Coluna “Discutindo a relação…”

Desunião, desinteresse , cada um por si ou tudo isso junto e mais algumas coisas?

Josué coluna correto

Esta semana foi marcada pelo comunicado de Armindo Ferreira, sócio da Cruz&Ferreira de que o evento Comunicavale não será realizado em 2015. Armindo também reformulou o Portal Comunicavale e o transformou em um blog. Uma clara redução da proposta anterior: ser um grande portal da comunicação regional.

Também esta semana um post no Facebbok (por parte de Adriano Oliveira) suscitou uma série de comentários sobre o mercado regional, sobre a desejada volta do CCVP e da ausência de um órgão associativo da propaganda no Vale do Paraíba. Falou-se do “fracasso” da APP Vale e da derrocada da Revista e do Prêmio Lettering.

Houve e há críticas ao momento atual do mercado publicitário regional marcado por uma sensação de desunião, de falta de iniciativas em prol do mercado e de desinteresse em buscar melhorias para todos.

Sou um dos que defende a APPVale forte e cumprindo seu papel de agregadora e fomentadora do mercado publicitário. Assim como defendi a APROVA desde a ideia, constituição e atuação. A APROVA, após um tempo de atuação, passou a ser muito criticada. Houve dificuldades, poucas filiações e a associação acabou findando. Defendo a criação de um Clube de Criação, defendo os encontros para bater papo e tomar cerveja, defendo eventos (palestras, seminários, cursos, painéis, treinamentos etc), defendo, enfim, qualquer iniciativa que busque valorizar, ampliar e qualificar o mercado de comunicação do Vale do Paraíba.

Confesso que não sei apontar os motivos, mas concordo que atualmente pouco ou nada se faz pelo mercado como um todo. Voltando ao Comunicavale. Estive na última edição e pude atestar a baixa participação de agências, profissionais e estudantes. E não pude deixar de me perguntar o que gera tão baixo interesse.Um milhão de coisas passaram pela minha cabeça, mas fica difícil, por exemplo, apontar cinco fatores determinantes.

Será que com a melhoria da economia e melhor estruturação das agências (muitas delas novas) a partir do início dos 2000 cada qual resolveu cuidar da sua própria vida, pois, afinal, tudo ia muito bem? Será que as novas gerações de empresários de propaganda e de profissionais têm uma certa prepotência e arrogância e se acham prontos, sem necessidade de aprimoramento e busca pelo trabalho comum em favor do mercado? Será que há absoluta descrença em associações e órgãos de classe e que tal tipo de organização passa uma ideia errada de “panela”,”clube de amigos” e gera desinteresse e desconfiança? Será que prevalece o dito popular de que “santo de casa não faz milagre” e que tudo de bom está no mercado de São Paulo?

São muitas perguntas e poucas respostas efetivas.

O fato é que maioria prefere cruzar os braços esperar. E isso sim parece cristalino: o brasileiro (embora seja contrário a generalizações) tem a triste mania de imaginar e acreditar que alguém tem que fazer e fará algo por ele.

As novas gerações adoram tecer críticas fortes, agressivas e irônicas nas mídias sociais. Os que são funcionários, ao que parece, acreditam que basta criticar os patrões e pronto. Tudo está errado no mercado por que os donos de agências são gananciosos e só pensam em seu lucro. Mas participar que é bom…

Não há mudança de fato sem participação, engajamento e associação. Esperar para ver se A APROVA, a APP Vale, a Lettering, o CCVP, o Comunicavale vai dar certo para depois “entrar” não ajudará em nada. É preciso “entrar” desde antes. Comprar a ideia no nascedouro. Apostar pra valer. Só assim poderemos reverter os erros e melhorar o mercado para todos.

É necessário e urgente diminuir o ‘Eu” e ampliar o “Nós”.

Esse blog continuará firme em sua modesta contribuição ao mercado. E apoiará e participará de iniciativas sérias, honestas e éticas em prol do mercado de propaganda e comunicação do Vale do Paraíba.

