Especialista da área jurídica vai abordar práticas legais necessárias em cada fase da operação, para reduzir riscos reputacionais e assegurar contratações alinhadas às exigências legais
O uso de marketing de influência no ecossistema da comunicação pública é o tema do próximo ABAP No Ar, o webinar da ABAP – Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário. Os debates sobre o assunto tratam não apenas de questões como as métricas, mas também de parâmetros claros de conformidade, transparência e segurança jurídica em todas as etapas da comunicação.
O webinar “ABAP no Ar – Influenciadores na Comunicação Pública: Regras e Boas Práticas de Conformidade” terá participação de Otavio Venturini, advogado, doutor em Direito pela FGV-SP e líder das áreas jurídica e de integridade da Nova S.A. Durante a apresentação, o profissional vai abordar as práticas legais necessárias em cada fase da operação, para reduzir riscos reputacionais e assegurar contratações alinhadas às exigências legais.
“A publicidade feita por influenciadores tem sido um recurso cada vez mais utilizado pela comunicação pública para ampliar o alcance e a efetividade de campanhas de interesse coletivo. Diante desse cenário, entendemos que é importante oferecer ao mercado um conteúdo que contribua para uma atuação mais segura e responsável. A curadoria ética e transparente de perfis, os processos de contratação pela Administração Pública e a segurança jurídica são alguns dos temas que serão abordados neste webinar”, afirma Mariana Panhoni, diretora-executiva da ABAP.
Aberto a agências associadas e não-associadas, “ABAP No Ar | Influenciadores Digitais na Comunicação Pública” acontece de forma online e ao vivo nesta quinta-feira, 11 de junho, a partir das 11h. A participação no webinar pode ser confirmada neste link.
Nos últimos anos, uma transformação silenciosa — e ao mesmo tempo poderosa — vem redesenhando o cenário da comunicação: a ascensão dos creators. Influenciadores, produtores de conteúdo, especialistas de nicho ou simplesmente pessoas com uma audiência fiel passaram a ocupar um espaço que antes era quase exclusivo das marcas e dos veículos tradicionais. Hoje, em muitos casos, não são apenas as empresas que falam com o público. São as pessoas.
Para as marcas, essa mudança trouxe uma oportunidade evidente: dialogar com o consumidor de forma mais próxima, humana e espontânea. Um creator não fala apenas sobre um produto. Ele o insere em uma narrativa pessoal, em uma rotina, em um estilo de vida. Isso gera identificação. E identificação, no universo da comunicação, costuma ser um atalho poderoso para a atenção e para a confiança.
Na era dos creators, a comunicação das marcas deixou de ser apenas mensagem e passou a ser relacionamento.
Mas essa relação também levanta algumas perguntas interessantes. Quando uma marca se apoia fortemente em creators para transmitir sua mensagem, ela está ampliando sua voz ou terceirizando sua própria identidade? Em outras palavras: quem está construindo a marca — a empresa ou o creator que a representa naquele momento?
Essa dúvida surgiu em minha mente pela primeira vez após acompanhar uma palestra sobre branding e identidade de marca.
Existe ainda uma questão delicada chamada autenticidade. O valor de um creator está justamente na percepção de que ele fala de forma genuína com sua audiência. Porém, quando a presença de marcas se torna excessiva ou artificial, essa relação de confiança pode se desgastar rapidamente. O público de hoje é cada vez mais sensível a conteúdos que parecem apenas publicidade disfarçada.
Por outro lado, quando bem construída, a parceria entre marcas e creators pode ser extremamente estratégica. Creators entendem profundamente sua comunidade, dominam a linguagem das plataformas e sabem como transformar comunicação em conversa. Marcas que compreendem isso deixam de tratar creators apenas como mídia e passam a enxergá-los como parceiros criativos.
Quando uma marca trabalha com creators, ela não está apenas comprando mídia. Está compartilhando narrativa.
Talvez o verdadeiro desafio esteja justamente nesse ponto de equilíbrio. Nem transformar creators em meros canais publicitários, nem esperar que eles carreguem sozinhos o peso da construção da marca. A relação mais inteligente parece ser aquela em que estratégia de marca e autenticidade do creator caminham juntas.
