Coluna Propaganda&Arte

Como a música pode salvar os comerciais de TV

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A TV aberta nunca desafinou tanto no Brasil. Se antes ela era questionada sobre seus números inflados, hoje sofre com a queda de anunciantes e até gera dúvidas quanto a sua relevância para o público, uma vez que mais de 80% dos brasileiros consideram a internet o meio mais importante em sua rotina, principalmente usando smartphones. (Fonte: IAB Brasil)

Segundo informações do PNT – Painel Nacional de Televisão, a audiência da TV aberta vem caindo consideravelmente nos últimos cinco anos. Destes dados vale ressaltar o declínio de 16% da maior emissora brasileira, enquanto a TV paga se mostra forte com um crescimento de 135%. Apesar disso, o brasileiro tem navegado muito mais do que zapeado, mesmo nos canais pagos.

Por isso, como publicitário e eterno estudante, divago…

Que estamos vendo menos TV tradicional, isso nós já desconfiávamos. Que o smartphone virou a “segunda tela”, nós também percebemos. Diante dessa confusão, orquestrada principalmente pela revolução tecnológica, o que pode ser feito para reconquistar a atenção dos comerciais de TV? Ainda mais na TV aberta?

A resposta pode estar em uma das artes mais antigas do mundo: a música.

Empresas de telefonia, estão apostando em temas musicais repetitivos, com diversas versões e estilos, para conquistar o gosto do público e gerar lembrança de marca. Hora eletrônica, hora uma mistura de sons tecnológicos, nos vemos em um tipo de jogo em que devemos preencher, em nossa cabeça, as notas faltantes da melodia já conhecida.

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Nesse momento, acontece algo diferente. Nossa atenção é atraída, paramos de olhar para o celular, mesmo que por instantes e interagimos de alguma forma com a TV. Foi aí que deu aquele “estalo”: a ideia que inspirou esse artigo! (sim, até as ideias tem som).

Será que eles perceberam que o sucesso dos comerciais agora depende muito mais da música?
Se a TV está ligada, mas ninguém olha para ela, porque estão jogando ou checando aplicativos de mensagens nos celulares, é preciso fazer alguma coisa! Fazer barulho! De preferência um barulho bom. Aí você percebe que algumas marcas estão fazendo algo nesse sentido, criando linguagens sonoras fortes e próprias, como por exemplo grandes bancos e telefonias, mas ainda assim, é muito pouco.

Resumo da ópera: chegou a hora de investir mais em jingles, usar nossa criatividade e musicalidade brasileira em trilhas realmente interessantes. É preciso dar ouvidos às novas tendências e comportamentos dos consumidores, caso contrário o comercial de TV vai se tornar um show cada vez mais sem graça em que o público vai embora, bem no meio da música.

E você? Qual melodia de comercial não sai da sua cabeça ultimamente?

Boa dica de leitura

Duas coisas apaixonantes

Recebi diretamente do autor, Paulo Cezar Alvez Goulart, o livro Música e Propaganda. O volume foi editado pela A9 e em suas 158 páginas traz interessante e deliciosa pesquisa sobre a relação histórica da música com a propaganda. A obra tem ótimo projeto gráfico e é recheado de belas ilustrações.

Uma leitura indispensável para quem, assim como eu , adora jingles e todo o bom uso da música a favor da boa propaganda.

Obrigado, Paulo Cezar. E vamos apreciar essa bela obra.

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Uma boa dica de leitura

Livro preenche importante lacuna

Já tive a oportunidade, como professor orientador, de trabalhar com dois diferentes alunos em dois TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) o tema Jingle. E ficou evidente em ambos os momentos a falta absurda de bibliografia nesta área. Agora este lançamento ajuda a preencher este espaço.

Veja matéria publicada no Meio&Mensagem:

Publicidade antes dos jingles
ESPM lança livro e CD com músicas encomendadas por anunciantes e distribuídas como brindes no século 19

Instituto Cultural da ESPM está lançando o livro Partituras Publicitárias Antes do Rádio, que relata as primeiras formas de usar canções na publicidade brasileira, ainda no século 19, antes mesmo da chegada do rádio no País, o que ocorreu apenas em 1922. Além da edição impressa, o livro é acompanhado por um CD no qual o maestro Amilton Godoy, acompanhado por uma orquestra, regravou 15 das 40 partituras encontradas pelo pesquisador Paulo Goulart, da A9 Editora.

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O material foi coletado em arquivos como os da Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles. Entre os autores das partituras para piano estão grandes nomes da música nacional, como Ernesto Nazareth (1863–1934) e Chiquinha Gonzaga (1847–1935). “Eles eram contratados para escrever partituras que seriam entregues como forma de brinde aos consumidores”, explica Goulart. Naquela época, era comum a presença de pianos nas salas das famílias de classe média e alta.

A expectativa do comerciante era a de que, ao levar a partitura para casa, as pessoas tivessem a curiosidade de tocar a música ou deixar que um aprendiz o fizesse. “Esse era um dos muitos brindes oferecidos na época, além de mapas e leques”, ressalta Goulart.
O curioso é que essa ferramenta de ­marketing era uma demanda que partia dos próprios empresários e anunciantes. Eles encomendavam partituras e, às vezes até letras para as canções, diretamente aos músicos. Entre as raridades encontradas está uma composição de Ernesto Nazareth para o Odeon. Nazareth, aliás, foi quem mais compôs músicas publicitárias nessa época: 13 em quase 40 anos de atividade.
Também há uma composição de Chiquinha Gonzaga para o Café de São Paulo, de 1912. A maestrina utilizou-se de um tango instrumental de uma peça de teatro portuguesa, posteriormente acrescida de versos de Tito Martins. Nascia ali uma tática até hoje muito usada: a publicidade comparativa. A letra da música encomendada pelo Café de São Paulo desafiava explicitamente um concorrente: “Não há (café) Moka que me vença…”.

De acordo com Goulart, a primeira música publicitária tocada em uma rádio brasileira foi Sudan, em 1926 — composta por Canhoto para os cigarros Sudan. O primeiro jingle surgiu em 1932, mas, como só foi cantado ao vivo, como era prática nas emissoras da época, seu registro se perdeu. Os jingles gravados só começaram a aparecer a partir de 1935. O primeiro de que se tem notícia foi criado pela ­agência Bastos Tigre para o Chope da Brahma, com composição de Orlando Silva.

Leia Mais: http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2013/11/26/Publicidade-antes-dos-jingles.html#ixzz2lky5QZkG