Coluna {De dentro pra fora}

O jogo virou, não é mesmo? É preciso reinventar tudo

Vitor 2016

De tempos em tempos, a gente observa alguns movimentos no mercado de marcas que mudam seu posicionamento e reinventam seu modelo de negócio. O intervalo entre essas mudanças tende a ser cada vez mais curto.

Particularmente, eu acho que isso é um reflexo do comportamento do consumidor, que muda constantemente. E, ainda uma opinião particular, acredito que isso seja consequência das redes sociais e de como elas se integraram ao nosso dia a dia.

Do lado de dentro, o movimento é o mesmo. Porém, ele acontecia mais devagar. Atualmente, não dá mais pra esperar. O jogo virou. O público interno quer participar, quer contatos diferentes com a empresa. Quer informação? Claro, mas de uma forma diferente.

Já reinventamos a narrativa para fora. Agora, sentimos a obrigação de repensar a narrativa interna. É preciso reinventar tudo: canais, narrativa, linguagem.

Em uns três clientes (de Comunicação Interna mesmo), eu tive a oportunidade de participar de projetos para gerar conteúdos diferenciados para canais digitais. O resultado foi muito legal. Pegamos as informações necessárias e traduzimos para uma linguagem de memes, explorando gifs famosos e abordagens ao estilo “Como eu me sinto quando trabalho numa empresa com responsabilidade social”. Aprovar esse tipo de trabalho em CI mostra como as empresas podem ser mais leves e mais próximas de seus empregados. Até nos veículos tradicionais, como jornais e revistas, a linguagem informal e leve ganhou mais espaço. Títulos mais descontraídos, hashtags e uma estrutura de texto bem diferente do padrão.

Ainda nessa linha, vou falar de um dos últimos trabalhos que entrou pro hall dos meus queridinhos. A demanda era um vídeo institucional para falar sobre a história dos produtos da 3M (para os empregados). A solução foi somar elementos de vídeos institucionais com elementos de storytelling. O resultado foi tão positivo que o cliente decidiu compartilhar a série de vídeos no canal da empresa no Youtube. Esse também é um bom exemplo de como a Comunicação Interna deixou de ser interna e pode colaborar para a construção da imagem da marca. Reinvente tudo aí dentro!

Para quem ficou curioso, seguem dois dos vídeos da série. Eu participe do projeto pela Supera Comunicação.

Coluna Branding: alma da marca

Mudando o Brasil – 1/2

arte arison coluna

Na cultura brasileira é depois do carnaval que o ano começa, então, já está na hora de tratar de assunto sério e polêmico nesta coluna. A mudança de cultura em uma nação.

Há poucos dias li uma carta aberta de um gringo, Mark Manson, que refletia sobre a cultura do Brasil, destacando principalmente nossas fraquezas culturais e concluindo que elas nos faziam reféns do tal jeitinho brasileiro. Em seu texto, Mark destaca a dificuldade de falar a verdade, a vaidade para agradar os outros, e o medo de ferirmos as pessoas com o que pensamos sendo os iniciadores dos nossos males, como a imortal corrupção.

Desde já digo que concordo em 30% com o pensamento de Mark. Isso porque uma cultura não é composta apenas de defeitos e não se pode analisar a marca de um país por um exemplo tão minimizado. Quando buscamos cultura, precisamos levar em conta todos os valores e defeitos, não há como separa-los ou pinçarmos apenas o que nos interessa, pois, isto não nos dará uma análise profunda. É preciso cruzar defeitos e virtudes.

Por exemplo, há um defeito que Mark não pontuou para o Brasil mas que historicamente nos prejudica, a síndrome de colonizado: Escândalos e problemas com injustiças políticas acontecem em todo o mundo, mas aqui ajudamos a desprestigiar nossos próprios símbolos. Veja o que foi feito com a Petrobras! Não é que deveríamos fechar os olhos para a o problema da corrupção. Ela precisa e parece estar sendo investigada pelas forças competentes, mas, a mídia em outros países teria um pouco mais de critério na difamação de um símbolo nacional, uma manchete pode ser: “escândalo de corrupção envolve políticos e empresários” ou “escândalos de corrupção envolve governo e Petrobras”.
Pensem como os americanos fariam essa matéria!

