Coluna Branding: a alma da marca

Grandes depressões transformaram a arte

É fato que a criatividade é estimulada na dificuldade, que as limitações fazem o profissional criativo transgredir e com essa rebeldia surge a inovação.
Períodos de grande instabilidade na humanidade deram origem a grandes movimentos artísticos, e se hoje vivemos esta instabilidade social temos grande possibilidade de estar presenciando o surgimento de novas formas de expressão.

Como professor de design gráfico tenho obrigação de estar atento aos movimentos artísticos que influenciam nossos jovens e tenho que confessar que uma influência apresentada por um de meus alunos me incomodou o suficiente a ponto de chamar a minha atenção.

O vaporwave não me tocaria visualmente se não o visse em sua amplitude pelos olhos de meus alunos.

Ao olhar apenas um de seus frutos, seja na música, no design ou no vídeo, acharia feio desconecto, amador e sem sentido. Mas é exatamente esta a proposta da ideia. Me parece que o vaporwave é a porta da juventude fechada aos adultos, um espaço privado aos novos, por onde a nossa sociedade não pode passar, nem estar, é o verdadeiro chillout dos novos.

Se chamamos de movimentos os conceitos artísticos, é por algum motivo. Mover-se de um lado a outro é o caminho natural das coisas. Buscamos o equilíbrio quando há desequilíbrio, mas coisas equilibradas demais cessam seu movimento, sendo preciso recomeçar.

A contemporaneidade tentava dizer que havia um espaço onde tudo é possível estar em harmonia, mas os novos movimentos como o vaporwave e o glitch nos contam outra coisa.

São mausoléus da tecnologia, retalhos das religiosidades, críticas a esse conhecimento dito humano, desse progresso advindo das luzes de neon azuis e vermelhas. É a face do nosso fim de ciclo social, a imagem de um músico que toca após a rendição de sua nação, a sensação de paz no pós-guerra. Dessa forma é como se os nossos jovens já estivessem vivendo a pós-queda da nossa sociedade tida contemporânea.

Por isso que não é fácil de entender, principalmente para àqueles que ainda trabalham na construção desta sociedade. É preciso se sentir tão fora disso, tão desconectado dos valores desse nosso tempo, que ele então não exista e o que será visto é um loop de uma música dos anos 80, repetindo a exaustão, enquanto tudo a sua volta está fragmentado.

Não vejo estes estilos como genial, mas isso não significa que não seja real. 13 reason why, fez sucesso porque apresentou aos pais aquilo que eles não conseguiam ver, e ainda não vêem. Essa sociedade que trabalhamos tanto para deixar para os nossos filhos, não conversa com eles e na visão dos meninos e meninas que amamos não passa de um amontoado de tecnologia velha sem uso e triste.

Acredito que Nicola Tesla explica melhor esta situação ao dizer que “a ciência é, portanto, uma perversão de si mesma, a menos que tenha como fim último, melhorar a humanidade”, o que não parece ser nossa verdade, mas sim uma grande mentira sendo contada e recontada há muitos anos.

Vaporwave faz alusão a um conceito de Marx “vaporware”: um produto que é só anunciado e nunca realmente lançado ao público, instigando a competitividade entre as empresas e o interesse do consumidor.

A onda de vapor que construímos é nosso pensamento capitalista que se esvai em sí mesmo, e se a arte é capaz de prever já entendeu que em algum momento isso não se sustentará.

Se queremos deixar um futuro aos nossos filhos, diferente daquilo que eles estão prevendo, teremos que mostrar a eles algo mais belo do que fazemos hoje. Caso contrário, teremos que nos acostumar com estas vinhetas estranhas da MTV e as referencias que não nos dão grandes esperanças, pois, talvez nosso destino se pareça realmente bastante com um produto que é criado apenas para ser uma jogada de marketing.

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Coluna Propaganda&Arte

“Ah, eu tô maluco” com os anos 90 e você precisa ficar “antenado” nisso

É natural, a cada duas décadas a moda, os estilos musicais e a propaganda precisam relembrar alguns elementos do passado e, pelo jeito, chegou a vez dos anos 90.

O estilo despojado com muito jeans (saia, blusa e macacão), calças altas, camisas grandes e largas, cores chamativas e adereços como gargantilhas, estão de volta na moda. As playlists dos anos 90 estão em alta, os filmes da época estão ganhando remakes ou gerando conteúdos, e até alguns brinquedos estão ganhando novas roupagens. Isso tudo ainda é só o começo de um grande movimento de resgate aos anos 90 que deve aumentar ainda mais nos próximos três anos.
Como comunicólogos, precisamos ouvir de tudo: moda, música, filmes, literatura, comportamento etc. Ficar “antenados”, para não “queimar o filme” e nem “pagar sapo” na hora de criar uma propaganda “animal”.

Além dessas gírias que até hoje estão em alta, vemos um fenômeno interessante na internet, como o vaporwave, estilo que nasceu 100% on-line em 2010 e traz elementos de música e vídeo criados a partir de comerciais televisivos, videogames e computadores, que juntos lembram muito “sons de elevadores”. Alguns dizem que ao usar comerciais clássicos dos anos 90, o movimento visa criticar o capitalismo e o consumo, porém, o que vemos é uma mistura de referências na tentativa de criar algo novo e divertido, valendo inclusive adicionar elementos da cultura japonesa, afinal tudo é meio non-sense hoje em dia.

Para que você comece a estudar todos esses movimentos e inspire o seu próximo job, criei uma playlist especial. Dê o play e aproveite essa década que para mim “é o bicho”!

 

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