Nesse último mês fui bastante questionado sobre minha opinião a respeito da nova marca da operadora de telefonia Oi. Resolvi então deixar aqui a minha opinião a respeito, apresentando a vocês o que acho importante em uma marca.
Primeiramente, devo definir quais os princípios em que me baseio para analisar qualquer ação de comunicação e assim, parto da “construção simbólica” como pedra fundamental de uma análise. Devemos entender que construção simbólica é a capacidade de passar algum conteúdo a saber, através de alguma forma portadora, garantindo significado a todos os interlocutores.
Nisso muitos criadores de logotipos se perdem, quando tentam significar usando formas já reconhecidas com objetivo de facilitar a identificação, mas trazem em sua comunicação o que eu chamo de significados ocultos ao símbolo. É como se usássemos a jarra que estava cheia de leite para oferecer água aos convidados. Alguns sentiriam um gosto estranho de leite ao beber a água.
O segundo princípio que uso, vem da escola Bauhaus, “a forma é subordinada à função”. Aqui o problema está naquele que busca incansavelmente o inovador, pensando só na forma e não naquilo que quer transferir como conhecimento. É o erro comum dos amadores! É quando se deseja tanto ser diferente que se esquece da principal função da comunicação que é transmitir. Façamos o seguinte exemplo, use a panela de pressão para ferver o leite e ninguém irá bebê-lo pois não irão reconhecer que leite está dentro da panela de pressão.
Por fim, meu último princípio é o mais difícil de fazer acontecer e também o mais importante: “Um bom símbolo é aquele que porta a verdade.” Não se pode vender mentira em branding, pois mentira tem perna curta e a marca precisa fazer uma longa caminhada. Sua imagem deve ser sinônimo da verdade em sua identidade. É possível explicar até defeitos com verdades bem simbolizadas, mas nunca conseguiremos vender leite por água.
https://www.youtube.com/watch?v=qq5Ec_GCzGE
Quando aplicamos tais princípios à marca nova da Oi, vemos que o polêmico nessa marca está no querer usar mais de uma forma para conceituar sua identidade. Veja que essa técnica não é assim tão inovadora, pois já foi feito na identidade do Hopi Hari, que aos poucos foi cristalizando um símbolo principal, mas ainda hoje permite a flexibilidade da forma.
Forma está sujeita a função que se for bem-feita carrega o conteúdo sem problemas. Quantos de nós já fervemos o leite na panela ou então servimos o mesmo naquela jarra de suco, mesmo assim conseguimos resultado do que buscávamos.
A Oi tem condições de construir um conteúdo simbólico que se encaixe em muitas formas. Mas para isso é preciso ter intimidade com o consumidor, pois flexibilidade parece ser a palavra chave desta marca. A Oi é uma empresa que tende a ser mais próxima de seus usuários, até porque não consegue concorrer em outros diferenciais como qualidade técnica de sinal ou mesmo só em preço.
Pelo que percebo a marca quer retratar está verdade da empresa na marca. Basta agora deixar claro que o leite está na jarra de suco.
Quanto às cores está tentando a quebra da moda monocromática (flat), para apostar em degrades também tem a ver com falar em diversidade, de meios tons como diferencial da marca. Mas é preciso se aprofundar. Pois cor sempre carregam consigo os significados ocultos e aí o bicho pode pegar. Vamos esperar para ver.
Por hora o rebranding da Oi, não me encomenda tanto quanto incomoda os críticos do “eu acho.”
Revista Mundo Estranho conquista prêmio internacional de design
No mês passado, a redação da MUNDO ESTRANHO comemorou a premiação do megainfográfico “A Revolução do Bicho”, publicado na edição de setembro de 2015. A publicação ganhou o prêmio Award of Excellence na 37ª edição do The Best of News Design, pela Society for News Design (SND), considerado o “Oscar” do design.
Entre mais de 9 mil inscritos, a revista foi uma das vencedoras na categoria Information Graphics [single]/Features/Non-deadline. “É um atestado da qualidade do nosso trabalho e do nosso empenho em produzir matérias surpreendentes e infográficos incríveis a cada mês. É tradição da Mundo Estranho produzir ilustrações incríveis. É nossa marca: o leitor abre a revista esperando isso e nós adoramos fazer!”, diz Victor Bianchin, editor do título.
