Coluna Branding: alma da marca

Branding pra todos

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Recentemente fui questionado em sala de aula se Branding era assunto apenas para grandes marcas, com grandes verbas de comunicação.

Logicamente percebi que esta não era uma dúvida incomum e que muitos alunos, assim como pessoas do mercado, não conseguiam definir corretamente este tema.

Esse artigo, então, tem como objetivo desmitificar um pouco deste assunto dando argumentos para que seja possível conceituar o nebuloso “Branding”.

Se você acredita que branding se define por design, propaganda ou marketing. Esqueça isso !!!

A primeira coisa que temos que entender é que Branding, ou Gestão de Marcas, não é produto, mas sim, processo. Portanto, se caracteriza por um trabalho de longo prazo composto por muitas ações e técnicas, que incluem desde design, propaganda, marketing, logística, recursos humanos, desenvolvimento de produtos e todo composto gerencial de uma empresa.

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Gestão de marcas , então, é assunto grande, mas necessariamente não exclusivo de grandes empresas. É possível fazer Branding em negócios de qualquer porte, desde que haja cultura corporativa. Este é o elemento básico.Quando digo cultura corporativa, penso na alma que faz a instituição ser construída, nas suas promessas ao consumido e nos valores que a diferencia, tornando-a competitiva.

Saber exatamente o que a nossa marca representa é o único pré-requisito para se fazer a boa gestão de marca.Dou como exemplo um bar de Taubaté chamado “Barril do Zé Bigode”. O bar mantém uma boa fama há decadas, é considerado um dos “points” tradicionais e é lembrado por todos, sem nem ao menos, ter uma identidade visual constituída, logotipo padronizado ou mesmo unidade no Naming. Alguns o chamam de “Barril do Bigode” outros de “Bar do Bigode” ou só “Bigode”.

Mas, este bar tem personalidade verdadeiramente de “boteco” e este conceito se apresenta no modo de servir o cliente, passa pelo design e se consolida nas receitas do cardápio.Isso o diferencia dos demais, chamando atenção de um público modal e mantendo fiel aqueles que tem o mesmo conceito como estilo de vida.

É logico que parte do sucesso do bar se deve ao momento e ao lugar, onde o público consumidor entende e aceita a característica “boteco” como sua preferência. No entanto, em outros momentos ou em outros lugares, bares com esta mesma característica podem ter mais dificuldades de se relacionar com o público alvo, e é nessa hora que o Branding aparece.

A gestão de marca trabalha a instituição criando o que os psicólogos chamam de “personas”, mascaras de contato que fazem a interlocução entre uma empresa e seus possíveis consumidores. Propaga, relaciona, atribui valor, diferencia e fideliza o estabelecimento, mantendo sempre intacto a alma da marca.

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E isso é caro?

Gosto de pensar em valor como define Kotler, sendo a diferença entre o benefício e o custo.

Dessa forma, no branding, mensuramos cada ação pensando assim: Se o valor investido traz o resultado esperado, não é caro!

Parece óbvio, né? Mas não é!

Como exemplo, peço que se imaginem gerindo marca de um bar como o que citei anteriormente. Famoso, tradicional e com cara de boteco. E digamos que temos pouco dinheiro para fazer uma ação e a necessidade de se movimentar faz com que tenhamos pressa em fazer algo, e então resolvemos colocar bandeirolas por toda varanda do estabelecimento com o objetivo de chamar atenção à nossa marca.

O que isso traria para o bar?

Chamaria atenção de novos clientes que nunca tenham visto o bar? Deixaria-o mais famoso do que é? Atrairia os clientes já consumidores pela curiosidade do algo novo? Agregaria valor a marca? Traria credibilidade ao mesmo?

Se todas respostas forem NÃO, seu único objetivo com a ação foi o desperdício. E isso é CARO!

Valeria a pena guardar o dinheiro e investir em um letreiro iluminado, com grande design, que mantivesse a alma de boteco mas ao mesmo tempo trouxesse um certo requinte, mesmo que este custasse 30 vezes mais. Afinal, esta ação traria todos os benefícios esperados.

Caro e barato é relativo, mas fazer branding não depende desta relatividade. É saída para todos.

Climão de Natal

Bateu saudade!

Sabe, sou do tempo em que esperávamos ardentemente pela chegada de novembro para degustar os incríveis comerciais de Natal dos anunciantes tradicionais. Os jingles e filmes da Varig, os da Coca-Cola, o do Banco Nacional e seu famosos jingle. Era uma época divertida, lúdica, quase mágica.

