Coluna “Discutindo a relação…”

O consumidor brasileiro: um desafio fascinante para o marketing e a propaganda

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Entender o consumidor brasileiro é uma tarefa que exige muito mais do que analisar números ou acompanhar tendências de mercado. O Brasil é um país marcado por contrastes econômicos, sociais e culturais que moldaram um perfil de consumo único. Por isso, para profissionais de marketing e comunicação, compreender esse comportamento é um passo fundamental para construir estratégias mais eficazes e relevantes.

Ao longo das últimas décadas, o consumidor brasileiro passou por diferentes ciclos econômicos que influenciaram diretamente sua forma de consumir. Da hiperinflação dos anos anteriores ao Plano Real até a digitalização acelerada do período pós pandemia, o brasileiro aprendeu a se adaptar rapidamente às mudanças. Essa capacidade de adaptação ajuda a explicar por que ele consegue ser, ao mesmo tempo, cauteloso em alguns momentos e impulsivo em outros.

Essa aparente contradição é uma das características mais marcantes do consumo no país. O brasileiro pesquisa preços, compara opções e busca promoções, mas também valoriza marcas, status e experiências. Em muitos casos, a decisão de compra não é apenas racional. Emoções, desejos de pertencimento e aspirações pessoais exercem forte influência sobre as escolhas de consumo.

Para o marketing, isso significa que campanhas baseadas exclusivamente em argumentos funcionais podem não ser suficientes. É preciso combinar benefícios concretos com narrativas capazes de gerar identificação emocional. Marcas que conseguem equilibrar razão e emoção tendem a estabelecer conexões mais profundas com seus públicos e criar relacionamentos mais duradouros.

Outro aspecto importante é a crescente digitalização do comportamento de compra. O consumidor atual transita naturalmente entre o ambiente online e o offline. Ele pesquisa nas redes sociais, consulta avaliações, compara preços em aplicativos e, muitas vezes, finaliza a compra em canais diferentes daqueles onde iniciou sua jornada. Esse cenário exige estratégias integradas e experiências consistentes em todos os pontos de contato com a marca.

Além disso, fatores como renda, crédito, inflação e taxas de juros continuam exercendo forte influência sobre o consumo. Em um contexto econômico mais cauteloso, cresce a busca por valor. E valor não significa necessariamente o menor preço, mas a percepção de que o produto ou serviço entrega benefícios compatíveis com o investimento realizado. Essa mudança reforça a importância de um posicionamento claro e de propostas de valor bem definidas.

As características culturais também merecem atenção especial. A influência da família, das recomendações de pessoas próximas e da busca por reconhecimento social ainda possui grande peso nas decisões de compra. Para a propaganda, isso representa uma oportunidade de desenvolver mensagens mais humanas, próximas da realidade do público e conectadas aos seus contextos culturais.

Pense assim: compreender o consumidor brasileiro não significa procurar um padrão único de comportamento. Significa reconhecer sua complexidade, suas contradições e sua constante transformação. Para profissionais de marketing e comunicação, o desafio não é simplificar esse consumidor, mas aprender a dialogar com ele de forma autêntica, relevante e adaptável em um mercado cada vez mais dinâmico.

b.drops assina com Studio Mormaii e atinge 7500 telas no Brasil

Maior canal de DOOH especializado em ambientes de autocuidado e bem-estar do país agora está presente em mais de 1.600 endereços com mais de 7.500 telas no País.

A b.drops acaba de ampliar sua atuação no mercado nacional de wellness ao assinar com o Studio Mormaii, a qual se junta na carteira de clientes ao lado de grandes grupos do setor, como Smart Fit, Panobianco, Ultra, Gaviões e Acuas.

O crescimento do alcance da b.drops com sua plataforma de mídia em academias é um dos fatores que fizeram com que a nova parceria fosse concretizada. Lançada há pouco mais de um ano e já presente em mais de 850 unidades de diferentes bandeiras, a plataforma tem o foco em ambientes de alta circulação e engajamento, e oferece uma programação dinâmica nas telas, reunindo informação, entretenimento e anúncios comerciais exibidos de forma contextual ao longo da jornada do público.

A proposta de transformar esses espaços em pontos relevantes de contato entre marcas e consumidores tem sido vista pelas grandes empresas de wellness do mercado, que veem na b.drops uma excelente opção de investimento de mídia.

