Campanhas de Natal: Por que elas importam mais do que vender?

Por Josué Brazil (com uma forcinha da IA)

Quando pensamos em Natal, muitas vezes a primeira associação de marca é promoção e oferta — mas as campanhas de fim de ano têm um papel muito mais profundo no posicionamento estratégico e no propósito das marcas. Neste período, o consumidor não busca apenas um bom preço: ele está emocionalmente mais aberto, mais receptivo a histórias e mais disposto a se conectar com aquilo que faz sentido para ele — e isso cria uma oportunidade valiosa para as marcas que vão além da transação.

Natal como momento de conexão emocional

O Natal é uma época carregada de memórias, tradições e sentimentos, o que faz com que as campanhas desse período possam tocar o público de forma muito mais profunda. Pesquisas mostram que esse tipo de comunicação emocional não é apenas agradável — ela fortalece a conexão do consumidor com a marca. Por exemplo, um levantamento da The Harris Poll revelou que 71% dos consumidores consideram importante que os anúncios de Natal gerem identificação emocional com a marca, um percentual que chega a 90% entre adultos de 25 a 34 anos — um público altamente engajado e influente no consumo digital.

Em outras palavras: quando uma campanha natalina emociona, ela cria vínculos que vão além de uma compra imediata — ela influencia a forma como as pessoas se lembram e falam da marca ao longo do tempo.

Emoção, nostalgia e pertencimento

Uma das razões pelas quais as campanhas de fim de ano são tão eficazes para construir significado de marca é o poder da nostalgia. Estudos em marketing apontam que o Natal ativa memórias afetivas ligadas à infância, família e tradições — e campanhas que exploram esses elementos tendem a elevar a favorabilidade da marca e a lembrança publicitária.

As melhores campanhas natalinas — como aquelas que relatam histórias de reencontros, gestos de generosidade ou momentos familiares — conseguem traduzir valores humanos universais em narrativas que o público se sente parte, não apenas expectador. Esse tipo de storytelling marca tanto quanto (ou até mais que) uma oferta promocional.

Posicionamento de marca com propósito

Além da emoção e nostalgia, as campanhas de Natal se tornaram um termômetro de propósito para as marcas. Em um ambiente em que os consumidores observam com atenção se as empresas praticam de fato os valores que anunciam, uma campanha bem construída pode comunicar claramente quem a marca é e o que ela representa.

Segundo especialistas da The Harris Poll, campanhas natalinas deixaram de ser apenas publicidade e passaram a ser instrumentos que mostram se uma marca está “ao lado do cliente” e se oferece mais do que preço.

Exemplos que inspiram

Grandes campanhas globais reforçam esse papel estratégico: desde os caminhões iluminados da Coca-Cola que evocam clima de união e tradição até anúncios emocionais como os da John Lewis, conhecidos por suas histórias que tocam milhões de pessoas, todas elas priorizam narrativa e significado antes de promoções explícitas.

Desafiadora e rica

O Natal é, sem dúvida, uma das épocas mais desafiadoras — e ao mesmo tempo mais ricas — para o marketing. Ao invés de focar apenas em vendas, as marcas que usam esse momento para reforçar seu posicionamento e propósito, contar histórias que emocionam e criar conexões reais com seu público, estão construindo valor de marca duradouro. Em um mundo saturado de ofertas, aquilo que verdadeiramente mexe com sentimentos é o que permanece na memória do consumidor.

Creative Strategy, Público +50 e ESG são as principais tendências para o marketing em 2025

Especialista com quase 20 anos de atuação no marketing, Thiago Duarte, elenca os principais temas a serem abordados no próximo ano

A estratégia é um elemento essencial para alcançar o sucesso no mundo dos negócios. Quem acredita nessa afirmação está sintonizado com a importância de mapear as tendências que o próximo ano deve confirmar. Temas como Creative Strategy, ESG e o público 50+ estão entre os gatilhos que podem aproximar expectativas e resultados positivos.

