Discutindo a relação…

Tecnologia, criatividade, verdade e fundamentos

Artigo de Josué Brazil

Artigo de Josué Brazil

Este último fim de semana participei da vigésima sexta do Festup, Festival Universitário de Propaganda.Para quem ainda não conhece, esse evento é focado em estudantes de comunicação (especialmente os de propaganda)e traz vários profissionais de agências, fornecedores e veículos para palestrar.

Embora voltado para estudantes o evento é um bom termômetro do mercado. Um bom sinalizador das mudanças que ocorrem e ocorrerão no mercado. De todas as palestras que assisti pude notar algumas coisa interessante e que estão meio que ditando o tom do mercado.

A primeira coisa é que as agências já sabem que precisam mudar, reestruturar, repensar. Saber elas sabem. Conseguir mudar são outros quinhentos. Em uma ou mais palestras ficou claro que para as grandes agências a mudança é bem mais complicada. Mudar a cultura de uma grande organização é bem mais difícil do que criar uma cultura, uma filosofia de trabalho do zero. Ou seja, novas agências, enxutas, ágeis e nativas digitais levam vantagem.

Um slide da apresentação de Beth Furtado da Alia que ilustra bem o momento que vivemos

Um slide da apresentação de Beth Furtado da Alia que ilustra bem o momento que vivemos

A segunda coisa que notei é que se a tecnologia e a criatividade ainda não se casaram (pelo menos não no Brasil) estão noivos e com data marcada. É irreversível. Boa parte das ideias e soluções para marcas, produtos e serviços passa hoje pelo desenvolvimento de um app ou outro recurso tecnológico.A tecnologia fará parte das estrutura das agências. Na verdade, já faz parte em algumas novas agências. Um dos modelos de agência que mais me chamou a atenção foi a BETC (rede de agências francesa que pertence ao Grupo Havas), apresentada pela competente Gal Barradas logo na primeira palestra que assisti no Festup. Não vou me alongar. Pesquisem. É bem interessante.

Ao mesmo tempo, falou-se muito em verdade e transparência. As marcas e propostas de comunicação têm que ser extremamente verdadeiras e sinceras. Não há mais espaço para mentiras e falsas propostas. Com um simples click elas se desmancham e a marca toma imenso prejuízo de imagem. É preciso comunicar missão, valores e causas reais e críveis.

Para encerrar devo dizer que fiquei muito feliz com as palestras de alguns veteranos da propaganda. A “old school” esteve bem representada. Destaco a palestra do Ruy Lindenberg que, sem diminuir a importância dos novos formatos e novas tecnologias, fez a defesa do velho e bom conceito que dá origem a boas peças e ações de comunicação. Isso tem tudo a ver com algo que sempre defendi e já foi alvo de um artigo aqui no blog (intitulado “A base de tudo é a base”): muita coisa pode mudar mas os fundamentos da profissão serão sempre essenciais e decisivos na hora de fazer boa comunicação.

Ruy Lindenberg defendendo o velho e bom conceito

Ruy Lindenberg defendendo o velho e bom conceito

Foi, mais uma vez, um grande evento. Fico bastante satisfeito de seguir aprendendo bastante ao lado dos meus alunos ano após ano. E contribuir com algumas linhas para o mercado refletir sobre os rumos da atividade de propaganda.

Vale muito a pena ler

Quem acompanha o Publicitando sabe que não temos o hábito de postar conteúdo de outros blogs e sites. Ao menos não com muita frequência. Mas em casos em que vale muito a pena, reproduzimos na íntegra um conteúdo. É o caso deste excelente editorial da Regina Augusto, editora da Meio&Mensagem.

