Entre traços e estratégias: como a arte constrói o olhar publicitário

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Arte. Esta data é celebrada em 15 de abril com o objetivo de destacar a importância da arte na sociedade, reforçando seu papel na criatividade, nas expressões culturais e até mesmo no desenvolvimento humano.

A data foi instituída pela UNESCO, como forma de reconhecimento da arte como uma forte maneira de comunicação universal e que é capaz de aproximar pessoas, culturas e gerações.

A arte sempre guardou uma forte relação com a publicidade e propaganda.

E essa relação entre arte e propaganda não é recente, na verdade, ela nasce muito antes de o termo “publicidade” sequer existir. Desde os afrescos da Roma Antiga, que já anunciavam eventos e feitos políticos, até os cartazes ilustrados do século XIX, a arte sempre foi uma ferramenta de comunicação persuasiva. Movimentos como o Art Nouveau e, posteriormente, o Modernismo, não apenas influenciaram a estética das peças publicitárias, mas ajudaram a consolidar a ideia de que comunicar também é, essencialmente, criar.

Com o avanço da industrialização e o surgimento da cultura de consumo, a propaganda encontrou na arte um aliado indispensável. Ilustradores, pintores e designers passaram a ocupar um papel central na construção de marcas e campanhas. Não por acaso, nomes consagrados das artes visuais dialogaram diretamente com a publicidade, borrando as fronteiras entre o comercial e o artístico. O que antes era apenas informativo passou a ser também simbólico, emocional e esteticamente marcante.

Ao longo do século XX, essa relação se intensificou. A ascensão da Pop Art, por exemplo, trouxe uma nova perspectiva ao transformar elementos da cultura de massa em linguagem artística — e vice-versa. De repente, embalagens, anúncios e celebridades tornaram-se matéria-prima para a arte, enquanto a publicidade absorvia, com rapidez, essa estética vibrante, repetitiva e altamente reconhecível. Era a confirmação de que arte e propaganda não apenas coexistem, mas se retroalimentam.

No cenário contemporâneo, essa conexão se expande ainda mais com o digital. Motion design, direção de arte para redes sociais, experiências imersivas e narrativas visuais complexas são apenas algumas das formas em que a arte se manifesta no cotidiano publicitário. Em um ambiente saturado de informações, não basta comunicar. É preciso encantar, surpreender e gerar identificação. E isso exige repertório.

É justamente nesse ponto que a arte se torna indispensável na formação do profissional de propaganda. Conhecer movimentos artísticos, referências visuais, estilos e linguagens amplia a capacidade criativa e fortalece o pensamento estratégico. Quem consome arte desenvolve um olhar mais apurado, mais sensível às nuances e mais preparado para criar soluções originais em um mercado que valoriza, cada vez mais, a autenticidade.

Mais do que inspiração, a arte oferece repertório. E repertório, na publicidade, não é luxo. É ferramenta de trabalho. Ele permite estabelecer conexões inusitadas, fugir do óbvio e construir narrativas mais ricas e consistentes. Um bom repertório artístico não apenas melhora a estética de uma campanha, mas potencializa sua capacidade de gerar significado.

Celebrar o Dia Mundial da Arte, portanto, é também reconhecer sua relevância dentro da indústria criativa. Para quem vive de ideias, mergulhar no universo artístico não é apenas um exercício cultural — é um investimento direto na qualidade do que se entrega. Porque, no fim das contas, toda grande campanha começa com um olhar que aprendeu, em algum momento, a enxergar o mundo como arte.

Quando tudo ficou igual, a Propaganda fez diferente

Imagem gerada pelo ChatGPT Image

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Da Revolução Industrial à era das marcas, a diferenciação virou o motor da comunicação

A propaganda cresceu junto com um problema clássico do mercado: a falta de diferença visível entre produtos. Antes da Revolução Industrial, a produção era artesanal, em pequena escala e com forte identidade do produtor. Mas, com a mecanização e a produção em massa, bens passaram a ser fabricados de forma padronizada, em grande quantidade e com características muito semelhantes entre si. Segundo o historiador econômico Eric Hobsbawm, a industrialização ampliou drasticamente a oferta de mercadorias, mudando a lógica do consumo e da competição. Foi nesse cenário que a propaganda deixou de ser apenas informativa e passou a assumir um papel estratégico: criar distinções onde o produto físico já não conseguia mais se diferenciar sozinho.

Quando várias marcas oferecem sabão, refrigerante ou roupas com funções parecidas, o campo da disputa se desloca do objeto para o significado. De acordo com Philip Kotler, um dos principais teóricos do marketing, a diferenciação pode ocorrer por meio da marca, da imagem, do posicionamento e da experiência percebida pelo consumidor. A propaganda se torna, então, o principal instrumento para construir essas camadas simbólicas — status, estilo de vida, confiança, inovação, tradição. O produto atende a uma necessidade funcional; a comunicação atende a necessidades emocionais e sociais.

Esse movimento não apenas ajudou empresas a vender mais — ele impulsionou o próprio desenvolvimento da propaganda como atividade profissional. À medida que os mercados ficaram mais competitivos, aumentou a demanda por especialistas capazes de pesquisar públicos, entender comportamentos e traduzir estratégias em mensagens persuasivas. Segundo o pesquisador Stuart Ewen, o crescimento da cultura de consumo no século XX está diretamente ligado ao avanço das técnicas publicitárias, que passaram a moldar desejos e padrões de vida, e não apenas a divulgar ofertas.

Mais que vender produtos, a propaganda passou a vender significados

A diferenciação construída pela propaganda também ajudou a organizar o mercado. Marcas fortes funcionam como atalhos mentais, reduzindo a incerteza na hora da escolha. Conforme aponta David Aaker, referência em branding, o valor de marca (brand equity) influencia a percepção de qualidade, a lealdade e a disposição a pagar mais. Ou seja: ao diferenciar, a propaganda cria valor econômico real. Não se trata apenas de “embelezar” produtos, mas de estruturar como eles são percebidos e comparados.

Hoje, mesmo em um cenário digital, hiperconectado e com consumidores mais críticos, a lógica continua a mesma — só ficou mais complexa. Plataformas mudaram, formatos evoluíram, mas a função central permanece: destacar, posicionar e dar sentido. Desde a produção padronizada das fábricas do século XIX até os algoritmos do século XXI, a propaganda cresce sempre que o mercado se enche de opções parecidas. Onde há excesso de oferta, nasce a necessidade de diferença. E onde há necessidade de diferença, a propaganda encontra seu espaço.