Doses de Mercado promove reflexão sobre criatividade, planejamento e IA no setor de comunicação

A segunda edição do Doses de Mercado reuniu profissionais, estudantes, empresários e representantes do setor de comunicação do Vale do Paraíba em uma noite dedicada à reflexão sobre os impactos e possibilidades da Inteligência Artificial aplicada ao mercado de propaganda, marketing e comunicação.

Promovido pela APP Vale — Associação dos Profissionais de Propaganda do Vale do Paraíba — o encontro aconteceu no Auditório do Sincomercio, em São José dos Campos, e reforçou a proposta do evento de funcionar como um “suplemento vitamínico” para o mercado regional, estimulando atualização profissional, networking e troca de conhecimento entre os participantes.

Com o tema “Inteligência Artificial aplicada a Planejamento e Criação”, o evento contou com duas palestras centrais, abordando de forma prática e estratégica como as ferramentas de IA vêm transformando as rotinas e processos das agências e departamentos de comunicação.

Na primeira apresentação da noite, Yasmin Duarte, diretora de marketing digital da Área Comunicação, falou sobre o uso da Inteligência Artificial no planejamento estratégico. Entre os principais pontos abordados estiveram o excesso de informações disponível atualmente e a necessidade de interpretação qualificada dos dados. A palestrante destacou que o diferencial competitivo já não está apenas no acesso às informações, mas na capacidade de identificar caminhos, tendências e oportunidades a partir delas.

Yasmin também apresentou aplicações da IA em pesquisa, execução de processos criativos, antecipação de cenários e desenvolvimento de estratégias preditivas, ressaltando que o planejamento contemporâneo exige preparação para múltiplos futuros possíveis. Segundo ela, “o futuro não pertence à IA, mas a quem souber interpretar inteligência”.

Na sequência, Guilherme Meneghetti conduziu a palestra sobre criação publicitária e Inteligência Artificial, trazendo reflexões sobre o papel da tecnologia nos processos criativos. Durante a apresentação, destacou que a IA deve ser entendida como ferramenta de amplificação da criatividade humana, e não como substituta do pensamento criativo.

Entre os insights compartilhados pelo palestrante estiveram conceitos relacionados à direção criativa, elaboração de prompts e equilíbrio entre velocidade e qualidade criativa. “A IA não cria. O profissional cria e a tecnologia amplifica”, afirmou Guilherme ao discutir a importância do repertório, da visão estratégica e da curadoria humana no desenvolvimento de campanhas e conteúdos.

De acordo com a organização, o resultado da segunda edição do Doses de Mercado reforça a relevância de iniciativas voltadas à qualificação contínua dos profissionais da comunicação, especialmente em um cenário marcado pela rápida transformação tecnológica e pela crescente integração entre criatividade, dados e inteligência artificial.

A APP Vale destaca que novas edições do Doses de Mercado já estão em planejamento, mantendo o compromisso de fomentar o desenvolvimento do ecossistema de comunicação, propaganda e marketing do Vale do Paraíba.

Retail Media otimiza orçamentos publicitários, incentiva o investimento inteligente e gera valor

Por Mariana Gottardi*

Durante décadas, grande parte dos investimentos publicitários foi direcionada a canais com métricas indiretas, ou seja, alcance, impressões e lembrança de marca. Todos esses itens são importantes, mas difíceis de conectar diretamente à venda.

E é o Retail Media que muda esse jogo.

Dentro de ecossistemas já consolidados, como Amazon, Mercado Livre, Carrefour e Magazine Luiza, a publicidade acontece no momento mais crítico da jornada: quando o consumidor já está próximo da decisão de compra. O resultado? Mídia deixa de ser apenas influência e passa a ser conversão.

A nova era de Retail Media é aquela que justamente entrega eficiência e que fala a língua do CFO, ou seja, não basta apenas mais a segmentação, é necessário apresentar uma mensuração clara e objetiva. No dia a dia, isso significa que cada clique, cada visualização e cada conversão podem ser rastreados com precisão.

Isso transforma completamente a conversa dentro das empresas, pois o marketing deixa de defender investimento com narrativas subjetivas e passa a falar em ROI, CAC e incremental de vendas. Para as lideranças financeiras, isso é um divisor de águas.

Não acredito que seja exagero afirmar que agora o foco dos gestores deverá ser menos dispersão e mais inteligência. Outro impacto importante é a redução de dispersão de investimento, pois em vez de pulverizar orçamento em múltiplos canais com baixa previsibilidade, as empresas começam a concentrar esforços em ambientes específicos, onde o consumidor já demonstrou intenção; o contexto é favorável; e claro, a conversão é mensurável.

