Influência que constrói marca, não apenas alcance

Por Nara Dutra*

A creator economy deixou de ser uma aposta experimental para se tornar um pilar estruturante das estratégias de marketing de marcas que desejam construir relevância cultural, conexão real com o consumidor e, claro, performance.

Durante muito tempo, o marketing de influência foi tratado como uma ação tática, quase acessória, restrita à entrega de posts pontuais e à busca por alcance rápido.

Nos últimos anos, no entanto, tenho observado que a influência deixou de ser apenas visibilidade e passou a ocupar um papel estratégico dentro do planejamento de marketing, com orçamento dedicado, metas claras e métricas de desempenho tão rigorosas quanto as de qualquer outro canal. Hoje, quando falamos em creator economy, falamos de construção de marca, engajamento consistente e impacto real no negócio.

Essa virada passa, principalmente, pela escolha de relações de longo prazo. Em vez de ações isoladas, o foco está em parcerias contínuas com influenciadores que tenham afinidade genuína com o DNA da marca e consigam traduzir essa experiência de forma autêntica para suas audiências. Influência, nesse contexto, é sobre compartilhar valores, repertório e visão de mundo.

Squad dinâmico, curadoria constante

Outro ponto fundamental dessa estratégia é entender que não existe um modelo único de influenciador ideal. O que funciona, na prática, é a combinação de diferentes perfis: creators de grande e médio alcance convivendo com micro influenciadores, que também apresentam ótimas taxas de engajamento por possuir uma relação mais próxima com suas comunidades. Cada um tem seu papel dentro do squad.

A curadoria precisa ser constante. Squads não são estruturas engessadas, eles evoluem conforme o momento da marca, o comportamento do consumidor e os objetivos da marca. Há influenciadores que iniciamos com ações pontuais e, a partir dessa experiência, passam a integrar uma relação mais duradoura. Outros seguem cumprindo um papel específico, dialogando com diferentes nichos.

Esse olhar diverso amplia a capacidade de conexão com diferentes públicos e evita a armadilha de apostar todas as fichas apenas em números absolutos de seguidores, e sim na criação de conteúdos relevantes.

Estrutura, liberdade criativa e performance

Para que esse modelo funcione, é essencial equilibrar estrutura e liberdade criativa. Contratos a longo prazo com as influenciadoras, comunicação constante e sintonia com o calendário comercial da marca são fundamentais. Ao mesmo tempo, o excesso de direcionamento criativo costuma comprometer aquilo que torna a influência poderosa: a autenticidade.

O papel da marca, nesse processo, é alinhar objetivos, compartilhar contextos inclusive com a rede de vendas ou de franqueados, quando existe — e permitir que cada creator se comunique da forma mais coerente com sua própria linguagem. Influenciadores não são veículos tradicionais; são pessoas com repertório, voz e identidade próprios.

A mensuração, por sua vez, precisa ir além do vanity metrics. Alcance e engajamento seguem relevantes, mas devem ser analisados em conjunto com dados de tráfego, conversão e impacto nas campanhas. Links tagueados, relatórios de performance e acompanhamento contínuo ajudam a entender o custo-benefício de cada parceria e a tomar decisões mais estratégicas ao longo do tempo.

Tenho a certeza de que hoje, mais do que seguir uma tendência, investir na creator economy é um amadurecimento da estratégia de marketing, é reconhecer que as pessoas confiam em pessoas. E que, em um mercado cada vez mais competitivo, marcas que constroem relações verdadeiras, consistentes e mensuráveis com influenciadores conseguem não apenas vender mais, mas se manter relevantes no longo prazo.

* Nara Dutra é head de marketing da Morana