Não podemos nos abster, não podemos nos afastar e, acima de tudo, não podemos desistir!

Coluna {De dentro pra fora}

Comunicação Interna além das 4 paredes

Vitor coluna
Um dos primeiros critérios que a gente quer saber na hora de construir uma mensagem é o público-alvo, certo? Com base nele, conseguimos definir um tom para a comunicação, o visual mais adequado, o argumento que será atrativo e por aí vai.

Fácil! Porém, como o mundo muda o tempo todo, essa visão de público também mudou. Antes, ao pensar em CI, nós pensávamos no perfil dos empregados, no perfil da empresa, na sua relevância para a sociedade. Hoje, nós pensamos em tudo isso, mas não podemos parar aí. Precisamos analisar as comunidades em que essa empresa está inserida, o quanto seus processos interferem na vida das pessoas e, o mais importante, com quem o público interno se relaciona.

Espera aí, Vitor! Se o nosso foco é o público interno, por que você quer saber tudo isso?

Eu retruco: hoje em dia, qual mensagem fica apenas com seu receptor?

Todo mundo está conectado o tempo todo. Qualquer experiência é registrada, postada, compartilhada e comentada. Ainda mais se for uma boa experiência! A gente pode comprovar isso ao dar uma olhadinha na timeline: todo mundo é feliz! Eba!

Resumindo: a CI vai falar diretamente com o empregado, porém ele é uma pessoal sociável. Ele compartilha suas experiências nas redes, ele comenta com os amigos no churrasquinho do fds, ele chega em casa e desabafa com a mulher. Eu repito: ele é a propaganda da empresa e interfere na imagem dela perante o mercado. Parece bobeira, mas esses pequenos comentários e posts têm o poder de interferir na imagem corporativa, sim.

Aqui, vale outra reflexão: o funcionário trabalhou o dia inteirinho, chega em casa cansado, estressado e vai contar seu dia pra mulher. Se ela estiver bem informada, souber os benefícios da empresa e tudo o que ela faz pelo funcionário, essa mulher vai ouvir as reclamações e reforçar o lado positivo da empresa. Afinal, ela sabe como o emprego é importante para a família se manter.

Por outro lado, se ela não tiver informações, ela vai concordar com o marido e incentivá-lo a buscar outro emprego. O que isso significa? A empresa terá que contratar outro empregado, treiná-lo novamente, esperar o tempo de adaptação e todo esse processo de integração. Isso custa dinheiro! Além de interferir no turnover* da empresa, claro.

Viu? As consequências vão longe. É melhor manter esse funcionário dentro da empresa. E, mais que informado, é importante deixar a família dele e os amigos também informados. Na hora do aperto, todo mundo vai ajudá-lo a refletir.
Quanto mais experiências positivas com seus empregados, mais eles vão compartilhar com amigos e familiares e, consequentemente, mais suporte ele terá para continuar na empresa.

E ainda tem gente que acha que CI é só para funcionário.

* Turnover é a percentagem de substituições de funcionários antigos por novos. Isso reflete na capacidade da empresa em manter seus empregados. Se o turnover é alto, pode indicar que algo na empresa está errado.

Coluna “Discutindo a relação…”

Próspero ano novo. Exclamação ou interrogação?

Josué coluna correto

Normalmente esta coluna é opinativa e sempre procura destacar pontos possíveis de discussão sobre o mercado publicitário e de comunicação do Vale do Paraíba. Mas desta vez, dado o tamanho da incógnita que nos parece o ano vindouro, resolvi ouvir algumas lideranças deste mercado para que eles falassem das expectativas para o ano de 2015.

O leitor atento detectará algumas semelhanças de pensamento e de expectativa. Vamos ver:

José Luis Ovando, diretor da Supera Comunicação

2015 será um ano tão, ou mesmo ainda mais difícil, do que este. O Brasil sofre uma grave crise de confiança por parte dos investidores. E apesar da plena consciência do governo de que nosso crescimento está estagnado, até aqui nossos líderes não emitiram sinais favoráveis a mudanças na condução econômica. Num ambiente de insegurança poucos se sentem confortáveis para apostas.
Sendo assim, mais uma vez, trabalharemos muito para ganhar menos do que merecemos.