No fim das contas, a pergunta que fica para o mercado é simples — e provocativa: na era da economia dos creators, as marcas estão aprendendo a dialogar com essas novas vozes ou apenas tentando alugar sua audiência? A resposta, como quase tudo na comunicação, provavelmente depende de como cada marca escolhe construir essa relação.
Estudo analisou ativações realizadas entre 2023 e 2025 e revela que criadores de porte micro e médio concentram a maior parte das ações no Instagram, TikTok e YouTube
Influenciadores categorizados como “micro” (com base entre 10 mil e 50 mil seguidores), e influenciadores de porte “médio” (entre 100 mil e 500 mil seguidores), representam os dois grupos mais contratados para campanhas de influência, aponta levantamento realizado em fevereiro deste ano pela Influency.me – empresa especializada em marketing de influência, com mais de 9 milhões de criadores cadastrados em sua base. O estudo analisou ações no Instagram, TikTok e YouTube, as três principais plataformas utilizadas pelas marcas. A análise abrange campanhas entre 2023 e 2025, e identifica um padrão recorrente na distribuição de investimentos por faixa de seguidores.
Os dados mostram que a maior concentração de campanhas ocorre com influenciadores que possuem entre 10 mil e 50 mil seguidores, especialmente no Instagram. Já os criadores que têm entre 100 mil e 500 mil seguidores aparecem em seguida, mantendo participação expressiva nas três plataformas durante todo o período analisado.
Por outro lado, influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores representam uma parcela menor do volume total de campanhas, sinalizando que as marcas têm priorizado a diversificação do investimento em múltiplos perfis de micro e médio porte.
Para Rodrigo Azevedo, CEO da Influency.me, o cenário acompanha a evolução do setor. “Quando analisamos as faixas mais contratadas, existe uma lógica econômica clara por trás desse movimento. No caso dos microinfluenciadores, estamos falando de um universo muito maior de oferta. Em nossa base, são cerca de 730 mil perfis nessa faixa, o que naturalmente aumenta a concorrência e pressiona os valores para baixo, tornando essa categoria extremamente atrativa para marcas com orçamentos mais enxutos. Além disso, quando bem selecionados em acordo com os objetivos, esses criadores entregam ótimos negócios.”
Já a faixa de influenciadores de porte médio, entre 100 mil e 500 mil seguidores, reúne cerca de 150 mil profissionais, apontam dados da Influency.me. “Aqui, as marcas conseguem dar um salto relevante em alcance e percepção, dentro de um investimento ainda viável, especialmente para campanhas com maior orçamento. No fim do dia, é uma equação de oferta, demanda e eficiência financeira que explica por que essas duas faixas concentram a maior parte das contratações”, complementa o CEO.
Instagram lidera volume com microinfluenciadores
No Instagram, a faixa de 10 mil a 50 mil seguidores concentra o maior número de campanhas em todos os anos analisados. O grupo de 100 mil a 500 mil seguidores ocupa a segunda posição em volume de ações. Enquanto isso, os perfis com mais de 1 milhão de seguidores mantêm presença nas estratégias das marcas, mas com participação reduzida no total de ativações. Isso indica que a utilização desses criadores ocorre de forma mais pontual, em ações específicas.
TikTok combina micro e médio influenciadores
No TikTok, o levantamento aponta equilíbrio maior entre as faixas de “10 mil a 50 mil” e “100 mil a 500 mil” seguidores. A combinação sugere uma estratégia híbrida: creators com forte conexão com nichos específicos e perfis médios com maior potencial de viralização. Assim como observado no Instagram, a presença de influenciadores acima de 1 milhão também é limitada, reforçando o movimento de diversificação de investimento.
“Em vez de concentrar investimento em poucos grandes nomes, as empresas estão distribuindo verba em múltiplos perfis com audiência qualificada. Isso aumenta a capilaridade, melhora a mensuração e tende a gerar um retorno sobre investimento mais consistente”, acrescenta Azevedo, CEO da Influency.me
YouTube prioriza autoridade e profundidade
Já no YouTube, a maior concentração das campanhas está na faixa de 100 mil a 500 mil seguidores, com creators mais nichados, audiência fiel a temas específicos e alto impacto em decisões de compra. Embora o volume total de campanhas na plataforma seja inferior ao observado no Instagram e TikTok, o foco está em conteúdos mais aprofundados, com maior tempo de retenção e potencial de conversão qualificada.
