Quando Tudo Ficou Igual, a Propaganda Fez Diferente

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Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Da Revolução Industrial à era das marcas, a diferenciação virou o motor da comunicação

A propaganda cresceu junto com um problema clássico do mercado: a falta de diferença visível entre produtos. Antes da Revolução Industrial, a produção era artesanal, em pequena escala e com forte identidade do produtor. Mas, com a mecanização e a produção em massa, bens passaram a ser fabricados de forma padronizada, em grande quantidade e com características muito semelhantes entre si. Segundo o historiador econômico Eric Hobsbawm, a industrialização ampliou drasticamente a oferta de mercadorias, mudando a lógica do consumo e da competição. Foi nesse cenário que a propaganda deixou de ser apenas informativa e passou a assumir um papel estratégico: criar distinções onde o produto físico já não conseguia mais se diferenciar sozinho.

Quando várias marcas oferecem sabão, refrigerante ou roupas com funções parecidas, o campo da disputa se desloca do objeto para o significado. De acordo com Philip Kotler, um dos principais teóricos do marketing, a diferenciação pode ocorrer por meio da marca, da imagem, do posicionamento e da experiência percebida pelo consumidor. A propaganda se torna, então, o principal instrumento para construir essas camadas simbólicas — status, estilo de vida, confiança, inovação, tradição. O produto atende a uma necessidade funcional; a comunicação atende a necessidades emocionais e sociais.

Esse movimento não apenas ajudou empresas a vender mais — ele impulsionou o próprio desenvolvimento da propaganda como atividade profissional. À medida que os mercados ficaram mais competitivos, aumentou a demanda por especialistas capazes de pesquisar públicos, entender comportamentos e traduzir estratégias em mensagens persuasivas. Segundo o pesquisador Stuart Ewen, o crescimento da cultura de consumo no século XX está diretamente ligado ao avanço das técnicas publicitárias, que passaram a moldar desejos e padrões de vida, e não apenas a divulgar ofertas.

Mais que vender produtos, a propaganda passou a vender significados

A diferenciação construída pela propaganda também ajudou a organizar o mercado. Marcas fortes funcionam como atalhos mentais, reduzindo a incerteza na hora da escolha. Conforme aponta David Aaker, referência em branding, o valor de marca (brand equity) influencia a percepção de qualidade, a lealdade e a disposição a pagar mais. Ou seja: ao diferenciar, a propaganda cria valor econômico real. Não se trata apenas de “embelezar” produtos, mas de estruturar como eles são percebidos e comparados.

Hoje, mesmo em um cenário digital, hiperconectado e com consumidores mais críticos, a lógica continua a mesma — só ficou mais complexa. Plataformas mudaram, formatos evoluíram, mas a função central permanece: destacar, posicionar e dar sentido. Desde a produção padronizada das fábricas do século XIX até os algoritmos do século XXI, a propaganda cresce sempre que o mercado se enche de opções parecidas. Onde há excesso de oferta, nasce a necessidade de diferença. E onde há necessidade de diferença, a propaganda encontra seu espaço.

Coluna Propaganda&Arte

Entendendo culturas (além dos esteriótipos)

A Etnografia visa o estudo das diversas etnias, suas culturas e toda bagagem de informação produzida por um povo. Isso pode ser ideias, imagens, músicas, roupas, tradições, línguas etc.

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Nessa hora, encontramos o cenário digital onde as distâncias desaparecem e surge uma nova forma de relacionarmos mundialmente. Mesmo assim, ainda parece que nos comportamos como tribos, seguindo aqueles com mais afinidade comigo.

Agora, será que estamos compreendendo este cenário ao criar uma propaganda ou uma comunicação mais direcionada?

Não precisa ser um anúncio para divulgação internacional, onde você precisa tomar cuidado com a língua estrangeira, dominar não só a ortografia, mas a cultura das gírias, por exemplo. Estou falando das tradições da sua região, do seu bairro ou de uma classe social específica que você quer impactar.

A Netnografia surge para entender como estes grupos se formam, coletar dados para serem usados pelo marketing e gerar uma compreensão maior do que acontece por aí nesse mundão da internet.

São grupos e mais grupos, comunidades e mais comunidades, que se formam a todo instante, buscando algo em comum: se relacionar.

Sua marca está consciente disso?

Com quais grupos ela conversa? Ela cria grupos? Ela pode se beneficiar dessas comunidades?

Todas as perguntas precisam ser respondidas, ou então estamos falando e falando por nada. Gastando o dinheiro da publicidade para falar com um povo que já não reconhece seu idioma.

Quando percebemos #Sextou vira #SEXtoU

Tomando como um exemplo bem básico da hashtag que até hoje faz sucesso e tem uso amplo no Brasil, o #Sextou nunca falou tão forte com um público que precisa trabalhar durante a semana, estudar, matar um leão por dia e na sexta-feira vê um momento de alívio, resumido em uma tag: SEXTOU. Ou seja, a sexta começou. O problema é que em inglês pode ter uma conotação negativa e pornográfica, algo como: sexo para você.

O tipo de ruído que citei aqui parece simples, mas para grandes marcas poderiam gerar algum buzz negativo se não fosse amplamente utilizada pelos brasileiros, que praticamente resignificaram o termo, suprimindo os usos estrangeiros.

Conhecer os perfis, costumes e culturas, muito além dos estereótipos como: todo rapaz quer aproveitar o fim de semana, ou toda mulher que ter um tempo para sua beleza, são apenas alguns passos para encontrar novos mundos de significados, adentrando nesse universo do público que você quer conversar. Quem sabe nessa hora, você encontre um rapaz ligado em beleza e uma mulher que só quer aproveitar o fim de semana e converse com mais eficiência com seu público. Quem sabe no fim, todo mundo use junto, com a conotação mais positiva possível, a hashtag #SEXTOU