Além da mídia digital, a b.drops também realiza ações de live marketing dentro das academias, promovendo experiências presenciais que aproximam o público dos produtos por meio de interação, experimentação e relacionamento direto com as marcas.

“Em 2025, mantivemos um ritmo de expansão de aproximadamente uma nova academia por dia. Para 2026, nosso objetivo é continuar crescendo nessa mesma velocidade, ampliando ainda mais nossa presença no mercado, tanto em academias como nas principais redes de salões de beleza, vertical que deu origem à b.drops”, afirma Felipe Viante, diretor da empresa.

O avanço acompanha uma mudança no comportamento do consumidor e na própria dinâmica do setor. Segundo Viante, “o mercado fitness evoluiu para um mercado de wellness. Hoje, as pessoas não procuram apenas estética, mas também longevidade e qualidade de vida. Esse movimento impulsiona o crescimento do número de frequentadores nas academias e salões e leva as marcas a desenvolverem cada vez mais produtos voltados a esse perfil de consumidor.”

Com a parceria entre b.drops e o Studio Mormaii, a empresa reforça seu posicionamento como parceira estratégica de academias e anunciantes, acompanhando a transformação do setor e criando oportunidades de conexão com um público cada vez mais atento a bem-estar e qualidade de vida.

SOBRE A B.DROPS

Maior canal de DOOH especializado em ambientes de autocuidado e bem-estar do Brasil, a b.drops possui programação exclusiva, exibida em ambientes de espera positiva e com oportunidades focadas em marketing de experiência. Atua em mais de 23 estados brasileiros, com mais de 7.500 telas distribuídas em mais de 160 cidades, incluindo as principais capitais.


Investimento em anúncios impulsionados por IA deve crescer 63% em 2026, podendo atingir US$ 57 bilhões

Anúncios otimizados por IA já representam 12% do investimento nos EUA, crescendo 12 vezes mais rápido que os métodos tradicionais de publicidade

O investimento em publicidade impulsionada por inteligência artificial deve crescer de forma significativa nos próximos anos. De acordo com dados da Madison and Wall divulgados pelo Business Insider, os gastos nesse tipo de mídia devem crescer 63% em 2026, podendo atingir cerca de US$ 57 bilhões. Em comparação, anúncios que não usam ferramentas baseadas em IA devem crescer apenas 5% neste ano. Atualmente, anúncios otimizados por IA já representam 12% de todo o investimento publicitário nos Estados Unidos, crescendo 12 vezes mais rápido do que os formatos tradicionais.

O movimento evidencia uma mudança estrutural no mercado, motivada pela busca por mais eficiência, escala e precisão nas campanhas. Diferentemente da publicidade tradicional, que depende de segmentações mais amplas e planejamento manual, os anúncios baseados em inteligência artificial utilizam dados em tempo real, aprendizado de máquina e automação para otimizar entregas.

Para Fabio Gonçalves, diretor da Viral Nation e especialista no mercado publicitário, esse crescimento está diretamente ligado à necessidade das marcas de maximizar resultados em um ambiente cada vez mais competitivo: “A inteligência artificial permite uma leitura muito mais rápida e profunda do comportamento do consumidor. Esse dinamismo faz com que campanhas passem a evoluir em tempo real, ajustando automaticamente o público-alvo, o tipo da mensagem e o valor de investimento. É um nível de eficiência que a publicidade tradicional até poderia acompanhar de forma manual, mas demandaria muito mais tempo e paciência”.

Fabio Gonçalves, especialista no mercado publicitário e diretor da Viral Nation
Foto: Divulgação

Segundo o executivo, a principal diferença está na capacidade de otimização constante e na redução de desperdício de mídia e dinheiro: “Enquanto modelos tradicionais trabalham com previsões e segmentações mais amplas, a publicidade otimizada por IA vai estar atuando com base em dados dinâmicos, aprendendo a cada interação que acontece. Isso significa que haverá menos tentativa e erro e mais precisão na hora da entrega. E é importante dizer que isso impacta diretamente em métricas como ROI (Retorno sobre o Investimento) e conversão”.

De acordo com o profissional, o avanço também tem ligação com o desenvolvimento de ferramentas como o Performance Max, do Google, e o Advantage+, da Meta, que automatizam grande parte da operação de campanhas digitais. Essas plataformas utilizam inteligência artificial para realizar a gestão de anúncios.

