OOH além da localização: como o contexto transforma campanhas em conexões reais

O planejamento estratégico em OOH vai além da escolha da localização e considera o contexto urbano, o comportamento das pessoas e a dinâmica dos territórios – Crédito: Divulgação

Por Chico Preto*

Durante muito tempo, o mercado de mídia exterior concentrou boa parte das discussões nos formatos. Outdoors, painéis digitais, empenas, mobiliário urbano e novas tecnologias passaram a ocupar o centro das estratégias à medida que o OOH evoluiu. Mas, na minha visão, existe uma pergunta ainda mais importante do que escolher o formato ideal: em qual contexto a marca quer estar?

O crescimento do setor mostra como o planejamento ganhou relevância. Dados do Painel Cenp-Meios, divulgados em junho de 2026, revelam que a mídia exterior movimentou R$827,1 milhões no primeiro trimestre do ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2022, um crescimento de 132,3%. No mesmo intervalo, o mercado publicitário avançou 61,8%, enquanto a participação do OOH no bolo publicitário passou de 10,3% para 14,8%, consolidando o meio entre os três principais destinos dos investimentos em publicidade no Brasil.

Esse avanço mostra que o OOH vive um momento de amadurecimento. Quanto maior o volume de investimentos, maior também a responsabilidade de planejar campanhas capazes de gerar relevância e resultado. Mais do que ampliar a presença das marcas nas cidades, esse crescimento reforça a importância de compreender os contextos em que elas estão inseridas.

É justamente por isso que costumo enxergar o OOH como uma mídia de contexto. Quando falo de contexto, não estou falando apenas da localização geográfica. Estou falando dos hábitos culturais de uma região, do perfil das pessoas que circulam por aquele espaço, dos momentos de consumo, da dinâmica urbana e até da relação emocional que o público desenvolve com determinados lugares da cidade.

Recentemente, vivenciamos isso em um projeto desenvolvido para a Broto Legal durante a final da FIFA Women’s Champions Cup 2026, em Londres. A campanha celebrava o patrocínio da marca ao futebol feminino do Corinthians e utilizava um caminhão de LED circulando pelo entorno do estádio.

Mais do que levar a marca para um grande evento esportivo, o planejamento buscou aproveitar o contexto daquele momento. A comunicação explorava, de forma bem-humorada, o contraste entre símbolos da culinária brasileira e o tradicional fish and chips inglês, reforçando o conceito da campanha em um ambiente totalmente conectado à ocasião. O impacto não aconteceu apenas porque havia uma mídia em circulação, mas porque a mensagem fazia sentido para aquele território, para aquele público e para aquele momento.

Na prática, percebo que campanhas bem-sucedidas costumam nascer justamente dessa leitura de contexto. Afinal, uma mesma mensagem pode gerar percepções completamente diferentes dependendo da cultura local, da dinâmica urbana e da forma como as pessoas se relacionam com aquele espaço.

Por isso, acredito que o grande desafio do planejamento em OOH deixou de ser apenas encontrar pontos disponíveis. O trabalho passa cada vez mais por compreender o papel que cada território desempenha na rotina das pessoas e como esse contexto pode potencializar a mensagem da marca. Afinal, não basta estar presente. É preciso estar presente de forma relevante.

Essa percepção acompanha uma transformação que tenho observado no próprio mercado. À medida que a inteligência artificial amplia o acesso a dados, plataformas e ferramentas de análise, cresce também a importância da experiência humana na interpretação dessas informações.

Hoje, tecnologias podem ser desenvolvidas, dados podem ser adquiridos e processos podem ser automatizados. O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar tudo isso em estratégia, considerando as particularidades de cada cidade, de cada território e de cada público.

Chico Preto, CEO da CHICOOH+, defende que o sucesso de uma campanha de OOH depende menos do formato e mais da compreensão do contexto, dos territórios e do comportamento das pessoas – Crédito: divulgação

A inteligência artificial já consegue acelerar os estudos, cruzar variáveis e organizar grandes volumes de dados em poucos minutos. Vejo isso diariamente. O que antes exigia dias de trabalho hoje pode ser realizado com muito mais agilidade.

Foi justamente a partir dessa evolução que desenvolvemos uma plataforma própria de inteligência territorial na CHICOOH+, capaz de integrar dados urbanos, mobilidade, comportamento e características dos territórios para apoiar decisões de planejamento.

Mas acredito que o maior valor não está na tecnologia em si. Está na combinação entre inteligência artificial e experiência de mercado. São esses elementos que ajudam a responder perguntas que nenhuma plataforma consegue resolver sozinha: porque determinada região faz sentido para uma campanha? Como aquele público se relaciona com aquele espaço? Em qual momento uma mensagem terá mais relevância?

No fim das contas, cidades não são apenas conjuntos de ruas, avenidas e coordenadas geográficas. Elas são formadas por hábitos, culturas, encontros, comportamentos e experiências.