Vale reforçar que nenhuma dessas ações elimina outros canais. Elas apenas mudam o peso estratégico de cada um na jornada de compras e conversão. O ponto central aqui é sair do investir mais para investir melhor. Nesse sentido, o crescimento de Retail Media não traz apenas novas possibilidades, mas uma mudança de mentalidade de toda a cadeia.

Neste cenário de pressão por eficiência, budgets cada vez mais escrutinados e necessidade de ROI imediato, o marketing deixou de ser apenas criativo: ele passou a ser matemático. E é nesse contexto que Retail Media ganha protagonismo. Para corroborar essa informação, e finalizar este artigo, também alguns dados relevantes do mercado: Retail Media movimentou cerca de US$136 bilhões em 2024, segundo dados de GroupM e Statista. A projeção é chegar a US$175 bilhões até 2028, consolidando o canal como uma das principais forças da publicidade digital.

A América Latina é um dos mercados de crescimento mais rápido do mundo, ainda com espaço enorme para expansão. Dados do IAB Brasil apontam projeções que indicam crescimento para US$6,7 bilhões até 2029, com o CAGR estimado de ~29,9% ao ano, quase o dobro da média global.

Ainda de acordo com informações do IAB Brasil, em mercados maduros, Retail Media já representa uma fatia crescente do digital, com expectativa de ultrapassar 20% do investimento em mídia digital nos próximos anos. Portanto, mais do que um novo canal, ele representa uma mudança estrutural na forma como marcas investem em publicidade: menos aposta, mais precisão.

Portanto, ao invés de aumentar o orçamento, empresas passam a exigir mais inteligência na alocação. Afinal, na era dos dados, a vantagem competitiva não está em quem investe mais em mídia, mas em quem investe melhor e gera valor.

*Por Mariana Gottardi é Head de Agências na Unlimitail

Para 54% dos consumidores, imagens geradas por IA são percebidas como artificiais e pouco confiáveis, mostra pesquisa

Estudo realizado pela Influency.me e Opinion Box demonstra que 84% dos participantes valorizam conteúdos produzidos por pessoas, com impacto direto na percepção sobre criadores e marcas

As redes sociais ampliaram seu papel e passaram a influenciar diretamente a forma como as pessoas descobrem, avaliam e consomem produtos e serviços. Nesse contexto, a Influency.me, empresa especializada em marketing de influência com mais de 10 milhões de criadores cadastrados em sua base, apresenta o relatório Consumo e Influência Digital 2026, desenvolvido em parceria com a Opinion Box, por meio de entrevistas com 1.201 usuários de redes sociais em todo o Brasil.

O estudo tem como objetivo analisar o impacto dos influenciadores nas decisões de compra, investigando como os brasileiros interagem com conteúdos nas redes sociais, quais formatos despertam mais interesse e quais fatores influenciam a percepção e a conversão ao longo da jornada digital. Assim, a pesquisa mostra como a influência se constrói na prática e como afeta diferentes etapas do consumo.

“A influência nas redes sociais não está restrita ao alcance, mas à capacidade de gerar identificação, transmitir informação e sustentar credibilidade ao longo da jornada. Os dados mostram que a decisão de compra passa por múltiplos pontos de contato e depende da forma como o conteúdo é percebido pelo público”, afirma Rodrigo Azevedo, CEO da Influency.me.

A partir do levantamento, o relatório consolida cinco tendências que mostram como os influenciadores impactam a decisão de compra e quais elementos sustentam essa influência no comportamento do consumidor. Confira:

IA gera eficiência, mas também desconfiança para 43% dos consumidores
A presença da inteligência artificial nos conteúdos é reconhecida pelo público, com 40% considerando a tecnologia uma ferramenta útil. No entanto, 43% afirmam que seu uso em conteúdos de produto gera dúvida, e 54% não aprovam imagens geradas artificialmente, indicando limites na aceitação desse tipo de recurso.

Apesar da adoção crescente, a preferência segue orientada ao conteúdo humano. 84% valorizam materiais feitos por pessoas, mesmo com imperfeições, o que mostra que a tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui fatores ligados à identificação e à percepção ao longo da jornada.

Credibilidade vem da autenticidade
A credibilidade dos conteúdos publicitários está diretamente ligada à forma como a informação é apresentada. Entre os principais fatores, 68% valorizam quando o criador demonstra conhecimento sobre o produto, 64% quando aponta pontos negativos e 57% quando responde dúvidas técnicas. Esses elementos indicam que a construção da confiança está associada à transparência e à capacidade de aprofundar a informação.

Além disso, a forma de produção do conteúdo influencia essa percepção. Vídeos com edição leve (43%) ou sem edição (32%) são mais bem avaliados do que produções altamente elaboradas, mostrando que formatos mais próximos da realidade tendem a gerar maior aceitação e sustentam a credibilidade ao longo da jornada.