“Ferramentas como Performance Max e Advantage+ são exemplos claros de como a IA já está no dia a dia das campanhas. Elas tiram do ser humano a necessidade de gerenciar a mídia e colocam todo o foco na estratégia e na criatividade. Ao mesmo tempo, exigem que profissionais e marcas entendam melhor como alimentar esses sistemas com dados e direcionamentos corretos. Dessa forma, podemos esperar que abram mais espaços e vagas para profissionais especializados na área de IA, minimizando a narrativa de que ferramentas de inteligência artificial irão roubar o posto de seres humanos”, explica Gonçalves.

Na avaliação do especialista, o impacto desse crescimento não vai se limitar apenas ao mercado norte-americano e deve se intensificar também no Brasil: “O Brasil tende a seguir esse movimento no futuro, e eu diria que com grande potencial de aceleração. Temos um mercado digital gigantesco, com alta tecnologia e forte presença de plataformas globais. Ao passo que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, veremos uma adesão cada vez maior por parte de anunciantes locais”.

Por outro lado, ele ressalta que o avanço da IA também traz novos desafios para o setor: “Se por um lado ganhamos eficiência, por outro aumenta a necessidade de estratégia. A inteligência artificial pode até potencializar resultados, mas nunca vai substituir completamente a visão de marca, criatividade e construção narrativa, que continuam sendo diferenciais nossos”.

Diante desse cenário, as agências já estão se adaptando para acompanhar a nova dinâmica do mercado. “Aqui na Viral Nation e em outras agências do setor, estamos integrando cada vez mais a inteligência artificial nas nossas operações, tanto na parte de mídia quanto na análise de dados e performance. Nosso principal objetivo é melhorar os resultados sem abrir mão da criatividade e da autenticidade dos creators. O futuro da publicidade será híbrido e vai sair na frente quem souber equilibrar esses elementos”, conclui.

Agentes de IA já são porta de entrada para o varejo de bens de consumo, indica Comscore

Imagem gerada pela IA do Canva

Acesso a sites de grandes varejistas via ChatGPT cresceu 181% em um ano e redefine a jornada de compra online

A inteligência artificial generativa passou a ocupar um papel estrutural na jornada de compra online. Dados do estudo Panorama Digital 2025 – Bens de Consumo, da Comscore, mostram que o acesso a sites de grandes varejistas via ChatGPT cresceu 181% em um ano (Paramorana Digital 2025 – Bens de Consumo YoY setembro 2025), transformando a plataforma de IA em um novo ponto de entrada para consumidores que buscam produtos de categorias como moda, eletrônicos, supermercado e itens do dia a dia.

O movimento ocorre em um mercado de grande escala. Segundo a Comscore, o ecossistema digital de bens de consumo reúne 1,2 bilhão de visitantes únicos mensais globalmente em setembro de 2025, considerando consumidores e potenciais compradores que acessam propriedades online de varejo em múltiplas categorias. O Brasil integra o grupo de mercados monitorados no Worldwide Rollup da companhia, ao lado de países como Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido, reforçando a relevância do consumidor brasileiro no cenário global.

Entre os dez maiores varejistas digitais do mundo (Amazon, Flipkart, TEMU, Shein, eBay, Walmart, Apple, Alibaba, Mercado Livre e Shopee), o crescimento do acesso via plataformas de IA sinaliza uma mudança na lógica tradicional de descoberta e consideração de produtos, com impactos diretos sobre estratégias de tráfego, visibilidade e conversão.

“A IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a atuar como um novo ponto de entrada na jornada de compra. O crescimento de quase 200% no acesso a grandes varejistas via inteligências generativas mostra que o consumidor já começa sua decisão em ambientes conversacionais, o que exige das marcas uma revisão profunda de como pensam visibilidade, conteúdo e mensuração”, afirma Ingrid Veronesi, country manager da Comscore no Brasil.

A Amazon mantém a liderança global em escala, enquanto a TEMU se destaca como o varejista que mais cresce no mundo, com alta de 35% ano a ano e 254 milhões de visitantes únicos, impulsionada por sua estratégia de preços e expansão internacional. Plataformas de fast fashion, como a Shein, também concentram a atenção dos consumidores, especialmente na categoria de vestuário, a de crescimento global mais acelerado.

