Não dá para escapar dela…

E lá vem ela, a tal da retrospectiva

por Josué Brazil

Não há muito como escapar. A tentação é enorme. E acabamos não resistindo e escrevendo uma retrospectiva em dezembro. O Publicitando não é exceção a esta regra e, portanto, vamos tentar lembrar alguns fatos que marcaram o ano de 2013.

É preciso começar dizendo que a economia não ajudou. Ela andou de lado.Vamos fechar o ano com pouco crescimento e uma sensação de frustração, de que poderia ser bem melhor.

O primeiro ponto que quero destacar em 2013 foi a quantidade de prêmios conquistados pelas agências do Vale do Paraíba.E foram prêmios conquistados em diferentes premiações do interior do estado de São Paulo. É claro que não vamos listar todos os prêmios alcançados aqui, mas algumas agências se destacaram.

E já que o assunto é premiação não podemos deixar de destacar a segunda edição do Prêmio Lettering. Foi muito bom. Cerca de 500 pessoas acompanharam a entrega dos prêmios num cenário que tinha tudo a ver: a sede da Resolução Gráfica em Taubaté. Encontrar tanta gente bacana do mercado publicitário foi sensacional. E o prêmio ficará cada vez mais disputado, tenham certeza!

No mercado de veículos tivemos a consolidação de algumas revistas, as TVs regionais mantendo seu papel de veículos principais e o crescimento – ainda que tímido – do uso das mídias sociais. No universo das rádios, a SP Rio FM mudou de frequência e acrescentou Conect Car ao seu nome. Primeira experiência de naming ou branded content na região.Vamos ver o que vai mudar com a autorização do governo federal para que as AMs migrem para FM. Isso muda bastante o cenário. Aguardemos.

Houve forte dança de cadeiras no mercado publicitário. Principalmente entre as agências. E, apesar de não ser um ano de economia forte, houve bastante procura por mão de obra em criação e atendimento, principalmente.

Aproveitando que falamos de agências e troca troca, a notícia que mais surpreendeu o mercado este ano foi a saída de Gustavo Gobbato da sociedade da Arriba! e o consequente lançamento da Avalanche SJCampos, agência em que Gustavo fez parceria com Thiago Kruschewsky e Raul Pacheco que deixaram os quadros da Página Comunicação. Aliás, Página e Regional perderam bastante espaço como protagonistas entre as agências valeparaibanas. E as agências com sede em Taubaté cresceram, apareceram e ganharam espaço.

Outro fato importante: o número de eventos voltados para a área de comunicação cresceu em nossa região. Isso demonstra uma busca do mercado por um amadurecimento e melhor formação. Em alguns deles a presença de público ainda decepcionou, mas há que se insistir e continuar oferecendo tais oportunidades.

Ainda sobre as agências, outra coisa notável foi o número de contas e jobs de outros mercados – e até da capital São Paulo – conquistadas pelas empresas daqui. Isso aconteceu bastante entre as chamadas agências digitais que, aliás, firmaram pé de vez no Vale do Paraíba.

E uma ótima notícia: os shoppings regionais começaram a entregar suas contas ou parte delas às agências regionais. E como tivemos ao menos duas grande operações de shopping sendo inauguradas no Vale (Pátio Pinda e Via Vale) esse segmento está bastante aquecido e abre boas expectativas para 2014.

Como pontos negativos temos que insistir: faltam dados consistentes tanto de pesquisa (de mídia e de consumidor) como de tamanho de mercado (quanto significamos em faturamento total?). Faltou a atuação da APPVale (ela ainda existe de fato?). Faltou as novas lideranças assumirem mais as rédeas da direção de nosso mercado de atuação.

E você, acrescentaria algo? Critica alguma coisa que destacamos aqui? Fique a vontade, comente, sugira e critique.

Vamos para 2014 com fome de bola, já que será ano de Copa do Mundo!

