Mais do que assistir: por que as marcas estão apostando em experiências durante o Mundial de Futebol

Créditos: Pexels

Para a AMPRO, experiências presenciais, ativações híbridas e comunidades temporárias ganham protagonismo durante o principal evento esportivo do planeta

O maior torneio de futebol do mundo deve confirmar uma mudança que vem redesenhando a estratégia das marcas nos grandes eventos esportivos: a disputa já não acontece apenas pela audiência das transmissões.

Se antes as empresas concentravam seus esforços em exposição, patrocínio e presença na mídia, hoje o desafio é outro. Em um ambiente marcado pelo excesso de conteúdo e pela multiplicação das telas, a atenção tornou-se um ativo escasso. Mais do que ser vista, uma marca precisa ser vivida.

Para a AMPRO (Associação de Marketing Promocional), o Mundial de Futebol 2026 consolida uma nova lógica para o marketing: não basta ocupar espaço na transmissão. É preciso criar experiências capazes de gerar participação, pertencimento e conexão.

Mais do que assistir aos jogos, o público quer viver o evento. É nesse espaço que o marketing de experiência ganha relevância estratégica, transformando uma paixão coletiva em participação, interação e memória.

O movimento já pode ser observado em diferentes iniciativas desenvolvidas no Brasil e no exterior, que combinam transmissões ao vivo, tecnologia imersiva, conteúdo, entretenimento e espaços desenhados para ampliar a participação do público durante os eventos esportivos. A proposta deixa de ser apenas acompanhar uma competição e passa a ser fazer parte dela.

O Brasil ocupa posição de destaque nesse movimento. Nos últimos anos, o mercado desenvolveu projetos que transformaram o esporte em uma plataforma de experiências, combinando ativações presenciais, hospitalidade, conteúdo, entretenimento, tecnologia e relacionamento. O resultado é um ambiente cada vez mais sofisticado, capaz de conectar marcas e consumidores por meio de vivências que vão muito além da exposição tradicional.

A expectativa da entidade é que o Mundial de Futebol 2026 deve acelerar iniciativas ligadas à cultura da torcida, às fan zones, aos festivais temáticos e à ocupação de espaços urbanos, transformando o ato de torcer em uma experiência coletiva de entretenimento.

“Os grandes eventos esportivos sempre mobilizaram audiências. A diferença é que agora as pessoas querem participar da história, não apenas assisti-la. As marcas mais relevantes são aquelas capazes de transformar espectadores em participantes e criar experiências que gerem conexão e pertencimento”, afirma Heloísa Santana, presidente executiva da AMPRO.

Na avaliação da associação, o avanço desse modelo também amplia a demanda por operações mais integradas, uso estratégico de dados, conectividade e estruturas capazes de sustentar jornadas fluidas entre os ambientes físico e digital.

“A tecnologia está transformando a maneira como as pessoas vivem o esporte ao vivo. Hoje, imersão e interatividade ampliam o envolvimento emocional do público e fazem com que assistir a uma partida deixe de ser algo passivo para se tornar uma experiência participativa e multissensorial. As pessoas não saem mais de casa apenas para assistir ao esporte, elas buscam interagir, participar da narrativa e viver experiências que não conseguiriam reproduzir sozinhas diante de uma tela. E a tecnologia potencializa justamente essa capacidade de transformar audiência em experiência”, afirma Bernardo Dinardi, CEO e fundador da TM1 Brand Experience.

A transformação não acontece apenas nos espaços físicos. Ela também alcança os formatos de transmissão, conteúdo e interação que ampliam a experiência dos fãs durante os grandes eventos esportivos. Novos modelos de distribuição, plataformas digitais e narrativas multiplataforma passam a desempenhar papel relevante na construção da jornada do torcedor.

Para Edinho Potsch, fundador da Sherpa42, o esporte é uma das melhores plataformas para se conectar verdadeiramente com as pessoas, pois envolve paixão e emoção, além de criar memórias realmente inesquecíveis. “Nosso destaque para a Copa do Mundo 2026 é a transmissão pelo SBT e NSports, o qual sou sócio, que traz a Copa com Galvão Bueno, Tiago Leifert e vários outros nomes de extrema importância para o esporte brasileiro. Não existe Copa do Mundo sem Galvão, e estar ao lado dele em sua 14ª Copa do Mundo é especial”, diz Edinho.

Mais do que uma oportunidade de exposição, os grandes eventos esportivos se consolidam como plataformas de relacionamento entre marcas e pessoas. Em um ambiente cada vez mais competitivo pela atenção do público, a experiência deixa de ser um complemento da estratégia e passa a ocupar papel central na construção de relevância, conexão e valor para as marcas.