As agências e os veículos precisarão manter equipes enxutas e capacitadas a oferecer serviços de alta qualidade, pois somente os melhores e mais persistentes atravessarão esse difícil período.

José Luis, da Supera Comunicação

José Luis, da Supera Comunicação, diz que trabalharemos muito para ganhar menos

Na Supera continuaremos a ofertar serviços estratégicos, com uma postura crescente de consultoria e foco em especializações dentro da comunicação. E ainda, ampliar cada vez mais nossa atuação para não dependermos apenas do nosso mercado regional. Atualmente, além de São Paulo – capital e interior – já temos clientes fixos no Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Ceará e Mato Grosso do Sul. Temos, portanto, ainda muito espaço para avançar.

Empresários e profissionais precisam entender que não há uma desvalorização da comunicação, e sim uma crise geral, onde todos os setores já são afetados. Nada de sofrer com a escolha da profissão, pois a vida não está fácil para ninguém. Olhar sob essa perspectiva minimiza angústias e nos ajuda a encontrar caminhos que outros ainda não enxergaram. Afinal, a teoria do posicionamento é a primeira lição que aprendemos numa faculdade de propaganda e marketing. Agora é hora de aplicar o que temos de melhor.

Eduardo Costa, sócio e CEO da Phocus Interact

Ainda estou dividido em relação a esse quadro.
Como empresário, analisando de maneira macro, vejo 2015 como a continuação de 2014. Se não há os eventos esportivos e políticos do ano passado, estamos entrando o novo ano com uma economia em recessão técnica, com os índices econômicos mostrando essa dura realidade e os Investimentos em todas as áreas rareando, devido a essa crise de confiança.Some-se a isso uma enorme crise política, com notícias diárias de desvios , propinas e acusações que estão transformando nossa maior empresa em pó e vemos um quadro de quase desgoverno, levando nosso país a um clima de divisão. Se nada for feito de imediato, para acelerar nossa economia, teremos um 2015 para ser esquecido.
Esse quadro separa os “homens” dos “meninos”. A empresa que não se reinventar e não aprender a remar (já que 2015 não promete ventos nem ondas de progresso e crescimento) vai correr sérios riscos.

Eduardo da Phocus

Eduardo, da Phocus, para quem os anunciantes buscarão mais com menos

Como empresário de comunicação, vejo um quadro parecido, devido à desconfiança do que estar por vir. Anunciantes e empresas buscarão ROI maior, com investimentos menores o que, por si só é uma grande oportunidade para empresas que fazem a diferença. Oferecer mais do mesmo não terá vez nesse cenário.

Agora o lado bom: por trabalhar exclusivamente com comunicação e soluções digitais, vejo um ano de 2015 de muitas alegrias e projetos para minha empresa (e para outras que trabalham nessa área) . A migração constante das verbas publicitárias para o digital, a popularização dos smartphones (e consequentemente dos apps), a interação cada vez mais acentuada das redes sociais e as novas demandas de IoT (internet das coisas), Big Data, wereable devices e smart cities abre um leque enorme de oportunidades em nossa área. Quem já tem expertise digital para suportar tais demandas, estará navegando por um oceano azul, independente de qualquer crise. Esse segundo cenário é o que enxergo para minha empresa e o mercado digital em 2015 e nos próximos anos.

Gustavo Gobbato, diretor da Avalanche SJCampos

Gobbato, da Avalanche SJCampos

Gobbato, da Avalanche SJCampos, fala em revisão do modelo de agência

Minha expectativa é de que sem diferenciação, não tem solução. As agencias não apresentam diferenciais umas das outras. O modelo tradicional de agência precisa de uma revisão e o mercado discute bastante isso. Caso contrário, o cliente passou encontrar varias alternativas que dão a ele próprio o controle de sua comunicação. Num cenário de crise, a minha expectativa é que o mercado se reinvente ou os clientes, que estarão mais retraídos e em cenário econômico difícil, farão por nós.