O consumidor quer ver o produto na vida real
A preferência por conteúdos que mostram o produto em uso aparece de forma consistente nos dados. Fotos do dia a dia concentram 70% da preferência, enquanto apenas 10% optam por imagens de estúdio. Nos vídeos, 52% esperam ver o produto na rotina e 46% valorizam demonstrações reais de resultado, indicando a busca por referências práticas.

Esse comportamento se conecta ao formato de consumo de conteúdo. A maioria prefere vídeos (77%), especialmente curtos (65%), e demonstra interesse por materiais que expliquem o produto de forma objetiva. A forma como o produto é apresentado, portanto, influencia diretamente a percepção e o entendimento antes da decisão de compra.

A influência acontece, mas exige interesse real
A influência nas redes sociais se traduz em comportamento de compra, mas depende do nível de interesse gerado. Metade dos consumidores (50%) afirma clicar em links de indicação apenas quando o produto é relevante, enquanto 25% raramente ou nunca interagem com esse tipo de conteúdo. Isso indica que a exposição, por si só, não garante conversão.

Além disso, a jornada de compra envolve múltiplas etapas. A maioria compara preços (31%), busca avaliações (26%) e verifica a reputação da marca (19%) antes de decidir. Mesmo com 69% já tendo comprado a partir de recomendações, o processo depende de validações adicionais, o que reforça o papel do influenciador como ponto de partida e não como único fator de decisão.

Os valores impactam a influência e o consumo
O posicionamento dos influenciadores tem impacto direto na relação com o público. Para 63%, fatores políticos e sociais são importantes na escolha de quem seguir, indicando que valores pessoais fazem parte da construção da influência nas redes sociais.

Esse aspecto também se reflete no consumo. Parte dos consumidores afirma já ter deixado de comprar, ou considera deixar, produtos associados a criadores com posicionamentos divergentes. Ao mesmo tempo, há uma parcela que prioriza conteúdo técnico ou de entretenimento, mostrando que diferentes critérios coexistem na decisão.

Inteligência Artificial aplicada à comunicação é tema da nova edição do Doses de Mercado, da APP Vale

A inteligência artificial já deixou de ser tendência para se tornar ferramenta estratégica no mercado de comunicação. E é justamente esse o foco da segunda edição de 2026 do Doses de Mercado, iniciativa promovida pela APP Vale — Associação dos Profissionais de Propaganda do Vale do Paraíba — que acontece no próximo dia 26 de maio, em São José dos Campos.

Com o conceito de ser um “suplemento vitamínico para o mercado de comunicação do Vale do Paraíba”, o Doses de Mercado tem como objetivo aproximar empresas, empresários, profissionais e consumidores da área de comunicação, promovendo desenvolvimento profissional, networking e geração de negócios nos segmentos de propaganda, marketing e comunicação.

Nesta edição, o evento traz como tema central o uso da inteligência artificial para potencializar atividades de planejamento e criação publicitária — duas áreas fundamentais para o presente e o futuro do setor.

A programação contará com duas palestras especiais. A primeira será conduzida por Yasmin Duarte, diretora de marketing digital na Área Comunicação, que abordará o tema “Planejamento e Inteligência Artificial”. Com dez anos de experiência em marketing, Yasmin possui trajetória voltada à integração entre branding, performance e análise de dados, tendo atuado com marcas nacionais e internacionais como Magazine Luiza, Guaraná Antarctica, Grupo Bimbo e Louis Vuitton (Clarins).

Na sequência, o público acompanha a palestra “Criação e Inteligência Artificial”, ministrada por Guilherme Meneghetti, coordenador de criação e conteúdo digital do Crea-SP. Formado em Comunicação e Multimeios, com especialização em criação publicitária e jornalismo digital, Guilherme acumula experiência em conteúdo, moda e publicidade, tendo trabalhado com marcas como Einstein, Renner, Avenue e Paketá.

Segundo a organização, a proposta do Doses de Mercado é criar um ambiente de troca de conhecimento, atualização profissional e fortalecimento do ecossistema de comunicação da região. A escolha da inteligência artificial como tema reflete a crescente transformação do mercado e a necessidade de profissionais e empresas compreenderem como utilizar essas ferramentas de forma estratégica, criativa e competitiva.

O evento será realizado no Auditório do Sincomercio, em São José dos Campos, das 19h às 21h30. As inscrições já estão abertas.

Serviço
Doses de Mercado — Inteligência Artificial aplicada a Planejamento e Criação
Data: 26 de maio de 2026
Horário: das 19h às 21h30
Local: Auditório do Sincomercio — São José dos Campos
Realização: APP Vale

Inscrições por aqui