Ando conversando um pouco em sala de aula sobre os novos rumos do mercado de comunicação e da profissão de publicitário. Muita gente anda temerosa achando que não vale mais a pena investir na carreira e coisa e tal.
Penso um pouco diferente. Acredito que o mercado está em ebulição, em forte ritmo de mudança. E isso deixa mesmo as coisas um tanto confusas. Creio, portanto, que o mercado oferece mais oportunidades do que nunca ofereceu.
Sei, você vai dizer: e a crise?
Sim, existe a crise. As empresas vão mal porque a economia vai mal. Fato!
Por outro lado fica claro após uma breve mas boa observação de tudo que está acontecendo que o mercado está se abrindo e se desdobrando, criando novas formas de sobreviver e continuar existindo. Há novas formas de atuação, há novas funções, há a busca por novas soluções e práticas de comunicação.
Há muito impacto de tecnologia e ao mesmo tempo muita necessidade de entender as pessoas.
O que tenho dito é que é preciso estar atento e forte! Temos que sacar os movimentos do mercado e encontrar oportunidades para nossa atuação profissional. Ao contrário dos últimos vários anos não haverá um modelo predominante no mercado publicitário – como ocorreu com as onipresentes e tradicionais agências de propaganda.
Há modelos híbridos em que se atua dentro do cliente, mas sendo contratado por uma agência, há modelos de atuação dentro dos clientes sendo contratado pelo cliente – houses, content houses, digital houses, hubs de criatividade e conteúdo, polos de inovação etc.
Há o B.I., os eventos, o VR, os apps, os bots, machine learning, varejo omni-channel etc etc etc
Fique sacando o mercado o tempo todo e perseguindo as oportunidades. Perceba as tendências e tente surfar uma determinada onda. Aquela que talvez melhor lhe convenha. Ache algo dentro deste emaranhado de novidades que lhe sirva. E vá fundo: pesquise, aprenda, encare!
Tá tudo aí para quem souber entender e conseguir apanhar.
Customer experience: confira os principais insights do Adobe Experience House
Transformação digital, personalização, força do trabalho, cultura digital e data analytics foram algumas das mensagens transmitidas pelos convidados da Adobe no evento deste ano
A Adobe reuniu Microsoft, Via Varejo, Webmotors, Accenture e diversas outras marcas parcerias da multinacional de tecnologia; quatro escolas de marketing – Digital House, ConvergeYou, Hyper Island e a Berlin School of Creative Leadership – e grandes nomes do marketing para debaterem justamente sobre o tema Marketing de Experiências. Esse foi o Adobe Experience House, que aconteceu na Escola Britânica de Artes Criativas (EBAC), em São Paulo.
Guiado por experiência do cliente, criatividade e inovação, o evento teve como objetivo criar um espaço de troca e aprendizado sobre transformação digital. Confira os principais insights apresentados pelos convidados do Adobe Experience House:
1 – Digital não é só ferramenta. É cultura – Paulo de Tarso, vice-presidente de educação continuada da Kroton Educacional
Parceiros de tecnologia são essenciais no processo de transformação digital das empresas, mas o engajamento interno também é peça-chave para que o movimento, de fato, aconteça. “Temos nos reorganizado internamente para trabalhar nossos produtos e serviços sob a ótica digital. Estamos buscando um novo mindset, ou seja, uma nova cultura para entregar experiências digitais para nossos clientes”, disse.
2 – Customer experience amplia alcance das mensagens de marca – Gabriela Monteiro, diretora de digital transformation do laboratório farmacêutico Sanofi no Brasil
A partir do momento em que as empresas entendem “experiência” como toda e qualquer interação dos clientes com uma marca, a customer experience passa a trabalhar a favor da comunicação e do marketing. “Novos canais de comunicação e a integração entre pontos de contato físico e digital aumentam o alcance de nossos produtos e das mensagens estratégicas de marca. Desta forma, nosso público também se torna nosso porta-voz”, explicou.