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Lembrem-se, faz pouco tempo em que os EUA foi acusado de espionagem por um de seus analistas da CIA. O que há hoje de matéria sobre isso? Cadê a imagem de governo que fere os direitos do cidadão ou de uma polícia que usa artifícios ilegais? Há sim uma imagem taxada ao analista, o Snowden é um inimigo público oficialmente declarado como traidor.

Isso é proteção às suas instituições! Mas, é realmente pensar no bem comum antes dos individuais? Tenho minhas dúvidas. Enfim, para o próprio Mark é importante perceber que não se pode analisar uma cultura sem levar em conta que uma fraqueza às vezes se torna força e vice-versa.

Mas é verdade que nossos problemas, assim como todos os problemas, estão enraizados em nossa cultura. E, a mudança não é algo tão impossível quanto parece. Vejamos o exemplo da Coreia do Sul, da Alemanha oriental ou até do nosso vizinho Uruguai. Todos estes passaram por processos de mudança de cultura, se uniram em um único propósito, fazer funcionar. O que acho que falta ao Brasil é um propósito único. O fim de uma disputa de poder, por poder. Não somos um país dos vermelhos ou dos azuis, somos uma única nação em verde e amarelo. Mas realmente não vejo um líder apresentado neste sentido.

De qualquer forma entendo ter 3 passos para a mudança de cultura, seja em uma pessoa, empresa, instituição ou país:

1 – Auto-análise. Este é o passo que Mark nos propõe, é uma etapa onde precisamos identificar nossas fraquezas e também nossas virtudes. Com estes dois elementos podemos ver cenários futuros que podem ser devastadores ou oportunos. É lógico que escolhemos sempre os oportunos, mas é importante conhecer os devastadores, pois, se eles aparecerem não ficamos batendo cabeça pra resolver e tomamos uma ação rápida. Vide exemplo do caso da CIA nos EUA.

2 – Vontade de mudar – é a fase difícil, a fase do empurrão inicial onde é preciso o exemplo heróico. Gosto de citar a difícil missão da primeira ministra alemã, que tem feito um grande esforço em prol da aceitação dos Sírios em seu país. Em um texto de 2015 (http://www.atributo.com.br/mudar-uma-marca-historica/) comentei o que penso ser uma grande oportunidade de mudança para a imagem deste país.

3 – O engajamento – é a fase de fazer os outros acreditar. Cito um exemplo mais pessoal. Quem não conhece a experiência de um amigo que começou a fazer um regiminho e se tornou atleta. É muito comum uma primeira atitude dar origem a uma grande mudança, pois, ela vai contagiando por comunicação.

Por hoje paramos por aqui, mas no próximo mês continuo com o assunto e vou falar sobre algumas técnicas de mudança de cultura que poderiam mudar o Brasil.

Comentem, compartilhem curtam ou não, mas vamos debater o assunto, pois como diz nossa cultura, filhos do Brasil não fogem à luta.

Coluna “Discutindo a relação…”

Mudar causa espantos

Josué coluna correto

Causou-me enorme surpresa esta semana a quantidade de pessoas _ a maioria leigas, mas também alguns profissionais e estudantes de comunicação – lamentando o fato da marca Dolly ter lançado um novo comercial em que, supostamente, abandona sua linha de comunicação baseada em desenhos animados e no personagem Dollynho.

Causou espanto porque sempre houve pesadas críticas à comunicação de Dolly. Muita gente a classificava como “tosca”. particularmente nunca gostei. Achava mal feita. Bem mal feita. A qualidade da animação até que foi evoluindo ao longo dos últimos anos, mas o conteúdo de comunicação sempre foi ruim.Veja essa matéria, por exemplo.

O personagem Dollynho

O personagem Dollynho

Cheguei a comentar nas redes sociais em alguns posts que sou e sempre serei defensor da boa comunicação. Daquela feita com estratégia, posicionamento, conteúdo e criatividade (ideias originais, pertinentes e relevantes).

