*Por Samira Cardoso
O funil de marketing foi uma estratégia de sucesso incontestável, pois fez com que as marcas conseguissem entender o que era a jornada do consumidor e destrinchar as etapas detalhadamente, viabilizando assim a percepção de que existem pontos onde o usuário é mais influenciado e outros onde a publicidade passa despercebida. Se hoje falamos tanto em comunicação efetiva e personalizada, foi porque tivemos o funil como base.
Entretanto, com a evolução natural da sociedade, as pessoas mudam a forma de pensar e agir para se adaptar às mudanças contemporâneas. Por isso, surgiram diferentes formatos de relações trabalhistas e interpessoais, novos costumes, prioridades, necessidades e também novos problemas. Com a globalização digital, essas mudanças se espalham rapidamente e ditam novas tendências. A união desses aspectos criou um ecossistema complexo, cujo funil de vendas não acompanhou.
Isso porque o funil tradicional se baseia na premissa de que o consumidor segue uma sequência unidirecional de interesse, consideração e compra, mas a mídia plurificou os pontos de contato, tornando a jornada não linear. Nos dias atuais, devido a tecnologia, os clientes conseguem comparar concorrências com mais facilidade, passam meses criando um caminho de compras, desistem dos produtos, são impactados novamente pela publicidade em outros canais e, por fim, decidem finalizar a compra. Isso não é um funil, mas sim um ecossistema de micro momentos.
É nesse novo contexto que os negócios perdem performance. Para aqueles que insistem em mapear o percurso de compra dentro do funil clássico, enfrentam dois erros graves: ignorar os sinais cruciais de intenção real do consumidor e investir verba e conteúdo em canais que não tem mais presença significativa para o público-alvo. E a consequência disso são ideias desalinhadas, perda de leads e uma percepção de imagem diluída.
Portanto, diante deste cenário vale concluir que o funil morreu há dois anos, e agora as marcas precisam aprender a operar sem ele e considerar três pilares importantes: presença contínua, contexto e dados, pois só assim elas vão conseguir se destacar nesse cenário fragmentado e competitivo que estamos vivenciando nos dias de hoje e atingir de forma estratégica o novo perfil de consumidor, que não compra mais em uma linha reta e são influenciados a todo momento e em diferentes canais. Ou seja, as marcas devem ficar de olho nisso para não morrer junto.
*Samira Cardoso é Co-fundadora e CEO da Layer Up, agência de marketing, publicidade e comunicação que oferece estratégias personalizadas, operação eficiente, branding e performance, unindo criatividade, tecnologia e dados.