É justamente nessa combinação que, para mim, o OOH encontra sua maior força. Mais do que escolher um formato ou definir uma localização, acredito que planejar mídia exterior significa entender onde uma mensagem faz sentido, quando ela será mais relevante e como ela pode gerar uma conexão genuína com as pessoas. Porque, em um mercado cada vez mais orientado por dados, o verdadeiro diferencial continua sendo a capacidade de compreender os contextos que dão significado aos territórios.

*Chico Preto é CEO da CHICOOH+

Deixando o interior

Clear Channel encerra comercialização de Outdoor no interior de São Paulo

A Clear Channel anuncia ao mercado o encerramento da comercialização da mídia Outdoor nas cidades do interior de São Paulo, com exceção de Campinas.

A empresa, dessa forma, quer concentrar esforços na expansão dos contratos de mobiliário urbano, digital OOH e iniciativas de inovação e integração digital que ditam o futuro do nosso mercado.

Série de tv tem ação em mobiliário urbano

“Valentins” nova série do Gloob tem ação interativa de lançamento em mobiliário urbano da Clear Channel

Campanha de ativação, desenvolvida pela DreamFactory, aconteceu em pontos da cidade do Rio de Janeiro

Um sumiço misterioso, quatro irmãos sozinhos em uma casa cheia de invenções malucas e um antigo amigo da família que pode, na verdade, ser um grande vilão são os ingredientes de “Valentins – Uma Família Muuuito Esperta”, a nova superprodução nacional de ficção do Gloob. Com lançamento no último dia 12, a série antes mesmo de chegar à televisão, estreou nas ruas do Rio de Janeiro promovendo muita interação nos abrigos de ônibus e totens da Clear Channel.

A campanha de ativação foi desenvolvida pela DreamFactory e mostrou ao público situações e características da atração. Todas as instalações estavam próximas de locais com grande circulação de crianças, como escolas, praças e estações do metrô. Um dos pontos de ônibus foi todo adesivado com imagens da série e equipado com mangueira de luz e caixas de som, para que, quando alguém se sentasse no banco, o objeto se acendesse, indicando que a “Máquina de Conselhos” foi acionada. A partir deste momento, começava uma conversa entre a pessoa sentada e a máquina, controlada por um ator escondido.

A ação contou ainda com totens interativos transformados em traquitanas e painéis digitais, com telas touch screen, adaptados com câmera fotográfica que transformou o rosto das crianças em animais, possibilitando o compartilhamento das imagens na própria peça.

Fonte: Lucia Faria Comunicação Corporativa – Tatiane Oliveira

OOH auditado pelo IVC

Clear Channel é a primeira empresa de OOH auditada pelo IVC

Inventário da empresa foi completamente verificado e já está na ferramenta de planejamento do Instituto

A Clear Channel, uma das maiores empresas de mídia exterior do mundo, passa a ter seu mobiliário urbano e painéis auditados pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC), que também realizará auditorias para veiculações de campanhas publicitárias. O movimento representa uma inovação para o mercado publicitário brasileiro, além de evolução para que a mídia out of home (OOH) seja ainda mais atraente para os investimentos dos anunciantes. O processo que levou à oferta do novo serviço envolve duas verificações, com a auditoria de inventário e auditoria das campanhas. A ação é uma iniciativa da Associação Brasileira de Out of Home (ABOOH).

A verificação do IVC abrange a quantidade dos pontos da empresa localizados nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR). Além disso, certifica as condições de funcionamento, assegurando a funcionalidade das faces visando à veiculação da publicidade. Para garantir a precisão e atualização das informações, essa auditoria será contínua, com relatórios e certificações mensais.

Os dados de OOH, segmentados por tipo de face e região, incluindo o detalhamento individual e a geolocalização ponto a ponto, estão disponíveis na ferramenta de planejamento, no site do Instituto. Os associados ao IVC podem acessar os dados, ter acesso a análises, indicadores, formatos de gráficos e mapas.

“Ter nosso mobiliário urbano auditado por uma instituição com a credibilidade do IVC nos permite ir além, oferecendo ferramenta de consulta e planejamento dos investimentos em OOH. Com esse serviço, podemos garantir que a mídia out of home é um setor de grande alcance e impacto para os mais diversos tipos de campanhas”, enfatiza Lizandra Freitas, general manager da Clear Channel.

Auditoria de campanhas – A partir da checagem do inventário da Clear Channel, o IVC pode averiguar toda inserção de publicidade, desde a montagem do equipamento e inserção do anúncio à retirada da peça. A auditoria abrange todo o período de veiculação da campanha. Esse serviço poderá ser contratado por agências e anunciantes que, ao final do processo, recebem os dados resultantes da auditagem.

Para realizar o projeto de OOH, o IVC utilizou sua expertise de autoria em websites e publicações impressas. “A auditoria de OOH era um desejo de agências e anunciantes. Com a auditoria, o IVC traduz em dados de inventário toda a complexidade do OOH. Estamos mostrando o potencial e amadurecimento do meio, levando aos compradores informações relevantes que cada peça tem”, explica Pedro Silva, presidente executivo do IVC.