O discurso do sucesso

Quais os segredos da comunicação de líderes e influenciadores?
Linguista Laila Vanetti enumera características comuns, de discurso e postura, a líderes empresariais e os chamados influencers, jovens que arrastam milhões de seguidores na internet; lista tem 11 aspectos


Laila Vanetti – Linguista, empresária a mentora em escrita persuasiva, liderança e argumentação

O que há em comum entre um bem-sucedido executivo da indústria automotiva e uma adolescente de 15 anos que fala sobre relacionamentos afetivos em canal de vídeos no YouTube? Atitude e comunicação adequadas. Esta é a avaliação da linguista Laila Vanetti, especialista em retórica e mentora em escrita persuasiva, liderança e argumentação.

Ao longo dos últimos meses, a profissional mapeou características do discurso e da postura de líderes corporativos e influenciadores digitais a fim de identificar similaridades.

Segundo a linguista, tanto um quanto outro atingiram sucesso profissional e pessoal, entre outras razões, porque usam a comunicação como um instrumento eficaz de influência e persuasão, não apenas com o objetivo de se autopromoverem, mas também para gerar felicidade, empatia ou sentimentos congêneres em quem neles deposita confiança.
Com pleno controle das emoções – e, por consequência, das situações -, líderes e influenciadores digitais baseiam seus discursos e postura em 11 elementos-chave, de acordo com Laila Vanetti. São eles:

1. Valorização e convicção das próprias idéias;
2. Planejamento das idéias que darão origem à opinião a ser proferida;
3. Antecipação de falas (em encontros presenciais);
4. Interação com a audiência por meio de perguntas;
5. Livre expressão do pensamento;
6. Aceitação às críticas;
7. Criação, ampliação e manutenção de vasta rede de relacionamentos, físicos e virtuais;
8. Foco nos seus próprios interesses;
9. Persistência;
10. Atitudes positivas; e
11. Participação em debates e discussões (como forma de validação do posicionamento de líder e/ou influencer).

“Uma pessoa que saiba trabalhar com esse repertório”, comenta Laila, “tem tudo para alcançar o sucesso, independentemente de qual seja sua profissão ou trabalho. Essas são características típicas de quem sabe dosar comunicação e atitude em benefício da própria carreira. E embora universais, tais características no Brasil estão em solo fértil e chegam a suprir lacunas de formação e de conteúdo.”

Quem é Laila Vanetti?
A carioca Laila Vanetti é mestre em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Radicada em Campinas (SP), é, também, criadora de dois métodos originais de persuasão e influência por meio da Comunicação: o “Método dos 3 SIMs”, técnica de persuasão voltada às relações comerciais, baseada no conceito de soft power e desenvolvida a partir de três pilares: como fazer o cliente se aproximar; como fazer o cliente ouvir e entender; e como fazer o cliente concordar, sem objeções; e o método “Influenciosfera”, sobre como influenciar positivamente as pessoas por meio do texto e de técnicas adequadas de redação empresarial.

Em 2001, fundou a Scritta Cursos e Consultoria, empresa líder na realização de cursos (presenciais, in company e online), palestras, treinamentos, workshops e consultoria em comunicação empresarial, redação empresarial e linguagem oral e escrita para empresas e profissionais. Desde então, Laila e Scritta já atenderam cerca de 150 companhias e 8 mil pessoas.

 

Coluna {De dentro pra fora}

Uma pausa para as pessoas

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Entre tanta correria, a gente acaba se esquecendo de coisas simples. Um exemplo? Comunicação é feita para pessoas. Não adianta nada você desgastar as relações para fazer aquela campanha linda ou para não perder o prazo. Se está desgastando uma relação, já começou errado.

E isso pode ser a relação cliente-agência, a relação redator-diretor, a relação atendimento-criação ou qualquer outra relação. Vivemos correndo e acabamos esquecendo que somos pessoas trabalhando por/para pessoas. E pessoas erram. E erros não precisam ser o fim do mundo. Ok, não dá pra repetir falhas nem ter erros amadores. Mas todos estamos sujeitos a errar.

O que tudo isso tem a ver com comunicação interna? A gente, de comunicação, fica muito na tecla de que precisamos emitir uma mensagem. Porém, esquecemos de que mensagem é uma coisa e discurso é outra. Mensagem é o que a gente tenta formular
bonitinho. Discurso é como nossos públicos criam sentido para o que estamos “dizendo”.

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E aí entram vários fatores para a construção desse sentido. Eu arrisco dizer que o mais forte deles é o contexto (sócio-histórico). Ou seja, a gente se esforça tanto para fazer uma comunicação que seja próxima, atrativa, que converse com nossos empregados/funcionários, mas todo o resto diz muito mais que as peças de comunicação: o comportamento da empresa com os empregados, o comportamento dos
líderes, os processos, a relação das pessoas. Tudo impacta diretamente no discurso.

Já falei antes e repito, se o que acontece é diferente do que a gente tenta dizer, não existe credibilidade. Então, antes de “humanizar” a comunicação, vamos realmente humanizar as empresas, as relações e jamais esquecer que o objetivo de tudo é alcançar as pessoas. As pessoas não são o fim, elas são o começo.