Dia de comemoração

Hoje é Dia Mundial da Propaganda

Em quatro de dezembro comemora-se o Dia Mundial da Propaganda.

É, essa tal propaganda que muita gente insiste em dizer que morreu, que não existe mais. Respeito todas as opiniões e correntes teóricas, mas não concordo. A propaganda está viva como nunca. Diferente, é claro, mas viva.

Não poderia mesmo, a propaganda, ser a mesma de tantos anos. Ela é uma das atividades mais dinâmicas e ligadas ao tempo presente que conhecemos. Ela depende do contemporâneo, do atual e, principalmente, do novo.

A propaganda é industria inserida na chamada economia criativa. Ela é mola propulsora – e isso é antigo – da livre iniciativa e da liberdade de imprensa. E, não, sinto muito, ela não morreu!

Em texto publicado no site da FENAPRO sob o título “Impacto da propaganda no crescimento econômico é um dos temas de encontro da propaganda promovido pela Fenapro” e que relata a palestra de José Otaviano Pereira, realizada em Encontro de Lideranças do setor no Piauí, temos o seguinte trecho:

“A propaganda estimula o aumento do consumo, acelera a velocidade de absorção de inovações, estimula a competição e o crescimento do PIB”, comentou José Otaviano Pereira, ao mencionar um estudo da McKinsey, realizado em 2012, cuja conclusão aponta que a propaganda foi responsável pelo crescimento de 15% do PIB das maiores economias, nos últimos 10 anos.

O profissional também apresentou dados de uma pesquisa da Nielsen, feita em 50 países, em 2009, mostrando que a propaganda no Brasil é ‘muito bem vista’ pela população em geral e, na opinião dos mais de 25 mil pessoas entrevistadas, ela impulsiona o crescimento econômico.”

Aqui em terras brasilis temos a felicidade de conviver com uma das melhores propagandas do mundo. Com menos verba de produção, menos verba de mídia, menos cultura de marketing e comunicação e menos poderio econômico. Mas uma das melhores do mundo.

Nossa propaganda, segundo o Projeto InterMeios já havia crescido 4,1% até setembro. Cresceu, portanto, mais uma vez, acima do PIB nacional. E, ainda segundo o relatório InterMeios: “Ao todo, foi investido nos veículos nacionais um montante de R$ 22,695 bilhões até setembro de 2013”. E olha que está de fora da conta o último trimestre que sempre ganha o gás do Natal.

No cenário regional acredito que este ano tenha sido de estabilidade, de amadurecimento e de afinar os instrumentos. Pudemos perceber isso na série de entrevistas que o Publicitando realizou com algumas lideranças regionais na série “Análises e Expectativas – A voz dos líderes”. Além disso, tivemos a consolidação do Prêmio Lettering – importante para o mercado do Vale do Paraíba – com casa cheia e uma noite para não se esquecer; agências regionais venceram diversas premiações (regionais,estaduais e nacionais) e a consolidação de importantes players no segmento digital.

Recuos aconteceram. Lógico e natural. Negócios não prosperaram. Faz parte da movimentação dos mercados.

Acredito, ainda, que temos mais motivos para comemorar e dizer que a propaganda está, sim, mais viva do que nunca. E que, portanto, hoje é dia de celebrar e bater no peito com orgulho para dizer que vivemos de propaganda!

Viva a propaganda! Propaganda, viva!

Como deve ser

Mais ensinamentos do Fest’up

por Josué Brazil

Uma das melhores palestras que assisti no Fest’up deste ano foi proferida por Diego Nicolau da agência Click Isobar.

Diogo falou do cenário atual de comunicação e apontou quatro coisas que a comunicação mercadológica deve ter. Na opinião dele são os quatro ingredientes fundamentais para conseguir a atenção dos públicos com os quais precisamos falar e entregar resultados para as marcas para as quais trabalhamos.

