Antes do feed, havia a frequência. Rádio e a escola invisível da propaganda

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

No dia 13 de fevereiro celebramos o Dia Mundial do Rádio, um dos meios de comunicação mais resilientes da história. Em um mundo dominado por telas, plataformas e métricas em tempo real, o rádio segue relevante, próximo e incrivelmente eficiente. Mais do que um veículo, ele é uma verdadeira escola para a propaganda — uma escola invisível, mas profundamente formadora.

Foi no rádio que a publicidade aprendeu a construir imagens sem mostrar nada. Ali, a criatividade deixou de depender do visual e passou a depender da força do texto, da interpretação e da trilha sonora. Um bom roteiro radiofônico não descreve apenas um produto: ele cria cenários, desperta emoções e ativa a imaginação do ouvinte. Em poucos segundos, uma marca pode transportar alguém para outro lugar — apenas com voz e som.

Muito antes dos algoritmos digitais, o rádio já entendia segmentação. Programas diferentes atraíam públicos distintos, criando oportunidades estratégicas para anunciantes. Antes dos influenciadores, os locutores já eram figuras de autoridade, emprestando credibilidade às marcas. E antes dos vídeos curtos, o storytelling em 30 segundos já era uma arte dominada pelos redatores publicitários.

A linguagem publicitária também ganhou ritmo nas ondas do rádio. O timing da locução, a repetição estratégica do slogan, o poder dos jingles e a construção de assinaturas sonoras nasceram — ou se consolidaram — nesse ambiente. Até hoje, muitos dos princípios que orientam roteiros para podcasts, anúncios em áudio digital e até vídeos para redes sociais têm raízes na lógica radiofônica.

Além disso, o rádio sempre foi um meio de proximidade. Ele acompanha o trânsito, o trabalho, a rotina doméstica. Está presente nos momentos cotidianos, criando uma relação íntima entre comunicador e ouvinte. Para as marcas, isso significa entrar na vida das pessoas de maneira orgânica e constante — algo que nenhuma tecnologia substituiu completamente.

Celebrar o Dia Mundial do Rádio é também reconhecer sua contribuição para a evolução da propaganda. Se hoje falamos em experiência, conexão e narrativa, é porque aprendemos, lá atrás, que uma boa história bem contada pode atravessar qualquer frequência. Enquanto houver alguém disposto a ouvir, haverá espaço para marcas que saibam conversar. E nisso, o rádio continua sendo mestre.