A pesquisa Kantar 2025 apontou alguns itens importantes para serem considerados pelos departamentos de marketing das empresas. Para Thiago Duarte, CEO da Thruster, os números apresentados pelo relatório representam uma guinada na trajetória de marcas que ultrapassam a barreira das telas e se comunicam diretamente com o consumidor.

“O mundo do marketing está em constante transformação, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças no comportamento do consumidor e novas demandas por inovação e responsabilidade social. 2025 será o ano em que as estratégias obsoletas se tornarão mais evidentes para o consumidor e, consequentemente, o mercado ficará ainda mais competitivo”, avaliou o executivo.

O especialista em marketing, com quase 20 anos de atuação, ressalta que as marcas devem buscar cada vez mais originalidade em suas propostas. “A Creative Strategy é o plano que orienta a forma como uma marca se comunica com seu público de maneira original e impactante”, explicou. Segundo ele, essa ferramenta combina objetivos de marketing com ideias criativas, gerando campanhas e ações que não apenas chamam a atenção, mas também criam conexões emocionais que resultam em venda.

“O consumidor, no geral, quer um atendimento mais próximo, algo que inspire confiança no vendedor, mas sem se tornar invasivo”, afirmou Thiago. Segundo a Kantar, a percepção da eficácia criativa caiu de 43% para 31% no público consumidor. Esse número revela que, em 2025, as marcas precisarão conquistar a atenção do público de forma contínua e consistente. “É necessário ser cada vez mais preciso e eficiente”, destacou Duarte, citando exemplos de sucesso como o Burguer King, com o case de um “contra-marketing”, ao mostrar que seu hambúrguer não possuía conservantes, se deteriorando em um processo mais acelerado que o da concorrência que, por ter a presença de produtos químicos, demorava mais tempo que o convencional.

Seguindo essa direção, a McKinsey destacou que as vendas via live-commerce podem alcançar 20% do total do varejo na China até 2026, um movimento que pode repercutir em muitos mercados, inclusive o brasileiro. “O livestreaming é uma forma de venda formidável e atende plenamente à proposta de modernidade e comodidade que as gerações Z e Y procuram. É algo que ganhará força nos próximos anos”, apontou o executivo da Thruster.

Público 50+ e o ESG

O aumento da expectativa e da qualidade de vida tem despertado a atenção do marketing global desde 2024. Agora, em 2025, essa tendência virá com ainda mais força. Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) revelou que cerca de 22 novas lojas do segmento foram abertas por dia este ano.

Esse dado é um dos principais indicativos de que um novo grupo de consumidores está se consolidando como um importante motor de crescimento. “É preciso que as estratégias de marketing das empresas gerem valores como empatia, inspiração e realização para um público que consome em um ritmo diferente da maioria dos jovens, que é mais cauteloso com os gastos e é mais velho”, afirmou Thiago.

Essa ideia também embasa a percepção da Kantar sobre a tendência de consumidores que se preocupam com o ESG (Ambiental, Social e Governança) em suas decisões de compra. Cerca de 93% dos consumidores consideram o posicionamento das marcas em relação a um estilo de vida sustentável como um fator decisivo para suas escolhas.

Para 2025, 94% dos profissionais de marketing planejam aumentar os investimentos em agendas de sustentabilidade, reforçando o impacto dessa abordagem nas vendas, no branding e na consolidação de uma das tendências mais fortes do consumo nos últimos anos.

O ano de 2025 promete intensificar a necessidade de inovação, responsabilidade social e conexão emocional nas estratégias de marketing. Desde o uso de novas tecnologias como o live-commerce até o fortalecimento da relação com públicos emergentes, como o 50+, as marcas que estiverem dispostas a se adaptar às novas dinâmicas de consumo estarão mais preparadas para competir em um mercado cada vez mais desafiador e dinâmico.