da marca no tempo.
*Thiago Leon Marti, é Head de Branding, Design e Comunicação na Printi. É formado em Produção Gráfica e Design Gráfico, com Pós-Graduação em Design Gráfico pela Faculdade de Belas Artes da Hungria e também em Design Estratégico e Inovação pelo IED-Brasil. O executivo conta com trajetória multidisciplinar nas áreas de design e experiência no universo do terceiro setor e impacto social, e tem passagens pelo Instituto Máquina do Bem e eduK.
O ProConecta Summit 2026 vai reunir especialistas para debater as principais tendências em marketing, audiovisual, comunicação, tecnologia, economia criativa, empreendedorismo, inovação e muito mais; um dia inteiro de imersão em conhecimento, networking e conexões estratégicas
São José dos Campos recebe, no próximo dia 10 de junho, a terceira edição do ProConecta Summit — evento voltado à inovação, comunicação e economia criativa. Realizado no PIT – Parque de Inovação Tecnológica, das 7h30 às 18h30, o encontro terá como tema central “Futuro criativo agora: inovação, território e experiência”. Inscrições antecipadas.
Promovido pela Proimagem Eventos, o ProConecta Summit chega à sua terceira edição com a proposta de ampliar conhecimentos, proporcionar experiências imersivas e estimular conexões estratégicas entre profissionais, empreendedores, estudantes e especialistas de diferentes áreas. Ao todo, serão mais de 20 speakers renomados, entre palestrantes e mediadores dos cenários regional e nacional.
A programação contará com painéis, talks e workshops práticos voltados às principais tendências do mercado, como inovação, tecnologia, marketing, comunicação, audiovisual, streaming, design, experiências, economia criativa, empreendedorismo, turismo e inteligência artificial. As novidades podem ser acompanhadas pelo insta @proconectasummit.
Segundo a diretora executiva da Proimagem Eventos, Renata Sant’Anna, o objetivo do encontro é fortalecer a economia criativa, disseminar conteúdo relevante com especialistas altamente qualificados e valorizar o ecossistema regional. “Será um dia inteiro para respirar comunicação, criatividade e cultura em um ambiente pensado para gerar conexões reais, ideias aplicáveis e oportunidades concretas”, destaca.
Criatividade e inovação –De acordo com Renata Sant’Anna, o ProConecta retorna ao PIT com a expectativa de repetir o sucesso das edições anteriores, oferecendo um ambiente criativo, inovador e alinhado aos principais insights do SXSW (South by Southwest), tradicional festival internacional de música, cinema, tecnologia e cultura interativa realizado anualmente em Austin, no Texas (EUA).
O conteúdo será dividido em quatro trilhas principais: Experiência, Comunicação, Audiovisual e Negócios Criativos. Os participantes poderão circular livremente entre as trilhas ao longo do dia. Haverá emissão de certificados.
Speakers confirmados – Confira alguns dos speakers que farão parte do 3º ProConecta Summit:
Bruno Martignago — Designer na Dell, com atuação em inteligência artificial e experiência digital;
Elaine Masciarelli — Especialista em turismo cultural e território;
Flávio Gurgel do Amaral (Mutato/WPP) — Diretor de Estratégia da Mutato;
Liliane Ferrari — Referência nacional em marketing digital;
Marcelo Teixeira — Ex-Head Designer da Embraer;
Mariane Cara — Estrategista cultural e doutora em Semiótica;
Marília Pasculli — Curadora de arte digital do SESI/SP;
Patricia Sant’Anna — Fundadora da Tendere, doutora em História da Arte e especialista em economia criativa;
Renata Sant’Anna — Fundadora da Proimagem Eventos, com mais de 20 anos de experiência em projetos para marcas como PIT, DCTA, Embraer, Boeing e Ambev.
Saiba como participar– As inscrições e compra de ingressos para o 3º ProConecta Summit podem ser feitas antecipadamente pela plataforma Sympla. As vagas são limitadas.
O evento é realizado pela Proimagem Eventos, com apoio do Grupo Proimagem, PIT São José dos Campos, Tendere, Assecre, Sincomercio e Record Vale.