Redes sociais concentram descoberta, interesse e intenção de compra

Além da IA, as redes sociais seguem como um dos principais vetores de descoberta e influência no consumo. Dados da Comscore Social mostram que 139 milhões de usuários adultos do Facebook no mundo demonstram interesse simultâneo na Amazon e em marcas de beleza, evidenciando a sobreposição entre grandes marketplaces e categorias de alto apelo emocional e recorrente (beleza e cuidados pessoais) dentro das plataformas sociais (Paramorana Digital 2025 – Bens de Consumo -Outubro2025)

Em setembro de 2025, os usuários globalmente passam em média 23 horas por mês em redes sociais que concentram quatro funções estratégicas para o setor de bens de consumo: alcance massivo, canal de descoberta, construção de comunidade e formatos de conteúdo comprável. Para marcas que atuam no Brasil, esse ambiente se consolida como um ponto decisivo de influência antes da conversão final em marketplaces ou sites próprios.

“Quando analisamos dados de audiência e interesse nas redes sociais, fica claro que a descoberta de produtos acontece muito antes do clique final. A combinação entre redes sociais e grandes varejistas cria um ecossistema contínuo de influência, especialmente em categorias como beleza, moda e itens do dia a dia”, complementa Ingrid.

Categorias líderes e mudanças no comportamento do consumidor

Do ponto de vista de categorias, Vestuário/Moda e Alimentos/Supermercados/Mercearia lideram o consumo digital global, cada uma atraindo mais de 460 milhões de visitantes únicos mensais (Bens de Consumo, setembro 2025) o que dialoga diretamente com o comportamento do consumidor brasileiro, historicamente engajado com moda, beleza e compras recorrentes online.

Na categoria de Vestuário, os cinco principais players online são a Shein, os varejistas indianos Myntra e AJIO, a plataforma de segunda mão Vinted e a tradicional marca esportiva Nike.

Entre os varejistas focados em alimentos e itens essenciais do dia a dia, o McDonald’s lidera globalmente com 93 milhões de visitantes únicos, seguido a uma distância considerável por serviços de quick commerce como Zomato e DoorDash.

Na Índia, a JioMart se destaca pelo forte ritmo de expansão, registrando um crescimento superior a 28% na comparação ano a ano entre setembro de 2024 e setembro de 2025

Influência cultural e sazonal amplia o impacto nas redes

O estudo também aponta mudanças relevantes no comportamento das novas gerações. Nos Estados Unidos, entre setembro e outubro de 2025, a parcela da Geração Z que valoriza comprar produtos locais cresceu 21% em apenas um mês, durante o período que antecede grandes datas promocionais como Prime Day e Black Friday. O dado indica uma combinação entre sensibilidade a preço, identidade cultural e preferência por consumo percebido como mais próximo ou alinhado a valores locais, uma tendência com potencial de impacto também em outros mercados.

Também durante a Black Friday de 2025 em novembro de 2025, conteúdos no TikTok associados ao evento e ao TikTok Shop estiveram fortemente ligados a termos de beleza e alimentação, evidenciando o peso dessas categorias no social commerce.

Na Índia, durante o Diwali (uma das principais temporadas de compras no país em outubro de 2025), colaborações entre marcas e influenciadores, como Samsung com Kalyani Priyadarsha, Top10 & Funcho e Coca-Cola com Manasvi Vashist, também reforçaram a capacidade do marketing de influência de conectar marcas e consumidores em períodos de alta saturação publicitária.

Esse padrão também se repete em datas globais, como o Natal. A parceria entre Mariah Carey e a Sephora, no início da temporada natalina, gerou 5,6 milhões de ações nas redes sociais em escala global, sendo 3,5 milhões apenas no Instagram, evidenciando o peso das ativações culturais e do capital simbólico de celebridades na amplificação de campanhas de bens de consumo.

“O que os dados mostram é uma jornada cada vez menos linear. O consumidor transita entre feeds sociais, marketplaces e buscas conversacionais antes de decidir. Para o mercado brasileiro, isso significa que compreender onde a audiência está e como ela chega aos pontos de venda digitais se tornou um fator decisivo para planejamento de mídia, investimento e crescimento”, conclui a executiva da Comscore.

Para acessar o levantamento completo, clique aqui.