Coluna {De dentro pra fora…}

Por que a cultura é tão importante?

Vitor coluna

 

Quando você vai viajar para um lugar muito diferente, uma das primeiras preocupações é entender a cultura desse destino. Afinal, você não quer chegar lá e falar um absurdo, ter uma atitude ofensiva, desrespeitar a crença de um povo. E esse entendimento não serve para julgar o que está certo ou errado. É um aprofundamento. É entender como as pessoas pensam, o porquê e com quais motivações.

Vou exemplificar: se você vai para a Argentina e não quer confusão, é bom saber que futebol não é um assunto muito agradável entre brasileiros e argentinos. Não importa qual é a melhor seleção. Se você está lá e não quer ser indelicado, é preciso respeitar a visão e a cultura local. (Esse exemplo não causaria tantos problemas, ok. Mas ajuda a explicar o que é entender uma cultura sem julgá-la).

Assim como nós temos uma bagagem cultural, as empresas também têm. Portanto, quando vamos traçar um plano de comunicação, estabelecer canais de comunicação interna, propor ações, desenhar mensagens-chave, definir brand persona, etc. é fundamental conhecer a cultura dessa empresa. Isso é fácil? Não!

Compreender uma cultura requer um processo de imersão cuidadoso. Pense no Brasil. Tente definir a cultura brasileira. É muito plural! Na empresa acontece a mesmíssima coisa: são inúmeros públicos, em locais bem distintos, com atividades bem particulares. É quase impossível identificar uma única cultura.

Por isso, o processo de imersão precisa de tanto cuidado. É necessário considerar que a cultura de uma empresa também estará fragmentada conforme as características de seus públicos e atividades. Para refletir: como fazer uma comunicação interna que seja coerente com toda essa fragmentação e ainda sim tenha o discurso da empresa, reforçando sua cultura? Quando a gente percebe toda a complexidade envolvida na comunicação interna de uma empresa, fica claro que é impossível “sair fazendo” sem antes conhecer os detalhes.

No meu simples ponto de vista, este é um dos fatores que desvalorizam a comunicação interna: os comunicadores fazem muito, mas conhecem pouco. Antes de dar qualquer passo, é preciso ter certeza que existe um chão ali. E é preciso saber se é um chão de asfalto, de areia, de lama para, então, você saber qual sapato deve usar.

Em resumo: antes de qualquer decisão, conheça muito bem a cultura que a comunicação precisa respeitar e reforçar. Pesquise, faça imersões, visite as diferentes operações. Sem isso, sua comunicação interna corre o risco de ser só mais um cartazinho bonitinho, mas que não colabora para os objetivos da empresa.

Coluna {De dentro pra fora}

Qual história sua marca conta?

Vitor coluna

Está aí uma coisa que une homens e mulheres, crianças e adultos, matemáticos e filósofos. Uma boa história. Quem não gosta?

Isso não é segredo para ninguém. Um dos reflexos é a onda de storytelling em campanhas e embalagens que circulam por aí. O mais curioso é identificar marcas que transformaram a técnica em um processo de comunicação. Opa, como assim? O story deixou de ser uma técnica para se transformar numa plataforma de comunicação. É ele quem comanda a narrativa da marca. Ou seja, todas as ações e produtos de comunicação contam a mesma história. E a narrativa da marca fica cada vez mais forte.

Um exemplo bem superficial, mas que ajuda a entender isso é o Trivago. Em um comercial o casal se esbarra no elevador; no outro, eles vão viajar juntos. Existe uma narrativa da marca que não acaba apenas naquele comercial. (Transmedia entra aqui? Sim, entra. Mas estamos falando de algo ainda maior. Não é um momento, é o jeito da marca se expressar).