Todos aqueles filmes e mensagens de paz e amor aumentavam a expectativa e a ansiedade pela chegada da noite de natal. Eu ficava pilhado. Muito ansioso!

https://youtu.be/xqGoYwOHju0

Os anunciantes caprichavam. Sempre havia mensagens bacanas e que ajudavam a nos transportar para o clima natalino. Não sei o que aconteceu. Se foi urgência por resultados, se descuido com o institucional e o branding, falta de verba, preferência por ações promocionais… não sei. O fato é que estes filmes natalinos foram rareando até praticamente acabar.

É claro que há honrosas exceções aqui e ali. Há ainda marcas e produtos que separam uma parte da verba para caprichar no Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Uma das marcas que resgatou este clima neste ano foi o Vale Sul Shopping. Filme de fim de ano com cara, clima, mensagem e emoção de fim de ano. Já falamos dele neste blog. Confira aqui.

Outra coisa que me veio a mente em uma das minha muitas idas e vindas entre o ABC e o Vale do Paraíba foi a época em que as empresas situadas às margens da Rodovia Presidente Dutra enfeitavam seus jardins e fachadas com decorações natalinas. Algumas, pelo menos na minha memória, eram incríveis.

Lembro de sempre admirar bastante as decorações feitas pela Johnson&Johnson em sua unidade fabril de São José dos Campos. Ficaram para sempre em minha memória. Estas decorações também foram minguando e, salvo engano de minha parte, sumiram.

Em Santo André, um conhecido hospital-maternidade faz uma belíssima decoração de Natal que vira atração das festas de fim de ano. As calçadas próximas ficam lotadas e as pessoas se aglomeram para ver, fotografar e elogiar. Virou tradição! E cria uma empatia enorme com o público.

Parte da decoração de Natal de um hospital em Santo André

Parte da decoração de Natal de um hospital em Santo André. Tem até neve artificial!

Acredito que esta ação (a decoração de jardins e fachadas) tinha um custo relativamente baixo e um incrível impacto, principalmente entre a comunidade próxima. Será que atualmente é tão oneroso assim para as empresas fazer tal ação? Acredito que não!

Comentei isso com minha esposa e ela me disse que, quando criança, ao voltar a noite de visita a casa da avó em São Paulo, ela e a irmã brigavam com o sono só para ver as indústrias iluminadas. Isso não tem preço!

Não sei se ao ficarmos mais velhos aquele clima natalino vai perdendo força em meio a correria do dia a dia adulto ou se realmente parte (significativa) deste sentimento deixou de ser trabalhado pelas marcas. Em tempos em que a empatia e a interação com o público são fatores decisivos, o uso desta época do ano para estreitar laços, criar fortes conexões emocionais e ganhar “share of heart” me parece perfeita. Uma janela indispensável.

Quem sabe mais ações como as do Vale Sul Shopping – e com a mesma criatividade e qualidade – surjam nos anos seguintes.

Nós agradeceríamos. Muito!

Coluna “Discutindo a relação…”

Mudança, força e vontade!

Josué coluna correto

Ela já se instalou, não é mesmo? E já faz estragos em todos os setores da economia brasileira. Claro que estamos falando da crise. Essa nossa crise que é uma terrível mistura de crise econômica com crise política.

Não gosto dos discursos do tipo “auto ajuda” em relação às crises. Desculpem-me quem escreve, faz palestras e compartilha coisas em torno da frase “crise, resolvi não participar”. Acho pouco provável que não participemos da crise. Todos estamos e estaremos inseridos nela. E talvez por mais tempo do que gostaríamos.

Os discursos são sim importantes. A motivação, é claro, também. Mas também é preciso encarar o momento com boa dose de realismo. Aceitar que a crise afeta e afetará nosso setor é fundamental para começar a vencê-la.

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A crise é terreno fértil para a implementação de mudanças: de atitude, de modelo, de paradigmas, de métodos. Crise é um bom momento para repensar. Para estabelecer uma nova visão e um novo jeito de fazer.

Semana passada conversei com uma ainda jovem profissional de propaganda estabelecida no mercado da capital paulista. E ela me confessou: a coisa está feia por lá, sim senhor! Menos investimento, clientes extremamente preocupados e cautelosos e empregos sendo ceifados todos os dias.