São eles:

Coragem

As marcas devem ter coragem para criar conteúdo ousado e diferenciado e assumir posicionamentos fortes. Não dá mais para ficar “fazendo média” com as pessoas. Comunicação bonitinha, certinha e pouco corajosa ganha menos atenção.

Insights verdadeiros

Está dentro da tendência que já comentei aqui em outro artigo: a propaganda tem que refletir uma verdade do seu público. É preciso entender a realidade dos grupos com os quais pretendemos falar e estabelecer um discurso real e relevante. E isso, é claro, tem tudo a ver com o primeiro item aí de cima: coragem. As marcas devem abrir seus corações e ter diálogos francos e diretos com seus públicos. não adianta mais ficar só no discurso. Tem que firmar compromissos leais com seu público.

Craft

Foi-se o tempo do viral tosco na internet. Hoje tudo tem que ter acabamento primoroso, linguagem muito bem elaborada e apresentação ímpar. Temos que fazer comunicação muito bem feita. Vai fazer, por exemplo, uma web série para uma anunciante? Ela tem que ter o mesmo nível de uma série premiada de um canal pago. Qualidade na entrega!

Simplicidade

As pessoas se identificam com a comunicação simples e útil. Dourar demais a pilula sem ter conteúdo soa muito fake. Busque uma ideia simples e forte. Na verdade, em toda a história da propaganda, as melhores ideias sempre foram as mais simples. E isso continua valendo muito.

Veja aqui um dos cases que ilustraram a palestra do Diogo Nicolau: http://www.agenciaclickisobar.com.br/pt/work/VEMSEANPENN/

E conheça mais da Agência Click Isobar aqui: http://www.agenciaclickisobar.com.br/

 

Mais um Fest’up

Capturando tendências

por Josué Brazil

Neste último fim de semana participei da 25ª edição do Festival Universitário de Propaganda promovido pela APP. O conhecido Fest’up. Quem me acompanha pelas redes sociais  percebeu que sempre dou muita importância a este evento anual, seja pela excelente possibilidade de ampliar os conhecimentos dos meus alunos quanto para perceber quais são as tendências do mercado de comunicação.

E foi nesta questão, de para onde caminha nossa atividade, que fiquei de olho no sábado e no domingo ao longo de todas as palestras. Algumas coisas se destacaram. E bastante.

25-FESTUP

A que mais me chamou atenção foi a tendência da propaganda, a comunicação como um todo ser VERDADEIRA. A propaganda deve estar ligada às verdades de seu público. Não adianta mais dourar a pilula. As pessoas não engolem mais. Uma peça publicitária bonita, bem feita e adequada não basta. Ela tem que ser bastante verdadeira. Deve encerrar um compromisso da marca/produto ou serviço com seu público e com a sociedade.

Outra coisa que me chamou a atenção é o conceito de comunicação líquida. Aquela que preenche todos os pontos de contato com o público,  se mistura e se molda. Ao mesmo tempo, por ser líquida, flui por todos os pontos de contato e permite respostas e interatividade. A comunicação é envolvente, mas não no sentindo da sedução, e sim no que se refere a ser fluída e maleável.

É impressionante perceber como grandes marcas têm se arriscado em projetos de comunicação ousados e verdadeiros. A maioria destes cases, é claro, são internacionais. Mas pode ter certeza que estes ventos já começam a soprar por aqui.

Está na hora das agências e anunciantes nacionais e regionais (nossos anunciantes) perceberem de vez este novo cenário. O cenário de um consumidor absolutamente cético em relação a projetos e peças tradicionais de comunicação mercadológica. Perceber que os consumidores atuais querem ser vistos como pessoas de verdade. E que querem posicionamentos verdadeiros das marcas, produtos e serviços.

Uma das coisas que ouvi lá, fruto de uma extensa pesquisa internacional, me chamou demais a atenção: “As pessoas acham que as marcas é que vão mudar o mundo”.

É para pensar. Bastante! E agir. Muito!