Renato Pulice, Diretor na Outracena Produtora de Vídeo

Renato, da Outracena, mantém o otimismo

Renato, da Outracena, mantém o otimismo

Estamos otimistas, apesar de tudo. A Copado Mundo foi uma tragédia, não só pra o nosso mercado. E mesmo com a campanha eleitoral o mercado aqueceu e o fim de ano está bem agitado.

Com isso acreditamos que 2015 deva vir com tudo.

Eduardo Spinelli, sócio e diretor de criação da Molotov Propaganda

Eu costumo dizer que 2014 foi um ano em que só os fortes sobreviveram. Em um ano que teve crise econômica, Copa do Mundo e Eleições, houve uma grande retração de investimentos. Sentimos uma sensível melhora no segundo semestre, devido à demanda reprimida. Na minha opinião, em 2015, a palavra de ordem será reter e fidelizar clientes.

Eduardo

Para Eduardo, da Molotov, a palavra de ordem será reter e fidelizar clientes

Embora, os economistas estejam pessimistas, prefiro acreditar que o ano que vem será de crescimento. Não será um ano fácil. As verbas estão cada vez menores e a cobrança por resultado, cada vez maior. No entanto, os anunciantes estão dispostos a correr riscos, a investir mais e a viabilizar projetos que ficaram engavetados em 2014. Ontem, por exemplo, um cliente nosso nos apresentou um projeto que irá revolucionar o mercado imobiliário do Vale do Paraíba.

Além disso, continuaremos a participar de concorrências privadas (somente as éticas). 2015 será um ano bom. Só depende da gente. Tem uma frase que eu gosto bastante: ‘Mar calmo nunca fez bom marinheiro.’. A meu ver, 2015 não será um ano calmo. Por isso, teremos que ser bons em tudo: gestão, finanças e, é claro, em criatividade.

E você, amigo leitor do Publicitando, o que espera de 2015?

 

Coluna {De dentro pra fora}

Redator e Planejador = BFF

Vitr Coluna

Sem dúvidas, redação e planejamento precisam ser best friends forever. Um não consegue andar sem o outro ao lado. Diferentemente de propaganda (na maioria das vezes), o conteúdo de CI é mais complexo e pesado. São muitas informações a serem transmitidas. Tudo precisa ser muito bem pensando, organizado e dividido, senão corremos o risco de bombardear o funcionário de informações e acabar não comunicando nada.

Para pensar estrategicamente em conteúdo e em estrutura de campanha, precisamos sentar juntos e definir alguns pontos:

• Mensagem principal
• Prioridade das informações
• Tempo necessário para compreensão

A partir dessas informações, definimos a estrutura adequada para a campanha, pensando na verba, na realidade do público, na importância do assunto e no tempo necessário para retenção da mensagem. Ufa!

Agora, já pensou se o planejamento decide definir as fases de uma campanha sozinho? O redator teria que encaixar as mensagens nessas fases, respeitando o raciocínio do planejador. Tudo sem trocar uma ideia, sem discutirem juntos? Impossível! O planejador não consegue definir sozinho a melhor maneira de dividir essa mensagem geral. Da mesma forma, o redator precisa de alguém que sempre o lembre das limitações do cliente e do projeto. A conta só fecha com os dois juntos. Redator cede um pouco. Planejador cede um pouco. Portanto, se eles não se entendem, o projeto não anda. Se essa dupla aí não pensar mais ou menos igual, qualquer decisão vira uma discussão infinita.

Se você é redator, seja melhor amigo do planejador. Se você é planejador, tenha paciência com o redator, no final ele vai entender seus argumentos.

Agora, se você não é redator nem planejador, sai de perto! Deixe esses dois se entenderem.