Confira:

Como tratamos os nossos talentos
Se nos últimos anos deu certo tratar equipes com desrespeito, gritos e uma carga de pressão e de trabalho desproporcionais, hoje existe a necessidade de rever tais atitudes. Caso contrário, sobrarão poucos sobreviventes nas equipes para perpetuar tais agências

REGINA AUGUSTO | » 08 de Setembro de 2014• 08:08

O texto do articulista de Meio & Mensagem André Kassu, sócio da Crispin Porter + Bogusky, publicado na última edição teve uma repercussão grandiosa nas redes sociais e recebeu uma avalanche de comentários. Com o provocante tema “Essa tal felicidade”, Kassu fez uma reflexão bastante dura sobre a relação entre a realização profissional e o clima nas agências, em especial, na criação. “A insatisfação ronda as agências como uma bruma silenciosa. É muito difícil perceber os sinais olhando de cima da neblina. Eles, em geral, começam nos assistentes, na ala júnior, nas pontas em que o salário não é suficiente para anestesiar. Nas outras áreas há o dinheiro, o status, os antidepressivos e ansiolíticos”.

O eco que o artigo causou está diretamente ligado à urgência de se pensar na sustentabilidade de tais práticas nas agências. Vivemos um momento no qual as novas gerações que estão chegando agora ao mercado de trabalho, a tal da Y – diferentemente do comportamento que tinha nessa idade quem hoje está perto dos 40 anos – tem pouca flexibilidade para se sujeitar a situações profissionais degradantes. Esses jovens fazem isso por algumas razões: têm mais opções; chegam ao mercado de trabalho com muito mais preparo e bagagem e por isso podem fazer escolhas; e, por último e não menos importante, se engajam com propostas que de fato façam sentido para seus objetivos de vida.

Essa é a grande diferença do momento atual. Há cada vez mais relatos de jovens profissionais que simplesmente desistem da carreira na publicidade após uma experiência desagradável em agências. Na ponta oposta, aumenta o número de profissionais mais maduros que estão amargurados com os rumos de suas trajetórias profissionais e em especial da falta de oportunidade em trabalhar em agências cuja proposta e clima realmente sejam atraentes. No entanto, por conta dos seus altos salários, da idade e de todos os compromissos que têm, perduram em trilhar nos seus destinos mal ajambrados.

Se nos últimos anos deu certo tratar equipes com desrespeito, gritos e uma carga de pressão e de trabalho desproporcionais, hoje existe a necessidade de rever tais atitudes. Caso contrário, sobrarão poucos sobreviventes nas equipes para perpetuar tais agências. E os que restarem não necessariamente serão os melhores.

Há alguns anos, tive a oportunidade de conhecer diversas agências de ponta nos mercados norte-americano e europeu e, dentre várias, a coisa que mais chamou a atenção nessas empresas era seu clima leve, descontraído e amigável. Basicamente o que se espera de uma empresa dita criativa.

Os salários dos profissionais de criação no Brasil são os maiores do mundo por uma série de razões. No entanto, eles são a face mais visível de um ciclo vicioso que está corroendo por dentro os talentos.
A questão aqui é tudo menos dinheiro. É sobre comprometimento, realização pessoal e a sensação de fazer parte de algo realmente transformador. Ou, como diria Kassu, essa tal felicidade.

Este editorial faz parte da edição 1626 do Meio & Mensagem, com data de 8 de setembro de 2014.

Leia Mais: http://www.meioemensagem.com.br/home/meio_e_mensagem/blog-da-regina/2014/09/08/Como-tratamos-os-nossos-talentos.html#ixzz3D6dq9KS0

{De dentro pra fora}

De dentro pra quê? Calma, gente. Vocês já vão entender o motivo desse simples nomezinho. Esta coluna terá a missão de falar sobre Comunicação Interna, com o grande desafio de provar que CI (a partir de agora, CI será Comunicação Interna pra gente, ok?) não precisa ser chata. Isso mesmo: CI sem chatice!

Vitor coluna

O funcionário vem em primeiro lugar

Antes de tudo, precisamos entender a importância que a CI pode ter para uma empresa. Sabe quando você vai fazer trabalho em grupo e tem aquele colega bem legal que não faz a parte dele direito? Aquele que só atrapalha, faz piada fora de hora, é preguiçoso. Enfim, ele não está envolvido com o trabalho, não está engajado. As empresas têm o mesmo problema: funcionário sem engajamento. E funcionário sem engajamento não veste a camisa, não se esforça, não tem proatividade, não colabora. Isso afeta no clima de trabalho, no desenvolvimento da equipe e, claro, nos resultados.