3 – Personalização é nova fronteira do e-commerce – Fabio Marão, gerente de marketing interativo e e-commerce da Azul Linhas Aéreas
Atender e até superar as expectativas dos clientes ao longo de uma jornada é um padrão das marcas mais inovadoras do mundo. Quando falamos sobre e-commerce, essa premissa ganha reforço da personalização. “É preciso criar uma jornada que mostre ao cliente que ele é único, que você conhece seus hábitos e sabe o que ele precisa. Que respeita a vocação de cada tela, seja do desktop, do mobile ou do relógio. Isso é fundamental para levar à conversão”, defendeu.
4 – Negócios orientados por dados superam expectativas dos clientes – Paula Bellizia, presidente da Microsoft no Brasil
Definir e executar as estratégias de marketing e de negócios a partir de uma análise minuciosa de dados garante mais assertividade e segurança para as decisões das empresas. “As marcas hoje estão sendo desafiadas sob a ótica de seus consumidores que demandam cada vez mais. Como resolver essa questão? Com uma estratégia data-driven”, assegurou.
5 – Transparência é moeda de troca para engajamento – Eduardo Bicudo, managing director da Accenture Interactive na América Latina
Palavra de ordem para os negócios éticos, a transparência vai pautar cada vez mais o trabalho dos líderes de marketing. “Nossas pesquisas apontam que 80% dos consumidores estão confortáveis com a coleta de dados, desde que a empresa seja transparente quanto ao seu uso”, disse.
6 – Dados é o mais fiel raio-x de consumo e comportamento humano – Benito Berretta, speaker da escola de inovação Hyperisland na América Latina
O uso criativo de dados em campanhas de marketing ganhou contornos mais claros durante a Adobe Experience House. “Quando falamos de dados, estamos falando de pessoas. De padrões de comportamento que se repetem e que nem sempre estão claros para nós sem uma ferramenta para analisa-los. Data é rede e a rede é o reflexo do comportamento das pessoas”, analisou.
Robôs já conversam com os humanos e nos ajudam a pedir pizza, comprar uma casa e até nas ações de marketing
*Por Fabiana Macedo
Com a evolução em alta velocidade da tecnologia nos últimos anos, a inteligência artificial (área da ciência da computação que trabalha com sistemas e equipamentos capazes de simular a capacidade humana de raciocinar e realizar tarefas) deixou de ser coisa de filme futurista e hoje já faz parte do dia a dia de muita gente. Quer exemplos?
Ela já está presente nos smartphones com Android ou no iPhone, que atendem a comandos de voz feitos pelos usuários; em caixas de som inteligentes de empresas como Google e Amazon, que conversam com seus donos e dão informações variadas sobre temas como música, clima e receitas; e nos robôs de atendimento, que permitem comprar passagens aéreas, pedir pizzas, receber notícias personalizadas e até facilitam a venda de imóveis (caso de uma solução criada pela startup brasileira Hypnobox).
E não para por aqui. Os fabricantes de eletrodomésticos também estão incorporando essa tecnologia a equipamentos como fogões, geladeiras e máquinas de lavar. A ideia é que esses eletrodomésticos, além de atenderem aos comandos dos usuários, aprendam com os hábitos de seus proprietários. Trata-se de um mercado bilionário, em franco crescimento. Segundo a consultoria IDC, os chamados sistemas cognitivos e de inteligência artificial devem movimentar US$ 47 bilhões em 2020, contra US$ 8 bilhões registrados em 2016.
Mas e como isso impacta o mundo da comunicação? Ao integrar a inteligência artificial e sua capacidade de monitoramento ao banco de dados das empresas e aos sistemas de gestão de relacionamento com o cliente é possível, por exemplo, gerar campanhas online muito mais eficientes, que segmentam a audiência e entregam apenas ao perfil desejado. A IA terá impacto desde a criação de uma campanha (com os dados captados dos clientes) até a forma de entrega, com a inteligência e a segmentação proporcionada pela tecnologia.
