Vai colar com quem? O futuro próximo da propaganda

Por Josué Brazil

Tenho repetido quase como um mantra em várias conversas e foruns de discussão que a propaganda (a comunicação como um todo, na verdade) terá que entrar definitivamente na era da colaboração e das parcerias entre diferentes áreas de saber. Ela, a propaganda, deverá buscar complementariedades.

Resolvi então tentar deixar mais claro e mais detalhado esse meu pensamento e buscar mostrar quais serão estas áreas de saber que nos próximos cinco anos, a propaganda tenderá a se aproximar e buscar sinergias, à medida que a dinâmica do mercado e as demandas dos consumidores continuam a evoluir. Arrisco-me então a apresentar algumas áreas-chave em que a propaganda pode se beneficiar de colaborações mais estreitas:

Tecnologia e Inovação: A rápida evolução da tecnologia está transformando profundamente a maneira como as marcas se comunicam com os consumidores. A publicidade precisa acompanhar essas mudanças, adotando novas plataformas e formatos, como realidade aumentada, inteligência artificial e realidade virtual. A colaboração com especialistas em tecnologia pode ajudar as agências de publicidade a criar campanhas mais inovadoras e impactantes.

Psicologia e Comportamento do Consumidor: Compreender o comportamento do consumidor é essencial para criar campanhas publicitárias eficazes. A psicologia do consumidor fornece insights valiosos sobre as motivações, necessidades e desejos dos clientes, permitindo que as marcas desenvolvam mensagens mais persuasivas e personalizadas. Colaborações com psicólogos e especialistas em comportamento do consumidor podem ajudar as agências de publicidade a criar estratégias mais direcionadas e envolventes.

Sustentabilidade e Responsabilidade Social: Os consumidores estão cada vez mais preocupados com questões como sustentabilidade, responsabilidade social e impacto ambiental. As marcas que demonstram um compromisso genuíno com essas questões muitas vezes se destacam no mercado. A publicidade pode desempenhar um papel importante na comunicação desses valores aos consumidores. Colaborações com especialistas em sustentabilidade e responsabilidade social podem ajudar as marcas a desenvolver campanhas autênticas e impactantes nessa área.

Dados e Análises: A quantidade de dados disponíveis sobre os consumidores continua a crescer exponencialmente. As marcas que conseguem analisar e interpretar esses dados de maneira eficaz têm uma vantagem competitiva significativa. A publicidade baseada em dados permite que as marcas segmentem seu público-alvo com precisão e personalizem suas mensagens para atender às necessidades individuais dos consumidores. Colaborações com especialistas em análise de dados e inteligência de mercado podem ajudar as agências de publicidade a aproveitar todo o potencial dos dados disponíveis.

Cultura e Tendências Sociais: A cultura e as tendências sociais têm um impacto significativo no comportamento do consumidor e nas preferências de compra. As marcas que conseguem entender e se adaptar às mudanças culturais muitas vezes são mais bem-sucedidas em se conectar com seu público-alvo. A publicidade que reflete e celebra a diversidade cultural e social pode ser mais relevante e envolvente para os consumidores. Colaborações com antropólogos culturais, sociólogos e especialistas em tendências podem ajudar as agências de publicidade a permanecerem atualizadas e sensíveis às mudanças na sociedade.

Ao se aproximar e buscar sinergias com essas áreas de conhecimento nos próximos cinco anos, a propaganda estará melhor posicionada para criar campanhas mais eficazes, autênticas e impactantes, que ressoem com os consumidores e impulsionem o sucesso das marcas.

Os melhores comerciais do Super Bowl 2024

Por Eduardo Spinelli*

Eu não acompanho o Super Bowl (confesso que não gosto muito de esportes), mas como trabalho com publicidade e audiovisual, todo ano faço questão de assistir a todos os filmes publicitários que passam no intervalo do SB.

Não sei se você sabe, mas a grande final da NFL (liga de futebol americano dos EUA) tem o comercial de TV mais caro do mundo: exibir um filme de 30 segundos durante a transmissão do Super Bowl custa US$ 7 milhões (algo em torno de R$ 35 milhões). As marcas investem pesado para veicular filmes impactantes e memoráveis.

Agora, indico alguns dos filmes publicitários que mais curti (seja pela criatividade, seja pela qualidade de produção) do Super Bowl 2024:

1) “Like a Good Neighbaaa”, para State Farm

Link:
https://youtu.be/sNGbLrrGYGs?si=97LP3_IVkkZ8NSXr

2) “Dina and Mita”, para Doritos

Link:
https://youtu.be/qQJyZseER6I?si=aqNi9LlZdEusBsL2

3) “Mayo Cat”, para Hellmann’s

Link:
https://youtu.be/oVIexvfdx7Q?si=7ZnrlNFkcucezgiH

4) “Sir Anthony Hopkins Unleashes the Wred Dragon”, para STōK Cold Brew Coffee e Wrexham FC

Link:
https://youtu.be/6BYPD8UBczI?si=mKqKcK1QMd1xuFfs

5) “Hello Down There” para Squarespace (esse comercial é dirigido por Martin Scorsese)

Link:
https://youtu.be/xp5v3-3Hc-E?si=axgZD-bSHk3n1Ld3

E aí, qual filme publicitário você mais gostou? Deixe aqui nos comentários.

*Eduardo Spinelli é publicitário, redator e roteirista freelancer da Proimagem Fullservice.