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Até aqui, tudo lindo. Agora eu afirmo: se a marca conta uma história externamente, essa mesma história precisa ser contada internamente. Certo? E alinhar a Comunicação Interna ao discurso externo da marca é um grande desafio. Afinal, o teor das informações internas é bem específico e diferente. Ainda assim, a marca é a mesma. A narrativa precisa ser coerente, fazer sentido. Antes de tudo, ela precisa ser crível, claro! Até porque nada se esconde do empregado. Ele faz parte dessa história. Logo, ele não pode ter uma percepção da comunicação fora e outra totalmente diferente dentro. Dá mais trabalho? Sem dúvidas. Você precisa contornar todas as barreiras (verbas, clientes internos, estrutura de Comunicação Interna, insegurança) e inventar um jeito de transmitir as mensagens-chave dentro da mesma narrativa. Não existem regras, tudo depende da história que sua marca conta. Aqui, outro ponto curioso aparece: cada vez mais, Comunicação Interna e Marketing precisam estar alinhados. Não tem como uma marca contar uma história que não faça sentido dentro de sua cultura, para seu público interno, para sua realidade. Se antes CI precisava se alinhar ao Marketing, arrisco dizer que hoje o Marketing também precisa se alinhar à CI. Afinal, a gente sabe que se conhece bem melhor uma “pessoa” quando se convive com ela.

Pense:

  • Sua marca tem uma narrativa?
  • A Comunicação Interna segue essa narrativa?
  • A narrativa é coerente para a realidade da empresa?
  • Existe um alinhamento que permite usar essa narrativa para todos os públicos?

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O futuro da liderança: um assunto que precisamos repensar

Vitor coluna

A liderança, sem dúvida, é um dos públicos mais valorizados pela CI. Por quê? Porque ela é uma aliada na hora de transmitir as mensagens-chave da empresa, porque a equipe reconhece e ouve seus direcionamentos, porque as pessoas se identificam e acreditam nesse discurso. Porque a liderança tem a facilidade de fazer uma comunicação face a face, mais próxima. Certo?

Até o momento, certo.

Porém, ao conferir o último Trust Barometer – um estudo global da Edelman, que mede o nível de confiança das sociedades no Governo, Empresas, ONGs e Mídias -, eu repensei esse poder da liderança. Hoje parece muito fácil: preparamos o líder, direcionamos as mensagens, a comunicação presencial funciona. E amanhã?

O Trust Barometer revelou que a credibilidade no CEO chega a 63% enquanto a credibilidade em “pessoas comuns” (como você, um colega de trabalho) chega a 84%. Esses são os resultados do Brasil, que tem um índice de credibilidade bem acima da média mundial.

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Em quem confiar?

Se o discurso do colega tem mais credibilidade que o líder da empresa, até quando a liderança vai funcionar como um pilar no processo comunicacional? Também não sei responder, mas vale a reflexão. Uma das possíveis respostas é que, cada vez mais, o líder precisará se aproximar da sua equipe. Logo, as empresas deverão preparar melhor a liderança para atuar como gestora de talentos. Pessoas que saibam lidar com pessoas.

Uma outra alternativa é identificar os formadores de opinião e investir em treinamentos para que eles sejam pontos focais de comunicação. Delírio demais? Talvez. A comunicação presencial ainda é a que mais nos garante que o empregado realmente teve contato com a mensagem. Portanto, precisamos pensar no futuro dela o tempo todo. Sem ela, perdemos uma grande força de comunicação.

Como faremos para que a comunicação oficial da empresa tenha mais credibilidade do que o discurso do colega de trabalho? Ou melhor, como vamos alinhar o discurso do empregado ao discurso da empresa? São muitas perguntas. E os desafios são maiores ainda. Mas tudo bem. A gente gosta de desafios. Infelizmente, este texto não traz respostas, apenas perguntas. Se alguém tiver uma luz, pode me iluminar, por favor.

Ficou curioso? Confira o Trust Barometer: http://www.edelman.com.br/propriedades/trust-barometer/
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www.edelman.com.br