Atendimento ao consumidor: por que ainda entendemos mal essa transformação?

Por Gustavo Faria*

Toda grande transformação tecnológica costuma ser acompanhada por previsões categóricas. No atendimento ao consumidor, não foi diferente. Há alguns anos, ouvimos que o telefone desapareceria, que os chatbots substituiriam os atendentes e que bastaria oferecer novos canais digitais para garantir uma boa experiência ao cliente. A realidade, porém, vem mostrando um cenário bem mais complexo — e, ao mesmo tempo, mais interessante.

O atendimento está mudando profundamente, mas não na direção que muitos imaginavam.

Esse movimento ainda está em curso e deve ganhar intensidade nos próximos anos. Pesquisa da Gartner mostra que 51% das jornadas de atendimento já começam fora dos canais oficiais das empresas, em mecanismos de busca, redes sociais ou ferramentas de inteligência artificial. O dado mostra que a experiência do consumidor passou a ser construída muito antes do primeiro contato com uma central de atendimento e exige das organizações uma visão mais ampla sobre relacionamento e integração de canais.

Essa mudança ajuda a explicar por que tantas previsões sobre o setor acabam se mostrando simplificações. É comum ouvir que determinado canal substituirá outro ou que a inteligência artificial eliminará a necessidade de interação humana. A experiência das operações, porém, evidencia que a evolução do atendimento não acontece por substituição, mas por complementaridade.

O telefone ilustra bem essa transformação. Seu protagonismo diminuiu, mas sua relevância permanece. Questões urgentes, negociações complexas, problemas técnicos ou situações emocionalmente sensíveis continuam encontrando na conversa por voz uma forma eficiente de resolução. O consumidor deixou de depender exclusivamente do telefone, mas não deixou de valorizá-lo quando o contexto exige uma interação mais rica.

A mesma lógica se aplica aos aplicativos de mensagens. A popularidade dos apps de mensagens instantâneas transformou a forma como as pessoas interagem com empresas e tornou o atendimento mais acessível para diversas situações. Ainda assim, a escolha do canal continua sendo determinada pelo tipo de demanda. Há solicitações que podem ser resolvidas em poucos minutos por mensagem. Outras exigem troca de documentos, análise técnica, negociação ou uma conversa mais aprofundada. A experiência melhora quando existe liberdade para escolher o canal mais adequado e quando a conversa pode continuar sem interrupções, independentemente do ambiente utilizado.

É justamente nesse contexto que a inteligência artificial assume um papel estratégico. Contrariando as previsões que sugerem uma substituição massiva da força de trabalho, a IA vem demonstrando maior valor quando atua como aceleradora da experiência. Automatiza atividades repetitivas, reduz tempos de resposta, apoia diagnósticos e amplia a capacidade de personalização do atendimento, enquanto profissionais concentram seus esforços em casos que demandam julgamento, empatia e tomada de decisão.

Essa avaliação também aparece em estudos internacionais. A McKinsey observa que as empresas mais avançadas no uso de inteligência artificial generativa têm direcionado a tecnologia para aumentar a produtividade e apoiar a tomada de decisão, e não para eliminar a participação humana nas atividades de maior complexidade. O ganho está na combinação entre automação e qualificação das equipes.

Outro aspecto meritório é a integração dos canais. Durante muitos anos, ampliar os pontos de contato era praticamente sinônimo de inovação. Hoje, oferecer telefone, chat, aplicativo, e-mail e redes sociais deixou de ser um diferencial competitivo. O consumidor espera continuidade. Poucas situações geram tanta frustração quanto precisar explicar o mesmo problema repetidas vezes porque cada canal funciona como se fosse uma operação independente.

Essa talvez seja a principal mudança vivida pelo setor. A discussão deixou de estar centrada na abertura de novos canais e passou a girar em torno da qualidade da jornada. Pouco importa onde ela começou; o que faz diferença é conseguir resolver a demanda com rapidez, consistência e o menor esforço possível.

Transformações tecnológicas costumam ser acompanhadas por previsões apressadas. O atendimento ao consumidor não escapou dessa lógica. A experiência prática mostra, porém, que as mudanças mais relevantes vieram da capacidade de integrar canais, incorporar novas tecnologias e preparar profissionais para atuar em demandas cada vez mais complexas.

No fim, talvez a maior lição dessa transformação seja também a mais simples: o futuro do atendimento nunca foi uma disputa entre ferramentas ou canais, sejam eles o telefone, o chat ou a inteligência artificial. Sempre foi — e continuará sendo — sobre compreender o consumidor, respeitar seu contexto e oferecer a melhor experiência possível em cada momento da sua jornada

*Gustavo Faria é diretor executivo da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT).

Marketing não é departamento. É direção.

Imagem gerada pela IA do Canva

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Há uma verdade inconveniente que ainda incomoda muitas organizações: o marketing continua sendo tratado como um setor responsável por campanhas, redes sociais, eventos e materiais institucionais. Quando muito, é chamado para “divulgar” uma decisão já tomada. O problema é que essa lógica pertence a um modelo empresarial que já não responde às exigências de um mercado cada vez mais competitivo, conectado e orientado pela experiência do cliente.