Serviço 3º ProConecta Summit
Data: 10 de junho
Horário: das 7h30 às 18h30
Local: PIT – Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos
Estrada Doutor Altino Bondensan, 500 – Eugênio de Melo – São José dos Campos/SP
Informações: (12) 99193-2764 (whats) ou @proconectasummit
Inscrições e ingressos: Sympla
Relatório ‘Percepção da IA na Cultura e Economia Criativa’, da consultoria brasileira Deck, registrou a visão de mais 1,5 mil profissionais sobre possíveis impactos da IA.
Profissões ligadas aos diferentes setores da ‘Indústria Criativa’ no Brasil, que movimentou mais de R$ 393 bilhões no ano de 2023 e corresponde à 3,5% do PIB nacional, segundo a Firjan, já sentem os impactos do avanço da inteligência artificial. Para contribuir com o debate sobre a IA e criatividade, a consultoria brasileira Deck – Inteligência Digital para a Cultura acaba de divulgar os resultados da pesquisa inédita ‘Percepção da IA na Cultura e Economia Criativa’.
O estudo reuniu 1,5 mil profissionais da cultura e da economia criativa, atuantes em 16 áreas diferentes, como música, cinema, artes visuais, artes cênicas, design, publicidade e gestão cultural. Os dados foram coletados entre junho e setembro de 2025, de forma voluntária entre os participantes do curso de ‘Inteligência Artificial aplicada à Cultura’, promovido pela Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação Artística, Técnica e Cultura (Escult), do Ministério da Cultura (MINC), em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O curso foi concebido e ministrado pela gestora cultural Beth Ponte, autora da pesquisa e consultora da Deck.
Trazendo pela primeira vez a opinião de profissionais jovens e sêniores da indústria criativa, a pesquisa aborda o uso, percepções e expectativas de profissionais da área, diante da expansão da IA generativa. A iniciativa replicou algumas das perguntas da ‘Ipsos Monitor AI’ (2025), levantamento internacional de referência com 32 países, incluindo o Brasil – permitindo uma comparação entre os resultados com foco no setor criativo.
Entre os destaques, o levantamento da Deck mostra que 93,5% dos entrevistados consideram “provável” que a IA altere a forma como seu trabalho é realizado, pelos próximos cinco anos. No comparativo com a Ipsos, esse percentual chega a 61%, comprovando que os profissionais da cultura e da economia criativa, enquanto grupo, possuem uma expectativa de transformação mais intensa e generalizada sobre o impacto da IA em sua profissão, do que a população em geral.
Essas mudanças já começam a ser percebidas nas rotinas criativas. Para Beth Ponte, é essencial olhar para os impactos da IA em setores baseados na criatividade e reconhecer a diversidade desses setores. “Ao incluir 16 diferentes setores criativos, a pesquisa evita generalizações e reconhece que a incorporação da inteligência artificial no setor cultural não pode ser pensada de forma homogênea. As realidades são diversas, assim como os impactos e os ritmos de adoção. Por isso, qualquer estratégia precisa considerar as especificidades da área (cinema, ensino, artes, editorial, museu e patrimônio, gestão cultural), faixa etária dos indivíduos, vínculos profissionais, escolaridade, gênero, cor e raça; equilibrando inovação, formação profissional e responsabilidade ética”, conta Beth.
Beth Ponte – Foto: Divulgação – Florian Boccia
Prova disso é que, apesar do uso crescente das ferramentas de IA generativa, ainda há um descompasso significativo entre adoção e compreensão do digital. Segundo a pesquisa, 62% dos ‘profissionais da cultura e da economia criativa’ afirmam não saber identificar quais produtos e serviços utilizam inteligência artificial no seu dia a dia – um percentual similar, mas superior a 56% da população nacional, segundo a Ipsos.
A familiaridade com a tecnologia também diminui, de maneira consistente, com o avanço da idade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 52% afirmam saber identificar produtos e serviços que utilizam inteligência artificial, enquanto a partir dos 45 anos predominam respostas de “desconhecimento” ou incerteza, que somam cerca de dois terços dos entrevistados.