Fonte: NR7 | Full Cycle Agency

De Cannes ao WOO: a nova era da criatividade do OOH

Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor – Crédito: Divulgação

Por Halisson Pontarolla*

Há momentos em que a gente percebe que está vivendo um ponto de virada. E 2025 tem sido exatamente isso para a mídia exterior. A criatividade ganhou holofote não só como diferencial, mas como um pré-requisito para a relevância do OOH. Em eventos como o Festival de Cannes Lions e o Congresso Mundial da World Out of Home Organization (WOO), fica claro que o out of home está no centro das grandes conversas da comunicação global, e o Brasil, também.

Recentemente, tive a honra de participar do congresso da WOO, realizado na Cidade do México, e também de acompanhar o destaque do Brasil no Cannes Lions 2025. E o que une esses dois palcos internacionais é a constatação de que a criatividade voltou a ser a principal moeda de valor da publicidade, e o OOH é uma das suas maiores vitrines.

No Congresso da WOO, reunindo representantes de 58 países e 20 associações, ficou evidente que o OOH está se reinventando com velocidade e propósito. E é motivo de orgulho dizer que a Central de Outdoor levou a maior delegação presente, mostrando o engajamento e a força associativista do Brasil. A América Latina como um todo foi reconhecida como protagonista criativa. Tom Goddard, presidente da WOO, afirmou que, embora a região represente 3% dos investimentos globais em OOH, sua pluralidade cultural a coloca na frente quando o assunto são ideias originais.

Mas essa percepção não ficou restrita à WOO. No palco mais prestigiado da publicidade global, o Festival de Cannes Lions, o Brasil voltou a ser referência. Somos o terceiro país com maior número de prêmios no festival, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido, consolidando nosso lugar entre as potências criativas do mundo. O Brasil será o primeiro país a receber o título de “País Criativo do Ano” no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions em 2025. A honraria busca reconhecer o compromisso excepcional e duradouro do país com a criatividade que impulsiona progresso e crescimento.

Essa convergência entre o reconhecimento internacional e a nossa prática cotidiana confirma o que muitos de nós já sabíamos: não existem campanhas memoráveis sem uma boa ideia, e o espaço urbano continua sendo o melhor palco para ela ganhar vida.

Em eventos como o Festival de Cannes Lions e o Congresso Mundial da World Out of Home Organization (WOO), a criatividade voltou a ser a principal moeda de valor da publicidade – Crédito: Divulgação

Durante os debates na WOO, ouvi muitas vezes que o OOH segue sendo uma mídia de massa, e que isso não é uma fraqueza, mas sua maior força. Enquanto outras mídias fragmentam a audiência, nós oferecemos uma experiência coletiva. A nossa mídia fala com todos, ao mesmo tempo, no mesmo espaço. Ela gera o que chamamos de “efeito one to many”, uma única mensagem impactando diversas pessoas simultaneamente, provocando conversas e engajamento. É uma mídia que cria pertencimento, que transforma uma campanha em assunto nas ruas e nas redes. E isso tem um poder que nenhuma tela de celular reproduz.

O mais interessante é que, apesar de toda a tecnologia, a grande virada que estamos vivendo é muito mais sobre ideia do que sobre inovação. Em um painel no congresso, compararam uma peça clássica do The Economist, que usava apenas uma tipografia em um outdoor, com uma tentativa da IA de refazer a campanha, e o impacto da original foi incomparavelmente superior. A conclusão foi clara: a tecnologia ajuda, mas não substitui a ideia. A inteligência artificial pode sugerir caminhos, mas é a criatividade humana que emociona e conecta.

Claro que o futuro do setor passa também por dados, tecnologias e métricas. A compra programática cresce no mundo inteiro. E, como pontuou Tom Goddard, é urgente que o mercado brasileiro se una para adotar métricas comuns, confiáveis e padronizadas.

Outro ponto de destaque é a sustentabilidade. As cidades estão mais atentas ao impacto ambiental da publicidade, e o nosso setor precisa se posicionar. Não basta estar presente, é preciso contribuir para o espaço urbano de forma positiva. Painéis com eficiência energética, uso de energia limpa, ações de compensação de carbono e integração com projetos urbanos são algumas das frentes que precisamos fortalecer. A Central de Outdoor está atenta a isso e comprometida em promover boas práticas no setor.

Saio desses encontros internacionais com a certeza de que o Brasil tem muito a ensinar ao mundo. Nossa criatividade, aliada à capacidade de fazer mais com menos, nos coloca em um lugar único. Mas também temos muito a construir, com mais dados, mais inovação e, principalmente, com mais valorização do talento criativo.

Como presidente da Central de Outdoor, meu compromisso é seguir contribuindo para que a mídia OOH brasileira continue crescendo com relevância, propósito e impacto. Vamos seguir fomentando a criatividade, fortalecendo o associativismo e mostrando que, o OOH segue, e seguirá, sendo a mídia da rua, das pessoas e da experiência coletiva.

*Halisson Pontarolla é presidente da Central de Outdoor