Tive na faculdade um mestre que dizia: “A propaganda tem duas chances de se tornar inesquecível. Quando é muita boa ou quando é muito ruim.” Uma das possíveis explicações para alguns lamentos em torno da possível aposentadoria das animações do Dollynho é essa: quem curtia o tosco e o achava legal justamente por ser tosco pode estar sentindo sua partida.

Outra possível explicação é mais conhecida e gasta: as pessoas sempre resistem às mudanças. Pelo menos inicialmente e mesmo que sejam para melhor.

https://youtu.be/I8Eh5YP-1rY

A comunicação mercadológica da Dolly era ruim. Mesmo minha filha, que hoje está com 10 anos e cresceu vendo os filmes de Dolly e seu Dollynho, nunca gostou.

A nova proposta de comunicação, o novo posicionamento e a linha criativa propostas no novo filme estão longe de ser brilhantes, mas, na minha sempre muito modesta opinião, têm viés de melhoria.

E é louvável que um anunciante que se ligou por tanto tempo a uma proposta de comunicação tenha tido a coragem de mudar. Muito louvável! Talvez tenha trocado de agência (ou contratado uma, não sei quem fazia a comunicação de Dolly). Talvez a caixa registradora tenha soado o alarme . Talvez simplesmente tenha percebido que era hora de trocar de direção e experimentar novos rumos. Não sei…

O fato é que mudar sempre implica em riscos. E pode causar incômodos e até críticas. Mas pessoas e marcas não são poste. Vivem em movimento. E, para ter longa vida, precisam de mudanças, precisam de movimento!

Coluna {De dentro pra fora}

Já que o Carnaval acabou, vamos falar dos ritos

Vitor 2016

Ritos? Segundo o Michaelis, uma das definições de rito é o “conjunto de cerimônias e fórmulas de uma religião e de tudo quanto se refere ao seu culto ou liturgia”. Se a gente pensar bem, as religiões têm seus ritos, as culturas têm seus ritos e as empresas também deveriam ter seus ritos. Não, não estamos falando de religião, ok? Que fique bem claro.

Mas, então, o que seriam os ritos dentro de uma empresa? De maneira bem simples, podemos pensar nos ritos como os diferentes eventos que marcam a cultura da empresa: integração de funcionários, tempo de casa, aniversariantes do mês, aniversário da empresa, feedback, aposentadorias. Os ritos têm diversos “segmentos”, como ritos de reconhecimentos e ritos de integração. Nos momentos mais desafiadores (como o cenário econômico atual), os ritos são importantes para manter a equipe focada, envolvida e comprometida com os resultados. Eles fazem parte do processo de comunicação de uma empresa, pois são muito importantes para fixar a cultura e ajudar os empregados a entenderem a identidade da empresa por meio de práticas. Os ritos também são oportunidades de transmitir os valores da empresa, inclusive os comportamentos esperados pela gestão.

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Geralmente, as verbas dos ritos são as primeiras a serem cortadas. Ou mesmo os ritos vão ficando de lado, sendo desvalorizados. Porém, eu já peguei vários briefings de manejo de cultura, de empresas que foram compradas por outras e até resultados de pesquisas e vi muitos funcionários reclamando de ritos que foram deixados pra trás, simplesmente abandonados pela nova gestão/nova empresa. Portanto, aproveite esta semana pós-Carnaval e reflita sobre dois pontos, em diferentes cenários que você pode se encontrar:

– Quais ritos sua empresa tem? Quais traços culturais eles reforçam? Existe algum rito que você deveria implementar no processo de comunicação?

– Você precisar cortar um rito por falta de verba? Qual terá menos impacto? Qual traço cultural precisa ser mais reforçado? (Então, não corte um rito que tenha relação com ele, ok?). Não tem como simplificar esse rito ao invés de cortá-lo de vez?

Lembrem-se de que os ritos ajudam a conquistar o engajamento dos empregados, por isso devem ser tratados com muito carinho, estratégia e cuidado. Eles podem ajudá-lo muito ou causar grandes problemas. Pense bem no que você vai fazer. Só não deixe de fazer, pois eles são muito importantes no processo de comunicação interna.