Ao mesmo tempo, o estudo revela tensões e preocupações. Pelo menos 35,5% dos entrevistados consideram provável que seus empregos sejam substituídos por sistemas de IA nos próximos cinco anos. No entanto, essa percepção é mais acentuada nos setores de Cinema, Rádio e TV (44,9%) e Música (44,3%), que demonstram maior apreensão devido à digitalização e automação de conteúdo.
Ainda assim, o sentimento predominante é de otimismo: 66,2% dos participantes acreditam que a IA tem potencial para melhorar o mercado de trabalho criativo no médio prazo – resultado similar aos 65% do levantamento da Ipsos. Apesar da dualidade do assunto, a consultora da Deck e revisora da pesquisa, Letícia Fernandes, reforça que existe um interesse do setor em participar de mais capacitações e cursos sobre IA. A pesquisa também apresenta caminhos para o desenvolvimento e formação profissional em IA aplicada à cultura.
“Em um contexto de grandes transformações tecnológicas, é essencial pensar em ações de capacitação para setores e profissionais afetados. Essa é inclusive uma das principais recomendações da UNESCO na publicação ‘Recomendações sobre a ética da Inteligência Artificial’. Por isso, a pesquisa também aponta que esse é o momento de priorizar estratégias como o ‘reskilling’ (requalificação profissional) e o ‘upskilling’ (aprimoramento de competências)”, explica Letícia.
Leticia Fernandes – Foto: Divulgação – Luke Garcia
Entre as principais demandas citadas pelos entrevistados estão formações voltadas à automação de tarefas e processos de trabalho (65%); à elaboração e gestão de projetos culturais com uso de IA (64,8%); e à aplicação prática de ferramentas em áreas específicas, como música, audiovisual e design (64,4%). Questões relacionadas a direitos autorais, propriedade intelectual e regulação das IA’s também aparecem como prioridade para 57% dos profissionais.
Em meio ao ‘Ano da Criatividade no Brasil’ (2026), instituído pela World Creativity Organization, os resultados do estudo contribuem para o debate sobre uso e adoção da IA entre empresas e profissionais da cultura e economia criativa.
Confira os top insights da pesquisa de ‘Percepção da IA na Cultura e Economia Criativa’ abaixo:
93,5% consideram ‘provável’ ou ‘muito provável’ que a inteligência artificial altere a forma como seu trabalho é realizado nos próximos cinco anos;
35,5% consideram provável a substituição de seus empregos por IA nos próximos cinco anos, com maior percepção de risco nos setores de Cinema, Rádio e TV (44,9%) e Música (44,3%);
62,3% dos respondentes utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa com frequência;
66,2% acreditam que a IA tem potencial para melhorar o mercado de trabalho criativo nos próximos anos;
A pesquisa contou com respostas de 1555 profissionais de 16 setores da cultura e da economia criativa. Áreas de atuação mais representadas: Gestão e/ou produção cultural (31%), Cinema, rádio e TV (11%), Ensino e/ou pesquisa (10,3%), Artes visuais e fotografia (9%), Música (8%) e Artes Cênicas (7,6%);
Vínculos profissionais: 55,5% trabalham de forma autônoma em diferentes formatos (MEI, freelancer, empresa própria) e 25,4% possuem vínculo empregatício fixo (CLT ou serviço público);
Perfil dos respondentes:A amostra da pesquisa é composta majoritariamente por adultos entre 35 e 54 anos (55,5%), com participação significativa de jovens e jovens adultos entre 18 e 34 anos (26,3%). Em termos de escolaridade, 84,5% dos respondentes possuem graduação completa ou pós-graduação. Quanto à composição de gênero, 55,1% se identificam como mulheres, 41,4% como homens, 1,7% como não bináries, e 2,5% com outras identificações. Em relação à cor/raça, 47,6% se declararam brancos, 48,5% negros (sendo 33,3% pardos e 15,2% pretos), 1,2% indígenas e 1,1% amarelos;