E será que os profissionais de comunicação chegarão a ser substituídos por esses sistemas? Para tentar oferecer uma amostra desse futuro, a startup americana Knowhere criou nos Estados Unidos uma espécie de “robô jornalista”, que escreve notícias e promete ser 100% imparcial. O programa lê sites jornalísticos, determina os temas mais quentes do momento e escreve artigos sobre esses temas. Nada que assuste os profissionais de imprensa – pelo menos por enquanto.
Apesar de o brilhante físico Stephen Hawking (que morreu em março) ter previsto que a inteligência artificial pode substituir todos os humanos, ainda levará muito tempo para que esse tipo de cenário se concretize (se é que um dia isso realmente vai acontecer). No momento, o que cabe a nós, “meros mortais”, é aprender a lidar com essas ferramentas, tirar proveito da sua capacidade de atendimento e aprendizado, do volume de dados que proporcionam para a tomada de decisão e da redução de custo que elas oferecem. As máquinas estão cada vez mais inteligentes. E precisamos tê-las do nosso lado.
Assistente virtual cognitivo: o próximo passo da colaboração homem-máquina nos negócios
* Por Edgar Lisboa
Segundo o estudo Empowering Digital Workplaces, da Ricoh, 86% dos tomadores de decisões empresariais empenham-se em melhorar a agilidade como um objetivo comercial em 2018. Isso porque os negócios da era digital pedem agilidade, com a soma de capacidades que relacionam pensamento, criatividade, intuição e execução.
Nesse aspecto, a inovação é uma busca permanente para alcançar novos e melhores resultados em um mercado cada vez mais amplo e em constante mudança. Mesmo porque, ao contrário das condições de anos atrás, a inteligência artificial está se tornando cada vez mais acessível, expressando um diferencial competitivo.
Um elemento-chave para melhorar a agilidade é investir em tecnologias que permitam às pessoas trabalhar de forma diferente. Essa foi uma descoberta da pesquisa The Tech Evolved, realizada pela Ricoh em parceria com a Coleman Research. Segundo o estudo, (52%) dos responsáveis pela tomada de decisões nas empresas acreditam que se as companhias não introduzirem novas tecnologias, fracassarão em cinco anos. Com relação à transformação dos locais de trabalho, a pesquisa assinala que os líderes confiam que automação (72%), análise de dados (64%), tecnologias de gestão de documentos (62%) e videoconferências (56%) serão as tecnologias de maior impacto. De acordo com o levantamento, a previsão é de que, em 2036, os funcionários serão capazes de enviar assistentes virtuais ou hologramas (59%) para assistir a reuniões em seu nome.
A era cognitiva, uma oportunidade para os negócios na América Latina
As máquinas estão cada vez mais preparadas para repetir as faculdades cognitivas humanas, inclusive no processamento de informações, pela compreensão da linguagem natural. Assim, são capazes de gerar hipóteses baseadas em evidências e de aprender o significado das palavras, considerando variáveis e circunstâncias. Já são realidade, por exemplo, os assistentes virtuais que leem milhões de páginas em segundos e conseguem entender, organizar e correlacionar os dados.
A base dessa nova realidade é a inteligência cognitiva, considerada a versão 2.0 da inteligência artificial. Ela melhora a experiência das organizações, colaboradores e clientes com interfaces amigáveis e compreensíveis, que possibilitam interação fácil por texto ou voz. Por outro lado, tem o papel de identificar e quantificar cada ação ou evento que esteja ocorrendo, seja com o apoio de sensores (IoT) ou exponencialmente, ao somar informações da internet.
Essa nova forma de colaboração entre o homem e a máquina acelera em grande escala o conhecimento humano. Também ajuda no processo de tomada de decisões, transformando o modelo de negócios das empresas. Além de ser parte da transformação digital, uma realidade irreversível.
Ou seja, a era da tecnologia cognitiva já chegou ao mundo empresarial. Por isso, as empresas da América Latina devem priorizar a otimização de seus modelos operacionais e comerciais em sintonia com a agilidade exigida pelos mercados.
Também devem levar em conta a melhoria da experiência dos funcionários e dos clientes e como as soluções tecnológicas serão essenciais para a competitividade de seus negócios.
* Edgar Lisboa é IT Services Solutions Manager na Ricoh Latin America.