Coluna Propaganda&Arte

Carros elétricos: a realidade que slogan nenhum vai mostrar

Por R. Guerra Cruz

As propagandas de carros elétricos nos encantam com imagens de paisagens exuberantes, tecnologia de ponta e um estilo de vida moderno e sustentável. Mas, como em qualquer grande transformação, há nuances e desafios que merecem ser examinados com cuidado.

Impacto Ambiental: Nem tudo que reluz é “verde”

A produção de baterias, a alma dos carros elétricos, pode ter um lado obscuro. A extração de minerais raros e o consumo de energia em larga escala geram preocupações ambientais.

Além disso, o descarte inadequado de baterias usadas é um problema real, com potencial para contaminar o solo e as águas. No entanto, há esperança: a indústria está trabalhando para tornar a produção de baterias mais sustentável, utilizando materiais reciclados e fontes de energia renovável.

A longo prazo, os carros elétricos contribuem para a redução da emissão de gases poluentes, combatendo a mudança climática e melhorando a qualidade do ar.

Acessibilidade: Um obstáculo a ser superado.

O preço dos carros elétricos ainda é um impeditivo para a maioria dos consumidores, assim como a infraestrutura de recarga, ainda precária em muitas regiões, limita a viabilidade da adoção em massa.

No entanto, as coisas estão mudando: os custos estão diminuindo com o avanço da tecnologia e a produção em escala, enquanto incentivos fiscais e a expansão da infraestrutura de recarga, impulsionados por investimentos públicos e privados, estão tornando os carros elétricos mais acessíveis.

Impacto Social: Uma transição que “vai dar trabalho”

A migração para carros elétricos pode levar à perda de empregos na indústria automobilística tradicional, especialmente na área de motores a combustão, e a mineração de minerais raros para baterias levanta preocupações com condições de trabalho precárias e violações de direitos humanos.

No entanto, podemos construir um futuro melhor: a indústria de carros elétricos está criando novas oportunidades de trabalho em áreas como pesquisa, desenvolvimento e instalação de infraestrutura de recarga. Além disso, há um movimento crescente para garantir práticas de mineração éticas e sustentáveis, com foco em condições de trabalho justas e respeito aos direitos humanos.

O que as propagandas e slogans estão dizendo?

Chevrolet: “Bolt EV: O futuro é elétrico.”
● O slogan da Chevrolet reflete a visão otimista da marca em relação ao futuro da mobilidade elétrica, enfatizando a inovação e a modernidade.

Kia: “Niro EV: O crossover elétrico para todos.”
● A Kia destaca a acessibilidade de seu modelo elétrico, transmitindo a mensagem de que a tecnologia elétrica está ao alcance de todos os consumidores.

Volvo: “XC40 Recharge: O SUV elétrico que te leva mais longe.”
● A Volvo posiciona seu SUV elétrico como uma opção de alta performance e autonomia, enfatizando a capacidade do veículo em ir além das expectativas.

Promessas e desafios da indústria de carros

É fundamental ter uma visão crítica e abrangente, que considere os benefícios e as polêmicas que envolvem essa tecnologia. Cabe a governos, empresas e consumidores trabalharem juntos para construir um futuro sustentável, equitativo e acessível para todos, mas saiba que slogan nenhum vai falar sobre isso.

Coluna “Discutindo a relação…”

A origem da propaganda comercial

Por Josué Brazil

A propaganda ligada ao mundo dos negócios, a chamada propaganda comercial que hoje percebemos e sentimos seus efeitos, teve origem em dois fatores que se interligam:

O primeiro fator foi o  aperfeiçoamento dos meios físicos de comunicação. O segundo foi o aumento da produção industrial através do aperfeiçoamento tecnológico a partir da Revolução Industrial.

Em relação ao primeiro fator, o passo inicial foi a expansão do jornal, que deixou de ser um órgão veiculador de notícias restrito a pequenas comunidades e transformou-se numa indústria complexa, com grandes parques gráficos que exigiam investimentos cada vez maiores. Era preciso transformar seu espaço editorial em mercadoria, ou seja, o jornal começava a vender espaços para propaganda para poder cobrir os altos custos operacionais e até obter lucro.

Podemos dizer que, a partir da evolução dos jornais, teve origem, realmente, a propaganda moderna ligada ao mundo dos negócios.

A expansão dos jornais, entretanto, não ocorreu isoladamente. Era também decorrência do desenvolvimento tecnológico que desde a revolução industrial vinha alterando toda a sociedade capitalista que nela se iniciara.

Máquinas cada vez mais aperfeiçoadas e rápidas determinavam o crescente aumento da produção, fosse da tiragem de um jornal diário ou de bens de consumo.

Com a produção em larga escala os industriais se sentem forçados a encontrar maneiras igualmente rápidas de escoar os estoques. O meio mais eficaz encontrado foi a propaganda.

Aqui é que os dois fatores se interligam, pois o meio de comunicação mais abrangente da época (o jornal, que já possuia capacidade de se comunicar com um grande número de possíveis consumidores) queria e necessitava receber propaganda. Foi o que passou a ocorrer.

A propaganda passou então a aprimorar suas técnicas de persuasão para poder influenciar grandes parcelas da população a aceitar e consumir produtos que não correspondessem apenas a satisfação de suas necessidades básicas. E também para diferenciar produtos seriados, semelhantes, que precisavam se diferenciar e destacar dos concorrentes.