Tendências para 2026
O avanço das campanhas com micro e médio influenciadores evidencia uma mudança estrutural no marketing de influência no Brasil, considera Azevedo, CEO da Influency.me. “Mais do que ampliar alcance, as marcas passam a priorizar relevância, afinidade com nichos específicos e capacidade de mensuração de resultados. A tendência indica que, em 2026, micro e médio influenciadores devem manter o protagonismo, consolidando um mercado cada vez mais orientado por dados e performance”, finaliza.
Dados da Influency.me mostram força dessa categoria que, só em Minas Gerais, soma 118 mil influenciadores
Levantamento da Influency.me, empresa especializada em marketing de influência e análise de dados do setor, mostra que 1.3 milhão de influenciadores no Brasil produzem conteúdo voltado ao segmento lifestyle, o equivalente a 57% do total de 2.1 milhões de criadores ativos no país.
No marketing de influência, o segmento lifestyle abrange criadores de conteúdo que retratam e influenciam hábitos, rotinas, valores e desafios do dia a dia. São criadores que compartilham seu estilo de vida e integram isso a temas como moda, beleza, bem-estar, viagens, gastronomia e comportamento.
Esse formato de conteúdo amplia o valor dos influenciadores para as estratégias das marcas ao favorecer relações mais próximas com a audiência. Para Rodrigo Azevedo, CEO da Influency.me, esse formato ganha ainda mais relevância em um ambiente marcado pelo aumento de conteúdos gerados por inteligência artificial. “Com tanta produção feita por IA, é como um respiro para a audiência acompanhar o dia a dia de quem se apresenta de forma genuína. O influenciador que estabelece uma rotina com o público, compartilha erros e acertos, consegue se conectar com quem está do outro lado e se identifica com essa rotina”, afirma.
Minas Gerais: regionalização como diferencial
O levantamento da Influency.me também mostra a força regional do mercado, com o estado de Minas Gerais concentrando cerca de 118 mil influenciadores em lifestyle.
O dado é especialmente relevante considerando a força de influenciadores locais, aponta pesquisa realizada pela Influency.me com a Opinion Box. Segundo o estudo, 73% dos brasileiros seguem perfis sobre sua região ou cultura local, e 58% dizem sentir falta de influenciadores ou criadores que abordem temas específicos das suas localidades.
Entre os produtores de conteúdo de Minas Gerais em lifestyle está a influenciadora Sarah Kanadani, de Belo Horizonte (MG). Com mais de 500 mil seguidores em uma de suas redes sociais, ela compartilha conteúdos sobre experiências pessoais, combinando autenticidade e humor ao retratar a rotina. A influenciadora também aborda temas relacionados ao seu relacionamento e viagens, o que contribui para uma conexão consistente com sua audiência e amplia o potencial de parcerias com marcas.
“Comecei a produzir conteúdo quando eu ainda morava em Brasília. Dividi com meu público o dia a dia da mudança, adaptação a Belo Horizonte e minhas experiências na cidade. Meu conteúdo é compartilhar o que tenho de melhor, e é isso que me incentiva. Mesmo com rotina intensa dividida entre o casamento, estudos e produção de conteúdo, sempre busco levar bom-humor e dicas para melhorar o dia a dia de todos”, conta a influenciadora Sarah Kanadani.
Influência digital como carreira
O avanço do nicho acompanha a profissionalização da influência digital como carreira. Em 2025, o mercado brasileiro incorporou cerca de 100 mil novos influenciadores. No total, são 2.1 milhões de profissionais nesse segmento, maior cifra já alcançada.
Esse movimento indica um ambiente mais competitivo, no qual planejamento, consistência e entrega de resultados se tornam diferenciais. O CEO da Influency.me complementa que a profissionalização da influência trouxe novos desafios para quem já está nesse mercado.
“Vivemos um momento de ‘hiper profissionalização’ da influência digital, em que conteúdos pouco estratégicos e destoantes da dinâmica do influenciador são vistos como de menor valor. Ao mesmo tempo, em meio a tantos conteúdos gerados por IA, pessoas reais se destacam. Erros, acertos, perrengues e superações chamam mais atenção do que pessoas ‘perfeitas’, que é o motivo de bons criadores de conteúdo se aproximarem melhor da audiência”, finaliza Azevedo.