Ela também me disse que está em uma nova agência. Uma agência menor, com outra pegada e com uma estrutura mais ágil e enxuta, como ela mesmo descreveu. Uma agência que já opera em um novo modelo. Uma agência relativamente nova mas que já atende grandes contas. E confessou: está adorando! E olha que essa jovem profissional já tinha passagem por uma daquelas super mega blasters grandes agências de propaganda. E foi chamada para voltar prá lá. Não quis. Gosta mais do modelo em que está atuando…

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No nosso papo ela me disse que esses grandes clientes que a agência em que está atuando conquistou vieram atrás justamente do modelo de atuação. Não queriam ser atendidos por grandes corporações que são lentas em suas decisões e muitas vezes acomodadas com seu modelo operacional. Estes clientes queriam/querem/buscavam/buscam mudança!

Enfrentar crises requer disposição para a mudança. Envolve mais coisas, óbvio. Redução de custos (não significa apenas demitir pessoal), planejamento, força e vontade. Muita força e muita vontade!

A indústria da propaganda vai mudar. É inevitável! Os clientes estão exigindo novos modelos de atuação. A remuneração por comissionamento está novamente em cheque. Novas funções novas atribuições, novos profissionais, novos custos e novas formas de remuneração estão emergindo deste momento complicado. E muito provavelmente aqueles modelos que melhor se adaptarem serão os sobreviventes e perpetuarão a espécie.

Ainda naquele papo com a jovem profissional de propaganda. Ouvi: “Professor (eles parecem nos chamar assim para sempre, né?), o setor que mais cresce é o digital. E dentro dele o social media está bombando. Mas nem todo mundo sabe lidar com ele…” E mais: BI (business intelligence) também é uma área emergente nas agências.

Novos tempos, não?!

Vamos reunir força e vontade para fazer a mudança. Assim temos mais chances de vencer essa nossa triste crise!

Coluna {De dentro pra fora}

Segmentar. Tão importante, mas tão difícil

Vitor coluna

Em propaganda, talvez seja até um absurdo falar de segmentação. Definir o público-alvo da marca/produto é um dos primeiros critérios para desenhar a estratégia. Porém, em Comunicação Interna, a realidade deixa tudo mais complicado. Você não vai ter um público específico para acertar, mas diversos públicos com hábitos, idades e interesses totalmente distintos. E, para piorar, todos eles são fundamentais na sua comunicação. Geralmente, os profissionais de CI acabam cometendo dois erros:

• Massificar e fazer uma comunicação café com leite para todo mundo.
• Arriscar e fazer uma comunicação que não atinge a todos.

Difícil, né? Como lidar? Antes de tudo, vale reforçar que a gente não pode desconsiderar NUNCA a identidade da marca. Não dá pra ser informal se a marca não sustenta esse discurso. Nem para ser formal se a marca é totalmente informal. O primeiro critério que devemos avaliar é quem é a marca.

Ferramentas de comunicação
Também é importante conhecer toda a estrutura de comunicação da empresa. Os canais formais e informais, o mobiliário, os pontos de contato com os diferentes públicos, as possibilidades (inclusive, um ótimo momento para descobrir se o mix de canais funciona, se atinge todos os colaboradores). Nem preciso dizer que para isso é preciso de uma imersão total nas diferentes realidades da empresa. Conhecer os escritórios, conhecer as fábricas, conhecer os terceiros. Enfim, todas as etapas do processo.

Uma empresa, diferentes públicos
Finalmente, conheça as pessoas. Ande com eles. Entenda o percurso dentro da empresa, As diferenças de uma área para outra. As diferenças nas atividades. As diferenças, inclusive, regionais. Aqui, começa a sua estratificação. Você precisa identificar quais são as características desses públicos e começar a segmentá-los. Faça um mapa dos empregados, agrupando-os de forma que você possa direcionar a comunicação.
Para tudo isso, você vai precisar andar muito. Eu acho que quando um profissional de comunicação assume uma vaga em empresa a primeira coisa que ele deve fazer é uma integração/imersão. Andar tudo que for possível. Dominar o ambiente e as pessoas.

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Entender – segmentar – acertar
Conhecendo os diferentes públicos e as diferentes formas de se comunicar com eles, você vai ter mais segurança para desenhar estratégias de comunicação. E, então, conseguir segmentar suas mensagens, definindo abordagens e táticas conforme as características dos públicos. Muitas vezes, uma única mensagem vai precisar ser dita de maneiras diferentes, com estratégias diferentes. Talvez, até campanhas com conceitos diferentes. Tudo vai depender da estratificação do seu público. Tente fazer esse mapa. Garanto que ele vai ajudá-lo a ter uma comunicação muito mais assertiva!