Desde a ideia até a finalização do infográfico, foram cerca de dois meses para o material ficar pronto. Ocupando dez páginas da revista, ele foi dividido em quatro partes: Comparações com Humanos, Cladograma, Infográfico do Corpo e Curiosidades. Thales Molina, designer da ME e um dos responsáveis pelo infográfico, comenta que o maior desafio em realizá-lo foi conseguir organizar os diversos assuntos da pauta que necessitavam de recursos gráficos diferentes. “O diferencial e o desafiador da matéria é a disparidade gráfica dos assuntos que tratamos. Foram diversas saídas para mostrar, da melhor forma, várias informações sobre um mesmo conteúdo”.
Para saber mais sobre o conteúdo do infográfico ganhador de 2016, acesse: acesse a matéria online da ME.
Design reconhecido
Em 2014, a revista SUPERINTERESSANTE, da Editora Abril, também ganhou três aclamados prêmios: Society of News Design – SND, o The Society of Publication Designers – SPD e o Malofiej Awards. As estatuetas foram dadas para uma única matéria, “Por trás do véu”, da edição de julho, a primeira da história da revista a conquistar os três ao mesmo tempo. A consagração final veio com o reconhecimento da casa, que concedeu o Prêmio Abril de Jornalismo – PAJ à mesma reportagem, na categoria Infografia e Gráficos. Neste mesmo ano, a MUNDO venceu três SNDs, por três matérias diferentes: “A História da Tatuagem”, “Mergulho nas Profundezas” e “Mistérios Milenares – Egito”, as duas primeiras também premiadas no PAJ 2015.
“Todos os dias a tecnologia lança sobre os profissionais de todas as áreas desafios novos. Saber usar as novas ferramentas de forma estratégica é o grande diferencial.”
Nosso entrevistado da vez aqui no Publicitando é o Alexandre Lemes. Atualmente ele atua como designer gráfico no Senac SP, mas começou sua carreira no Vale do Paraíba. Leia o que ele nos disse:
1 – Sua carreira teve início aqui no Vale do Paraíba. Fale um pouco deste início de trajetória.
Me formei em publicidade e propaganda pela Unitau em 2004. Já no segundo ano fui convidado para um estágio como designer gráfico em uma empresa holandesa de impressão digital têxtil. A partir daí fiz uma imersão no mundo da criação e da propaganda. Fiz cursos de direção de arte, diagramação e redação na Belas Artes de São Paulo, me envolvi em grupos de estudo de Photoshop, Corel (na época), Indesign e Illustrator, ferramentas que reconheci como essenciais para desenvolver meu trabalho. Também passei por cursos de criação na ESPM e de softwares na Impacta. Parte do que eu ganhava era rigorosamente investido em estudos e aprimoramentos. Depois de estagiar nessa empresa, fui convidado para assumir uma vaga como webdesigner em uma pequena empresa em Taubaté onde aprendi a conduzir projetos em contato direto com os clientes. Um outro convite me levou a trabalhar em uma empresa de comunicação visual, expandindo meu conhecimento em relação a materiais, impressoras e processos de instalação de adesivos e fachadas. Um trabalho muito pesado, porém, enriquecedor. O grande salto aconteceu quando fui convidado a assumir uma vaga como diretor de arte na agência Tríadaz em Taubaté, onde, com o tempo, passei a gerenciar equipes e projetos de criação, criei processos e fluxos de trabalho envolvendo as equipes de criação e a de atendimento. Nessa época se destacam dois profissionais pelos quais desenvolvi grande admiração: Lucas Rodrigues, criativo e Liv Muhlbauer, atendimento.