Essa visão operacional faz com que o marketing seja percebido como um prestador de serviços internos, responsável por atender às demandas de outras áreas. Comercial solicita uma campanha. Recursos Humanos pede apoio para uma ação interna. Produto precisa de um folder. Diretoria quer fortalecer a marca. Tudo isso faz parte do trabalho do marketing, mas está longe de representar sua verdadeira função estratégica. Quando a área atua apenas como executora, deixa de exercer justamente o papel que poderia gerar maior valor para a organização.

Essa discussão não é nova. Ainda na década de 1960, Theodore Levitt, professor da Harvard Business School, alertava, em seu clássico artigo Marketing Myopia, que empresas fracassam quando concentram sua atenção apenas nos produtos que fabricam, em vez das necessidades que satisfazem. A reflexão continua atual. Organizações orientadas pelo mercado não perguntam apenas “o que vamos vender?”, mas principalmente “que problema do cliente estamos resolvendo?”.

Philip Kotler, considerado um dos maiores estudiosos do marketing moderno, reforça essa perspectiva ao defender que o marketing deve orientar toda a organização para o mercado, e não apenas comunicar aquilo que ela produz. Em obras como Administração de Marketing e, mais recentemente, Marketing 5.0, escrita com Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan, o autor mostra que o marketing deixou de ser uma atividade exclusivamente promocional para tornar-se uma disciplina voltada à geração de valor, à construção de relacionamentos e à tomada de decisões estratégicas. O marketing não começa quando a campanha é criada; ele começa muito antes, na compreensão do mercado, dos consumidores, das tendências e das oportunidades.

Essa visão também dialoga com um princípio frequentemente atribuído a Peter Drucker, um dos maiores pensadores da administração. Segundo ele, o objetivo do marketing é conhecer e entender tão bem o cliente que o produto ou serviço se adapte naturalmente às suas necessidades. Independentemente da formulação exata dessa frase, a ideia central permanece relevante: marketing não é convencer pessoas a comprar algo; é compreender profundamente o mercado para construir soluções que façam sentido para ele.

Na prática, isso significa que o marketing deveria participar das decisões sobre desenvolvimento de produtos, precificação, experiência do cliente, inovação, posicionamento competitivo e até mesmo cultura organizacional. Afinal, quem está mais preparado para interpretar movimentos de consumo, mudanças de comportamento, transformações tecnológicas e expectativas dos diferentes públicos? Quando essas análises ficam de fora das discussões estratégicas, as empresas passam a decidir olhando para dentro, quando deveriam estar olhando para fora.

Michael Porter, referência mundial em estratégia competitiva, demonstra que vantagem competitiva nasce da capacidade de construir diferenciação sustentável. Essa diferenciação raramente depende apenas do produto. Ela é construída pela percepção de valor que clientes desenvolvem sobre uma marca, pela experiência entregue e pela coerência entre propósito, posicionamento e execução. Todos esses elementos fazem parte do universo do marketing estratégico.

Os números reforçam essa mudança de paradigma. O estudo The CMO Survey, conduzido pela Duke University em parceria com a Deloitte e a American Marketing Association, mostra que empresas vêm ampliando o papel do marketing na transformação digital, na gestão da experiência do cliente e nas decisões relacionadas ao crescimento sustentável. Paralelamente, pesquisas da consultoria McKinsey & Company indicam que organizações que colocam o cliente no centro das decisões apresentam desempenho superior em crescimento de receita, retenção e geração de valor para o negócio. Esses resultados sugerem que o marketing gera mais impacto quando deixa de ser apenas executor da comunicação para atuar como articulador da estratégia empresarial.

Talvez o maior desafio não seja contratar profissionais mais criativos ou investir em novas ferramentas digitais. O verdadeiro desafio é mudar a forma como a alta liderança enxerga o marketing. Enquanto ele continuar ocupando apenas uma posição operacional no organograma, continuará sendo cobrado apenas por indicadores operacionais. Mas, quando passa a participar da formulação das decisões estratégicas, influencia inovação, crescimento, reputação, competitividade e sustentabilidade dos negócios.

Cultura genuinamente orientada pelo mercado

A pergunta que toda organização deveria fazer não é “o que o marketing pode divulgar?”. A pergunta correta é outra: o que o marketing deveria estar ajudando a decidir? A resposta talvez seja uma das verdades mais inconvenientes do marketing contemporâneo: empresas não se tornam líderes porque possuem um excelente departamento de marketing. Tornam-se líderes quando desenvolvem uma cultura genuinamente orientada pelo mercado, na qual o marketing deixa de ser apenas uma área e passa a ser uma forma de pensar o negócio.

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Responsabilidades e atribuições

Atividades:

  • Gestão e monitoramento de redes sociais;
  • Acompanhamento de campanhas (Meta e ADS);
  • Relatório das redes sociais;
  • Responsável por apoiar na elaboração de projetos e propostas de comunicação e marketing com intuito de promover comunicação sistêmica;
  • Atuação no atendimento das demandas de comunicação interna e externa.

Requisitos e qualificações

REQUISITOS OBRIGATÓRIOS

  • Formação completa ou em andamento em Publicidade e Propaganda, Marketing ou áreas relacionadas.

REQUISITOS DESEJÁVEIS

  • Copywriting e storytelling;
  • Conhecimento em Pacote Adobe;
  • Edição de vídeo;
  • Criatividade;
  • Estar atualizado com as tendências de marketing;
  • Ferramentas de IA.

Benefícios

Oferecemos: Previdência, Auxílio Educacional, VT, VR/VA, Auxílio Creche, Plano de Saúde, Plano Odontológico, Gympass.

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