E o que a comunicação tem a ver com isso? Tudo! Além de informar as coisas básicas do dia a dia, a CI tem a difícil missão de envolver esse colega desorientadinho do grupo. Ou seja, ela precisa estabelecer um diálogo com o funcionário, trazê-lo para perto da empresa, fazê-lo entender as decisões, envolvê-lo e convencê-lo de que ele é importante. Isso só é possível se a gente for além do jornalzinho e do e-mailzinho, concorda? Afinal, todas as experiências dele na empresa serão compartilhadas com a família, com os amigos e nas redes sociais. Ele é a melhor propaganda da empresa! E também interfere na imagem dela perante o mercado.

Quando a Comunicação Interna é estratégica, ela ganha visibilidade e reconhecimento dentro da empresa. Deixa de ser algo do dia a dia e vira uma área fundamental para o sucesso do negócio. Golaço! Pode comemorar.

Coluna Social Media

Curtir, compartilhar e votar
As mídias sociais nas eleições

Tuani Carvalho Publicitando

A eleição presidencial de 2014 é uma eleição pra não esquecer. A primeira presidente do Brasil pleiteia a reeleição, um dos candidatos sofreu uma morte trágica no meio da campanha eleitoral, a vice que assumiu o posto de candidata mudou todo o cenário político e rebaixou um dos protagonistas a mero figurante às vésperas da votação.

Todos esses fatos são um prato cheio para a discussão de especialistas, economistas, jornalistas e qualquer Zé na padaria da esquina. No fabuloso mundo da Internet, não seria diferente. Já experimentamos a influência das mídias sociais em 2010, mas, em 4 anos, o cenário atual se transformou profundamente – mudando tudo o que sabíamos sobre o comportamento dos usuários no ambiente digital.

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Em 2010, começávamos a abandonar o Orkut para migrar para o Facebook. Esse êxodo, em poucos anos, fez da rede social de Mark Zuckerberg a maior do mundo. E a forma de utilizá-la é completamente diferente da zuera e falta de compromisso no finado e saudoso Orkut.

Nestas eleições, especialmente após a onda de manifestações de Junho de 2013, o posicionamento político dos usuários ativos na rede social é mais aguçado. O feed de notícias está inundado de longos textos defendendo um ou atacando outro presidenciável, o Twitter explode em memes e narra debates em tempo real, reportagens, colunas, vídeos são compartilhados à exaustão; hora com o objetivo de fazer campanha para seu candidato favorito, hora para – apenas – compartilhar informações esclarecedoras para aqueles que, como eu, ainda não decidiram em quem votar.

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Não só os usuários como também os partidos já perceberam a importância e a força das mídias sociais na decisão dos eleitores. Antes mesmo de a propaganda eleitoral começar a internet presenciou o caso da Dilma Bolada: um perfil humorístico que usa o nome e imagem da presidente para criar memes e dar opiniões descontraídas sobre fatos e acontecimentos atuais. O dono do perfil, na época, denunciou que foi contatado pela agência responsável pela campanha da oposição para que passasse a produzir conteúdo para o partido tucano.

Nesse tempo, outras páginas de caráter humorístico passaram a abordar abertamente temas políticos, geralmente atacando o governo através de notícias falsas e imagens “engraçadas” (e bota aspas nisso!). É ingenuidade demais acreditar que esse tipo de conteúdo surge espontaneamente.
Daí a importância do bom senso e do discernimento para enxergar a intenção por trás de cada informação e, principalmente, sua autenticidade. O poder viral da internet é incalculável e a velocidade com que boatos são espalhados é impressionante. Isso favorece, cada vez mais, a ignorância, o debate raso e sem argumentos e, na pior das hipóteses, uma escolha equivocada na hora de apertar o botãozinho verde.

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Se você quer realmente mudar “tudo isso que tá aí”, comece tomando cuidado com o que anda compartilhando. Apostar na desinformação do povo para satisfazer interesses políticos é estratégia desde os idos do voto de cabresto.

Coronel curtiu isto.