Após 3 anos e 6 meses na Tríadaz fui para a Macost onde fiquei 1 ano. Por indicação de um criativo com o qual eu já havia trabalho, fui convidado a fazer uma entrevista na FAV/Ogilvy em São Paulo. O foco da agência era o marketing imobiliário e lá conheci processos eficazes e inovadores de criação e atendimento. Nessa época, fiz pós graduação em gerenciamento de projetos pela FGV. Novamente por indicação fui para a agência interna da Artefacto Móveis, a maior fabricante de móveis de luxo da América latina. Lá me especializei em fotografia de produto, propaganda de luxo, cobertura de eventos, criei campanhas para a marca, atuei no desenvolvimento visual das lojas e na produção e diagramação das revistas da empresa e do portal, bem como na captação e edição de imagens para comerciais de tv. Após 3 anos na Artefacto, me inscrevi para uma vaga de designer multimídia no Senac São Paulo e passei. Atualmente trabalho a 2 anos e 6 mese na sede do Senac, área TAE – Tecnologias Aplicadas à Educação, onde desenvolvo os recursos multimídia dos cursos do Senac, bem como para empresas como Metro, CPTM, Sebrae, entre outros. Pelo Senac fiz cursos de HTML5, CSS3, MS-Project, Wireframe e Prototipagem, além de User Experience pela Mergo. Além de trabalhar no Senac SP, desenvolvo trabalhos como freelancer e alguns desses trabalhos poder ser vistos no link www.behance.net/alexandre_lemes.
Alexandre Lemes: “A crise é real e pesada, mas também é uma excelente oportunidade para aprimorar e evoluir.”
2 – Em sua atividade atual você se envolve com que etapas/áreas da comunicação?
A equipe da qual faço parte desenvolve cursos, desde o conteúdo até os recursos com os quais os alunos terão contato. Participo dos briefings, juntamente com ilustradores, programadores, videomakers, artistas 3D e designers de conteúdo. A partir dessa reunião, cada participante recebe sua atribuição. As minhas atribuições geralmente compreendem a identidade visual e a direção de arte dos cursos, em alguns casos participo das gravações em estúdio. A equipe é grande e por isso cada um tem sua função bem definida. Nas empresas menores em que atuei era normal minha participação desde o atendimento ao cliente até a apresentação do projeto. Isso provoca acumulo de função, porém, é muito enriquecedor para um profissional no início de carreira.
3 – Como tem visto o cenário atual da comunicação? O digital tem trazido novos desafios para sua atuação profissional?
Sou da época em que o digital ainda tinha pouco impacto na comunicação. Acompanho desde sempre a evolução dos meios e recursos através das novas tecnologias e posso dizer que, tanto na área de propaganda, quanto na área educacional, o digital tem reduzido custos e aumentado expressivamente a eficiência da comunicação. É uma realidade incontestável. Atualmente, gestores e agências têm dado preferência para os meios digitais pela rapidez de produção e pela alta capacidade de aferição de resultados, tornando a comunicação muito mais cirúrgica e inteligente. Percebo no dia-a-dia, em diversas ocasiões, que as empresas ainda têm dificuldade de planejar e aplicar meios digitais de forma coerente. Para mim, o maior desafio da gestão criativa atualmente é conciliar a base de conhecimentos analógicos bem desenvolvidos ao longo de décadas e convertê-la em ações a partir de ferramentas digitais disponíveis, bem como, manter-se devidamente atualizado com o desenvolvimento incessante de novas tecnologias e tendências.
Todos os dias a tecnologia lança sobre os profissionais de todas as áreas desafios novos. Saber usar as novas ferramentas de forma estratégica é o grande diferencial.
Lembrando de um saudoso slogan de uma marca de pneus: Potência não é nada sem controle.
4 – O momento econômico atual é desafiador e complicado. O que você vê como essencial para a indústria da propaganda atravessar esta fase?
A propaganda precisa se reinventar administrativamente, rever métodos e processos, quebrar barreiras comerciais e principalmente usar a gestão estruturada a seu favor. Tendo em vista minha passagem por agências de diversos portes posso concluir que todas elas têm uma característica em comum: A gestão, ou a falta dela. Sinto que a criatividade é um ponto muito forte do brasileiro, mas a gestão não. As empresas de criatividade precisam agregar processos administrativos desenvolvidos e avançados, adaptando e usando-os a seu favor. Equipes enxutas, processos e operações controlados, gerenciamento aprimorado de stakeholders e principalmente, excelência em aferição de resultados. O cliente atual espera, e em muitos casos exige, números claros sobre o retorno do investimento e aparentemente, as agências não conseguem dar o suporte necessário. A estratégia precisa ser aliada da criatividade, caso contrário, as empresas sentirão cada vez mais o peso da economia volátil. Particularmente, meus trabalhos nunca foram tão solicitados como hoje em dia, mesmo diante da crise econômica e política que atrasa nosso país. A crise é real e pesada, mas também é uma excelente oportunidade para aprimorar e evoluir.