Workshop de fotografia básica
O estúdio Diego Migoto oferece mais uma edição de seu Workshop de Fotografia Básica. Boa oportunidade para aprender a tirar mais de seu equipamento.
Aquele abraço
Josué Brazil
Sempre na primeira ou segunda aula de Mídia digo que não há uma área da propaganda que tenha evoluído, alcançado sofistificação, técnica e importância quanto a mídia.
É lógico que sempre trago todas as brasas para a minha sardinha (rs), mas há um enorme fundo de verdade nesta afirmação. O profissional de mídia passou por mudanças radicais nos últimos 20 ou 30 anos. Além de ter que passar a dominar novas técnicas e entender novas tecnologias, passou a ter (graças a Deus)um papel muito mais estratégico.
Ao longo do percurso houve dor, como sempre há quando passamos por mudanças. Mas houve também a delícia de vencer desafios e se firmar como um profissional importante e decisivo para o anunciante. Ao longo do caminho aproximou-se cada vez mais do planejamento e da criação, o que ajudou a quebrar a imagem de um profissional meramente “burocrático”.
A atuação do departamento saiu do final da linha de produção das campanhas e passou a integrar-se ao planejamento, desenvolvimento, implementação e pós campanha. Vieram os meios digitais e a multiplicação absurda dos pontos de contato com o consumidor. Ficou muito mais difícil fazer mídia. O consumidor ficou exigente, cético e aloca atenção somente em mensagens muito interessantes, úteis e pertinentes. Tudo isso, entretanto, só torna a coisa mais instigante, divertida e desafiadora.
Li há alguns anos num especial sobre os profissionais de mídia da Meio&Mensagem que o mídia seria o grande integrador das disciplinas e das plataformas de comunicação, promovendo um pensamento amplamente estratégico e capaz de gerar muita sinergia de comunicação para as marcas e produtos. Concordei na época e sigo concordando firmemente.
Leciono mídia há mais de 20 anos. Nunca foi fácil. Os alunos sempre torceram o nariz para essa área de atuação. Quando coloco as fórmulas e métricas em pauta… quase um desespero na sala. Mas consegui “salvar umas almas” que hoje atuam ou atuaram em mídia. Tive que aprender muito também para poder repassar da melhor maneira possível.Continuo tendo que aprender bastante.
Sabemos da “dor e delícia” de ser o que somos. Ganhamos mimos mais do que qualquer outro profissional da agência. Ganhamos jantares, almoços, cafés da manhã, festas, ingressos para shows e espetáculos. Mas também sofremos enorme pressão de veículos e anunciantes. Sofremos a pressão dos prazos, das falhas na programção, dos possíveis erros nos mapas… Enfim, dor e delícia, sempre!
Fica aqui um enorme abraço e desejo de muito sucesso a todos que atuam em mídia.
Contradição e evolução
Josué Brazil
Até o dia de ontem, pelos resultados trazidos desde a França pelos meios especializados, o Brasil acumulava um grande número de leões em Cannes, a mais importante premiação da propaganda mundial.Alguns dizem que o Brasil pode superar o número de premiações do ano passado. Essa notícia de um desempenho tão bom em Cannes causa uma certa estranheza, visto que tem sido frequente a crítica à qualidade criativa da propaganda brasileira. Eu mesmo em um artigo não muito antigo aqui critiquei o uso exagerado e pouco criativo de personalidades e famosos. O intervalo comercial da nossa TV parecia muito chato e repetitivo.

Pode até encaixar perfeitamente, mas não dá para confiar – Raposa e Gato
Agência: AlmapBBDO
Anunciante: Volkswagen
Diante disso, como explicar um desempenho tão bom em Cannes pelo segundo ano consecutivo? Uma das minhas teorias para tentar responder a essa questão apresentei em recente discussão num post do Facebook: o melhor da propaganda brasileira não está mais no break da TV aberta, mas sim em projetos e iniciativas de comunicação baseados em outras plataformas de comunicação.Um exemplo que pode corroborar um pouco disso que afirmo é que um dos nossos finalistas em Films – e foram só cinco – ser “Últimos Desejos” para a Kombi, criado pela AlmapBBDO para ser veiculado em internet e com interfaces em várias plataformas.
Veja abaixo o Grand Prix do Brasil em “Mobile” conquistado pela FCB com trabalho para seu cliente Nívea (“Anúncio Protetor”)
http://youtu.be/9HrRniRr1-M
Em anos anteriores o Brasil sequer entrava no shortlist das categorias mais atuais da comunicação, como “Branded content”, “Titanium”, “Integrated”, “Promo”, “Mobile” e etc. Isso mudou nos últimos dois anos e pode estar apontando para uma evolução da comunicação brasileira que, pelo menos em Cannes, volta a brigar praticamente de igual para igual com os países de primeiro mundo.
Permanece um sensação de contradição no ar, entretanto. Ao olharmos para a propaganda do dia a dia nos deparamos com uma série de comerciais e anúncios sem graça, comuns e sem nada de originalidade. Será que, com raras exceções – fomos muito bem em “Press” novamente – a propaganda criativa está se deslocando da mídia tradicional (de massa) para os novos meios e formatos? E será que isso coloca o Brasil de volta entre os grandes definitivamente?
Veja abaixo o Leão de ouro em “Cyber”, “Retratos da real beleza” da Ogilvy Brasil para Dove/Unilever
São questões difíceis de responder de bate pronto. Mas o que vemos em Cannes – e esse festival é sempre visto como um claro indicador de tendências e rumos do mercado – aponta para uma mudança de paradigma na publicidade brasileira. Senão total, mas já como boa parte do bolo. E isso me parece bastante salutar.
Contradições, incertezas e ameaças sempre puderam ser vistas como possibilidades de mudanças e evolução. Tomara seja isso que estejamos presenciando nos últimos dois anos. Sou otimista! Que venham mais leões da França!